AMAZÔNIA, UM DESTINO NADA ÓBVIO

Viagem de férias com a família muitas vezes é decidida no piloto automático. No Brasil, uma praia. Se é pra usar o passaporte, o destino é a Disney. E se este ano você resolvesse tirar seus sonhos da rotina? Minha sugestão: Amazônia.

É um dos paraísos nacionais mais famosos no mundo. E um dos menos conhecidos pelos brasileiros. Eu era um desses. Conhecia a Amazônia só de ouvir falar. E falar mal! Na maioria das matérias que lemos ou vemos, a exuberância desta região acaba no primeiro parágrafo. Dali em diante, são as queimadas e os desmatamentos que viram notícia. Visite antes que acabe, é a impressão que recebemos.

Apesar dos graves problemas ambientais de que ouvimos falar, ainda tem muito, mas muito verde pra curtir por lá. Um passeio incrível é subir o rio Negro. Passei sete dias com a família e amigos num barco conhecendo o rio Negro e os arredores de um de seus afluentes, o rio Jaú. Visitamos as Anavilhanas, o maior arquipélago fluvial do mundo.

Saímos por terra de Manaus em direção a Novo Airão. Ali tomamos um barco que navega por águas cor de mate absolutamente limpas – foram sete dias embarcado sem avistar sacos plásticos, latinhas ou uma única garrafa Pet! Por se tratar de uma reserva, não vemos habitações, apenas o leito do rio cercado por uma vegetação mais impressionante que qualquer foto ou filme que você já tenha visto. Tentei tirar algumas fotos, mas a imensidão verde não cabe na câmera. As imagens da Amazônia que circulam por aí não passam de amostras grátis. Jacarés, cobras, ariranhas. Nas árvores, as mais diversas espécies de micos e de aves.

Passamos ali dez dias de dezembro. O verão é o início das chuvas. Nada que estrague o passeio. Uma pancada no fim do dia e só. Como o período das cheias está longe, o leito do rio fica baixo. Assim temos noção do tamanho das árvores gigantescas, além de podermos desfrutar de centenas de praias que se formam nos bancos de areia. Não se preocupe com as feras: os guias sabem muito bem onde levar o turista para se banhar sem o menor risco! E quem curte aventura ainda tem chance de nadar com os botos, simpáticos e inofensivos.

Vários mitos foram derrubados nesta viagem.

Primeiro: e a mosquitada? Pode acreditar, nesta região da Amazônia não tem mosquito! As águas do rio Negro possuem uma composição química que funciona como um poderoso repelente. E, o que é melhor, sem soltar cheiro, nem fumaça.

Segundo: apesar de ficarmos uma semana morando num barco, ninguém ficou enjoado, pois a navegação é muito tranquila. A gaiola não chacoalha.

Terceiro: os dias foram ensolarados, porém a temperatura era amena – nada a ver com a sauna que é Manaus. E a água, agradavelmente morna e convidativa.

Agora já tenho o que dizer quando um gringo me pergunta sobre a Amazônia. Voltei desta viagem mais orgulhoso de ser brasileiro.

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Pra quem pensa que praia boa só tem no litoral… água limpa, calma e morninha. Você vira um boto e não sai mais!

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Viajamos nessa gaiola, típica embarcação amazonense. Só que no lugar das redes, cama. Ah sim, e sem superlotação!

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A sumaúma é uma dessas árvores gigantescas da floresta. Pensei seriamente em morar nessa daí com a família.

Toda a galera reunida. Eu, Ana e meus garotos à direita, meu cumpadi Claudio Manoel, sua mulher ao fundo e a equipe da Expedição Katerre, que comandou a aventura.

Toda a galera reunida. Eu, Ana e meus garotos à direita, meu cumpadi Claudio Manoel, sua mulher ao fundo e a equipe da Expedição Katerre, que comandou a aventura.

Este texto foi publicado originalmente na Folha de São Paulo, em 24 de setembro de 2015.