Ah! É Isaquias!!!

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É BRONZE! E É DA BAHIA!

Isaquias nasceu para o Brasil em 5 de agosto de 2016. Até a cerimônia de abertura, poucos sabiam sua existência. Agora ele e sua cabeleira entraram para a História do Esporte Brasileiro. Só ele e mais quatro atletas conquistaram duas medalhas numa só edição do Jogos. E pode vir mais!

Gente boa e gozador, ele parou pra uma entrevista rapidinha comigo  e meu amigo Smigol. Se ligaê!

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Assalto a Ryan Lochte não passa no antidoping

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O nadador americano foi comemorar suas medalhas numa baguncinha animada. Mais tarde, disse que foi assaltado. Os jornalistas americanos logo engoliram. E olha que eles não engoliram o Biscoito Globo!

Agora ficamos sabendo que não passava de um caô, pra não queimar o filme com a patroa, que ficou no hotel assistindo “É Campeão!” no SporTV. Num exame detalhado, os técnicos do laboratório da Justiça brasileira detectaram substância mentirosa no depoimento do nadador. Se ficar comprovada a fraude, Lochte pode perder as medalhas e a namorada. Afinal, já estão desconfiando que ele não nada tanto assim, é tudo truque das câmeras do COI.

E o brasileiro, sempre exemplo de superação, já respondeu à mídia americana com uma paródia do jingle que mais encheu o saco nessa Olimpíada.

Ê… se liga aê
O Ryan Lochte que mentiu para você
Ê… se vira aê
É picareta e tem mais que “si fudê”Paródia Brasileira

Imagem: DailyMail

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Ela não morreu na praia!

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A Olimpíada tem personagens míticos, como os semi deuses Michael Phelps e Usain Bolt. Assistir às medalhas do americano na piscina foi realização de um sonho. Assim como testemunhar o voo do Raio na pista – e olha que, até agora, só consegui vê-lo numa eliminatória.

Nada, porém, me tocou mais que estar presente à conquista da Poliana Okimoto. Não canso de repetir. Receber uma prova olímpica no quintal de casa não tem preço. Essa foi minha sensação ao ver os melhores nadadores de águas abertas do mundo disputando medalhas no Posto 6 de Copacabana, onde minha equipe, os Gladiadores, treinam diariamente. É como se Messi, Neymar e o goleiraço Jeferson marcassem um jogo no campo da sua pelada. O campinho jamais será o mesmo.

Selfie com o bronze, discretamente roubado.

A prova teve todos os elementos de um bom espetáculo. Elenco de primeira e um roteiro hollywoodiano. Contávamos com duas fortíssimas concorrentes – Ana Marcela Cunha e Poliana. Duas nadadoras de características bem diferentes. Uma forte, que gosta de água fria e mar mexido, outra mais técnica que performa melhor em mar tranquilo.

O dia estava deslumbrante, a praia de Copa, um cartão postal. Tudo certo, mas pro Brasil se dar bem, era preciso combinar com as adversárias. E o COB esqueceu desse detalhe. As gringas chegaram dispostas a ganhar. A ponto de derrubarem o alimento da Ana Marcela, que fechou mais de sete dos dez quilômetros sem se reidratar. Isso lhe custou várias posições. Ana não foi feliz nessa Olimpíada.

Já Poliana tinha outra história. Vinha de um drama em Londres 2012. A água fria foi cruel, ela teve que desistir no meio da prova por hipotermia. Aqui foi tranquilo e favorável. O mar estava calmo, com temperatura agradável. Poliana forçou do começo ao fim, se mantendo por várias vezes na segunda posição. Na última volta, a coisa mudou. A italiana Rachelle Bruni se consolidou no segundo lugar e a francesa Aurélie Muller, que se fingia de morta no meio do pelotão, acelerou e desbancou Poliana do pódio. Ela deu tudo de si, mas foi a quarta a cruzar o pórtico de chegada.

A holandesa Sharon Van Rouwendaal foi tão rápida que nenhum brasileiro lembra dela.

Me conformei com o resultado. Era a melhor colocação dos brasileiros nos esportes aquáticos individuais nestes Jogos. Porém, uma reviravolta. Aurélie se precipitou e atrapalhou a italiana de bater na chegada. Desclassificada! Não importa. Poliana subiu ao pódio merecidamente, fruto do seu esforço. Se a francesa vacilou, Poli não teve culpa. É bronze!

Toda a imprensa falada, escrita e televisada a disputava na unha. Aquele bronze foi mais importante que o ouro. Quem levou mesmo? Nem lembro mais, parece que foi uma holandesa…

O abdômen da holandesa mereceu a medalha de ouro!

Um dia depois de Diego Hypólito contar e recontar sua história de superação, chegou a vez dela alegrar o Brasil. Suportou as porradas do MMA de águas abertas por 1 hora 56 minutos e 51 segundos e fechou os 10 quilômetros da maratona aquática. E todo mundo sabe como a praia de Copacabana é perigosa. Afinal, o lugar é cheio de piranhas. Principalmente em tempos de grandes eventos.


