NÃO VAI SER MOLEZA!

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A sensação da torcida quando seu time cai para a série B é estranha. Não se fala muito do campeonato atual e sim da expectativa do seu final feliz, quando o clube poderá estar de volta à elite. O torcedor acompanha meio de longe, ainda de olho no que está ocorrendo na série A, onde estão os times dos seus amigos. É como uma pessoa que morava em Ipanema e, por um revés da vida, é obrigada a mudar para a Tijuca, mas não frequenta a nova vizinhança, só quer saber de frequentar os bares dos seus velhos amigos.

Pois resolvi quebrar essa regra. No último sábado fui a Belém assistir a Botafogo x Paysandu, no Mangueirão. Foi a estreia do Fogão na segundona, o início da saga que pode culminar com a esperada nudez de Maitê Proença.

Foi uma viagem puxada. São praticamente 2500 quilômetros  entre o Rio e Belém. A equipe do programa ExtraOrdinários, formada por cinco pessoas, incluía a estrela da campanha, Maitê. Nossa musa nunca imaginou ir tão longe pelo Fogão. Cansativo, mas divertido.

O melhor da viagem estava na mesa. A comida é ótima naquela terra. Peixe fresco, temperos e frutas de nomes indecoráveis – tucupi, jambu, bacuri, cupuaçu, pra citar aqueles que guardei. O restaurante Remanso do Bosque e a sorveteria Cairu foram os destaques. Um passeio pelo Mercado Ver-o-Peso gerou boas situações, e ainda visitamos a Estação das Docas, uma área portuária que, reformada, ficou bem bacana.

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O estádio Olímpico do Pará, chamado Mangueirão, estava lotado com a confiante torcida do Papão. Foi prestigiar o time recém-chegado da série C. E demonstrou vontade de voar alto. Durante o primeiro tempo, o Paysandu pressionou o Bota e me deixou assustado. Não queria ir tão longe ver meu clube começar o B-Brasileiro com o pé esquerdo. Assistimos à primeira etapa de um camarote da Secretaria de Esportes, de frente pra galera alvinegra que, surpreendemente, compareceu em bom número. Mas sobre a nossa cabeça pesavam os 30 mil paysandusenses, que não paravam de pular e gritar.

A coisa não estava boa. Resolvemos mudar de tática. Fomos assistir ao restante do jogo no meio da nossa galera. Mas parecia haver uma conspiração: ficamos presos no elevador do estádio! Foram 15 minutos de sufoco. Fomos salvos pela Maitê, que nos tirou dali com a força de sua meditação.

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Chegamos à arquiba com a segunda etapa já em andamento. A recepção foi bem calorosa. Tão calorosa que quase não vimos nada, já que todos queriam tirar fotos com a gente. E olha que nossa musa estava vestida!

O Bota evoluiu, partiu pra cima, ameaçou, dominou, mas mostrou a fragilidade da defesa. E acabou tomando um gol polemicamente anulado – no tira-teima, Leandro Cearense aparece na mesma linha, mas a bandeirinha não teve acesso ao replay.

Aos 41 minutos, o alívio. Rodrigo Pimpão recebe de Carleto e empurra pras redes paraenses. O jogo foi fraco, com muitos passes errados e jogadas bisonhas. Mas o voo de volta foi mais leve.

Pudemos ver como este ano vai ser dureza. De qualquer forma, Maitê, é melhor pedir um personal pro Sportv e ficar de olho na balança, pois em dezembro vamos cobrar a promessa!

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E ninguém cala…

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É SÓ TAÇA GUANABARA. POR QUE COMEMORAR?

No dia 8 de abril de 2015, o Botafogo leva pra casa a Taça Guanabara. Não é um campeonato. Não é um grande título. Trata-se apenas de um turno do Carioca. Por que então comemorar?

A oposição pode falar o que quiser. Não estamos nem aí. Celebramos, sim. Não só a conquista, que mostra que estamos vivos e em plena recuperação, depois da tsunami que foi nosso ano passado. A champanhe do réveillon alvinegro estava chocha. Dívidas, descréditos, terra arrasada. Ninguém levava fé, viramos chacota em cada esquina. Agora que chegamos lá, só ouvimos desdém. Beijinho no ombro!

