ROLEZINHO COM A CUFA EM NY

A CUFA levou a favela pra ONU. E eu estava lá! A Central Única das Favelas promoveu a Semana da Global da Cufa em NY, quando rolaram uma série de eventos culturais, debates, lançamentos literários e culminou com o reconhecimento do seu trabalho pela ONU. O povo das favelas brasileiras foi aos Steites mostrar o que produz e cria o Brasil real, que está muito além dos nossos cartões postais. Tive o privilégio de fazer parte disso tudo. Um pouco do que vivi lá vocês podem ver agora nesse vídeo.

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Helio na fachada

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E EU TE PERGUNTEI ALGUMA COISA?

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11 de setembro é o dia do mundo inteiro parar para escrever a redação “Onde você estava no 11 de setembro?”. O tema superou o batido “Minhas férias adoráveis”. Todos se consideram parte integrante da história, testemunhas oculares do “dia em que mudou o mundo” ou do “dia em que a América nunca mais foi a mesma”.

Ninguém perguntou, ninguém quer saber, você não precisa ler, mas vou escrever mesmo assim porque tô de bobeira esperando a torradeira liberar meu pão. Naquela terça-feira estava me preparando pra ir para o Projac quando minha mulher me ligou. No carro ouviu a CBN anunciar que um piloto desastrado errou a rota e bateu numa das torres do WTC. Imediatamente liguei a tv pra ver que milionário idiota e bêbado resolveu passear por Nova Iorque no seu jatinho e causou o acidente.

Não era um jatinho, não era um milionário bêbado e não era um acidente. Enquanto as hipóteses eram chutadas, assistia a tudo, junto com desocupados do planeta que se postaram em frente às tevês da vitrine do Ponto Frio. Foi o primeiro fato histórico que vi acontecer. Já tinha perdido a descoberta do Brasil, o suicídio do Getúlio, o assassinato de John Kennedy, mas agora eu tava ligado.

Fui para o Projac gravar algumas cenas do Casseta & Planeta, Urgente! Àquela altura era impossível entrar com uma atualidade no programa que já estava pronto e editado. Acompanhamos as notícias um tanto atônitos, sem nos darmos conta da dimensão dos fatos.

Na quarta-feira, aquele foi o tema da nossa reunião. Bolamos vários quadros zoando o atentado para exibir na terça seguinte. Alguém mais sensato que nós embarreirou as piadas, argumentando que aquilo ainda teria uma grande repercussão e que o público não reagiria bem à sacanagem com tantos cadáveres ainda desaparecidos sob os escombros. Achamos absurdo na hora, depois vimos que escapamos de um linchamento mundial – ainda não existia a moda do twitter de falar mal de qualquer coisa, aliás, ainda nem existia twitter.

Pouco depois, os noticiários perguntavam: “Onde está você, Osama Bin Laden?”, Criamos nosa hipótese. Osama estava escondido numa favela carioca, amasiado com a mulata Jurema. Incógnito, tinha uma vida pacata no morro, tomando uma cervejinha, jogando seu videogame e revendo imagens do seu grande feito. Quando Obama foi eleito, descobrimos que Jurema era sua prima, com quem tinha um romance secreto. Osama era corno de Obama. Com a morte de Osama, nosso seriado “O Cafofo do Osama” acabou. Não fazia mais sentido.

Há um tempo o Sacha Baron Cohen, o famoso Borat, revelou em seu novo filme, “O Ditador”, que não foi bem assim.  Na realidade, os americanos mataram um sósia do Osama. O verdadeiro está malocado na mansão de Aladeen, o ditador de Wadija, um pequeno país encravado no Oriente Médio.

Agora eu me pergunto: quanto tempo levará para essa notícia sair das telas de cinema e chegar ao noticiário internacional? Talvez este seja o tema da redação de algum ENEM desses da vida.

Opa! Minha torrada está pronta!

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NATUREZA: AME COM MODERAÇÃO

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Tudo na vida tem limite. Mesmo para ações bem intencionadas, é preciso refrear arroubos. Não estou aqui defendendo o descaso dos que lançam esgoto sem tratamento nos mares e rios, nem aqueles que jogam no mato suas esculturas de garrafas pet recicladas.

Soube do caso de um sujeito que comprou uma fazenda e decidiu fazer dela um paraíso ecológico. Não planta nada em larga escala, nem cria gado para preservar o santuário. Até aí, tudo bem. Só que seus cuidados não param aí. Trata-se de um milionário que faturou alto no mercado financeiro, um cara que realmente sabe se auto-sustentar. Dinheiro pra ele não é problema. Um dia, cansou da vida urbana, jogou seus ternos numa lixeira de coleta seletiva e passou a se dedicar ao sonho que pode ser conhecido como “Minha Natureza é mais bonita que a sua”.

