De Olho na Liberta

Nosso craque, nosso ídolo completaria 91 anos em 16/5/17

Começamos o Brasileirão com o pé esquerdo. O placar não foi o mais grave. O problema foi a ausência em campo. O time assistiu acanhado ao Grêmio dominar. Não conseguiu trocar além de dois passes em 90% das poucas iniciativas. Chutou pouquíssimo a gol e tentou, sem sucesso, afrontar a estatística: sob o intenso bombardeio, era natural que uma daquelas bolas entrasse. Entraram duas, uma delas, irregular. Mas não temos tempo para chorar sobre o chimarrão derramado.

Quinta-feira está chegando e com ela, o Atlético Nacional de Medellín. Como vamos jogar? Na ofensiva, com três atacantes? Ou no contra-ataque, esperando o adversário? Jair Ventura foi duramente criticado por botar o time pra frente contra o Barça genérico. Antes do jogo, porém, muitos torcedores comentaram comigo que aprovavam uma postura tática mais agressiva. Típico caso de “nós ganhamos, você perdeu”.

Repito o que disse semana passada: precisamos de reforços! E não só. Precisamos que Camilo, Aírton e Pimpão voltem a jogar de verdade. Precisamos que Montillo deixe de ser titular absoluto do departamento médico. Precisamos que Bruno Silva acerte a bola no pé do Roger e não no juiz. Precisamos entender que castigar a indisciplina do Sassá com suspensão é castigar a equipe e a torcida.

Mas no momento, só preciso lembrar que hoje Nilton Santos, o wikipédia do futebol, completaria  91 anos. Vamos presenteá-lo na quinta, com uma bela vitória. Estarei no seu estádio, na oeste superior. Aliás, tem uma cadeira com meu nome no setor. Preciso muito achá-la!

O Globo – 16/5/17

Um bom Problema

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Os jogadores do Bota tem uma semana pra passear no shopping e se preparar. Depois, é só pedreira. Domingo que vem, Dia das Mães, o time estará em Porto Alegre, estreando no Brasileirão. E na quinta seguinte, 18, tem jogão da Libertadores. Vamos receber o Atlético Nacional. A gente não pode ser tão mal educado como no jogo contra o Barcelona de Guayaquil. Nosso time não soube fazer o papel de anfitrião e deixou os convidados sozinhos no Niltão. Resultado: os caras deitaram, rolaram e, de brinde, levaram a classificação antecipada para a próxima fase.

Agora temos que ficar ligados. Queremos ver o Bota atropelar o time de coração do Pablo Escobar. A partir daí, torcemos para ter um bom problema: acompanhar três competições importantes ao mesmo tempo – Libertadores, Brasileirão e Copa do Brasil. Pra isso, precisamos urgentemente de reforços. A temporada é intensa e longa. E nosso cobertor é curto, muito curto!

Correções na ABL: Na minha coluna de estreia, citei o Carlos Heitor Cony, quando na verdade, o escritor é tricolor. Fui traído por uma googlada ruim. Além disso, foram sentidas muitas ausências na Academia Botafoguense de Letras. Armando Nogueira, Clarice Lispector e Augusto Frederico Schmidt foram os mais citados. Aqui estão eles. Os demais que me perdoem.

O Globo – 9/5/17

 

Aproveitando o Embalo

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Está na hora de mostrar por que o Botafogo é maior que o Barcelona, qualquer que seja ele. Esse, por acaso, veio do Equador, mas isso não importa. Estarei lá na arquiba, empurrando o Fogão mais um degrau acima na Libertadores.

Assinei a súmula d’O Globo no dia da estreia do Bota na Copa do Brasil. Há muito tempo o Botafogo não era tão Botafogo. Em desvantagem no placar e com um a menos em campo, empatamos e logo sofremos um pênalti. Quando tudo parecia perdido, Gatito defende e reacende a chama. O endiabrado Guilherme fecha a noite com um golaço. Vitória do jeito que a gente gosta: sofrida, improvável, desacreditada, por isso gigante.