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Somos todos olímpicos!

Eram seis e meia da manhã. Tinha chegado do Parque Olímpico há cinco horas. Ainda assim, não tive dúvidas. Peguei minha bike e parti pro Posto 6. O treino tinha um sabor especial: íamos conhecer o Circuito Olímpico da Maratona Aquática.

Poucos mortais têm o privilégio de praticar numa Raia Olímpica sem ter índice pra passar na porta da Vila dos Atletas. Fazemos parte deste seleto grupo. A chuva apertou, o tempo esfriou. Era como se os Deuses do Olimpo nos perguntassem se estávamos dispostos a qualquer sacrifício para passar por aquela experiência. Éramos dez e ninguém desistiu.

Nadamos até a balsa de onde os atletas laragriam e até simulamos uma tosca largada. Pisar onde pisam os campeões, nadar nas mesmas águas onde as medalhas vão ser disputadas. Era muita adrenalina! No dia seguinte, a ressaca destruiu a balsa e a largada da competição teve de ser mof=dificada. Não importa. Nós usamos a balsa que eles usariam, foi o suficiente.

O mar estava mexido, o que seria bom pro Allan do Carmo e pra Ana Marcela Cunha. A temperatura da água era agradável, o que seria bom pra Poliana Okimoto.

Aprovamos tudo. O mar fez suas ressalvas. Mas não liguem. Podem vir, atletas! Vamos deixar vocês usar nosso quintal. Mas não acostumem, não. E lembrem-se: o Posto 6 é nosso!


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Os Olímpicos e os Mortais

O astro americano Bill Murray declarou que toda prova olímpica deveria incluir uma pessoa comum como referência. Concordo com ele.

Na terça-feira o mundo riu da performance do nadador ROBEL KIROS HABTE, último colocado nos 100 metros livres e único nadador profissional da Etiópia. Lá todos preferem o atletismo.

Resolvi pôr em prática o pensamento do Murray e fiz uma comparação entre Robel e eu. Pelo resultado, se nadássemos juntos, quando eu chegasse ao final, ele já estaria tomando um suco, de roupão.

Vejam o vídeo pra comprovar. Não sei quanto a você, mas a partir de agora vou pensar bem antes de zoar qualquer atleta olímpico.

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Vai faltar prego!

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A noite de terça foi frenética. Queria ver o Phelps de qualquer maneira. Estava pegado no SporTV até as 22 horas, quando começariam as provas de natação. Ou melhor, o show do Phelps. O pessoal me dispensou vinte minutos antes. Saí correndo, desesperado pelo Parque Olímpico, bati alguns recordes não registrados pelos juízes dos jogos. Quando me aproximava do estádio aquático, um formigueiro se afunilava nas roletas, como se lá dentro estivessem distribuindo ouro. E estavam. Mas calma, eu chego lá.

Suando em bicas, me sentei enquanto o cara se apresentava pra disputar os 200 metros, borboleta. Estava focado. De longe dava pra ver o sangue nos olhos. A prova tinha gosto de vingança. O sul africano Chad Le Clos desfilava com o cinturão da prova que conquistou em Londres 2012.

Phelps queria a todo custo aquela medalha. Acho que tinha prometido pro seu filho. O moleque Boome gosta de brincar com os coleguinhas de “Caça às Medalhas“. São 24 crianças e ele só tinha 23 até aquela noite. Sempre um moleque voltava pra casa chorando. Phelps caiu na água e saiu de lá com mais. Missão cumprida.

Na cerimônia de premiação, ele quebrou o protocolo e foi beijar o filho. O garoto avisou que fez mais um amiguinho no Rio. Lá foi Phelps pro revezamento 4 x 200 metros. Dessa vez, pediu uma força aos parceiros que resolveram poupá-lo do esforço. Nadou pra fechar a prova que já estava ganha. Pronto, o garoto podia sossegar. E nós também. Gritamos mais do que o moleque, como se fôssemos participar da brincadeira.

Mas ninguém da arquiba foi convidado. Sem problemas, estávamos satisfeitos em ver um tubarão cruzando o mar azulejado. Uma noite histórica!

E ainda não acabou. O monstro quer levar mais três. O menino pode arrumar mais amiguinhos.

Mas vai faltar prego na casa do Michael Phelps pra pendurar tanta medalha!

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A maratona olímpica

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Acordei disposto a acompanhar tudo nos jogos de hoje. Impossível. Os dezesseis canais me deixam tonto. São zilhões de esportes simultâneos. Fico mudando de um canal para outro sem saber qual é a boa. A impressão que tenho é que sempre tem alguma coisa muito mais maneira acontecendo num canal que não estou vendo.

Escolho a canoagem slalom e o rúgbi feminino está emocionante. Mudo para os saltos ornamentais, quando deveria estar acompanhando o hóquei sobre grama. Mudo para o futebol feminino entre Azerbaijão x Honduras, quando o vôlei de praia entre Ilhas Fíji x Trinidad e Tobago está imperdível.