Logo na entrada de sua propriedade, uma quantidade incrível de sabiás-laranjeiras e canários-da-terra ciscam pela distraídos e relaxados pelo caminho. Um camponês explica que diariamente a estrada é forrada por quilos de alpiste, daí a área ter se tornado o point daquelas aves.

Mais adiante um belo e grande lago abriga um grande número de irerês, um tipo de marreco que costuma viver às margens de quaquer poça, onde belisca pequenos peixes, mordisca plantas aquáticas e alguns grãos. O curioso é que, apesar de numerosos ali, poucos exemplares são vistos passeando na região, depois da missa de domingo. É que ali a fartura é tanta que os bichinhos nem levantam voo. Ficam aguardando de bico aberto a hora do rango. Alguns andam tão folgados que chegam a reclamar com os funcionários da fazenda quando a boia demora a pintar.

A maior atração da propriedade é o lobo guará. Este animal é geralmente difícil de ser visto. Vive embrenhado em matas e não é chegado a contato com humanos. Mas na fazenda deste camarada ele abre uma exceção. É que o bicho foi acostumado a se alimentar de galinhas, criadas para este fim e que são servidas ao cair da tarde para que os visitantes tenham garantida uma foto do arredio canídeo. Guardadas num galinheiro, as penosas são retiradas por um peão e lançadas em direção ao predador, sem chance de defesa. A fartura é tamanha que algumas testemunhas juram que já viram o lobo dispensar a iguaria. Outros ainda relatam que ouviram o lobo educadamente agradecer a oferta: “Não, obrigado, tô de dieta.” Ou ainda: “Vou sair pra comer uma pizza com a família, fica pra próxima…”.

O povo do interior gosta de levar dois dedos de prosa com os forasteiros e se aproveitam da ingenuidade do pessoal da cidade. Mas um capiau diz que um lobo guará costuma aparecer na birosca do seu Noca pra tomar umas com a rapaziada. Depois de uns gorós, acaba soltando o verbo. Foi numa dessas ocasiões que o lobo, no meio de uma roda de pinguços, falou:

– Rapaz, o rango naquela fazenda até que é bom, as galinhas são de primeira, a carne é macia e elas são fáceis de pegar porque estão fora de forma. Mas sinceramente eu não curto muito isso, não. Nem deixo meus garotos irem lá. Os moleques crescem mal acostumados, todos mauricinhos, sem vontade de correr atrás do prejuízo. E se o cara falir, como é que a gente fica? Eu tô fora. Quer saber? Gostava mais daquela área antigamente, quando não tinha ninguém…

Por essas e outras que sempre desconfio quando a mãe Natureza aparece preocupada no horizonte, oferecendo um casaquinho para seus filhos…

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FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE FRAUDES ASSOCIADAS

penitenciaria

 

A torcida vibrou com a prisão dos cartolas picaretas da Fifa. Os brasileiros foram os mais empolgados, ao saber que um dirigente da CBF estava entre os engaiolados. O esquema é mais complicado de entender do que a lei do impedimento, apesar disso, ninguém tinha dúvidas de que essas paradas aconteciam.

Foi preciso que a equipe do FBI entrasse em campo pra neutralizar as jogadas ensaiadas, onde milhões de dólares eram lançados em profundidade nas contas bancárias da bandidagem. E olha que nenhum agente americano sabia fazer uma embaixadinha sequer. Os Estados Unidos ainda não manjam muito de futebol, mas mostraram que sabem tudo de fraude, corrupção, suborno e lavagem de dinheiro.

A prisão de Zé Maria Dindin levou seu comparsa Marco Polo Deu Merda a alegar uma caganeira na Suíça e vazar batido pro Brasil, como fazem todos os criminosos nos filmes americanos. Veio correndo para retirar pessoalmente a placa com o nome do seu parceiro da fachada da Confederação Brasileira de Falcatrua, a CBF. Enquanto isso, a galera brasileira torce pra que, além do Dindin, o FBI prenda também Deu Merda e Ricaço Teixeira. Assim, vai poder pedir música no Fantástico.

O escândalo não impediu que o poderoso chefão Blatter se reelegesse imperador da Fifa por mais uma etapa. Como futebol é uma caixinha 2 de surpresas, ele afirma que não tem nada a ver com esse escândalo:

–  Foi tudo inventado por uma mídia golpista que não aceita uma roubalheira totalmente regulamentar. Afinal, a regra é clara: foi bolada na mão!

Pode isso, Arnaldo?

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