VIDA DE CASADO

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Gabriel e Lourenço não se viam há anos. Estudaram juntos na época do vestibular. Estudar é modo de dizer. Lourenço estudou, passou para medicina e se formou. É ginecologista. Gabriel tentou comunicação, arquitetura, desenho industrial e passou. Passou o rodo geral. Não chegou a ter nada muito sério com nenhuma delas, fora um corte na cabeça – sete pontos.  Clarinha mandou-lhe o celular nas ideias quando o flagrou embarcando com a Janine para Porto Seguro com as passagens que ela, a Clarinha, comprou com ele, o cafajeste (Clarinha nunca mais pronunciou o seu nome. ).  Isso foi nos anos 90, na época em que os celulares eram tijolaços pesados.

Lourenço se casou com Carla, a única da galera que Gabriel não pegou. É  monógamo assumido, mesmo quando sua mulher não está por perto. Gabriel é solteiro convicto. E não acredita muito nesse papo do Lourenço.

– Duvido! – grita Gabriel na mesa do bar. – Isso não existe! Imagina um homem que só come uma mulher a vida inteira!

– Tô te falando, rapaz. Pra que eu ia mentir? Pra você ficar me zoando a noite toda?

– Porque você tem medo de eu sair espalhando por aí e a Carla acabar sabendo.

– Não é isso. Sinceramente acho que não vale a pena. Prefiro dormir tranquilo depois do vuco-vuvo a ter que ficar arrumando desculpa ao chegar em casa.

– Você é um cara inteligente, não ia ter dificuldade pra inventar uma cascata convincente.

– Gabriel, eu já te falei: eu amo minha mulher!

– O que é que amor tem a ver com nosso papo? Amor é coisa do coração, eu tô falando de xoxota, que é outro órgão. E você é ginecologista, sabe disso. Vai dizer que nunca se encantou por nenhuma paciente que já tá ali à sua disposição?

– Você é insano mesmo. Além de poder dar uma merda federal, tem que considerar que quando a mulher procura um ginecologista, algum problema ela tem – e não é no coração.

– Não adianta. Nesse assunto eu fecho com Mr. Catra. Ele diz que o homem que só come uma mulher é viado. Uma questão de estatítica: o cara pega uma e dispensa todas as outras do planeta. Tá muito mais perto de um gay, que não come nenhuma, do que de um macho de fato, que comeria quantas pudesse.

–  Gabriel, na boa, quando foi a última vez que você comeu alguém?

– Não tem nem uma semana. Ou duas. Ou três…por aí.

–  Tô te falando, rapaz. Vale mais a pena ser casado. O tempo que você gasta na noite pra convencer uma mulher a te dar, eu tô no meu sofá assistindo meu futebol e depois ainda vejo quantos episódios de Two and a Half Men eu quiser. Vida de solteiro é boa depois de editada. Você só conta pros amigos o compacto com os melhores momentos.

– Você não cansa não? Sempre a mesma coisa?

– E quem disse que é sempre a mesma coisa? O importante é os dois terem o mesmo nível de animação. O cardápio lá em casa é variado. A gente pesquisa novidades na internet e vai testando.

– Novidades, é? O quê? Menage, suingue, fio terra?

– Aí você já tá querendo saber demais. Só digo que pra ter uma vida sexual saudável, sendo casado é preciso ter imaginação. E também é muito mais barato.

– Claro. Não gasta com noitadas, bebidas, restaurantes caríssimos, camisinhas…

– Eu tô falando de pensão e advogados.

– Ah sei lá… Tenho arrepios só de me imaginar uma D.R. com a patroa.

– D.R. é com namorada, rapaz. Com a patroa é só ficar calado, tomando esporro. Depois passa. agora o importante é a mulher se cuidar.

– E se ela começa a embarangar, como faz?

– Você começa a fazer dieta e a correr na Lagoa. Ela vai ter certeza de que você tá de olho em outra. No dia seguinte tá na academia. O problema do casamento é o desleixo. Uma calcinha desbeiçada, uma cueca freada acabam com qualquer relacionamento estável.

– Chega, Lourenço. Você já me convenceu. Vou mudar de vida.

– Tá ligando pra quem?

– Pra tua mulher. Se ela topar, eu faço um test drive na vida de casado.