Tento fazer uma tabela com as melhores disputas, mas fico ansioso, tonto, perdido. Esporte pode ser saudável pra quem pratica, mas pra quem assiste é altamente prejudicial à saúde.

* * *

No primeiro dia oficial das competições, resolvi acompanhar algum esporte ao vivo. Fui ao Parque Olímpico assistir à natação. Muito mais tranquilo que pela tevê. Primeiro, você não tem escolha. Ou assiste ao esporte que tem ingresso ou fica na praça de alimentação tentando conseguir um hambúrguer, um verdadeiro esporte radical.

Ao contrário do que esperava, o transporte foi bem tranquilo. O metrô e o BRT estão civilizadíssimos. Apesar da multidão, conseguimos um lugar sentado, e a viagem foi bem rápida.

A torcida deu um show. Assisti a várias provas em que não tinha nenhum brasileiro na água. Ainda assim, a galera vibrava com os nadadores e torcia por cada quebra de recordes como se fosse seu time na final do Brasileirão.

No final, saí satisfeito ao contabilizar dois recordes mundiais. Depois descobri que houve um outro recorde quebrado, enquanto comemorava a passagem de um brasileiro – João Gomes ou Felipe França, para as semifinais no dia seguinte. Ou seja, estava lá, vi e não vi…

* * *

Pra quem tá sem ingressos, a boa é ver os esportes que acontecem nas ruas. O ciclismo de estrada foi um espetáculo. São das provas que melhor vendem os cartões postais do Rio de Janeiro para o mundo, mostrando paisagens de tirar o fôlego. Copacabana, Grumari, Floresta da Tijuca… Pena que os atletas não veem nada das nossas belezas, já que estão sempre em altíssima velocidade. Soube que descem as íngremes ladeiras da Vista Chinesa a 70 quilômetros por hora. Se os pardais da CET-Rio estiverem ligados, vão pagar uma grana de multas e ainda correm o risco de perder a carteira de habilitação.

* * *

Acabo de ver um jornal jogado num cesto da sala e fiquei chocado como tem coisa acontecendo. O Brasileirão continua. A Lava Jato tá comendo solta, ou melhor, presa. A campanha eleitoral americana pega fogo. Gente, assim não dá! Vamos dar um tempo no mundo.

A Olimpíada já é assunto demais. Não podemos acompanhar tudo ao mesmo tempo agora.

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Aquele abraço!

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Numa obra surpreendentemente bem-sucedida, o Rio transferiu a Apoteose do Sambódromo para o Maracanã. Impossível, nesse momento, descobrir algum elogio que não tenha sido usado nas trocentas de crônicas feitas sobre a Cerimônia de Abertura dos XXXI Jogos Olímpicos. Os cri-críticos tiveram que deletar seus artigos escritos de véspera catimbando a festa. Não tiveram do que falar mal. Não teve zika, não teve bomba. Teve Paulinho da Viola cantando o Hino Nacional. Podia parar por aí. Mas não. Zeca Pagodinho, Marcelo D2, Benjor, Gisele Bündchen… Efeitos incríveis, coreografias contando nossa história para o mundo, mostrando nossa música, nossos artistas famosos e anônimos, a alegria e o orgulho das arquibancadas.

O Rio, que vem sendo bombardeado de más notícias, deu uma respirada. Os problemas acabaram? A abertura da Olimpíada melhorou a saúde pública? Elevou o nível da educação? Tornou a cidade – e o país, diga-se de passagem – mais segura? Nenhum carioca que comemorou o êxito do evento acha que “seus problemas acabaram”. Mas é muito bom valorizarmos as ações positivas. Em meio a toda essa crise, temos algo do que nos orgulhar. Ainda mais quando o fiasco era esperado. É uma vitória do Rio, é uma vitória do Brasil. Três bilhões de pessoas acompanharam ao vivo a festa e viram um espetáculo maravilhoso, que teve de tudo, até as vaias para o Temer.

O desfile dos atletas é indispensável, mas é meio chatinho. Eles não têm culpa de serem tantos. Pelo menos, aprendemos algumas curiosidades. Tonga existe e é independente de Mironga e de Kaburetê. Lá o povo anda besuntado de óleo. Existe também um país chamado Kiribati, uma ilha do Pacífico onde a linha do fuso-horário é desviada – deve estar em obras.

Nesse sábado, a Olimpíada já acordou com força total. E a primeira medalha dos jogos foi no tiro. A primeira brasileira também foi no tiro. Nossa especialidade, a bala perdida, marcou presença e faturou a prata. Na porta da minha casa os ciclistas de estrada passaram voando. Os caras pedalaram 250 quilômetros! Ficaria cansado de fazer o percurso de carro. Passei a tarde na frente da tevê, praticando o revezamento de canais, passando por remo, vôlei de praia, tiro com arco, hóquei na grama, handebol, rúgbi…

Agora, tô partindo pro Parque Aquático pra ver ao vivo a natação.

Caraca! Esse negócio de olimpíada tá só começando e já tô mortão. Deviam exigir índice olímpico também pra quem quer assistir aos Jogos.

E pra quem não curte nada disso, aquele abraço!

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