ZAP ZAP, FACE, TWITTER, INSTAGRAM, VINE, VIBER, PERISCOPE, PINTEREST…

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As redes sociais estão dominando o mundo. Ninguém faz mais nada na vida, a não ser atualizar e acompanhar suas timelines. São trocentos grupos de whatsapp, páginas no facebook, perfis no instagram, twitter, snapchat… As pessoas comemoram quando são mandadas embora dos seus empregos. Só assim sobra mais tempo pra postar e ler o que postaram. Além de ser um puta assunto bom pra fazer um post.

Está faltando assunto pra ocupar tantas mídias. Sai uma notícia e logo aparece um meme. Em pouco tempo, esse meme está em todo lugar que você passa. É como esses ambulantes que surgem do nada vendendo guarda-chuvas em todas as esquinas ao cair o primeiro pingo.

Você não consegue mais contar uma piada, todo mundo já conhece, tá no zap-zap e no face e no vine e no viber e no…

A última mania a que fui apresentado é o Periscope. é um aplicativo que permite qualquer mortal ter sua própria emissora. Agora todo mundo pode transmitir coisas desinteressantes ao vivo para o mundo inteiro. O problema (ou a sorte) é que normalmente ninguém está ali para assistir. Todos estão produzindo seus próprios conteúdos inúteis e transmitindo para seus seguidores que também não estão nem aí…

Agora mesmo eu deveria estar trabalhando, mas fui dar uma olhadinha no meu celular e vi que tinha mais de 300 mensagens não lidas, acabei não fazendo nada.

Aí resolvi me vingar, tomando o tempo de quem for ler esse post. Vacilei. Ninguém mais lê nada. Deveria estar com meu periscope ligado, mostrando o momento exato em que estou escrevendo! Ninguém veria também. Ao menos, as pessoas poderiam estar não vendo o vídeo ao vivo, ao invés de estarem não lendo o texto horas depois de criado, quando ele já estaria velho.

 

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APLICATIVOS PRA TUDO

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Tá difícil pegar um táxi? Baixe um aplicativo. Filas no banco? Um aplicativo te ajuda pagar as contas. Tá solteiro? É porque quer: um programinha no celular descobre uma pessoa bonita e gostosa que queira passar a noite com você…

Ninguém mais tem problemas, só ainda não baixou o aplicativo certo.

Evitar engarrafamento, receber dicas de restaurantes, dar esporro no seu filho, qualquer coisa é possível fazer com um clique no celular. Por isso ninguém mais larga o aparelho, você volta ao tempo das cavernas quando o telefone descarrega. Telefone? Se os fabricantes eliminarem essa função, ninguém vai sentir falta. Não existe uso mais ultrapassado.

A humanidade deve muito a esses caras que inventam aplicativos pra tudo. Mas espero que eles estejam se dedicando nesse momento a questões essenciais da vida. Cadê o aplicativo que acaba com a falta de água em São Paulo? E aquele que vai dar fim ao vírus ebola? Conheço vários programinhas que ajudam a controlar o meu dinheiro, mas o ideal seria controlar o dinheiro dos outros! Já pensou, por apenas 0,99 dólar você ter acesso à conta do Bill Gates? O cara tem bilhões parados no banco que poderiam estar circulando, da minha mão pra sua, da sua para o seu credor.

Por falar em dinheiro, soube que uma start up de Brasília está desenvolvendo um aplicativo que elimina rastros de verbas públicas desviadas. O projeto ainda está no papel e as encomendas não param de chegar. Os investidores estão otimistas. Os clientes também – muitos já estão roubando por conta!

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CASTIGO PRODUTIVO

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Ser pai é ser mala, eu admito. Não sei se enchemos o saco dos filhos pra educa-los e fazê-los crescer ou apenas pra descontar neles o que sofremos na infância. O fato é que não dá pra exercer a paternidade sem de vez em quando pegar no pé da molecada. Semana passada entrei no personagem e resolvi perturbá-los. Como todos garotos da idade, os meus são maníacos por videogames. Nada mal, se  a brincadeira não se torna a única forma de lazer. Daí para o vício é um passo.

A primeira tentativa de manter o controle da situação foi estabelecer uma regra. Negociamos um tempo ao chegar do colégio e outro mais à noitinha, depois de feitos os deveres de casa. O período de jogatina era tranquilo. O intervalo entre eles também. Comecei a perceber o motivo de tanta paz. Eles vegetavam na entressafra, aguardando a hora das porteiras virtuais se abrirem de novo.

Uma maneira de ter paz num fim de semana era liberar geral. Eles estavam loucos pra jogar e eu louco pra me dedicar a ficar de bobeira sem ouvir nhém-nhém-nhém. E dava certo. Não se ouvia um pio na casa. Só tiros, explosões, gargalhadas sinistras e trilha sonora potencializando a adrenalina. O problema era a ressaca. Depois de horas e horas com o controle na mão, tinha que soar o comando de cessar fogo. Era o início de todo tipo de problema.

Meus filhos estavam se comportando como qualquer toxicômano sem sua droga! Os sintomas foram fáceis de reconhecer: mau humor, desobediência, desentendimentos, a cara amarrada quando o computador estava desligado. Notei que permitir que jogassem por mais tempo não trazia leveza para o pouco que sobrava do dia. Eles ficavam na fissura, rondando o computador, atrás de uma rapa de Dragon Ball Z” ou de uma bagana de “Call of Duty”.

Era hora de uma atitude drástica. Não queria levá-los num VA – videogamers anônimos. Tentei uma receita caseira. Apliquei uma abstinência total por sete dias. Avisei-lhes da reação que podia provocar no organismo, caso não buscassem outras formas de se entreter. E a solução veio do mesmo computador. Na impossibilidade das batalhas, retomaram contato com um site que recomendo: o Manual do Mundo. Nele o criador, Iberê Tenório, ensina como fazer uma série de engenhocas e truques, mostrando de forma prática princípios da Física e da Química.

Os dois moleques resolveram montar um robô-guindaste-hidráulico. Claro que tive que me envolver. Listamos todo o material necessário, saímos à cata de compensado de madeira, ganchos, parafusos, seringas descartáveis, tubos plásticos, enfim tudo que íamos utilizar na construção do modelo. Passamos horas acompanhando passo a passo as instruções do site, serrando, cortando, colando, furando. O resultado ficou ótimo e impressionou os amigos – deles e os meus! Foi o castigo mais produtivo que apliquei nos garotos.

Como prêmio, o videogame foi liberado – com moderação. O saldo foi bastante positivo, pois eles retomaram o gosto por outros tipos de brincadeiras que já estavam esquecendo que existiam.Vou entrar em contato com o Iberê Tenório pra saber se ele não aceita ser baby sitter aqui em casa. Não precisa ser todo dia, nem dormir no emprego. Carteira assinada e férias de 30 dias, tudo de acordo com a PEC dos empregados domésticos!

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