CADÊ TODO MUNDO?

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17 de abril foi um dia histórico para os brasileiros. Pela primeira vez todos puderam ver com detalhes o nível da gentalha que nos representa. Sessão do Congresso é como espinha na bunda: só os mais íntimos podem ver, senão dá a maior vergonha.

Muitos não param de comemorar o aumento do desemprego na capital fuderal. Outros não param de chiar e gritar que não vai ter golpe. O fato é que Dilma, a quase futura ex-presidenta sapiens, agora está liberada pra dar suas pedaladas por Brasília à vontade, pois não tem mais que bater ponto no Palácio do Planalto.

Agora falta investigar a propina que a maioria dos deputados recebeu em tintura pra cabelos. Quem financiou o implante do Renan? Quantos litros de óleo de peroba o Eduardo Cunha depositou na Suíça? Falta denunciar o patrocínio de Viagra que o Temer cobra pra manter o casamento com a novinha. Falta saber por que o Bolsonaro nunca foi torturado na Praça dos Três Poderes. E por que Jean Wyllys não está na equipe brasileira de cuspe à distância na Olimpíada.

Mas nada está resolvido. Aliás, falta muito. Faltam muitos! E as empreiteiras já começaram a se organizar para construir mais cadeias superfaturadas. Precisamos botar muita gente em cana para que o Brasil tenha um faturo melhor.

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AMAZÔNIA, UM DESTINO NADA ÓBVIO

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Viagem de férias com a família muitas vezes é decidida no piloto automático. No Brasil, uma praia. Se é pra usar o passaporte, o destino é a Disney. E se este ano você resolvesse tirar seus sonhos da rotina? Minha sugestão: Amazônia.

É um dos paraísos nacionais mais famosos no mundo. E um dos menos conhecidos pelos brasileiros. Eu era um desses. Conhecia a Amazônia só de ouvir falar. E falar mal! Na maioria das matérias que lemos ou vemos, a exuberância desta região acaba no primeiro parágrafo. Dali em diante, são as queimadas e os desmatamentos que viram notícia. Visite antes que acabe, é a impressão que recebemos.

Apesar dos graves problemas ambientais de que ouvimos falar, ainda tem muito, mas muito verde pra curtir por lá. Um passeio incrível é subir o rio Negro. Passei sete dias com a família e amigos num barco conhecendo o rio Negro e os arredores de um de seus afluentes, o rio Jaú. Visitamos as Anavilhanas, o maior arquipélago fluvial do mundo.

Saímos por terra de Manaus em direção a Novo Airão. Ali tomamos um barco que navega por águas cor de mate absolutamente limpas – foram sete dias embarcado sem avistar sacos plásticos, latinhas ou uma única garrafa Pet! Por se tratar de uma reserva, não vemos habitações, apenas o leito do rio cercado por uma vegetação mais impressionante que qualquer foto ou filme que você já tenha visto. Tentei tirar algumas fotos, mas a imensidão verde não cabe na câmera. As imagens da Amazônia que circulam por aí não passam de amostras grátis. Jacarés, cobras, ariranhas. Nas árvores, as mais diversas espécies de micos e de aves.

Passamos ali dez dias de dezembro. O verão é o início das chuvas. Nada que estrague o passeio. Uma pancada no fim do dia e só. Como o período das cheias está longe, o leito do rio fica baixo. Assim temos noção do tamanho das árvores gigantescas, além de podermos desfrutar de centenas de praias que se formam nos bancos de areia. Não se preocupe com as feras: os guias sabem muito bem onde levar o turista para se banhar sem o menor risco! E quem curte aventura ainda tem chance de nadar com os botos, simpáticos e inofensivos.

Vários mitos foram derrubados nesta viagem.

Primeiro: e a mosquitada? Pode acreditar, nesta região da Amazônia não tem mosquito! As águas do rio Negro possuem uma composição química que funciona como um poderoso repelente. E, o que é melhor, sem soltar cheiro, nem fumaça.

Segundo: apesar de ficarmos uma semana morando num barco, ninguém ficou enjoado, pois a navegação é muito tranquila. A gaiola não chacoalha.

