A Biografia Brasileira do Mick Jagger!

O pessoal lá fora não está acostumado com o hábito tupiniquim de desautorizar a publicação de biografias não autorizadas. Por isso, Mick Jagger se surpreendeu quando entrou na Amazon e comprou a edição brasileira de “Mick – A Vida Louca e Selvagem de Jagger”, do escritor Christopher Andersen. Para evitar pobremas com a encrenqueira Luciana Ex-Quase-Jagger, a editora Subjetiva contratou o biógrafo Roberto Carlos para reescrever a obra, aliviando a história do rolling stone. Segundo o livro que acaba de ser lançado, Jagger só entrou pro rock’n’roll depois que foi gongado no Vaticano, onde sonhava seguir carreira de Papa. As outras carreiras foram omitidas. O rebolante pop star teve uma vida celibatária e só fez sexo para fins de reprodução. Seu maior hobby era pagar pensões milionárias. Mas isso também é mais um detalhe. O resto, se você quiser saber, vá a uma livraria e compre o seu exemplar. Mas corra, antes que o Rei ou a Luciana proíbam!

SABE QUEM TÁ COMENDO A MINHA MULHER?

Mike Tyson não faz parte do grupo “Procure Saber”.  Passando ao largo da discussão sobre biografias não autorizadas, o lutador está lançando sua autobiografia onde conta vários podres de si mesmo. Preferiu fazer assim, pois se resolver processar quem denegriu sua imagem, o trabalho estará facilitado. Um outro aspecto curioso é que, apesar de ser autobiografia, o livro foi escrito por uma outra pessoa, já que as luvas de boxe o impediam de digitar.

Mike Tyson não esconde nada. “A verdade incontestável” (”Undisputed Truth”) revela detalhes tão pouco elogiosos de sua vida que Roberto Carlos, mesmo sem ser citado, pode mandar recolher os exemplares. O livro conta sua infância pobre, como o boxe salvou sua vida, a meteórica carreira, as lutas que duravam segundos. Mas ninguém está muito interessado nisso. Quem lê sua historia quer saber como ele explica o estupro que o levou à prisão, como era sua vida quando estava guardado. E o capítulo mais comentado, em que o ex-pugilista conta que foi corno de Brad Pitt.

Imagina o que é ser surpreendido na cama por Mike Tyson! Comer a mulher do cara certamente é para quem gosta de viver fortes emoções. Muita gente sonha em ser o Brad Pitt, mas não na hora em que ele estava “passando o texto” nu no quarto com Robin Givens e ouviu o trinco da porta. O armário negro cresceu na sua frente e o fuzilou com o olhar. Segundo o lutador, o galã pediu penico na hora: “Não me bata, não me bata, por favor, Tyson!”, imaginando sua bela carinha tão desfigurada que que dali em diante só poderia atuar como vilão em filmes de terror.

Mas Brad não é qualquer um. Sua raiva passou quando pensou: “Peraí, esse cara é o Brad Pitt, ele pode comer qualquer mulher no mundo e escolheu justo a minha! É sinal de que tô com um bom material em casa.”. De fato, Robin Givens é uma mulata de parar o trânsito e, pelo jeito, faz jus ao sobrenome – a moça é muito dada. Dá pra imaginar o eterno campeão dos pesos pesados tirando onda na rodinha de amigos: “Vocês não imaginam quem tá comendo minha mulher!” Tanto que, no desespero, Brad Pitt prometeu pro negão.

– Mike, fica tranquilo. Se você aliviar a minha cara eu juro que não conto nada. Ninguém vai ficar sabendo do que aconteceu aqui.

Mas este não era o plano do lutador.

–       Tá maluco, rapá! Como é que ninguém vai saber? Você vai sair daqui e vai espalhar pra todo mundo que tava pegando a minha gata! Aliás, já liguei pros paparazzi pra te fotografarem pulando o muro. Hoje mesmo vou convocar uma coletiva pra você anunciar publicamente o que estava fazendo aqui em casa.

