ENGOLE O CHORO!

Não tenho nenhum problema com choro. Mesmo choro de criança em avião. Ou de jogador em hora de decisão. Nenhum problema. Fiquei emocionado com o surto de descarga emocional que nosso escrete sofreu. Não tem mais essa de que homem não chora, isso é bobagem. Desde que não dure muito. Tô cansado de ouvir um choro que começou no sábado e não parou até agora.

Em todos os jornais só lemos: Como anda o lado emocional dos jogadores? Chorar é bom? Chorar demonstra fraqueza? Fico preocupado quando a pessoa mais procurada na concentração é a psicóloga da seleção. Jogador concentrado costuma procurar a camareira! Cheguei a ficar em dúvida se a tevê estava ligada no Sportv ou eu estava assistindo “Em Terapia”, com Felipão dirigido por Selton Mello.

A Copa do Mundo tá comendo solto e a gente mais uma vez voltado para o próprio umbigo, precisando resolver questões existenciais antes de entrar em campo. Bato três vezes na madeira ao lembrar que esse episódio me remete à convulsão do Ronaldo. O piripaque em 98 foi na final, agora ainda estamos indo para as quartas!

Para estimular a equipe, passaram videos de crianças  carentes que precisavam do hexa pra compensar a falta de saneamento básico e de uma família estruturada. A seleção não chorou só em campo. Ela começou a chorar na Granja Comari! Por que não passam Rambo? Nessas horas, é muito mais educativo! Os caras iam sair do refeitório dando cabeçada na parede, prontos pra qualquer pressão. Estão se sentindo pressionados? Façam uma rodinha e gritem em alto e bom som: FODA-SE!!! Pronto, vão se sentir mais leves. E dispensem o divã do Felipão.

Vamos focar nas quartas. Quero saber é quem vai substituir o Luís Gustavo. Quem vai comandar o meio campo. Como vamos anular o James Rodriguez. A seleção está preparada pra jogar a prorrogação, está treinando pênaltis? Todo mundo?

Não adianta, a seleção de 82 não vai ressuscitar e nos trazer o hexa. A seleção é essa, é por essa que vou torcer. Podem chorar, podem depilar a sobrancelha, podem gastar seus milhões como quiserem, basta jogar com vontade. E sem essa de que o caneco é obrigação. Como assim? Quem garante? Como diria Garrincha, “já combinaram com os russos?”.

Acontece que as outras seleções têm seus motivos pra querer ganhar o Mundial. E o melhor dessa história é que o futebol não obedece necessariamente à lógica. A Copa do Mundo não é necessariamente justa. É a surpresa que nos leva a sentar no sofá às 13 e só levantar depois da última resenha. Ver a Costa Rica nas quartas e a Itália em Roma não tem preço. Só não quero ver nosso capitão Thiago Silva entrando em campo de mãos dadas com a mamãe.

Tá na hora de engolir o choro, procurar uma pia e lavar o rosto.

E vamos jogar bola, porra!chupeta

O CHORODUTO CANARINHO

Muita gente ficou apavorada ao ver nossa seleção se debulhando em lágrimas no jogo contra o Chile. Nossos jogadores, tão sensíveis e emotivos, conseguirão suportar a pressão até a final? É a dúvida que passa na cabeça de milhões de brasileiros.

Para alguns, porém, o choro da seleção é solução. É o caso do governo do Ceará que está correndo com uma nova obra no Castelão – e ela precisa ficar pronta até sexta-feira. Trata-se da construção do Choroduto Canarinho.

Através do Choroduto Canarinho, a choradeira dos jogadores será desviada do Castelão para o sertão, irrigando as regiões mais castigadas pela seca.

Esse pode vir a ser o maior legado dessa Copa do Mundo.

AH! É JÚLIO CÉSAR! AH! É JÚLIO CÉSAR!

 

 

Ufa! Passou. Nosso jogo foi o maior espetáculo da bipolaridade. Começamos bem e marcamos primeiro. A partir daí, um outro jogo. E um lateral mal batido estendeu nossa agonia por três horas. O Chile deu trabalho e mais uma vez voltou para os Andes. Se quiser chegar mais longe, vai ter que descobrir outro caminho. Não servimos de atalho pra eles.

