CONSPIRAÇÕES

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Todo mundo tem uma explicação para o que aconteceu nessa Copa.

A versão mais divulgada no facebook envolve uma trama intrincada. A Nike pagou centenas de milhões de dólares ao Brasil pra deixar a Copa nas mãos da Alemanha que passa por grave crise econômica, tadinha. É uma hipótese difícil de acreditar. Por que a Nike pagaria uma fortuna pra entregar o Mundial à Adidas?

Mas claro que pode haver conspirações. Essa Copa pode muito bem ter sido comprada pela própria CBF. Ela pagou pra perder o hexa e assim desvincular sua imagem do governo Dilma que pretendia usar o torneio como trampolim para a reeleição.

Também pode ter sido negociada pela presidente Dilma. Depois de levar uma vaia na abertura, decidiu se vingar do povo. E armou para que a goleada humilhante ocorresse em Minas, terra do Aécio, seu maior opositor. Dilma e o PT podiam muito bem não querer que a vitória em campo ofuscasse a realização do evento, sem o caos previsto pela oposição.

E se o Felipão, de saco cheio de ser espinafrado por torcedores e cronistas, aceitasse fazer corpo mole e entregar o Mundial? Por isso não treinou o time e ainda passou videos de crianças carentes e remelentas pra aumentar a culpa dos jogadores milionários, que entrariam em campo com o moral baixo e muito sensibilizados? Felipão poderia receber uma nota preta por isso. Ou até pagar, vai saber como essas coisas funcionam…

O atual presidente da CBF José Maria Marin, em complô com o futuro Del Nero, também teriam interesse na derrota do Brasil. Dessa maneira poderia substituir o coordenador técnico Parreira pelo ex-golero e empresário de jogadores Gilmar Rinaldi. Os três rachariam a comissão dos futuros convocados que fossem vendidos para grandes clubes europeus.

O russo Vladimir Putin pode ter pago uma grana pro Brasil perder a Copa, já que não vai ter condições de armar uma seleção competitiva até 2018 e ganhar em casa o título, como fizeram a Argentina em 78 e a França em 98. Sabe que vai quebrar a corrente.

Enfim, não faltam explicações plausíveis para quem não acredita na hipótese do Brasil ter jogado mal pra cacete e a Alemanha, jogado muito bem.

Pronto. Agora vamos mudar de assunto.

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A COPA DAS COÇAS

Demoramos pra entrar no clima. Mas quando os gringos chegaram, a gente viu que ia ter Copa. Pintamos as ruas, fizemos festa, nos confraternizamos com os turistas…só esquecemos de jogar bola. Veja os momentos inesquecíveis dessa Copa.

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A Holanda não foi à final mas tirou onda. Contrários a esquemas penitenciários, eles jogaram futevôlei e frequentaram a noite carioca. Golearam a Espanha na chegada e a gente na saída . Ainda por cima, Van Peixe fez o gol mais bonito da Copa. O craque treinou o belo mergulho pegando jacaré na praia de Ipanema.

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Se você é português mas não é azeite, pouco adianta ser o melhor do mundo. CR7 sabe disso. Trocou de penteado três vezes mas fez apenas um golzinho. Só ganhou quando não adiantava mais nada. O atacante se recusou a voltar na mesma caravela que seus companheiros. Cristiano Ronaldo assinou contrato com o GNT e vai ser a próxima apresentadora do Super Bonita, no GNT.

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Uma das cenas mais bizarras aconteceu durante o jogo de Gana contra Portugal. O zagueiro Ayew foi puxado e mostrou ao mundo a pujança da sua ferramenta. Mais tarde, a imagem de uma supercâmera mostrou que não era bem isso. Aconselhado por um deputado brasileiro, o jogador entrou em campo carregando seu dinheiro na cueca.

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O mais perigoso atacante da Copa foi, sem dúvida, o uruguaio Luis Suárez. Raivoso, avançou na área adversária várias vezes e no ombro do italiano como se fosse uma pizza. Tomou o maior gancho da história das Copas e passará o resto de sua carreira preso num canil de segurança máxima. A Polícia Militar já negocia seu passe e vai usá-lo como centro avante no combate à criminalidade.

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A maior passeata ocorreu em frente ao hotel da Fifa. Não foi promovida por sem tetos, metroviários ou black blocs. O sindicato dos Apostadores de Bolão reuniu milhares de manifestantes para protestar contra a entidade. O clima era de revolta. Por causa das diversas zebras da Copa, ninguém conseguiu acertar os palpites. Os prêmos das apostas ficará acumulado para o  Mundial da Rússia.