Terceiro: os dias foram ensolarados, porém a temperatura era amena – nada a ver com a sauna que é Manaus. E a água, agradavelmente morna e convidativa.

Agora já tenho o que dizer quando um gringo me pergunta sobre a Amazônia. Voltei desta viagem mais orgulhoso de ser brasileiro.

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Pra quem pensa que praia boa só tem no litoral… água limpa, calma e morninha. Você vira um boto e não sai mais!

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Viajamos nessa gaiola, típica embarcação amazonense. Só que no lugar das redes, cama. Ah sim, e sem superlotação!

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A sumaúma é uma dessas árvores gigantescas da floresta. Pensei seriamente em morar nessa daí com a família.

Toda a galera reunida. Eu, Ana e meus garotos à direita, meu cumpadi Claudio Manoel, sua mulher ao fundo e a equipe da Expedição Katerre, que comandou a aventura.

Toda a galera reunida. Eu, Ana e meus garotos à direita, meu cumpadi Claudio Manoel, sua mulher ao fundo e a equipe da Expedição Katerre, que comandou a aventura.

Este texto foi publicado originalmente na Folha de São Paulo, em 24 de setembro de 2015.

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TÁ FALTANDO ELÁSTICO!

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Um depoimento estarrecedor. Foi como um agente da Operação Lava-Jato definiu o testemunho de Antonio Barusco Duque Youssef, CPF 171.171.171-00, que pediu para não ser identificado. Num interrogatório secreto na sede da PF, transmitido pelo Youtube, o delator explicou por que parou de roubar:

– Está faltando elástico pra amarrar tanto dinheiro!

O dedo-duro picareta correu todas as papelarias do Planalto Central e nada.

– O mercado de elásticos está muito aquecido, porque esse esquema de corrupção em Brasília é todo em dinheiro vivo. E não é só o dinheiro que é vivo!

Contou que, no começo, guardava a bufunfa embaixo do colchão, mas o volume ficou tão grande que passou a ter fortes dores nas costas. Então, resolveu arrumar as notas em bolinhos de cem milhões de reais. Ainda assim, não conseguiu dar jeito.

Sem saber o que fazer com tanta grana, o criminoso começou a receber conselhos. Muita gente mandava ele enfiar o dinheiro no rabo. Ele tentou, mas não deu certo.

– O pessoal não entendia: era muito dinheiro mesmo.

Com a maior cara lavada, o picareta admitiu ter recebido dinheiro sujo durante anos.

– Qual é o problema de receber uma nota preta? Prefiro ser chamado de corrupto do que de racista!

 

 

 

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RODÍZIO DE CORRUPTOS

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A corrupção no Brasil só não passou dos limites porque alguém molhou a mão dos institutos de pesquisa que estão aliviando nos dados. Mas o povo está sentindo que a coisa saiu do controle. Os jornais não param de denunciar escândalos. São tantos que, ao chegar na terceira página, não é possível lembrar das falcatruas que estavam na capa. Ninguém mais sabe se é a primeira vez que ouve falar em determinado escândalo ou se é apenas a sequência, a segunda temporada de uma série de roubalheiras mal recebida pelo público e pela crítica.

Para moralizar um pouco a baixaria, o governo decidiu instituir o rodízio de corruptos. Os bandidos com CPF de final par poderiam realizar suas fraudes às segundas, quartas e sextas. Os de final ímpar, às terças, quintas e sábados. Ainda não foi decidido se aos domingos estão todos liberados para meter a mão ou se terão o dia para curtir o fruto dos desvios.

A Polícia Federal declarou recentemente que sua dificuldade não é mais investigar e prender os meliantes. Seu maior problema atualmente é inventar novos nomes para suas operações. Lava-Jato, Peter Pan, Ramsés, Satiagraha… Haja imaginação! A PF esgotou sua capacidade criativa. Por isso, passará a usar um conteúdo colaborativo. Assim, pedirá a cada cidadão envolvido em algum “malfeito” que já vá pensando num nome maneiro para batizar a operação que vai botá-lo atrás das grades.

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