A carimbada do maior galã de Hollywood agrega valor, como diria o rei dos camarotes. A única vingancinha de que Mike Tyson não abriu mão foi de revelar pros amigos que Brad Pitt é chegado num fio terra. Só não sei se isso ele botou no livro…

OS VÂNDALOS, ESSES INJUSTIÇADOS!

Um jovem é assassinado por um policial. A população protesta. Em solidariedade, um bando resolve tocar o terror. Ou seja, para combater a violência policial, promove-se mais violência. É uma lógica difícil de acompanhar. Os moradores de Jaçanã, além de sofrerem os abusos de criminosos uniformizados, sofrem com o apoio de criminosos “revolucionários”.

A defesa desses atos é sempre na linha do “não atingimos pessoas e sim bens materiais”. É um ato anticapitalista, por isso invadem e saqueiam lojas numa periferia de São Paulo. Provavelmente os donos daqueles estabelecimentos  morem bem longe dali, numa mansão dos Jardins. Os carrões queimados, Gol 1000, Fuscas e Unos Mille, certamente pertencem a diretores da Fiesp…

Não acho que, se as vítimas fossem ricas, o quebra-quebra seria justo. Mas quando os atingidos são aqueles que acabaram de ser violentados por uma polícia escrota, a coisa fica ainda mais sem sentido.

–       Vocês são maltratados pelas forças da lei? Então, pra chamar atenção à sua causa, vamos queimar uns ônibus pra vocês ficarem mais três horas nos pontos. Vamos quebrar casas, lojas, bares pra ver quanto tempo o estado e a prefeitura vão levar pra dar jeito nisso tudo. Quer saber? Ainda bem que Adoniram Barbosa perdeu o trem pra Jaçanã…

Enquanto isso, um povo acaba levando a culpa de tudo. São os vândalos. Cansado de ouvir difamarem seu povo, um descendente dos vândalos me enviou um e-mail indignado.

“É um absurdo o que estão fazendo com a imagem do nosso povo! Tá certo que nós saqueamos Roma, ocupamos a península Ibérica e o norte da África. Mas isso foi no século V! Depois disso, fomos dominados e incorporados ao Império Romano do Oriente e desaparecemos do mapa. E agora qualquer cagada que fazem botam na nossa conta! Nunca queimamos um ônibus, nunca apedrejamos uma agência bancária, até porque nada disso existia naquele tempo. Por que não falam dos hunos, dos visigodos, dos vikings? Só falam em vândalos, vândalos… Nunca andamos encapuzados, nunca fomos black blocs. Essa confusão, esse mal entendido, só pode ser fruto dessas biografias não autorizadas que vêm sendo escritas há mais de 1500 anos. Mas isso é uma outra história. Procurem saber!”

PROCURE SABER!

–       Recebi a visita de um oficial de justiça hoje.

–       O que foi, atraso de pensão? Cuidado, isso dá cadeia, hein.

–       Nada disso. Estou sendo processado.

–       Por quem?

–       Por você!

–       Ah…é verdade.

–       Que historia é essa, Armandinho?

–       Cara, quero preservar a minha privacidade. Não posso permitir que minha biografia seja manchada por calúnias.

–       Que biografia, rapaz? Eu nem sou escritor!

–       Mas é fofoqueiro. E uma fofoca espalhada por aí pode causar um grande estrago na minha imagem. Você não tá acompanhando a discussão sobre as biografias não autorizadas?

–       E desde quando fofoca é literatura?

–       Literatura oral.

–       Armandinho, não fui eu que espalhei por aí que você é corno. O bairro inteiro tá falando.

–       Vou processar o bairro inteiro. E tenho o apoio do Roberto Carlos, do Caetano, do Gil e até do Francisco Bosco, aquele filho do João Bosco com o Aldir Blanc.

–       Que babaquice! Você tá maluco! Se ficar de viadagem, vai acabar perdendo todos os amigos.

–       Vai espalhar isso também? Entro com outro processo.

–       Porra, Armandinho, eu não tenho grana pra gastar com advogado. Vou ter que recorrer ao cara que tá te corneando. Afinal, a culpa disso tudo é dele, sem falar que ele é rico pra cacete?

–       Peraí! E quem é esse mauricinho?

–       Procure saber, Armandinho, procure saber!