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Não sei se teremos algum legado, mas temos o delegado da Copa. Foi o que desbaratou a quadrilha internacional de cambistas. Um turista desavisado pagou 45 mil reais por um ingresso na final. O cambista argelino Lamine Afana justificou o preço dizendo que seu ingresso dava direito a ver o Brasil jogando no Maraca com Neymar e tudo.

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A choradeira foi a única jogada ensaiada da seleção brasileira. Choravam em bloco, na defesa e no ataque, orientados pela psicóloga. Havia treinos de choro tático pela manhã e choro físico pela tarde. Entre um e outro, os jogadores aproveitavam o tempo no salão de beleza, alisando e descolorindo os cabelos.

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O Brasil foi invadido por turistas do mundo inteiro. Europeus, asiáticos, africanos e sul americanos. Todos muito bem vindos, se divertiram, interagiram numa boa e movimentaram a economia. Os argentinos foram um caso à parte. No Rio, ocuparam a praia de Copacabana, se alimentaram de alfajores e queriam pagar as cervejas com artesanato de durepoxi e macramê. A prefeitura liberou pra eles o Sambódromo, onde fizeram o maior carnaval. Até os alemães acabarem com a festa.

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Inesquecível. Batemos todos os recordes negativos. Entramos para Guiness Book como o país sede que pagou o maior mico em Copas do Mundo. Segundo a comissão técnica, formada por Felipão, Parreira, Murtosa e dona Lúcia, tudo deu certo, tirando o resultado. A conclusão é que não precisamos só de um técnico estrangeiro. Temos que importar com urgência desculpas melhores pra serem usadas nas coletivas. E contratar uma empreiteira pra demolir a CBF.

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O complexo do alemão chegou ao fim. Eles agora são tetra e são os primeiros europeus a ganhar uma Copa na América. Os argentinos foram calados e vão aguardar mais 24 anos pra chegar à outra final. Enquanto isso, os alemães estão mais brasileiros do que nunca. Agora dançam como os índios pataxós, lambem a tampinha do iogurte e botam farofa até na sobremesa.

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ACABOU

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– Pronto. Paramos de tomar gols. Paramos de perder. Paramos de dar vexame nessa Copa.

 

– Levamos azar. Se aquela bola na trave do Chile entrasse, não teríamos passado por tudo isso.

 

– Quando viajávamos pro exterior, só tirávamos onda quando o assunto era futebol. Agora nem isso.

 

– A pergunta que não cala: quantos anos duram os tais seis minutos de apagão?

 

– É verdade que o Felipão vai ser substituído pela dona Lúcia?

 

– Agora só falta os argentinos que estão acampados no Sambódromo aprenderem a sambar melhor que nós.

 

#foraCBF! #foraFelipão! #foratodomundo!

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O PROFESSOR

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 Não soa estranho que, justo num país que não investe em educação, o técnico de futebol seja chamado de professor? A maioria dos nossos jogadores passou poucos anos da sua vida dentro de uma sala de aula. Por que será que se referem ao treinador como “professor”?

Que tipo de professor é esse? Será aquele durão, exigente, que enche o quadro de matéria, passa dever de casa em véspera de feriado, marca prova pra quinta feira de cinzas?

Não creio. O “professor” dos nossos jogadores é aquele mestre gente boa, que não ensina nada, mas também não cobra muito. A aula dele é a maior zona, mas na hora do exame, deixa todo mundo colar. Organiza passeios, tá em todas as chopadas, sacaneia os nerds, é amigão da turma do fundão e todo ano é eleito paraninfo dos formandos.

O professor estava no comando de uma caminhada pela mata. Todo mundo confiava nele. Escureceu, o professor não levou lanterna, não tinha mapa, não sabia como voltar. Os alunos entraram em pânico, ninguém sabia o que fazer, começou a choradeira. Os pais dos alunos se reuniram na porta da escola, nenhum membro da direção apareceu pra prestar esclarecimentos. Só restava aos pais torcer pra tudo dar certo.

Não deu. O único professor que não reclama de salário não preparou os alunos, mas injetou-lhes ânimo. Na hora do vestibular, eles não sabiam a matéria, mas estavam confiantes. Todos tinham certeza de que iam passar. Os pais também acreditaram, até compraram as passagens pra um fim de semana no Rio de Janeiro.

Quando saiu o resultado, um vexame. Os nomes dos 23 alunos não estavam na lista dos aprovados. A choradeira foi maior, não só dos alunos, mas dos pais, do professor, dos assistentes, da coordenação. “Onde foi que erramos?” – alguns se perguntavam. “Fizemos tudo certo, só o resultado do vestibular não funcionou”- afirmavam arrogantemente outros.

