A maratona olímpica

jogos

Acordei disposto a acompanhar tudo nos jogos de hoje. Impossível. Os dezesseis canais me deixam tonto. São zilhões de esportes simultâneos. Fico mudando de um canal para outro sem saber qual é a boa. A impressão que tenho é que sempre tem alguma coisa muito mais maneira acontecendo num canal que não estou vendo.

Escolho a canoagem slalom e o rúgbi feminino está emocionante. Mudo para os saltos ornamentais, quando deveria estar acompanhando o hóquei sobre grama. Mudo para o futebol feminino entre Azerbaijão x Honduras, quando o vôlei de praia entre Ilhas Fíji x Trinidad e Tobago está imperdível.

Tento fazer uma tabela com as melhores disputas, mas fico ansioso, tonto, perdido. Esporte pode ser saudável pra quem pratica, mas pra quem assiste é altamente prejudicial à saúde.

* * *

No primeiro dia oficial das competições, resolvi acompanhar algum esporte ao vivo. Fui ao Parque Olímpico assistir à natação. Muito mais tranquilo que pela tevê. Primeiro, você não tem escolha. Ou assiste ao esporte que tem ingresso ou fica na praça de alimentação tentando conseguir um hambúrguer, um verdadeiro esporte radical.

Ao contrário do que esperava, o transporte foi bem tranquilo. O metrô e o BRT estão civilizadíssimos. Apesar da multidão, conseguimos um lugar sentado, e a viagem foi bem rápida.

A torcida deu um show. Assisti a várias provas em que não tinha nenhum brasileiro na água. Ainda assim, a galera vibrava com os nadadores e torcia por cada quebra de recordes como se fosse seu time na final do Brasileirão.

No final, saí satisfeito ao contabilizar dois recordes mundiais. Depois descobri que houve um outro recorde quebrado, enquanto comemorava a passagem de um brasileiro – João Gomes ou Felipe França, para as semifinais no dia seguinte. Ou seja, estava lá, vi e não vi…

* * *

Pra quem tá sem ingressos, a boa é ver os esportes que acontecem nas ruas. O ciclismo de estrada foi um espetáculo. São das provas que melhor vendem os cartões postais do Rio de Janeiro para o mundo, mostrando paisagens de tirar o fôlego. Copacabana, Grumari, Floresta da Tijuca… Pena que os atletas não veem nada das nossas belezas, já que estão sempre em altíssima velocidade. Soube que descem as íngremes ladeiras da Vista Chinesa a 70 quilômetros por hora. Se os pardais da CET-Rio estiverem ligados, vão pagar uma grana de multas e ainda correm o risco de perder a carteira de habilitação.

* * *

Acabo de ver um jornal jogado num cesto da sala e fiquei chocado como tem coisa acontecendo. O Brasileirão continua. A Lava Jato tá comendo solta, ou melhor, presa. A campanha eleitoral americana pega fogo. Gente, assim não dá! Vamos dar um tempo no mundo.

A Olimpíada já é assunto demais. Não podemos acompanhar tudo ao mesmo tempo agora.

106
ao todo.

Deixe uma resposta