NOITE DE GALA EM PRETO E BRANCO

A emoção começou ao chegar no entorno do Maraca. O movimento de camisas alvinegras era intenso, o que se confirmou quando avistei a arquibancada lotada. Procurei lugar pra sentar e felizmente não havia. Há muito tempo não vejo o estádio desse jeito. A torcida chamou pra si a responsabilidade e compareceu em massa. E  o time correspondeu em campo.

Não quero aqui dar uma de gourmet do futebol, com análise fria e imparcial da atuação da equipe. Não estou preocupado com os chutões, erros de passe, desentrosamentos. Isso é assunto pra uma outra hora. Agora me vem à memória o coração na ponta da chuteira, a vibração da massa reverberando no campo. Até a derrota fora de casa contribuiu para dar a pitada de drama necessária para valorizar a vitória. Pouco me importa a baixa qualidade dos adversários. Trouxeram a vantagem de um gol, voltaram pra casa com excesso de peso: quatro gols na bagagem.

Se o Tanque Ferreyra não deu conta, quem lavou nossa alma foi Wallyson, mantendo a linhagem de atacantes com nomes esquisitos. Maicosuel, Hyuri e agora Wallyson, com dois “l”, um “y” e um “s” soando como dois. Seus pais (ou a numeróloga) sabiam onde o menino jogaria no futuro. E meteu três bolas na rede dos equatorianos. Garoto, fique esperto. A partir de agora você vai ser caçado, não vão te dar moleza. Não se intimide, faça sua estrela brilhar.

Era a primeira vez que estes jogadores entravam juntos em campo. Aqueles 50 mil presentes também nunca haviam atuado juntos, mas mostraram entrosamento. Empurraram o time pra cima deles, vibraram com a garra e se extasiaram com os gols, do alívio ao delírio.

Outro dia falaremos da sequencia de jogos, da missão de matar um leão por rodada, do padrão de jogo que é preciso encontrar, das limitações de um elenco montado com um cofrinho de poucas moedas. Mas agora não.

É hora de agradecer a Jeferson, Dória, Bolívar, Júlio César, Edilson, Lodeiro, Elias, Wallyson, Henrique, enfim a todos. É hora de rever os gols e de ressaltar a importância da torcida lotando o Maraca.

E ninguém cala…

(foto Marcelo Quintella)