Desliguei a tevê eufórico, pensando no peso da responsa. Assinar essa coluna equivale a entrar para a ABL – Academia Botafoguense de Letras, onde estão vários craques da caneta. João Saldanha e Sandro Moreyra formam a dupla de ataque. Vinicius de Morais, o branco mais preto do Brasil, portanto alvinegro de corpo e alma. Ainda temos Paulo Mendes Campos, Carlos Heitor Cony, Fernando Sabino…. A lista é tão extensa que até o Luís Fernando Veríssimo esconde o chimarrão em casa e diz torcer pelo Fogão. Espero que a torcida, acostumada com o alto nível dos escritores, não vá ao Procon pedir a minha demissão!

Espero vocês no Niltão hoje à noite.

O GLOBO – 25/5/17

Paz no Futebol!

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Cinco suspeitos de envolvimento na morte de um torcedor botafoguense foram presos essa semana. Ler essa notícia não me deu alívio, e sim agonia. Os detalhes são estarrecedores. Na casa de um deles, foram apreendidos porretes, morteiros, soco inglês e granada. A camisa ensanguentada do jovem alvinegro estava guardada com um dos suspeitos, como um troféu. O criminoso fez questão de mantê-la, mesmo correndo o risco de ser apanhado com uma prova cabal de ter participado da chacina, assim como um caçador exibe na sala a cabeça do animal abatido. Um dos integrantes da Torcida Jovem do Flamengo declarou na delegacia que a ideia não é ir ao estádio para torcer, mas para atacar e brigar. Para quem vai para torcer e se divertir, para quem quer levar seus filhos para se encantar com a magia do futebol, é desanimador.

Pouco antes de um jogo entre Botafogo e Flamengo, Diego da Silva Santos foi cruelmente assassinado com golpes de um espeto de churrasco. O crime aconteceu no entorno do estádio Nilton Santos, cujo nome homenageia um dos jogadores mais elegantes da nossa história, lembrado por seu talento, por jogar limpo com seus adversários, por evitar jogadas violentas, por tratar a bola com a delicadeza de quem leva a namorada ao cinema. Nilton Santos não merecia isso.

O problema vem de longe e não está relacionado ao grau de rivalidade entre os times que se enfrentam. Em 2005, um torcedor do Fortaleza foi morto numa emboscada por torcedores do Botafogo na ponte Rio-Niterói. As imagens brutais de uma briga entre torcedores do Vasco e do Atlético Paranaense nas arquibancadas em 2013 ainda estão vivas na memória dos brasileiros. Esses clubes não são adversários tradicionais. É gente que não quer saber de futebol, nem de diversão. Não são torcedores, são criminosos. Muitos passam o jogo de costas para o campo, procurando encrenca. Vários desses encontros são marcados nas redes sociais.

Existe solução? Devemos banir as torcidas organizadas? Devemos lutar por jogos de torcida única? Devemos nos conformar e assistir aos jogos pela televisão? É cada vez maior o número de pessoas que acredita ser essa a saída. Eu, que curto o calor das arquibancadas, o batuque das charangas, a vibração dos apaixonados pela bola, só tenho a lamentar.

Em 2014, o Brasil perdeu a Copa, mas foi o campeão mundial de violência no futebol, com 18 mortos. O saldo foi menor que em 2013, quando 30 torcedores morreram em conflitos nas singelas tardes de domingo. Mas se a Europa conseguiu neutralizar os hooligans, por que não ter esperança de que um dia também poderemos superar esse grave problema?

Em 2015, para reduzir os confrontos, uma agência publicitária promoveu uma ação em que mães de torcedores violentos foram trabalhar na Arena Pernambuco num dia de jogo entre o Sport e o Náutico. No outro extremo do país, o estádio Beira Rio destinou um setor das arquibancadas onde cada torcedor do Inter levaria um amigo gremista para assistirem a uma partida lado a lado.

