MEUS 450 ANOS DE RIO

Quando ouvi falar em Rio, 450, pensei logo em 450 graus. Sabia que a cidade andava quente, mas não imaginava que fosse tanto! Logo em seguida, no ar condicionado, li com calma: Rio 450. Fiz as contas e saquei do que estavam falando: o Rio tá entrando na “melhor idade”. A cidade, se fosse uma cidadã carioca, não pagaria mais passagem de ônibus e teria desconto nos ingressos de cinema.

O Rio já não é mais uma mocinha, mas ainda assim, chama a atenção da rapaziada quando desfila sua beleza pelas praias. Todo mundo para pra olhar – se não ‘tiver correndo de um arrastão. As curvas das montanhas também continuam tão sensuais quanto no passado. O problema é que às vezes, você vai apreciar sua beleza, o dono do morro não gosta e te encara feio.

Mas pra todo lado, o que temos é o carioca e sua simpatia te convidando pra um chope, onde o assunto pode ser qualquer um, mas em algum momento vão estar falando da beleza da cidade e das garotas de Ipanema, Madureira ou Bangu. Já rodei um bocado por esses 450 anos de Rio. Nasci no Distrito Federal. Não em Brasília, mas aqui mesmo, quando a gente ainda era a capital do Brasil. Imagina como não devia ser maneira a vida de deputado federal naqueles tempos: o sujeito se meter numa maracutaia de frente pro mar!

Me lembro quando não havia o túnel Rebouças, nem o Santa Bárbara. Eram duas cidades em uma: a urbana, do centro e da zona sul e a suburbana, quase uma roça. Imagina que logo ali na Vila da Penha, um vizinho passeava no seu DKW Vemag, enquanto o outro amarrava seu cavalo malhado na amendoeira antes de subir pro seu apartamento!

Só via a Copacabana quando ia ao médico. Por isso, torcia pra ficar doente. Mas podia mergulhar sem medo na praia de Ramos ou na praia da Bica, na Ilha do Governador. Naquele tempo, sim, poderíamos sediar uma Olimpíada sem pagar mico! Gostava de ir à praia na Barra da Tijuca, mas era uma longa viagem! A avenida Sernambetiba era uma única pista estreita, sem acostamento. E no fim da tarde, sempre tínhamos que desatolar as rodas do carro que afundavam numa areia tão fininha que chegava a assobiar.

Não cheguei a ver os bondes circulando, mas brinquei muito de motorneiro naqueles que por anos decoraram as pracinhas do subúrbio. Nessa mesma época, podia jogar uma pelada no paralelepípedo das ruas sem ser atropelado, no máximo estourava o dedão. E quem soltava pipa ou fogos no morro, não tava ajudando facção nenhuma…

Ah, sim! Quando ia ao Maraca, via Jairzinho e Paulo Cesar Caju dando show com a camisa do Fogão.

Caraca! Falando assim, parece que foi mesmo há 450 anos!

(Ouça este texto no programa MÚSICA NA VEIA, do Arlindo Cruz- MPB FM).

1 comentário

  1. neto   •  

    Show de bola!!!!!

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