Fizemos a melhor campanha – nossos números são os mesmos do Urubu, mas no confronto direto, deu nós. O campeonato é uma zona? É. Mas todo mundo queria. E a gente precisava – e muito – do prêmio. Um milhão de reais vai cair bem no cofre de General Severiano, que faz até eco de tão vazio. Grande alívio!

Uma batalha já foi, mas estamos no meio da guerra. Neste momento, porém, estamos relaxando e saboreando a cervejinha da vitória. O ano está só começando. Melhor que o início seja com boas notícias.

Parabéns a todo o elenco, ao René Simões, à diretoria. O caminho é esse mesmo. E vamos relembrar aqui o belo samba de Dom Elias que Leo Russo resgatou. Hoje ele é a cara do nosso Fogão. Reage, Meu Botafogo!

E ninguém cala…

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MAITÊ NUA POR AMOR AO FOGÃO!

(recado para o elenco do Botafogo)

Maitê Proença mostrou que é Fogão. E não foi num programa de culinária do GNT. Durante o programa Extra Ordinários, no SporTv, fez uma promessa que está balançando a concentração do plantel alvinegro. Maitê prometeu posar nua, caso o Botafogo volte para a Série A.

Sabemos que ainda falta muito. Temos o Carioca, a Copa do Brasil e, enfim, todo um Brasileirão série B a cumprir. Mas assistir aos jogos na segunda (ou terça, ou quinta, sei lá)  ganhou um outro sabor. É um desafio que a torcida do Fogão vai acompanhar com prazer. E, cá entre nós, os torcedores adversários podem até fazer um jogo de cena, mas duvido que não queiram ver nossa musa como veio ao mundo.

Este video foi enviado aos jogadores. Vamos aguardar a resposta. Se mandarem video, vou publicar.

Pode ter certeza, Maitê, já tem jogador treinando com mais empenho. Eles sabem que quem fizer corpo mole, vai pegar uma fama muito esquisita.

 

#QUEROMAITÊNUA

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MEUS 450 ANOS DE RIO

pão de açucar

Quando ouvi falar em Rio, 450, pensei logo em 450 graus. Sabia que a cidade andava quente, mas não imaginava que fosse tanto! Logo em seguida, no ar condicionado, li com calma: Rio 450. Fiz as contas e saquei do que estavam falando: o Rio tá entrando na “melhor idade”. A cidade, se fosse uma cidadã carioca, não pagaria mais passagem de ônibus e teria desconto nos ingressos de cinema.

O Rio já não é mais uma mocinha, mas ainda assim, chama a atenção da rapaziada quando desfila sua beleza pelas praias. Todo mundo para pra olhar – se não ‘tiver correndo de um arrastão. As curvas das montanhas também continuam tão sensuais quanto no passado. O problema é que às vezes, você vai apreciar sua beleza, o dono do morro não gosta e te encara feio.

Mas pra todo lado, o que temos é o carioca e sua simpatia te convidando pra um chope, onde o assunto pode ser qualquer um, mas em algum momento vão estar falando da beleza da cidade e das garotas de Ipanema, Madureira ou Bangu. Já rodei um bocado por esses 450 anos de Rio. Nasci no Distrito Federal. Não em Brasília, mas aqui mesmo, quando a gente ainda era a capital do Brasil. Imagina como não devia ser maneira a vida de deputado federal naqueles tempos: o sujeito se meter numa maracutaia de frente pro mar!

Me lembro quando não havia o túnel Rebouças, nem o Santa Bárbara. Eram duas cidades em uma: a urbana, do centro e da zona sul e a suburbana, quase uma roça. Imagina que logo ali na Vila da Penha, um vizinho passeava no seu DKW Vemag, enquanto o outro amarrava seu cavalo malhado na amendoeira antes de subir pro seu apartamento!

Só via a Copacabana quando ia ao médico. Por isso, torcia pra ficar doente. Mas podia mergulhar sem medo na praia de Ramos ou na praia da Bica, na Ilha do Governador. Naquele tempo, sim, poderíamos sediar uma Olimpíada sem pagar mico! Gostava de ir à praia na Barra da Tijuca, mas era uma longa viagem! A avenida Sernambetiba era uma única pista estreita, sem acostamento. E no fim da tarde, sempre tínhamos que desatolar as rodas do carro que afundavam numa areia tão fininha que chegava a assobiar.