Fala-se em criação de novas leis, em reforçar a repressão à pancadaria. Enquanto a solução passar por um estádio fortemente policiado, as famílias vão preferir ficar em casa. É preciso que o bom senso e a civilidade prevaleçam.

Vamos voltar aos bons tempos em que “torcer até morrer” era apenas um verso do hino do América Futebol Clube.

Assista aqui o vídeo que foi ao ar.

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Globo News – 25/3/2017

Libertadores ainda que à tardinha…

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A trajetória estava muito atípica. Depois de um primeiro turno desastroso, os agourentos de plantão subiram em seus saltos e confirmaram: vai cair. O elenco modesto, o cofre vazio só confirmava a previsão. No segundo turno, quando habitualmente decaímos, a surpresa: o Botafogo se encontra em campo e inverte a história. Mesmo sem sua estrela maior, nosso goleiraço Jefferson, mesmo com Jair Ventura Filho, um técnico comandando pela primeira vez um time profissional. Esqueceram que esse nome tem estrela.

Os pontos foram se acumulando, Sassá despontando como um dos artilheiros do campeonato, Aírton deixando a fama de carniceiro no vestiário e jogando o fino, com Camilo, Neilton e cia.

A várias rodadas do final, estávamos sobrando. O fantasma da série B foi espanado, a Libertadores surgia no horizonte. Mas Botafogo é Botafogo. Começamos a perder pontos bobos, até que na penúltima rodada, o inusitado. Bastava uma vitória contra a Ponte Preta. Ao final do primeiro tempo, tínhamos 1 a 0 no placar e um jogador a mais que o adversário. Conseguimos ceder o empate e deixar pra fazer o dever de casa na última hora.Aí voltamos a nos reconhecer. No sufoco, no desespero, no tudo ou nada.

O Grêmio comemorava sua Copa do Brasil, o elenco principal sambava na pista das boates abraçado nas primas gaúchas de todas as nacionalidades. E nós ali, ralando.

Bruno Silva homenageia o time do ano com um golaço: Chapecoense, presente! Respiramos aliviados. Mas, antes de voltarmos ao vestiário, a lambança. Sassá e Aírton se desentendem depois de uma falta boba a nosso favor. Empurra-empurra entre nós mesmos. Aírton expulso.

Aí vem o suor frio. Se numa situação favorável na rodada anterior, a gente se enrolou, agora com um jogador a menos, o sonho podia virar pesadelo.

Segundo tempo. Resistimos. Jogamos feio, pressionados por um time que nem os torcedores deles conheciam. Camilo acertou um balaço no travessão. E foi só.

Seguramos a peteca como deu. Quando eu já não tinha mais nenhuma unha pra roer, o juiz apitou o fim do jogo. E o início da Libertadores 2017.

É hora de comemorar! É hora de extravasar! É hora de ver nossos detratores engolindo suas projeções tenebrosas.

Fechamos o ano numa incrível quinta colocação, classificados. É a pré-Libertadores, mas é ela. Claro, queremos um timaço reforçado de Messi e Neymar. É o que todo botafoguense vai pedir a Papai Noel. Mas sabemos que a crise pode nos deixar mais depenados do que chegamos até aqui. Não importa. Isso é problema pro ano que vem.

No momento, o que interessa é que… ninguém cala. Valeu, Fogão!!!

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Valeu, Capita!

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Quando recebi a notícia, veio a lembrança do quarto gol sobre a Itália. Aliás, essa imagem foi mais acessada na memória das pessoas que em qualquer google. Todo brasileiro que era vivo naquela tarde de junho hoje lembrou do momento em que Pelé recebeu a bola na entrada da área e displicentemente tocou para direita, onde Carlos Alberto soltou a bomba precisa, ponto culminante da epopéia do tri. Depois veio o tetra, o penta… mas nunca fizeram sombra à finada e derretida taça Jules Rimet.

