A PRIMEIRA NOVELA A GENTE NUNCA ESQUECE!

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Passei boa parte da minha vida zoando as novelas. Assistia só pra entender o que tava rolando e poder fazer piadas com as cenas mais marcantes. Dessa vez, ao ser convidado a participar de uma novela de verdade, e não de mais uma paródia, embarquei numa viagem diferente  É uma longa viagem. Novela é um namoro com data pra acabar.

Tudo começou há um ano. Em junho de 2015, tivemos o primeiro encontro com a direção. Todo o elenco presente, incluindo as estrelas do quilate de Glória Menezes, Viviane Pasmanter, Humberto Martins, Marina Ruy Barbosa… Eu não era o único debutante. Fernanda Motta e Samantha Schmütz, por exemplo, também estreavam. Samantha chegou a fazer uma ponta séculos atrás, mas agora era pra valer.

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Passamos dois meses exclusivamente na preparação. Foi curioso frequentar o Projac não para gravar, mas para estudar. Pra mim, que nunca fiz um curso de teatro, aquelas aulas eram ao mesmo tempo importantes (só percebi depois) e engraçadas. Não tinha como não rir quando nos pediam para andar de um lado pro outro numa sala fechada, correr, pular, gritar, rolar no chão. No fim do dia, só uma coisa me vinha à cabeça: o que vou dizer em casa quando meu filho perguntar “Papai, o que você fez hoje no trabalho?”. Se contasse a verdade, ele poderia querer matar o colégio e ir comigo brincar no Projac.

Não esqueço quando uma das preparadoras distribuiu pedras de rio para cada um de nós. Tínhamos que passar o dia com essa pedra na mão, para energizar. Até hoje não sei se era pra pedra me energizar ou se era pra eu energizar a pedra. Aliás, nunca falei tanto em energia, nem quando trabalhei como engenheiro na construção da Hidrelétrica de Itaipu.

Foi legal reencontrar o Fábio Assunção, a Lavínia Vlasak no elenco. Além de amigos das antigas, eu já tinha feito paródias de seus personagens no Casseta & Planeta: Lábio Assunção e Gostosínia Vlasak.

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O diretor Luís Henrique Rios conversou muito comigo para que encontrasse o tom do Zé Pedro. “Totalmente Demais” é uma obra leve, compatível com o horário das 19 horas. O humor é mais sutil, diferente do Casseta. No programa, os personagens eram explicitamente irreais, enquanto que o público da novela precisa acreditar que os personagens possam existir, que poderiam ser um vizinho, um patrão, um parente.

Foi um aprendizado importante pra mim. E foi divertido acompanhar como o público me via na novela. Alguns custaram a crer que eu estava fazendo um advogado “sério” e não um picareta, caricato. No início, lia comentários no Twitter e no Facebook de gente esperando que o Zé Pedro se revelasse um tremendo “171”. Na verdade, era um pacato morador do Bairro de Fátima, que tentava segurar a onda da mulher, a barraqueira Dorinha, muito bem encarnada pela Samantha.

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Foi um período de uma troca inédita e prazerosa. Estar em cena com feras, como Malu Galli, Ailton Graça, Viviane Pasmanter, era ao mesmo tempo divertido e de grande responsabilidade. Humberto Martins, o Germano, patrão de Zé Pedro, era companhia habitual no set. A gente ria muito ao lembrar o período de preparação, em que ficávamos frente a frente, mostrando um para o outro os pontos de tensão. O resultado era termos que alisar as sobrancelhas, a testa, corrigir a postura, acertar o pescoço do colega… Fazíamos com a maior seriedade possível, mas depois, fora da sala, a zoação era inevitável.

Gostei de estar com todo mundo, de contracenar com a garotada recém-chegada de “Malhação”, como Felipe Simas, Juan Paiva, Juliana Paiva, com gente experiente, como Reginaldo Farias, Orã Figueiredo e Leona Cavalli. Me diverti muito com Samantha Schmütz, o “Quindim” do “Bombom” Zé Pedro. Em cena e nos bastidores, com seus trocadilhos impagáveis. Pude tietar a beleza da Fernanda Motta, Juliana Paes, Marina Ruy Barbosa, Jéssica Ellen, Carla Salle; enfim, de todo o elenco feminino.

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Me impressionei com a facilidade de algumas atrizes para chorar em cena, com a intensa concentração de certos atores antes de gravar. Admirei o trabalho dos diretores e seus assistentes, sempre cuidadosos para que ficássemos à vontade em frente à câmera. E me surpreendi ao perceber como o público acompanhava  atentamente todos os detalhes da trama.

A novela dura seis meses no ar. Por semana, recebemos aproximadamente 180 páginas de roteiro, resultando num total de mais de cinco mil páginas no período! Isso sem falar nos adendos, revisões, web série pra internet etc. Chega uma hora que a vida se resume à novela. Os outros assuntos ficam à deriva, aguardando as brechas que a produção indica. Mesmo assim, uma mudança de planos e sua folga já era.

Comparo a novela a uma travessia de natação em águas abertas, meu esporte. Você precisa estar preparado, ter fôlego, tranquilidade e vigor. Pensar braçada por braçada, não se apavorar quando está em alto-mar. Até que, de uma hora pra outra, você se surpreende ao ver o pórtico de chegada se aproximando.

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Fizemos o público rir, se emocionar, discutir questões como assédio, pedofilia, inclusão, homofobia, bullying, adoção… Teve luta, sequestro, beijo, paixão, galinhagem. Enfim, uma vida.

E o melhor de tudo: quem viu gostou. O sucesso de “Totalmente Demais” deu uma recompensadora sensação de missão cumprida.

PS – Meus amigos e amigas de trabalho, me desculpem.  Não pude citar todos aqui, fomos muitos nessa aventura. Mas tamo junto!

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LAR, DOCE LAR DE ZÉ PEDRO

Mais doce, impossível. O casal Zé Pedro e Dorinha se trata por Bombom e Quindim. É brega, mas eles são assim mesmo, segundo a minha cunhadinha Carol. Dessa vez Zé Pedro mostra seu apê que fica no Bairro de Fátima. Nesse dia, estávamos recebendo a ilustre visita da Carol. Ela sempre que vem da Barra, dá um tempo ali e esquece as frescuras do seu mundinho glamuroso. Seja bem vinda, Carol!

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TOTALMENTE DEMAIS: DESSA VEZ NÃO É PARÓDIA!

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Muita gente estranha quando digo que estou fazendo minha primeira novela.

– Como assim, se eu te vi em “Com a Minha na Índias”, “Esculachos de Família”, “Paraíso do Bilau” e tantas outras?

Pois é, mas não tava valendo. Agora sim, é novela pra valer, não é zoação. Fui convidado para fazer parte do elenco de Totalmente Demais, a nova novela das sete.

Meu personagem é o Zé Pedro, um advogado, morador do Bairro de Fátima, no centro do Rio, casado com a barraqueira Dorinha (Samantha Schtmütz), pai de dois filhos e cunhado de Carolina (Juliana Paes), a vilã gostosona da trama. Claro que tem humor na jogada, dessa vez, temperado com drama, emoção e outros elementos que tornam a história mais realista que as paródias do Casseta, onde fiz minha escola de ator.

Vejam algumas palavrinhas dos meu colegas…

Totalmente Demais, de Rosane Svartman e Paulo Halm. Direção Luiz Henrique Rios

Clique aqui e veja o CAPÍTULO ZERO  de TOTALMENTE DEMAIS.

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