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Superando limites

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Um dos conceitos mais difundidos pela humanidade no momento é a tal da superação de limites. Não existe propaganda que não se refira a isso. Estou convencido de que alguém sai ganhando com essa historia. Os bancos, por exemplo. Se você se habitua a superar limites, não vai se importar em pagar uma fortuna de juros.

Algumas pessoas estão sempre em busca do inusitado, do inédito, ultrapassando barreiras, quebrando recordes, provando que é muito mais fodão que qualquer outro, inclusive você. São figuras destemidas que não estão nem aí para os riscos de uma aventura encagaçante. Não é o seu caso, ô bundão. Você foi feito para  assistir ao documentário, ler o livro e comprar o dvd para o aventureiro ter grana para gastar com viagens e mulheres selvagens.

Existem diversas formas de superar limites. Quando um sujeito resolve bater o recorde mundial dos 100 metros rasos, ninguém discute. Usain Bolt é reconhecido como um deus por onde quer que passe. E olha que na velocidade em que ele passa, é difícil reconhecer alguém. Se por acaso ele não atingir seu objetivo numa prova, não tem problema. Ele volta pra Jamaica, treina mais um pouco e tenta de novo.

Mas e quando o objetivo do sujeito é subir o Himalaia pela face mais difícil, no período mais frio, se defrontando com os maiores riscos possíveis, entre eles o de uma avalanche? Fico me perguntando: esse cara não tem mãe, não tem amigos, pessoas razoáveis em volta dele que ponha uma pulga atrás de sua orelha? Ou sua orelha já está coberta por touca, cachecol, protetor de ouvidos e por isso não escuta conselhos de ninguém? Algo tipo: “Olha lá, rapaz! Tem certeza?”

Não tem nada pra fazer lá no alto da montanha mais alta do planeta. A vista é horrível, um nevoeiro insuportável, não se enxerga um palmo à frente do nariz. O ar puro tampouco é uma atração, já que este é rarefeito em oxigênio. Não tem  zona de wi-fi nem pega celular, não tem como postar no facebook, twitter ou instagram uma foto que comprove que você acabou de chegar lá. Mas o pior disso tudo, é muito, muito perigoso.

Por isso, não me espanto quando vejo uma notícia de que uma “forte avalanche soterrou alpinistas que tentavam subir o Himalaia pela face mais difícil, se defrontando com os maiores riscos possíveis, entre eles o de uma avalanche.” Não podemos chamar isso de fatalidade. Se todos sabem que é praticamente impossível chegar lá, qual a surpresa quando o sujeito não consegue? Aliás, não entendo sequer as equipes de resgate. O sujeito entra nessa fria por conta própria, dizendo que se garante, que é isso, que é aquilo. Depois, bombeiros e para-médicos têm que parar de resolver os problemas de quem ficou aqui embaixo pra ir lá em cima tirar o teimoso da enrascada que se meteu?  Antes de se meter nessa roubada, acho que o aventureiro deveria assinar o atestado “Eu Que Me Foda”,  eximindo a sociedade de qualquer responsabilidade

Uma outra solução seria o resgate preventivo. Ao invés de bombeiros e para-médicos, uma equipe formada por halterofilistas e lutadores de UFC ficaria plantada nos pés das montanhas mais perigosas do planeta, enchendo de porrada qualquer idiota que insistir em escalar aquilo. Vai superar limite no playground da mamãe!

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Tulio Maravilha é 1000!

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Pacaembu, São Paulo. 17 de dezembro de 1995. Botafogo e Santos fazem a segunda partida decisiva do Brasileirão. A primeira ganhamos no Maraca por 2 x 1. Na segunda tivemos drama, polêmica, stress, adrenalina e euforia.  Aos 24 minutos do primeiro tempo, Túlio escreveu seu nome na história do Botafogo. Abriu o placar no empate que nos deu o segundo título nacional. Até hoje os santistas resmungam, vociferam, esperneiam: impedido! impedido! gol irregular! Temos que concordar que um gol que determina um título dessa magnitude não pode ser considerado regular, no sentido de mediano. É fora do comum, excepcional, foge à regra, portanto, irregular. Ilegal? Aí não, o juiz nada marcou. Apontou o centro do gramado quando a bola dormiu no fundo da rede.

