RIO FASHION BIKE

Alguns ciclistas insistiam comigo que eu devia experimentar o esporte. Resisti ao máximo. Os treinos dos caras normalmente são de madrugada. Quando o galo canta, os caras já estão na rua pedalando.

Aceitei o desafio e resolvi acompanhar o pessoal. Um amigo aficionado pelo ciclismo comprou a ideia e se dispôs a me fornecer todo o equipamento necessário pra brincadeira. Pensava que a coisa se resumia a uma boa bicicleta e um capacete sem rachaduras. Mas descobri que a coisa é bem pior.

Muito mais complicado que subir ladeiras íngremes sem a ajuda de um motorzinho é ter que vestir o figurino completo do esporte. Capacete, luvas e tênis, tudo bem. Mas por que diabos ter que usar umas roupinhas tão ridículas?

Para ir fundo na experiência, vesti tudo que mandaram, me sentindo como quem vai para um baile à fantasia.  A começar pelo bretele, um macaquinho de lycra com suspensórios que felizmente ficam embaixo da camiseta. O tal bretele (que nome!) ainda vem com um reforço no fundilho que  dá a sensação de estar todo cagado. A camiseta é feita de dry fit e tem cores espalhafatosas pra chamar atenção dos motoristas. Não para evitar um acidente, mas pro motorista baixar o vidro e sacanear o ciclista: “Pedala, bichona!”

O passeio foi muito maneiro. Percorremos a Floresta da Tijuca, da Vista Chinesa até as Paineiras.  O visual da floresta urbana, tendo a cidade aos seus pés vale cada pedalada. O problema era me entender com a bicicleta. São vinte e tantas marchas, mas em todas elas quem tinha que fazer força era eu! Meu amigo ainda tentava me explicar como a coisa funcionava: “Use a marcha que te deixa mais confortável”.  Mas nossas noções de conforto eram bem diferentes. Não é possível estar confortável subindo uma ladeira, pedalando feito um condenado, sentado num banquinho duro, tentando acertar a marcha certa.

Cada trecho subindo era um sufoco. Cada trecho descendo era um alívio. Até que eu lembrava que meu carro tinha ficado lá atrás pra onde eu teria que voltar.E se um pneu furasse? E se eu tomasse um estabaco? E se algum conhecido me visse naquela roupinha? Definitivamente, o ciclismo é um esporte de altíssimos riscos!