7 ANOS DE TWITTER

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“Acabei de soltar um peido, queria compartilhar com vocês. Pena que essa ferramenta não tem cheiro.”

Essa foi minha primeira tuitada. Em 9 de março de 2009, fui apresentado a uma novidade. um site onde você escreve textos de até 140 caracteres, que qualquer um pode acessar.

Não fazia a menor ideia pra que serviria esse troço. O microblog era muito recente, ainda não tinham estabelecido sua função, que é ofender e xingar seus inimigos (e seus amigos, usando um perfil falso).

Durante muito tempo, o twitter reinou absoluto. O Orkut já estava por baixo, o facebook ainda não existia. Muito menos snapchap, vine, instagram… Hoje existem muitos meios para mostrar que você é um merda.

O twitter já teve o seu auge, depois, muita gente deixou de acompanhar, mas como poucos se deram ao trabalho de fechar sua conta. Por isso, alguns perfis ostentam milhões de seguidores fantasmas. É o meu caso. Tenho listados mais de dois milhões de seguidores, não faço ideia de quantos efetivamente recebem minhas mensagens. São pessoas que inauguram sua timeline xingando meia dúzia de artistas. Se ninguém morder a isca, o sujeito vai embora. O twitter fica como um paletó de funcionário público, pendurado na cadeira da repartição.

Apesar disso, ainda é útil pra receber notícias de última hora e lançar boatos mentirosos e infundados. Difícil é saber a diferença entre um e outro. É muito bom também pra ganhar processo por calúnia, já que o que você escreve não pode ser apagado e serve de prova para seu inimigo. Mas a grande diversão é acompanhar algum evento ao vivo pela tevê e ficar trocando comentários por ali. Quanto mais merda o evento, melhores os comentários. É a salvação de jogos de futebol merdas, shows ruins e pronunciamentos merdas de políticos ruins. Servem de combustível pra uma conversa fiada em 140 caracteres.

Uma das grandes falácias do twitter são os TT’s – “Trending Topics”. “Fulano foi parar nos TT’s e é o assunto mais comentado no mundo”. Mentira! O tal fulano só é assunto entre seus amigos e inimigos que, se forem fanáticos, inundam o twitter de mensagens. Como o resto do planeta tem mais o que fazer, “fulano” acha que estão todos falando dele.

Uma das vantagens do twitter é o limite de 140 caracteres. Evita que a pessoa perca tempo lendo longos textos inúteis, como esse. É por essas e por outras que, tirando você, quase ninguém clica nos links…

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ZAP ZAP, FACE, TWITTER, INSTAGRAM, VINE, VIBER, PERISCOPE, PINTEREST…

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As redes sociais estão dominando o mundo. Ninguém faz mais nada na vida, a não ser atualizar e acompanhar suas timelines. São trocentos grupos de whatsapp, páginas no facebook, perfis no instagram, twitter, snapchat… As pessoas comemoram quando são mandadas embora dos seus empregos. Só assim sobra mais tempo pra postar e ler o que postaram. Além de ser um puta assunto bom pra fazer um post.

Está faltando assunto pra ocupar tantas mídias. Sai uma notícia e logo aparece um meme. Em pouco tempo, esse meme está em todo lugar que você passa. É como esses ambulantes que surgem do nada vendendo guarda-chuvas em todas as esquinas ao cair o primeiro pingo.

Você não consegue mais contar uma piada, todo mundo já conhece, tá no zap-zap e no face e no vine e no viber e no…

A última mania a que fui apresentado é o Periscope. é um aplicativo que permite qualquer mortal ter sua própria emissora. Agora todo mundo pode transmitir coisas desinteressantes ao vivo para o mundo inteiro. O problema (ou a sorte) é que normalmente ninguém está ali para assistir. Todos estão produzindo seus próprios conteúdos inúteis e transmitindo para seus seguidores que também não estão nem aí…

Agora mesmo eu deveria estar trabalhando, mas fui dar uma olhadinha no meu celular e vi que tinha mais de 300 mensagens não lidas, acabei não fazendo nada.