Podia ter apontado o aerporto de Congonhas, para onde centenas de torcedores foram, e dali voaram escoltando a taça até se juntar com a multidão que se espremia na pista de pouso do Santos Dumont, ameaçando a segurança da manobra do avião que trazia Túlio e companhia. Corriam o risco de ser atropelados. Pouco importa, morreriam campeões brasileiros.

Túlio é o maior ídolo alvinegro das últimas décadas. Temos no passado uma constelação de craques: Heleno, Garrincha, Nilton Santos, Didi, Paulo Cesar Caju e Jairzinho Furacão, entre tantos. Páginas memoráveis da nossa historia. Mas o troféu do Brasileirão de 95 tem um valor incontestável. E o artilheiro da conquista foi Túlio. Seus 23 gols fundamentais se somam a outros 136, somando 159 com a nossa camisa. E não foram só os gols. Sua alegria, sua descontração, seu jeito moleque cativaram a torcida. Foi responsável pela maior renovação nas arquibancadas, arregimentando uma molecada pra gritar seu nome.

Figura muitas vezes apagada em campo, ressurgia na pequena área, onde impiedosamente empurrava a redonda entre as traves. Não se discute a qualidade de um cara que sabe fazer isso. E no momento sabemos bem como faz falta um jogador assim.

Aos 43 anos, Túlio retorna à casa para uma grande festa. No currículo, 993 gols. Alguns insistem em grifar a expressão “segundo suas contas” ao tratar do assunto. Parafraseando não sei quem, tenho a dizer: se a versão não corresponde as fatos, problema dos fatos. A versão é deliciosa!

Faltam 7 para Túlio comemorar seus 1000 gols. Não quero compará-lo a ninguém. Apenas agradecer por ter feito os mais importantes da sua carreira pela gente. Por isso a gente te recebe, Túlio, e celebra com você os 1000 gols. O Engenhão, te aguarda, artilheiro!

Túliio Maravilha, faz mais 7 pra gente ver!

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Esse recorde até eu batia!

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A olimpíada é a alegria do sedentário. Você não precisa praticar nenhum esporte pra se tornar um especialista. Aliás, nem precisa ter assistido a uma competição num estádio. Basta sentar-se em frente à tevê, atrás de um pote de salgadinhos e um engradado de cerveja e acompanhar os atletas se esfalfando nas quadras, pistas e piscinas. A cada erro do esportista, você se irrita e come mais um torresminho.

–  Como é que esse idiota do Kobe Bryant me perde uma cesta de três pontos assim? Esse Michael Phelps não é mais o mesmo, só quer saber de fumar maconha, tinha que nadar pela Jamaica…

Esparramado no sofá, reclamamos da falta de empenho, da pouca dedicação aos treinos, do corpo mole, das amareladas. Falamos como se acompanhássemos a rotina desse pessoal, cujos nomes a gente só aprende durante os jogos e para meter o malho. Mais engraçado é compararmos nossa peladinha de fim de semana com uma competição cascuda. “Eu sei como é isso, às vezes no futebol do condomínio eu também sinto a pressão da torcida no alambrado. Mas aí eu reajo, não tenho sangue de barata!”

Fico espantado com o nível de detalhe em que uma prova é decidida. É o sujeito que salta dois centímetros acima da marca anterior, o outro que bate na borda da piscina 3 décimos de segundos à frente do adversário. Tento imaginar o que consigo fazer em 3 décimos de segundos. Piscar os olhos? Olhar pro lado? Se for tirar uma meleca, levo em média 64 centésimos de segundo pra que meu dedo chegue ao nariz, tempo suficiente pra perder duas posições num ranking qualquer. E ainda chamam uma transa que dura três minutos de rapidinha…

Nas provas de natação, fico nervoso com aquela linha imaginária do recorde. Algumas vezes vemos o nadador que consegue ficar à frente da marca, tendo que nadar  perseguido por aquela linha. Minha impressão é que ele vai ser eletrocutado ao ser atingido por ela. Na maioria dos casos, ela caga na cabeça do esforço que o cara tá fazendo e simplesmente o atropela.  É possível escutá-la zoando: “Perdeu, playboy!”.

