AULA DE EDUCAÇÃO SEXUAL

Não há quem seja contra aulas de educação sexual. Afinal, ninguém quer que seu filho cresça à sombra da ignorância sobre os fatos essenciais da vida. Para muitos pais, melhor ainda que essas lições sejam dadas na escola, por professores confiáveis. Além disso, é uma forma de evitar situações embaraçosas, quando o tema vem à tona na hora do jantar.

Ocorre que as aulas tornam o assunto corriqueiro, como de fato deve ser. E a criança passa a tratar suas dúvidas com naturalidade. “Lógico, é isso que queremos!”, dizem os pais ao discutirem hipoteticamente o assunto. Às vezes, os fatos os pegam de calças arriadas.

Durante uma aula, a professora discorria sobre os métodos anticoncepcionais mais usuais. Ao falar sobre preservativos, uma aluna mais curiosa levanta o dedo.

– Professora, por que é que tem camisinha com sabor?

A professora dá uma pausa dramática. Disfarça seu constrangimento com uma pigarreada e tenta sair pela tangente.

– Não é sabor, Luiza, é aroma. Para tornar o momento do ato agradável para o casal.

Mas a menina, de dez anos, insiste.

– Não é aroma, é sabor, professora. Eu vi na farmácia: camisinha sabor morango, sabor menta, até chocolate.

A mestra ficou sem saber como sair dessa. A mentira não colou. E agora? Ao perceber que as outras crianças não acompanhavam a dúvida da coleguinha, tia Elaine empurrou a questão para a mochila da garota.

– Luiza, acho melhor você perguntar isso para seus pais.

Ao chegar em casa, correu com a dúvida e a despejou sobre seu pai que lia uma revista no escritório. O pai, como todo pai ciente de seu papel de educador, respondeu rápido.

– Isso é um assunto de meninas. Fale com a mamãe.

Esta, a princípio, fingiu não entender. Mas a garota insistiu. A mãe relutou, mas revelou a verdade.

– Filha, ao contrário das abelhinhas e dos ursos pandas, os seres humanos fazem coisas bizarras durante o ato sexual. Chegando ao cúmulo da mulher por a boca na…no…na… ah, você entendeu, né?

– No pênis do homem, mãe?

– Isso! Ia me esquecendo a palavra.

– Todas as mulheres fazem isso? – perguntou ela, curiosa.

– Nem todas. – escapou a mãe.

– Você?

– Eu o quê? Que isso, imagina! Agora vai escovar os dentes e ir dormir.

Luiza fingiu obedecer, mas correu pro quarto de seu irmão gêmeo, excitada para revelar a descoberta.

– Leo, sabe por que tem camisinha com sabor?

Leo não chegou a tirar os olhos do monitor, onde tentava zerar uma fase do GTA 5.

– Claro! Boquete, ué!

Leo faltara à aula de educação sexual. Mas frequentava um curso intensivo com os amigos, no playground do prédio, onde este tema e vários outros eram debatidos, provavelmente utilizando como material didático os vídeos que pesquisavam na internet.

A história é (quase) verídica. E foi relatada por uma mãe na reunião de pais, num colégio da zona sul do Rio.

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