Paz no Futebol!

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Cinco suspeitos de envolvimento na morte de um torcedor botafoguense foram presos essa semana. Ler essa notícia não me deu alívio, e sim agonia. Os detalhes são estarrecedores. Na casa de um deles, foram apreendidos porretes, morteiros, soco inglês e granada. A camisa ensanguentada do jovem alvinegro estava guardada com um dos suspeitos, como um troféu. O criminoso fez questão de mantê-la, mesmo correndo o risco de ser apanhado com uma prova cabal de ter participado da chacina, assim como um caçador exibe na sala a cabeça do animal abatido. Um dos integrantes da Torcida Jovem do Flamengo declarou na delegacia que a ideia não é ir ao estádio para torcer, mas para atacar e brigar. Para quem vai para torcer e se divertir, para quem quer levar seus filhos para se encantar com a magia do futebol, é desanimador.

Pouco antes de um jogo entre Botafogo e Flamengo, Diego da Silva Santos foi cruelmente assassinado com golpes de um espeto de churrasco. O crime aconteceu no entorno do estádio Nilton Santos, cujo nome homenageia um dos jogadores mais elegantes da nossa história, lembrado por seu talento, por jogar limpo com seus adversários, por evitar jogadas violentas, por tratar a bola com a delicadeza de quem leva a namorada ao cinema. Nilton Santos não merecia isso.

O problema vem de longe e não está relacionado ao grau de rivalidade entre os times que se enfrentam. Em 2005, um torcedor do Fortaleza foi morto numa emboscada por torcedores do Botafogo na ponte Rio-Niterói. As imagens brutais de uma briga entre torcedores do Vasco e do Atlético Paranaense nas arquibancadas em 2013 ainda estão vivas na memória dos brasileiros. Esses clubes não são adversários tradicionais. É gente que não quer saber de futebol, nem de diversão. Não são torcedores, são criminosos. Muitos passam o jogo de costas para o campo, procurando encrenca. Vários desses encontros são marcados nas redes sociais.

Existe solução? Devemos banir as torcidas organizadas? Devemos lutar por jogos de torcida única? Devemos nos conformar e assistir aos jogos pela televisão? É cada vez maior o número de pessoas que acredita ser essa a saída. Eu, que curto o calor das arquibancadas, o batuque das charangas, a vibração dos apaixonados pela bola, só tenho a lamentar.

Em 2014, o Brasil perdeu a Copa, mas foi o campeão mundial de violência no futebol, com 18 mortos. O saldo foi menor que em 2013, quando 30 torcedores morreram em conflitos nas singelas tardes de domingo. Mas se a Europa conseguiu neutralizar os hooligans, por que não ter esperança de que um dia também poderemos superar esse grave problema?

Em 2015, para reduzir os confrontos, uma agência publicitária promoveu uma ação em que mães de torcedores violentos foram trabalhar na Arena Pernambuco num dia de jogo entre o Sport e o Náutico. No outro extremo do país, o estádio Beira Rio destinou um setor das arquibancadas onde cada torcedor do Inter levaria um amigo gremista para assistirem a uma partida lado a lado.

Fala-se em criação de novas leis, em reforçar a repressão à pancadaria. Enquanto a solução passar por um estádio fortemente policiado, as famílias vão preferir ficar em casa. É preciso que o bom senso e a civilidade prevaleçam.

Vamos voltar aos bons tempos em que “torcer até morrer” era apenas um verso do hino do América Futebol Clube.

Assista aqui o vídeo que foi ao ar.

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Globo News – 25/3/2017

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