IEMANJÁ E AS OFERENDAS DE ANO NOVO

Todo ano é assim. No primeiro dia do ano, as promessas. Prometo que vou começar uma dieta, que vou estudar mais, que não vou trair minha mulher, que vou dar mais atenção aos meus filhos, que vou trabalhar mais, que vou trabalhar menos, que vou manter meu blog atualizado, que dessa vez vou cumprir as promessas do ano retrasado…

Claro que não é possível cumprir todas aquelas promessas. Elas foram feitas na empolgação e quando você estava cheio de sidra Cereser nas ideias – uma das promessas é comemorar o próximo réveillon com champanhe.

Mas uma promessa poucos fazem: voltar à praia no dia seguinte e recolher as oferendas que Iemanjá não levou. A areia fica coalhada de velas, garrafas, barquinhos, pentes, colares, pulseiras e camisinhas. Sim, camisinhas! Muita gente tenta convencer a divindade a praticar sexo seguro, basta ela reaproveitar as camisinhas usadas.

É também impressionante a quantidade de sacos plásticos que encontramos nas ondas. Será que Iemanjá é como criança, desembrulha seus presentes e larga as embalagens por ali? Ou será que, com a crise, o povo oferece potinhos de iogurte com a tampa lambida, copos de mate vazio e cascos de sidra Cereser? Fui nadar em Copa três dias depois e garanto: os presentes foram largados por lá, não fizeram sucesso com a rainha do mar.

Aliás, há anos esses presentes vêm sendo rejeitados. Que tal tentar algo diferente: no ano que vem, em vez de lançar oferendas, ore para sua protetora e, no dia seguinte bem cedo, volte e retire das águas e das areias o que encontrar. Talvez assim seus desejos se realizem

Vamos oferecer a Iemanjá praias mais limpas. Promete?

 

2 Comentários

  1. Bruno Armstrong   •  

    Aaaahahhahahaha! Demais.
    Parar de beber é das promessas mais falsas que um homem pode fazer…

  2. Rodrigo   •  

    Não sei até hoje como vc e seus amigos conseguem nadar no Posto 6. Isso sim é uma façanha!!!!

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