Não cheguei a ver os bondes circulando, mas brinquei muito de motorneiro naqueles que por anos decoraram as pracinhas do subúrbio. Nessa mesma época, podia jogar uma pelada no paralelepípedo das ruas sem ser atropelado, no máximo estourava o dedão. E quem soltava pipa ou fogos no morro, não tava ajudando facção nenhuma…

Ah, sim! Quando ia ao Maraca, via Jairzinho e Paulo Cesar Caju dando show com a camisa do Fogão.

Caraca! Falando assim, parece que foi mesmo há 450 anos!

(Ouça este texto no programa MÚSICA NA VEIA, do Arlindo Cruz- MPB FM).

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SEM SURPRESA

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Ninguém se espantou. Poucos ainda se iludiam, sonhando com uma reviravolta miraculosa. Mas o roteiro permaneceu inalterado. Como em outras rodadas, os resultados dos adversários nos favoreceram. E mais uma vez tropeçamos na própria incompetência.

Pode-se dizer que o Botafogo lutou pra cair. Foram 22 derrotas em 37 jogos, apresentando um futebol compatível com os resultados, que frequentemente não foi humilhante graças a um único jogador lúcido em campo: o goleiro Jefferson, o melhor do Brasil. Tenho certeza de que a atual diretoria vai tentar segurá-lo para o ano que vem. Não será surpresa se a boa notícia não vier. Temos que compreender se ele aceitar uma proposta interessante que deverá surgir – se é que já não surgiu.

Um ano que termina como imaginamos lá no início. E olha que torcemos. Empurramos o time ladeira acima na Libertadores até onde deu – já sem os craques e os remediados do ano passado, com um treinador que não comandaria meu time de peladas.

No Brasileirão, o Botafogo parecia aquele jogo “Resta Um”. A cada rodada, uma dificuldade era acrescida: E se atrasarmos os salários dos jogadores, como fica? E se rompermos o Ato Trabalhista? E se tivermos as receitas bloqueadas? E se demitirmos quatro titulares? E se perdermos todos os jogos que faltam? E se…

Não tem mais “se”, agora é.

O Botafogo caiu de maneira tão patética que os vt’s podem passar nas Videocassetadas do Faustão. Aos botafoguenses, cabe o tapinha nas costas dos amigos: “É, não deu…”- falam solidários, pra em seguida cair na gargalhada. O ex-presidentista Maurício Decepção nem dá as caras pra ser sacaneado, como prometeu, ao se responsabilizar pela queda para a série B.

Como consolo, ficam livres as noites de quarta e nas tardes de domingo. Teremos tempo para botar o cinema em dia, para ler bons livros, assistir a bons shows, dar atenção à família, arrumar as gavetas do escritório, cortar as unhas do pé. Já montou a árvore de Natal? Já organizou a caixinha dos funcionários? Existem diversas maneiras de ocupar o tempo livre e esquecer o futebol. Entrei de cabeça na natação (olha este post). Vai se distraindo, torcedor. E reunindo forças pra 2015. Nosso time do coração vai precisar da gente de cabeça fresca. E muito!

Estaremos lá. Como diz aquela música, não escolhemos, fomos escolhidos. E não fugiremos da raia.

Pode contar com a gente, Fogão!

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(Des)prezado Presidente

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Há seis anos você chegou ao Botafogo sem que soubéssemos direito quem era. Sua imagem, a de alguém que não vinha dos meios futebolísticos, era um bom sinal. Um dentista que poderia dar um trato no sorriso alvinegro.

Sua primeira gestão foi elogiada por torcedores e pela imprensa esportiva. O Botafogo começou a despontar como um clube sério. E você, um dirigente que estava pondo a casa em ordem.

Veio o segundo mandato. Eleito unanimemente, teve a chance de escrever seu nome nas páginas mais gloriosas. Contratou Seedorf, uma estrela internacional, e elevou assim a auto estima da torcida. Voltávamos a ter um ídolo e a dar inveja aos rivais. Sabíamos que sozinho ele não poderia resolver a parada. Mas tínhamos um bom elenco ao seu redor e os resultados começaram a aparecer. Infelizmente, o sonho durou pouco.

Perdemos o Engenhão, perdemos receita, a coisa desandou. Aos poucos o time começou a ser desmontado. Vitinho foi o caso exemplar. No final do Brasileirão 2013, víamos Jefferson no gol, Seedorf lá na frente e mais nada. De favoritos, passamos a rezar por uma vaga na Libertadores.