Carlos Alberto Torres é o maior lateral direito que vi jogar no Santos, no Flu, no Cosmos e no meu Botafogo, onde também foi o treinador que nos deu a taça Conmebol, o equivalente à Sul Americana. Recentemente tive a honra de ser seu “colega de trabalho” – ele, comentarista e eu, palpiteiro nas bancadas do SporTV.

Gente boa, conversa divertida nos bastidores, além de muito conhecimento e inside information sobre os bastidores do futebol.

O Capita marcou minha infância e a de todos os moleques com 10, 11 anos em 1970. Todos no subúrbio corriam da tevê para a rua pra jogar uma, assim que acabava um jogo do Brasil na Copa. Depois daquela final, sempre tinha um cabeça de bagre entrando pela direita e isolando a bola, ao tentar samplear o golaço do lateral brasileiro.

Quem é da Vila da Penha tem algo mais de que se orgulhar. O capitão Carlos Alberto cresceu na área. Foi morador do Largo do Bicão e jogava bola num daqueles dez campos de futebol que existiam onde hoje é o conjunto habitacional do Ipase. Eu era muito pequeno pra isso.

Mas, como alguns amigos da minha rua, a Paula Aquiles, comprei muito botão, palheta e bolinha na lojinha do Capita, na praça Vicente de Carvalho. Era uma pequena loja de artigos esportivos, no pé do morro do Juramento, que ele abriu depois do tri. Cansei de passar por ali de bicicleta, na esperança de encontrá-lo, o que nunca aconteceu.

Só muito tempo mais tarde é que fui entender por que aqueles botões jogavam bem melhor que os outros.

Valeu, Capita!

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Quem falou em série B?

Arena Fogão

Tenho me divertido muito ultimamente. E motivos não estão faltando. A prisão do VaitomarnoCunha é um deles. A patética campanha do Trump é outra. A corrida elitoral pra prefeitura do Rio também tá engraçada: Freixo mostra por que não votar no Crivella, Crivella mostra por que não votar no Freixo. E não é que os dois têm razão? Estão convencendo a população a votar nulo. O prefeito será eleito por W.O.

Existem razões melhores para meu bom humor. A série Procurando Casseta & Planeta está sendo muito bem recebida pelo público que, depois de anos, está se reencontrando com o nosso estilo. E o motivo dessa crônica: o futebol. Ando me divertindo ao ler os profetas do apocalipse que apostaram – pena que não comigo e a dinheiro – que o Botafogo cairia pra Segundona antes do horário de verão. Mas esse esporte é uma caixinha de bombons Surpresa.

O Botafogo juntou seus cacos, sacudiu a poeira e deu a volta por cima. Sem grandes contratações, sem grandes advogados, foi comendo pelas beiradas, conquistando pontos dentro de campo, coisa rara no atual Brasileirão. O clube começou lutando pra se afastar do Z-4 – a gente saiu da série B, mas a série B teimava em não sair da gente. De repente, engatou a quinta e foi parar no G-5, de olho na Libertadores.

A torcida sentiu-se órfã, quando soube da saída do técnico Ricardo Gomes. Olhou desconfiada para a chegada do novato Jair Ventura. Mas o DNA do Furacão falou mais alto e seu rebento tá arrebentando na função. Hoje, o torcedor tira a camisa e gira sobre a cabeça na Arena lotada. Há quanto tempo não tínhamos um estádio pra chamar de nosso?

Por enquanto, tá tranquilo, tá favorável. Cinco vitórias seguidas. Quatro jogos decididos depois dos 40 – e a nosso favor! Quinto lugar isolado – escrevo antes do fim desta rodada, sei que isto não vai mudar. E um comportamento inédito da torcida. Fui no antigo estádio da Portuguesa na Ilha do Governador . Fiquei de cara pro sol domingo, no setor Leste. Ali, onde antes víamos torcedores xingando o time a partir dos 5 do primeiro tempo, encontrei uma galera animada, empurrando, estimulando, motivando a equipe o tempo todo. E aquele que criticasse algum jogador era vaiado pelos demais. O time percebeu o apoio e retribuiu, nos dando tranquilidade num segundo turno impecável. Não me lembro a última vez em que não estava desesperado nessa altura do ano, muitas vezes depois de um primeiro turno de dar inveja.