Agora os pais querem a mudança do professor. É pouco. Está na hora de fechar essa escola. Ou nós, os pais que pagamos pesadas mensalidades, nunca veremos esses alunos numa faculdade.

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COM MUITO ENGULHO, COM MUITO HORROR

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Somos todos Neymar. Levamos sete joelhadas nas costas e vai demorar muito tempo pra gente se recuperar. Aliás, Neymar deve agradecer ao Zuñiga por livrá-lo de estar em campo. Foi poupado desse vexame histórico.

Estávamos preocupados com aeroportos e estádios inacabados, mas o que não ficou pronto para a Copa foi o futebol brasileiro.

Só Minas pode tirar proveito desta tragédia. Basta transformar o viaduto que caiu no monumento ao Dia da Vergonha e criar um centro de visitação no Mineirão com tour guiado em alemão. Muitos turistas germânicos vão querer mostrar pra seus filhos e netos o estádio onde sua seleção esculachou o Brasil.

Essa foi mais uma bela historia de superação. Superamos todos os micos vividos até aqui. Não vamos mais nos nos envergonhar dos 3 a 0 pra França na Copa de 98. Enfim superamos o trauma do Maracanazzo. Agora nós temos o Mineironsfunden. Elevamos o mico a um patamar inimaginável, com muito engulho, com muito horror!

Fé, garra e amor na chuteira 1 x 7 tática, técnica e treinamento.

Uma coisa agora nós temos certeza: essa Copa não foi comprada pelo Brasil.

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CARIOCA IN RIO

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Fui ao Maraca assistir à Alemanha x França. Frequento o estádio desde garoto, me sinto em casa ali. Nesse dia me senti um intruso. O jogo era deles, a arquibancada era deles. Era apenas um espião, um agente secreto espreitando o futuro inimigo.

O Maracanã estava vestido com roupa de gala. Irreconhecível. Placas bilíngues, filas organizadas, policiais vestidos de Robocop. A trilha sonora soava esquisita. Por que tanta música estrangeira num país tão rico musicalmente? Por que não ouvimos nosso samba? Por que não Benjor ou Criolo e sim Pitbull ?

É quando a gente se toca que a Copa é um circo que por acaso se instalou no Brasil. Não somos os donos da festa e sim convidados, tanto quanto qualquer outro torcedor estrangeiro.

O público do estádio é mais parecido com o que frequenta o Corcovado ou o Pão de Açúcar. Até nós nos sentimos um pouco gringos. Fazemos “selfie” com o velho e bom gramado ao fundo. Sentamos no lugar marcado.  Fazemos questão de levar pra casa o copo de cerveja com a inscrição da partida. Temos de nos lembrar que não estamos no exterior. Aquele espetáculo está acontecendo a quarenta minutos da nossa casa!

Durante o Mundial, o sujeito põe a camisa da sua seleção e se torna um embaixador do seu país. Seu comportamento vai moldar a ideia que formaremos do seu povo. O japonês que limpou o estádio elevou o conceito do seu país. O chileno que invadiu e quebrou o centro de imprensa do Maracanã enlameou a imagem dos seus inocentes conterrâneos.

Mesmo nós fizemos muito estardalhaço sobre o que podia não funcionar, preocupados com o que iam pensar da gente lá fora. Tentamos ajudar o turista perdido, traduzir seu pedido no bar em troca de levarem uma boa impressão do brasileiro. Praticamente falamos “fique à vontade, não repare a bagunça”.

O carioca, que se achava cosmopolita, vê sua cidade ser invadida por forasteiros e se sente meio jeca. Na falta do batuque, tentamos entoar os gritos de guerra dos alienígenas: “Allez, les Bleus!”, “Si se puede!”. Engolimos o “hei, juiz, vai tomar no…” E pra não dar na vista, batemos palma com vontade, fazendo de conta que somos turistas.

O jogo é um mero detalhe. Nos interessa mesmo é ver a festa colorida, a profusão de idiomas exóticos que se misturam nas arquibancadas.

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Folha em 6/7/2014

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O ROTEIRISTA DA COPA

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A Copa está comprada, todo mundo sabe disso. E para não chamar atenção da mídia, a Fifa contratou um renomado roteirista do cinema americano para que as armações fossem muito bem acobertadas. É ele o responsável por todas as surpresas e reviravoltas dessa Copa tão emocionante.

–       Tem que botar umas três ou quatro seleções inéditas nas oitavas. Pode ser da África,  da América Latina, até do Caribe.- diz o produtor. -Temos que ter uma muçulmana também.

–       A única com chance é a Argélia. – explica Blatter. – Só não sei o que a França vai achar disso.