O Brasil jogou mal, Felipão mexeu mal, mas ganhamos. O santo de Taffarel baixou em Júlio César. Quando mais se precisou, o cara correspondeu e calou a boca da imprensa. Até a minha que, como todo botafoguense, queria ver nosso Jefferson sob a baliza. Mas a cabeça dura do Felipão nos salvou. Virei fã do Júlio César, o nosso Buzz Light Year.

Os críticos vão se aprofundar em análises táticas e técnicas. Não quero dar ouvido aos “pranchetinhas” (termo do Extra Ordinário Xico Sá). Vamos deixar de lado os gourmets do futebol. Gourmet é o sujeito que entende do assunto e reconhece todos os defeitos. Por isso não consegue curtir o momento.

Quero relaxar e saborear a mudança de fase. A seleção tem defeitos? Sim, mas não é a única. Deu sorte? Um vencedor não pode abrir mão dela. Se tivemos sorte, também tivemos Júlio César e Hulk – para o bem e para o mal. Não tem moleza no caminho para o título.

Agora é a vez da Colômbia. Vem mostrando um bom futebol e conquistou uma vaga inédita em sua história. Estão satisfeitos. E vão gostar mais de perder nas quartas do que a gente.

 

 

BRASIL X CHILE – ANÁLISE DO JOGO

 às 10.09.37

Queria fazer um texto assim que acabasse essa partida, mas não teria tempo porque vou sair correndo pro Maraca pra assistir a Colombia x Uruguai. Portanto, vou adiantar o expediente. Se estiver lendo este post depois do jogo, monte as frases de acordo com o que se passou em campo.

Foi uma partida memorável (para ser esquecida). O Brasil fez uma apresentação primorosa (lamentável). Os chilenos não viram a cor da bola (deram um banho de bola) e foram despachados de volta (só não nos mandou pra casa pra casa porque já estamos nela).

Com uma atuação de gala (pífia), Maicon substituiu bem (mal) Daniel Alves. David Luiz que era dúvida felizmente se recuperou a tempo (infelizmente não pôde jogar e fez falta). Fred manteve (enfim raspou) o bigode e  fez mais um golaço deitado  (ficou deitado em berço esplêndido , esperando a bola chegar).

Felipão mexeu bem (mal) no time na segunda etapa, quando o jogo já estava ganho (parecia perdido). A entrada de (Henrique, Maxwell, Hernanes, Willian,Bernard) deu mais movimento ao jogo (não mudou nada).

Neymar pareceu não sentir o peso da responsabilidade (esquecer que era jogo decisivo). Jogou leve (disperso), aguentando o tranco (caindo o tempo todo), rompendo (sem conseguir romper) o ferrolho da retranca chilena.

Passamos tranquilos (raspando) por essa prova. (Infelizmente não deu).

Mas Copa do Mundo é isso.

Agora, é esquecer o passado e focar na próxima partida (Copa).

 

DEVOTOS DE SÃO NEYMAR

–       Como o senhor quer seus camarões? Fritos ou Grelhados?

–       Eliminados.

O Brasil passou no Enem da Copa do Mundo. Agora é o curso superior, muito mais difícil. Vacilou, tá jubilado. Tudo isso graças a ele: São Neymar Júnior, o padroeiro da seleção.
Quando a paciência dos fiéis começava a se esgotar, ele fez milagre, abriu a defesa e achou o caminho pro gol. Camarões empatam. Ele surge como bálsamo e alivia nossa agonia. A partir daí, fez-se a goleada. Até o Fred perdeu a virgindade!

Fun-Fest-Copa-2014

À noite, o show de Alexandre Pires e do SPC se transformou em cerimônia religiosa. Os devotos de São Neymar agradeciam aos céus pela graça alcançada. Não fosse ele, não estariam todos ali cantando e sambando. Podiam muito bem estar em casa cabisbaixos, tomando um chazinho, vestidos de pijama, calçando pantufas.

