Vai faltar prego!

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A noite de terça foi frenética. Queria ver o Phelps de qualquer maneira. Estava pegado no SporTV até as 22 horas, quando começariam as provas de natação. Ou melhor, o show do Phelps. O pessoal me dispensou vinte minutos antes. Saí correndo, desesperado pelo Parque Olímpico, bati alguns recordes não registrados pelos juízes dos jogos. Quando me aproximava do estádio aquático, um formigueiro se afunilava nas roletas, como se lá dentro estivessem distribuindo ouro. E estavam. Mas calma, eu chego lá.

Suando em bicas, me sentei enquanto o cara se apresentava pra disputar os 200 metros, borboleta. Estava focado. De longe dava pra ver o sangue nos olhos. A prova tinha gosto de vingança. O sul africano Chad Le Clos desfilava com o cinturão da prova que conquistou em Londres 2012.

Phelps queria a todo custo aquela medalha. Acho que tinha prometido pro seu filho. O moleque Boome gosta de brincar com os coleguinhas de “Caça às Medalhas“. São 24 crianças e ele só tinha 23 até aquela noite. Sempre um moleque voltava pra casa chorando. Phelps caiu na água e saiu de lá com mais. Missão cumprida.

Na cerimônia de premiação, ele quebrou o protocolo e foi beijar o filho. O garoto avisou que fez mais um amiguinho no Rio. Lá foi Phelps pro revezamento 4 x 200 metros. Dessa vez, pediu uma força aos parceiros que resolveram poupá-lo do esforço. Nadou pra fechar a prova que já estava ganha. Pronto, o garoto podia sossegar. E nós também. Gritamos mais do que o moleque, como se fôssemos participar da brincadeira.

Mas ninguém da arquiba foi convidado. Sem problemas, estávamos satisfeitos em ver um tubarão cruzando o mar azulejado. Uma noite histórica!

E ainda não acabou. O monstro quer levar mais três. O menino pode arrumar mais amiguinhos.

Mas vai faltar prego na casa do Michael Phelps pra pendurar tanta medalha!

56
ao todo.

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