–       Não vai achar nada. Vamos deixar eles chegarem até as quartas.

–       A França vai querer mais.

–        Eles nunca reclamam dos alemães. Perder pra eles no Maracanã vai ser honroso. – argumenta o produtor. – O que você acha da Costa Rica nas quartas?

–       Tá louco! Quem vai acreditar nisso? – rebate Blatter.

–       Vai por mim, a Costa Rica vai até as quartas e perde pra Holanda nos pênaltis. – o roteitirsta delira. – Imagina só: no último minuto da prorrogação, a Holanda usa uma arma secreta: um goleiro especializado em pênaltis em Copas do Mundo no Brasil. Um goleiro de laboratório, que treina numa estufa que reproduz o clima dos trópicos. Ele agarra dois pênaltis e classifica a Holanda.

–       Vocês de Hollywood não entendem mesmo de futebol.É totalmente inverossímil!  – desiste o capo da Fifa. – E a Argentina ?

–        A Argentina vence a Bélgica. Mas vai enfrentar a Holanda sem o Di Maria.

–       Sem o Di Maria? – duvida Blatter.

–       É pra dar suspense. Esse é o momento do roteiro onde tem que entrar algum drama.

–       Se isso acontece, os argentinos vão apedrejar nossa sede. – Blatter fica preocupado.

–       Nada! Olha aqui o roteiro: nas semifinais estou botando Brasil x Alemanha e Holanda x Argentina, dois clássicos. Quem curte futebol vai ficar alucinado! – se exalta o americano.

–       É, isso nunca aconteceu. – admite Blatter

–       Então, gostando do trabalho? – quis saber o americano.

–       Mais ou menos. – o cartola balança a cabeça – Essa contusão do Neymar…sei lá, acho que você pesou muito a mão.

–       O quê? Aquela entrada criminosa no Neymar? A culpa é do Zúñiga! Aquele cara é animal! Pior foi o juiz. Que sujeito omisso! Quem deixou aquele cara apitar numa Copa? Ele quase f*$#ode tudo! – diz o americano.

–       E a final? Já pensou alguma coisa pra final? – Blatter quis saber.

–       Ainda não. Vou aproveitar esses dias sem jogo pra fechar o roteiro. – avisa o americano – Te entrego até segunda à noite. Mas falta você me dizer quem vai ganhar.

–       Dilma, Cristina e Ângela estão discutindo isso com a Holanda. – confidencia o cartola.

–       Mas a Copa não está comprada?

–       Estamos sempre abertos à negociação. – o cartola deixa um cheque com o roteirista e some no meio dos oito seguranças.

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OLHA O MENINO, UI!

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Olha o menino, ui, ui , ui.

Nem tinha terminado o chope da vitoria quando veio a notícia que abalou o mundo da bola. O cafeteiro Zúñiga conseguiu enfim seus quinze minutos de glória. Ele parou Neymar. Uma entrada criminosa, um joelhaço nas costas, muito mais grave que uma mordida no ombro. Espero que a Fifa concorde comigo.

O carniceiro colombiano declara que não teve a intenção. Não me convenceu. Sua intenção, além de quebrar nosso craque, era se vingar. Não se conformava em deixar a Copa. Desde 94 a Colômbia vinha prometendo sem cumprir. Esse ano tinham até o artilheiro, James Rodriguez, que me presenteou com um golaço contra o Uruguai em pleno Maraca bem na minha frente. Obrigado, James. Agora que chegou em casa, pode contar pros netinhos que vocês quase tiraram o Brasil da Copa. Conseguiram tirar o Neymar, mas a gente segue em frente.

Neymar chamou pra si a responsa, botou sua cara à tapa, não fugiu da violência das zagas, nem da acidez dos jornalistas. Respondia com leveza, ginga e alegria as perguntas e as agressões. E ainda irritava os pernas-de-pau quando esses lembravam que ainda por cima, o cara pega a Bruna Marquezine.

Neymar é tudo que um garoto sonha ser. Bom de bola, gente boa, adorado pelas gatinhas, o cara e a cara do Brasil. Vai sair dessa. Não a tempo de nos ajudar a conquistar esse caneco – que virá. Mas nas próximas estará inteiro e mais alerta. Um craque como ele tem que ter câmeras de segurança apontada para todos os lados. Sempre pode aparecer um vilão querendo apagar-lhe o brilho.

Passamos dias falando sobre psicologia. Agora, entendemos tudo sobre traumatologia. Chega de medicina, gente! Vamos falar de futebol! Vamos falar de vitória! Vamos falar de atropelar os alemão e chegar à tão esperada final no Maraca!

Força, Neymar!

 

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