O país se divide: os pessimistas falam: “Só temos Neymar”. Os otimistas rebatem: “Mas temos Neymar!”. O Papa é argentino, mas Neymar é brasileiro. Se o Brasil for campeão, o povo pedirá sua canonização.

 

São Neymar Jr, que estais em campo

Livrai-nos das derrotas, amém!

 

 

A COPA É NOSSA!!!

VAMOS FAZER ESSE GRITO ECOAR NOS ESTÁDIOS!

Eu só quero é ser feliz
Ganhar a Copa do Mundo no país onde eu nasci
E poder comemorar
E ter a consciência que o Brasil tem o seu lugar

A Copa é nossa!!!

 

créditos:

música original – Rap da Felicidade , de Cidinho e Doca

letra do grito – Flavia Oliveira

voz – Mc Tigrão de “Os Ousados”

produção musical – João Nabuco

edição de video – Denise Dambros e Vinicius Tamer

direção geral – Helio de la Peña

 

CADÊ NOSSOS GRITOS DE GUERRA?

 Saí de casa domingo de tarde, peguei um avião à noite, cheguei em Fortaleza na madrugada de segunda. Por falta de passagens, voltarei pra casa na quinta-feira. O objetivo: assistir a um jogo nesta terça-feira.  No total serão quatro dias pra ver um zero a zero sem vergonha. A conta não fecha.

Fortaleza é uma cidade bacana, tô me divertindo, comendo bem, trabalhando um bocado, mas só vim até aqui pra ver futebol, pra ver a seleção jogar, pra ver nosso escrete dar show em campo, assim como tenho visto nas propagandas. Parece que gastaram todas as jogadas nos anúncios. De que adianta pintar o cabelo, ensaiar dancinha, calçar chuteiras marrentas e empatar com o México sem gols?

O melhor momento do jogo foi o hino. Cantar “Ovirumdum” num estádio, atropelar o padrão Fifa que só permite hinos de até quinze segundos é algo que emociona e dá orgulho. Mas quando a bola rolou, muito pouco aconteceu. Uma cabeçada ou outra, um chute ou outro raspando a trave, alguns sustos mexicanos e o juiz aponta o centro do gramado como quem diz: “desse mato não sai coelho, tá na hora de voltar pro hotel, moçada!”.

Neymar é um craque. Batalha o tempo todo, lança, dribla, chuta, bate escanteio e corre pra cabecear. Mas vai ser difícil ganhar essa Copa sozinho. Por que então não propor uma Copa do Mundo de gol pequeno, dois contra dois, só valendo gol dentro da área? Seria mais divertido.

Tá certo, exagerei. David Luiz jogou bola, Luís Gustavo foi uma garantia na defesa, Jô quando entrou correu atrás da vaga de titular. Mas falta muito pra gente sair do estádio com um sorriso maior do que quando conseguimos comprar ou descolar um bilhete pra partida.

O México teve seu mérito. Não se intimidou por jogar em casa contra o Brasil, trouxe um bom goleiro e saiu com um resultado muito bom pra eles. Mas numa coisa eles foram superiores a nós. Se empatamos em campo, na arquibancada levamos uma goleada. A torcida mexiquenha se fantasiou, cantou o tempo todo, empurrou o time, trouxe várias musiquinhas, zoava até os tiros de meta do Júlio César. Já a torcida canarinho não saía do velho “Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”. Na boa, ninguém aguenta mais! Onde estão os criativos torcedores que não inventam novos cantos? Por que ninguém puxa ao menos um “Pentacampeão, pentacampeão!” que assustaria qualquer adversário?

Acho que o Felipão, além de mexer no time titular, também tem que escalar um compositor pra empolgar a torcida. Este é o desafio para a próxima segunda-feira, em Brasília.

Ou será que os novos gritos de guerra não ficaram prontos para a Copa?

(*) Você tem ideia de um bom grito de guerra pra nossa torcida? Mande pra gente: casseta@casseta.com.br. Ou via twitter @sportv usando a tag #extraordinarios.