“Citius, Altius, Fortius” é o lema dos jogos olímpícos. Os mais rápidos, mais altos, mais fortes. Então quer dizer que os baixinhos estão fora? O tênis de mesa está cheio deles. O badmington também.  E os mais magros, os etíopes que sempre faturam as corridas de longa distância?  No hipismo, os mais ricos se dão bem por possuir os melhores cavalos, que nem sempre são os mais altos ou mais fortes. No tiro ao alvo também não é preciso ser forte e sim ter boa mira. No nado sincronizado as gêmeas mais simpáticas e sorridentes sempre levam as melhores notas.

Se o atleta bater um recorde, deixa seu nome gravado na história dos esportes. Mas ele pode bater um recorde e ser superado na mesma prova por outro ainda mais rápido. Seu feito cai no esquecimento. Agora, também pode ser destaque na tevê e na internet se for mais marrento ou mais gostosa ou se pagar o maior mico. “Micus, Bundus, Marrentus” é o lema das olimpíadas em tempos midiáticos.

Banho de rio em Nova Iorque

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Aproveitando o espírito olímpico, decidi encarar um desafio: nadar em Nova Iorque, sob a ponte do Brooklyn, no East River. A Brooklyn Bridge Swim, um evento tradicional da cidade, foi minha primeira travessia no exterior. Água fria, salgada, cheia de correnteza e, o mais complicado, ter que nadar em inglês!

Às cinco e meia da manhã já estava num táxi a caminho do Brooklyn. Pra muita gente a noite não tinha acabado. Pra mim também não, estava morrendo de sono. Mas sabia que quando caísse na água fria, acordaria no ato.

Tinha gente de tudo quanto é canto do mundo – australianos, ingleses, chineses, franceses, americanos (a maioria, claro), além de seis brasileiros. Uns 400 malucos que poderiam muito bem estar comendo um hot dog no Empire State.

A animação da minha personal torcida era contagiante. Dá pra sentir a empolgação da galera.

Pausa para o turismo. Qual é a graça de nadar tudo isso e não ter uma foto pra tirar onda?

É medalha! E é do Brasil! Em apenas 23’48″ completo os mil metros e conquisto o 99′ lugar, minha melhor colocação na história das travessias de Nova Iorque. Espero estar recuperado até as Olimpíadas de 2016!

I really iguana go

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HELIO DE LA PEÑA, a member of the Brazilian comedy group, Casseta e Planeta, visited the Galapagos Islands in Ecuador, swam among stingrays and sea lions, saw the birds that inspired the Theory of Evolution and came to the conclusion that Nature is not for amateurs.

One of the greatest pleasures of travelling is watching your friends’ and family’s chins drop when you return from your trip.  If this is what you’re aiming for, there is no better destination than the Galapagos Islands. The trip can leave you breathless on two occasions: first, when you find yourself fumbling around with your snorkel mask underwater; and second, when you are listing the huge number of endemic species that you saw when you were over there. And you´ll still be able to do some showing off by explaining the meaning of the term “endemic”, a term you use very often in the Galapagos archipelago.

So for the trip we chose the La Pinta, a comfortable, average-sized boat with a 48-passenger capacity. For me, it was a completely new adventure. Spending seven days confined on a boat with 44 complete strangers can be   a risky affair. It was something like a “Big Brother in Galapagos“ experience for me.

The captain calls us together to welcome us aboard. I get the impression of just having walked right into an Agatha Christie novel, in which one of the passengers will be murdered on the high seas. Petrified, I lock myself in my cabin and stop listening to the lecture.

The captain informs us over the loudspeaker that lunch will be served in five minutes. Like a true Brazilian, I immediately get ready to take a thirty-minute shower and get to the buffet starving. Unfortunately for me, though, the majority of the passengers is not Brazilian. They all arrive on time, eat and scrape the last bits of food from the bottom of the buffet plates. When I get there, all there is left is just a little bit of soup and one glass of peach juice. So I learn my lesson and wait for the first tour on one of the islands to see if I can find some cactus to eat.

The Galapagos National Park is a true example of environmental preservation. The entrance fee certainly isn’t cheap at US$100.00 per person. For some strange reason, which is still unknown to me, Brazilians pay half-price. Maybe because they’re afraid we’ll create a knock-off version of the islands? At the entrance, the control is quite strict: no fruit or animals may be brought in. So, if you were thinking of taking Rex to the islands, forget it. You’re better off leaving him tied to a post in Guayaquil or Quito and then picking him up when you return from the trip.