Aí resolvi me vingar, tomando o tempo de quem for ler esse post. Vacilei. Ninguém mais lê nada. Deveria estar com meu periscope ligado, mostrando o momento exato em que estou escrevendo! Ninguém veria também. Ao menos, as pessoas poderiam estar não vendo o vídeo ao vivo, ao invés de estarem não lendo o texto horas depois de criado, quando ele já estaria velho.

 

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OUTROS USOS PARA A BUNDA DA KIM KARDASHIAN

Todo mundo sabe o que uma mulher pode fazer com uma bunda daquele tamanho: humilhar os homens que arriscarem por ali se aventurar. Muitos voltaram pra casa cabisbaixos, já que não podiam nem se considerar um bundão. Hoje sabemos que é na fornida busanfa que Kanye West se refugia do assédio dos fãs e paparazzi. Fora isso, vejamos…

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E você, tem alguma sugestão?

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APLICATIVOS PRA TUDO

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Tá difícil pegar um táxi? Baixe um aplicativo. Filas no banco? Um aplicativo te ajuda pagar as contas. Tá solteiro? É porque quer: um programinha no celular descobre uma pessoa bonita e gostosa que queira passar a noite com você…

Ninguém mais tem problemas, só ainda não baixou o aplicativo certo.

Evitar engarrafamento, receber dicas de restaurantes, dar esporro no seu filho, qualquer coisa é possível fazer com um clique no celular. Por isso ninguém mais larga o aparelho, você volta ao tempo das cavernas quando o telefone descarrega. Telefone? Se os fabricantes eliminarem essa função, ninguém vai sentir falta. Não existe uso mais ultrapassado.

A humanidade deve muito a esses caras que inventam aplicativos pra tudo. Mas espero que eles estejam se dedicando nesse momento a questões essenciais da vida. Cadê o aplicativo que acaba com a falta de água em São Paulo? E aquele que vai dar fim ao vírus ebola? Conheço vários programinhas que ajudam a controlar o meu dinheiro, mas o ideal seria controlar o dinheiro dos outros! Já pensou, por apenas 0,99 dólar você ter acesso à conta do Bill Gates? O cara tem bilhões parados no banco que poderiam estar circulando, da minha mão pra sua, da sua para o seu credor.

Por falar em dinheiro, soube que uma start up de Brasília está desenvolvendo um aplicativo que elimina rastros de verbas públicas desviadas. O projeto ainda está no papel e as encomendas não param de chegar. Os investidores estão otimistas. Os clientes também – muitos já estão roubando por conta!

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CASTIGO PRODUTIVO

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Ser pai é ser mala, eu admito. Não sei se enchemos o saco dos filhos pra educa-los e fazê-los crescer ou apenas pra descontar neles o que sofremos na infância. O fato é que não dá pra exercer a paternidade sem de vez em quando pegar no pé da molecada. Semana passada entrei no personagem e resolvi perturbá-los. Como todos garotos da idade, os meus são maníacos por videogames. Nada mal, se  a brincadeira não se torna a única forma de lazer. Daí para o vício é um passo.

A primeira tentativa de manter o controle da situação foi estabelecer uma regra. Negociamos um tempo ao chegar do colégio e outro mais à noitinha, depois de feitos os deveres de casa. O período de jogatina era tranquilo. O intervalo entre eles também. Comecei a perceber o motivo de tanta paz. Eles vegetavam na entressafra, aguardando a hora das porteiras virtuais se abrirem de novo.

Uma maneira de ter paz num fim de semana era liberar geral. Eles estavam loucos pra jogar e eu louco pra me dedicar a ficar de bobeira sem ouvir nhém-nhém-nhém. E dava certo. Não se ouvia um pio na casa. Só tiros, explosões, gargalhadas sinistras e trilha sonora potencializando a adrenalina. O problema era a ressaca. Depois de horas e horas com o controle na mão, tinha que soar o comando de cessar fogo. Era o início de todo tipo de problema.

Meus filhos estavam se comportando como qualquer toxicômano sem sua droga! Os sintomas foram fáceis de reconhecer: mau humor, desobediência, desentendimentos, a cara amarrada quando o computador estava desligado. Notei que permitir que jogassem por mais tempo não trazia leveza para o pouco que sobrava do dia. Eles ficavam na fissura, rondando o computador, atrás de uma rapa de Dragon Ball Z” ou de uma bagana de “Call of Duty”.