A coisa mudou. Jefferson foi substituído à altura por Sidão. Airton descobriu que é possível jogar bola – e muito – sem botinadas. Neilton, Carli, Alemão estão mandando muito bem. Camilo assumiu o papel de estrela da companhia e, mesmo quando tá mal, num lampejo muda o jogo. E Sassá disputa artilharia com Fred, Robinho e outros. Rodrigo Pimpão vem nos dando muitas alegrias, enquanto aquele Arão que ressuscitamos e preferiu se bandear pro lado de lá,

O Botafogo é hoje o clube com o melhor desempenho no segundo turno. Se anulássemos o primeiro turno, seríamos campeões. Opa! Será que entrando na Justiça a gente consegue. Quem sabe, né? Tá na moda…

E ninguém cala…

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A maratona olímpica

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Acordei disposto a acompanhar tudo nos jogos de hoje. Impossível. Os dezesseis canais me deixam tonto. São zilhões de esportes simultâneos. Fico mudando de um canal para outro sem saber qual é a boa. A impressão que tenho é que sempre tem alguma coisa muito mais maneira acontecendo num canal que não estou vendo.

Escolho a canoagem slalom e o rúgbi feminino está emocionante. Mudo para os saltos ornamentais, quando deveria estar acompanhando o hóquei sobre grama. Mudo para o futebol feminino entre Azerbaijão x Honduras, quando o vôlei de praia entre Ilhas Fíji x Trinidad e Tobago está imperdível.

Tento fazer uma tabela com as melhores disputas, mas fico ansioso, tonto, perdido. Esporte pode ser saudável pra quem pratica, mas pra quem assiste é altamente prejudicial à saúde.

* * *

No primeiro dia oficial das competições, resolvi acompanhar algum esporte ao vivo. Fui ao Parque Olímpico assistir à natação. Muito mais tranquilo que pela tevê. Primeiro, você não tem escolha. Ou assiste ao esporte que tem ingresso ou fica na praça de alimentação tentando conseguir um hambúrguer, um verdadeiro esporte radical.

Ao contrário do que esperava, o transporte foi bem tranquilo. O metrô e o BRT estão civilizadíssimos. Apesar da multidão, conseguimos um lugar sentado, e a viagem foi bem rápida.

A torcida deu um show. Assisti a várias provas em que não tinha nenhum brasileiro na água. Ainda assim, a galera vibrava com os nadadores e torcia por cada quebra de recordes como se fosse seu time na final do Brasileirão.

No final, saí satisfeito ao contabilizar dois recordes mundiais. Depois descobri que houve um outro recorde quebrado, enquanto comemorava a passagem de um brasileiro – João Gomes ou Felipe França, para as semifinais no dia seguinte. Ou seja, estava lá, vi e não vi…

* * *

Pra quem tá sem ingressos, a boa é ver os esportes que acontecem nas ruas. O ciclismo de estrada foi um espetáculo. São das provas que melhor vendem os cartões postais do Rio de Janeiro para o mundo, mostrando paisagens de tirar o fôlego. Copacabana, Grumari, Floresta da Tijuca… Pena que os atletas não veem nada das nossas belezas, já que estão sempre em altíssima velocidade. Soube que descem as íngremes ladeiras da Vista Chinesa a 70 quilômetros por hora. Se os pardais da CET-Rio estiverem ligados, vão pagar uma grana de multas e ainda correm o risco de perder a carteira de habilitação.

* * *

Acabo de ver um jornal jogado num cesto da sala e fiquei chocado como tem coisa acontecendo. O Brasileirão continua. A Lava Jato tá comendo solta, ou melhor, presa. A campanha eleitoral americana pega fogo. Gente, assim não dá! Vamos dar um tempo no mundo.

A Olimpíada já é assunto demais. Não podemos acompanhar tudo ao mesmo tempo agora.

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