Charles Darwin is a celebrity on the islands.  But, if he were to return today on the HMS Beagle he would be harassed by environmentalists. He collected a bunch of animals, plants and rocks that nowadays would be duly confiscated by the customs officers. Instead, Darwin would have to base his studies on his recollections from the trip. And because of this, most of his work divulged in Europe would probably be considered a big fat lie.

We were accompanied by a specialist on each of the islands where we stopped, and they would explain to us the habits of the endemic species (exclusive to that region), the origin of the species introduced there and the adaptation process which took place in the animals’ family tree up until they obtained their green card.

I was truly impressed by the knowledge demonstrated by my travel companions on the islands. But later on I found out that they really didn’t know all that much…they would stay up until the wee hours reading guidebooks in the ship`s library just to humiliate me the next day with their super-intelligent questions.  At the end of each explanation, the guide would glance at me with that “Hey you, aren´t you going to ask anything, you moron?” look on his face.

Just about everything in the Galapagos archipelago is pretty strange. The geological formation of the islands’ soil is an example. They are all of volcanic origin. Below the archipelago there is magma flowing at high temperatures which erupts in the faults of the tectonic plates, thus forming a new island when the lava cools down.  In other words, one could say that in the Galapagos things are pretty hot!

We arrive at Santa Cruz Island and we’re taken to a tunnel of lava: it’s an impressive cavity which is a passage for the flow of lava after a volcanic eruption. The surface of the flow cools down and hardens as the magma continues to flow through. When the flow stops, the tunnel is “constructed“. The Government of the City of Rio de Janeiro is considering adopting this technology:  it is analyzing the possibility of installing a volcano beneath the city in order to build new subway lines before the 2014 World Cup.

On the third day aboard, I begin to speculate on which of the passengers will be murdered.  It must be that annoying old lady who’s always the last one to get ready for the tours and on the way back she always manages to stray from the group and makes everyone go looking for her on the island all night. And the murderer will be yours truly. I just hope that Hercule Poirot doesn’t find out.

One of the great Galapagos islands attractions is the ocean floor.  The diversity of the species and the crystal clear waters attract the attention of any tourist.  Snorkeling there is a must. After all, you didn’t come here to stay onboard watching BBC documentaries.

But what was meant to be a fun activity quickly becomes a tense competition. There’s always the guy who’s the first to see a stingray, a turtle or a sea-lion. And you haven’t even managed to put on your flippers and the dork is screaming “Shark!” or “Whale!”. And when you get close enough to get a peek he says that the animal strangely “disappeared”.

To really enjoy snorkeling, you must first see one of those strange–looking animals. After having done that, you can relax and contemplate the colourful fish.  Now you have some stories to share on the boat.

The animals on the Galapagos islands have one thing in common: they do not fear human beings.  Like in no other place, you can really get close to them. You can even dive in shark-infested waters. But before diving it’s always a good idea to check what time they usually have lunch or dinner. And the eating habits of these beasts vary from island to island.

You can learn quite a bit about the Theory of Evolution by just walking around the islands. On Isabela Island, for instance, you can see iguanas that swim. And on some occasions you see things so surprising that you even begin to doubt some of Charles Darwin’s concepts. A case which is often mentioned are the Galapagos cormorants, which have lost their ability to fly.  They simply don’t need to because they are not chased by predators. But how can a bird that “unlearned” to fly be considered an example of evolution?

Lonesome George

The Charles Darwin Research Station, located on the Santa Cruz Island, is a must see attraction on the Galapagos Islands. Even though it recently lost its main attraction: Lonesome George, who passed away on June 24 of this year. I was lucky to meet him, but, quite honestly, I was expecting to see a hippopotamus with a shell on its back. It was frustrating. He was no bigger than his buddies. The animal, who had become a celebrity, was a snob and full of himself. He kept his distance from the tourists, didn’t even smile or wink at us. He treated us as if we were mere paparazzi looking for some gossip.

Naturalists are desperate because George, a Galapagos Giant Tortoise, sole survivor of his subspecies, died after a very long dry spell and did not leave any heirs. We don’t know if the female tortoises were playing hard to get or if George was being picky. The fact is that his predicament spread around the archipelago and he was the talk of the town.

You must surely know that the archipelago is inhabited by very peculiar species. A great diversity of animals live in perfect harmony on the Galapagos Islands. I swear I saw a marine iguana breast-feeding a baby crab!! Too bad I didn’t have my camera with me at that precious Kodak moment.