Era hora de uma atitude drástica. Não queria levá-los num VA – videogamers anônimos. Tentei uma receita caseira. Apliquei uma abstinência total por sete dias. Avisei-lhes da reação que podia provocar no organismo, caso não buscassem outras formas de se entreter. E a solução veio do mesmo computador. Na impossibilidade das batalhas, retomaram contato com um site que recomendo: o Manual do Mundo. Nele o criador, Iberê Tenório, ensina como fazer uma série de engenhocas e truques, mostrando de forma prática princípios da Física e da Química.

Os dois moleques resolveram montar um robô-guindaste-hidráulico. Claro que tive que me envolver. Listamos todo o material necessário, saímos à cata de compensado de madeira, ganchos, parafusos, seringas descartáveis, tubos plásticos, enfim tudo que íamos utilizar na construção do modelo. Passamos horas acompanhando passo a passo as instruções do site, serrando, cortando, colando, furando. O resultado ficou ótimo e impressionou os amigos – deles e os meus! Foi o castigo mais produtivo que apliquei nos garotos.

Como prêmio, o videogame foi liberado – com moderação. O saldo foi bastante positivo, pois eles retomaram o gosto por outros tipos de brincadeiras que já estavam esquecendo que existiam.Vou entrar em contato com o Iberê Tenório pra saber se ele não aceita ser baby sitter aqui em casa. Não precisa ser todo dia, nem dormir no emprego. Carteira assinada e férias de 30 dias, tudo de acordo com a PEC dos empregados domésticos!

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À PROCURA DA TUITADA PERFEITA

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– E aí, vamos ver o D2 lá no Circo Voador?

– Pô, não vai dar. Meu celular tá quebrado.

– Ah, e tua mãe não deixa você sair sem telefone…

– Não é isso. É que sem celular, não tenho como tuitar do show. Aí nem vale ir.

– Por quê?

– Se ninguém souber que eu fui, o que eu vou fazer lá?

– E quem precisa saber onde você está? Por acaso tá na condicional?

– Meus seguidores. Eles ficam ansiosos.

– Eles ou você?

– Os dois.

– Dois?

– É, meus dois seguidores.

– Dois seguidores? E quem são, tua mãe e quem mais?

– Um anônimo. Ele me segue e eu sigo ele.

– E quantos seguidores ele tem?

– Só um. Eu. Tô desconfiado de que é um famoso com perfil fake. Só tem um seguidor pra manter a privacidade.

– Mas pra manter a privacidade não seria melhor não ter twitter?

– Ou ter um perfil fake…

– E vai seguir só você por quê?

– Sei lá, esses famosos são cheios de manias estranhas.

– Peraí, tu vai perder o show do D2 no Circo porque não pode tuitar pra um seguidor? Vamos fazer o seguinte. Quando quiser tuitar, eu te empresto o meu celular.

– Fechado.

Chegando ao Circo.

– Me empresta teu celular?

– Toma.

Puxa rapidamente o aparelho da mão do amigo e digita, como um recém-saído de uma crise de abstinência: “Chegando no circo. Mó muvuca! kkkkk”

– Cabô de tuitar? Então me devolve.

– Vamo fazer diferente: eu fico com teu celular, quando você precisar falar, te empresto.

– Porra, vê se não detona toda a bateria!

– Não tem bateria extra? Que vacilo…

O show começa. O tuiteiro baixa a cabeça e começa a teclar.

– Ei, você tá perdendo o show.

– Por isso que tô tuitando, ó: “Ainda não sei o que tô achando do show”.

– Mas seu seguidor precisa saber que você não sabe o que acha? Quer saber? Vou ali comprar uma cerveja. Tá a fim?

– E como eu seguro a lata? Não tenho três mãos, não!

O dono do celular toma a cerveja e volta.

– E aí?

– Hã?

– Vai ficar nessa a noite toda? Tá cheio de mina na área. Larga esse troço, vamo dar um rolé.

– E perder o show?

– Me dá o meu celular, deixa eu ver o que você tanto escreve aí… Ué, tu tá metendo o pau no show do D2?

– É o papo.

– Como “é o papo”? Vai dizer que não tá curtindo?

– Tô. Mas sabe como é twitter.  Se eu não falar mal, o cara me dá unfollow…

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