Começamos este ano disputando o mais importante torneio da América do Sul, o que não acontecia havia 17 anos. De que maneira? Com um técnico que nunca comandara a equipe principal e um elenco bem abaixo do que tínhamos seis meses antes – Seedorf voltou para a Europa. O resultado não podia ser outro.

Aliás, 2014 é um ano para se esquecer. O pior desempenho num Campeonato Carioca neste milênio. Dívidas não honradas, jogadores medíocres contratados, salários não pagos, derrotas sucessivas. Até que você resolveu dar um basta na indisciplina. Demitiu quatro titulares e assumiu em público a responsabilidade das consequências do ato. Se mereciam, não vem ao caso. O fato é que o momento foi o mais inadequado possível. Já não estávamos bem no campeonato e só pioramos. Na verdade, você deu um basta na nossa esperança.

No instante em que escrevo, acumulamos 9 vitórias em 35 jogos! Para escapar da segunda divisão, precisamos de 3 vitórias em 3 jogos! Haja margem de erro… E isso não basta, dependemos de uma milagrosa combinação de outros resultados. O ideal é trocar a comissão técnica por uma comissão de matemáticos e rezadeiras.

Mas a torcida pode dormir tranquila. Você assume a responsabilidade da queda para a série B. O que significa isso? Se alguém vier nos sacanear, mandamos ligar pra você?

Dia 25 de novembro teremos eleições no clube. No dia seguinte alguém assumirá esta cadeira. E você volta para seu consultório de dentista sem responder por nenhum dos atos irresponsáveis. Ficamos nós, torcedores, arrasados após a passagem de um tsunami. Sem time, sem dinheiro, sem estádio, sem série A. Vai ser duro sair deste buraco.

Mas vamos resistir. Vamos juntar nossos cacos, levantar a cabeça e olhar para o futuro. Brigando para que um dia voltemos a ver lá na frente o Botafogo de craques como Garrincha, Nilton Santos, Jairzinho, Paulo Cezar Caju, entre tantos outros.

E ninguém cala…

Jornal Extra, 22/11/14

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SOS BOTAFOGO

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São 9 vitórias em 33 jogos. Pra escapar da segundona, temos que desafiar a estatística e ganhar 4 jogos em 5. Essa é a nossa situação no Brasileirão.

Nunca estivemos tão mal na foto. Salários atrasados, jogadores sendo vendidos ou demitidos, jogos em casa acontecendo na Arena da Amazônia, sério risco de assistirmos aos jogos às segundas-feiras no ano que vem…

E o presidente do clube batendo no peito, dizendo que assume a responsabilidade se cairmos. O que adianta isso para o torcedor? Ficamos mais aliviados ? Se alguém vier me sacanear, mando procurar o presidente? Minha única dúvida é: se o Botafogo cair, vai aparecer nas videocassetadas do Faustão?

É isso. O botafoguense tá se antecipando nas zoações, tá rindo de nervoso, de olho na banana logo ali na frente onde vai escorregar. O cenário não é nada animador.

No próximo dia 25 de novembro vai haver eleição pra presidente do Bota. Por incrível que pareça, quatro mártires estão se candidatando pra segurar esse pepino. Apaixonados pelo clube que acreditam poder nos tirar desse sufoco. Como? Não faço a menor ideia.

Mas vamos ter a oportunidade de conhecer as propostas desses candidatos. Alguns torcedores, entre eles, eu, o blogueiro Zé Fogareiro e o canal Fala Glorioso, vamos promover o maior debate entre os candidatos a presidente do Botafogo. O evento acontecerá na próxima terça-feira, 18/11, às 20 horas e será transmitido via youtube.

Os quatro candidatos – Carlos Eduardo Pereira, Marcelo Guimarães, Thiago Cesário Alvim e Vinicius Assumpção, já confirmaram presença. A mediação será do jornalista Fernando Molica. Todos os torcedores estão convidados a acompanhar pelo link http://bit.ly/debatebotafogo. Também poderão participar enviando suas perguntas para o e-mail debatebotafogo2014@gmail.com.

Vamos entrar em campo e brigar pelo que é nosso. Não podemos esperar parados que acabem com a nossa alegria de torcer pelo Fogão!

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