Darwin’s finches are a big attraction on the Galapagos Islands. The naturalist collected various birds on the islands. When he returned to England, he noticed that they were all from the same species; the only difference was their beaks, which had to adapt to the type of food available on each island. Since they didn’t have a fancy car to attract the chicks, I mean, the birds, they had to figure out other ways to attract them. First they build a nest, then they go looking for a female. That way, they can convince them that they have the best of intentions and that they already have a home to offer.

We also discovered that the boobies have a habit which is shocking to us human beings. The female lays two eggs within a short period of time (a few days between each egg). Once they’ve hatched, the two siblings start fighting like any normal brother and sister, and the mother never interferes in these fights. But this is nature’s cruel side. The fight is quite fierce and the objective is to kick the weaker one out of the nest, which is lined with stones, just like a boxing ring. Once expelled, the weaker sibling no longer receives mommy’s food nor her TLC. Now her center of attention is the victor. The loser dies off slowly, before the very eyes of his family, which does nothing to save him. In answer to a question posed by one of the tourists, the mother booby pokes around her nest, finds some of Darwin’s notes  and tosses them in our direction:

“The mentally or physically weak members of a species are eliminated  and the ones which survive are in good health. Undoubtedly, civilized man does everything to slow down this process of elimination; we build asylums for the mentally ill, the mutilated and the sick; we approve laws to help the poor and doctors try to save everyone’s lives. (…). And in this manner the weak members of civilized societies continue passing on their genes”.

My chin dropped when I read that and I just didn’t have any strong arguments to convince the bird that it was wrong to behave that way. Nature is certainly not for amateurs.

Going Home   

The saddest moment of the trip is when we have to disembark and go back to reality. No one was murdered. Not even the annoying old lady. Everyone followed the rules and didn’t bring back any “souvenirs” from the islands, not even a tiny rock – or maybe they hid it very deep in their suitcase and are praying the customs officers won’t check their luggage at the airport. Once they get home and tell friends and family what they saw, everyone will be impressed and full of envy. So the trip’s main objective will have been fulfilled!

english version by Cida Gomide Quintella

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Seedorf in Rio

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Numa semana de final da Libertadores, de cem anos de Fla-Flu, a maior notícia esportiva para os botafoguenses foi produzida em casa.

Ressurgir no noticiário esportivo trazendo para o país um craque europeu, realizando a maior contratação do futebol brasileiro,  é uma espécie de Viagra pra autoestima da torcida alvinegra. Seedorf. Em General Severiano não se fala de outra coisa. As camisas com o nome do homem se esgotaram na lojinha.

Óbvio que o holandês nascido no Suriname não vai fazer milagre. Também não espramos que ele resolva tudo sozinho. As contratações não podem parar por aí. Alguém tem que aparecer pra receber as bolas que vão ser lançadas. A defesa também precisa de reforço. No mínimo temos que ir a uma loja de material de contrução comprar cimento pra tapar os buracos e montar uma muralha.

Muita gente se pergunta como o Seedorf veio parar no Botafogo. O curioso em toda essa historia foi o papel da Luviana. A esposa brasileira do negão foi apontada como a grande responsável pela vinda do jogador para o Rio. Um amigo meu, que estava na casa do casal quando eles discutiam a proposta, me contou como a coisa rolou:

– Você vai jogar no Botafogo e tá acabado. Assina logo, anda! O Rio tá bombando, além disso nós temos um apartamento no Leblon que tá fechado há um tempão.

– É verdade, querida. Lá eu já tenho onde ficar, nem vou gastar com aluguel… A única despesa que vou ter é com as passagens de avião pra vir à Europa.

– E pra que você vai vir à Europa?

– Ué, pra te visitar, né? Vou morrer de saudades de você, meu amor!

– Tá maluco? Eu também vou me mudar pra lá!

– Sério?!

Com essa Seedorf não contava. Ronaldinho Gaúcho, seu grande amigo dos tempos de Milan, quando falava do Rio, só se referia aos bailes funks, às popozudas e às marias chuteiras que aqui dão mais do que jaboticaba. Mas Seedorf teve que trazer marmita pro banquete. Pra se dar bem fora das quatro linhas, vai ter que driblar a dona encrenca…