LIBERTADORES AINDA QUE TARDIA

Nada é fácil para o torcedor alvinegro. Depois de passarmos o campeonato inteiro no G-4, penamos nas últimas rodadas. Não era nem sombra da equipe que vimos no primeiro semestre, quando ficamos encantados com a qualidade do toque de bola e as exibições primorosas. Jogadores à venda, time desmantelado, começou nosso sofrimento. Perdemos pontos bobos dentro de casa e temperamos o final da temporada com muita expectativa e tensão.

Enfim, no último jogo, última apresentação do ano no Maraca, o Bota voltou a jogar como a gente gosta de ver. Os 3 x 0 contra o Criciúma nos pôs de volta ao G-4. Atuação impecável de Seedorf e cia.

O Brasileirão acabou, mas continuamos a torcer. Quarta-feira temos que secar a Ponte Preta e carimbar nosso passaporte pra Libertadores. Claro, queria que as coisas fossem diferentes. Queria estar agora tomando o chope da Liberta, mas o destino preferiu adiá-lo pra quarta-feira. E como tem coisas que só acontece com o Botafogo, a luta por essa vaga nos obriga a torcer pelos argentinos do Lanús! Essa a conta que teremos de pagar devido à pífia atuação no segundo turno.

Não dá pra esquecer os vacilos e derrapadas deste ano, mas não é hora pra cobranças. Comparando com tricolores e vascaínos, estamos reclamando de barriga cheia. Enquanto estaremos de olho no jogo de quarta, eles ficarão ligados na segunda…

Nosso réveillon será na próxima quinta-feira e, com certeza, teremos o que comemorar.

Que venha 2014!

 

A BUROCRACIA DE CHUTEIRAS

Empolgado com a campanha do Fogão, decidi entrar em campo. Convoquei a família e os amigos para irmos ao Maraca apoiar nosso time. Mas a tarefa não é assim tão fácil.

Inicialmente a coisa soa tranquila: basta entrar no site futebolcard.com e adquirir seu ingresso. A partir daí, você passa a enfrentar uma zaga fechada. Depois de se cadastrar no site e realizar a compra, resolvo imprimir seu ingresso. Engano meu! Tudo que posso imprimir é um comprovante de compra que, junto com minha identidade e o cartão de crédito utilizado, devo me apresentar ao guichê do estádio para receber o ingresso. Ou seja, fiz a compra online e tenho que enfrentar uma fila no local, cheio de documentos na mão. Mas tudo por amor ao clube!

Vejo , em seguida, que não posso retirar o ingresso na hora do jogo! Tenho que ir ao estádio na véspera entre 10 e 17 horas ou no dia da peleja entre 10 horas e meio dia! Incrível! Um ingresso comprado pela internet me obriga a ir ao Maracanã exclusivamente para pegar o ticket e voltar no dia seguinte ou mais tarde pra ver o jogo. E quem tem que trabalhar, como faz? Pede uma licença ao chefe para enfrentar essa via crúcis? E se o seu chefe não torcer pelo mesmo time que você, permitiria matar o batente?

Bom, tenho uma saída: pedir a um amigo desocupado para retirar o tal ingresso. Nesse caso, preciso lhe dar uma procuração (não há necessidade de autenticá-la em cartório, ufa!). Meu amigo, munido da própria identidade, deve levar a minha identidade original, meu cartão de crédito e o tal comprovante impresso em casa. Como vou com meus filhos e mulher,  multiplique a papelada: somos cinco e um cartão só dá direito a comprar no máximo 3 ingressos, portanto, dois cartões de crédito; dos menores, identidade ou certidão e carteira de estudante. Meu amigo chegará ao guichê com uma documentação equivalente a um inventário encrencado. Talvez seja o caso de contratar um segurança para acompanhá-lo!

Para descobrir tudo isso tive que ler com atenção todas as regras no site, mais complicadas que a lei do impedimento.

Conclusão: ir ao Maraca com a família não é programa para amadores. O curioso é que este imbróglio se justificaria para impedir a ação de cambistas. Mas eles agem com liberdade e simpatia, oferecendo seus serviços em frente às bilheterias. Durante o jogo, você ouve o locutor anunciar o número de “gratuidades”, que foram vendidas por um precinho camarada.

Só vejo uma explicação: o futebol é um esporte recente no país. Uma repentina paixão tomou conta dos brasileiros e as autoridades ainda não aprenderam como comercializar os bilhetes de forma decente e racional. E olha que nem falei dos preços praticados!  Mas acho que até a Copa do Mundo todos esses problemas estarão solucionados. Ou será que estou enganado?

 

MEIO CAMINHO MUITO BEM ANDADO!

Domingo passado amanheceu nublado. Não pelas condições meteorológicas, mas pelo noticiário das páginas esportivas. O Botafogo enfrentaria o Criciúma na casa deles sem Seedorf, Lodeiro e Jeferson. Seedorf cumpria suspensão automática e aproveitava para dar uma pausa na massacrante rotina pra um velho lobo dos estádios. Desde que chegou ao Rio, o negão não teve sossego. Jogo atrás de jogo, sempre servindo como ponto de referência para a equipe – e ponto de reverência para a torcida. Precisava descansar. Jeferson foi a Brasília servir à Pátria. Não desfilou na Parada, nem entrou em campo contra a Austrália, apenas nos desfalcou. E Lodeiro atendeu ao chamado da seleção uruguaia. Além desses, também não tínhamos o guerreiro Gabriel. A situação estava complexa.

Surpresas nos aguardavam no sul. Nosso plantel teria de contar com jovens de pouca experiência como titulares. Milton Raphael, nosso terceiro goleiro, entraria em campo com a responsabilidade de cobrir Jeferson e Renan. O garoto Hyuri (é assim mesmo que se escreve, parecendo um carro da Hyundai!) já tinha dado mostras do seu talento num golaço contra o Coritiba. Teria a companhia no ataque de outro moleque, Otávio. Rafael Marques sairia da área pra comandar o meio de campo, junto com Renato. A torcida estava apreensiva para ver o que ia rolar. Em três minutos o Criciúma meteu um gol e assustou até os mais otimistas. O domínio do Tigre sobre nossa ala esquerda prenunciava problemas sérios. Não jogamos nada e terminar o primeiro tempo com um placar adverso apertado foi lucro.

Eu não sei o que tem na água do vestiário do Estádio Heriberto Hülse, mas algo fez bem ao alvinegro, que voltou outro para a etapa complementar. Claro que as palavras do Oswaldo foram bem compreendidas e surtiram efeito. Marcando bem, pressionando, atacando, dominando. No oitavo minuto, o novato Otávio faz seu gol e marca com pé direito sua estreia no time de cima. A partir dali, pressão total. O time fazia de tudo, mas  gol não saía. Chegamos aos acréscimos, momento que costuma nos deixar tensos no sofá ou na arquibancada. Tantos foram os revezes no finalzinho que cheguei a comandar uma campanha para que os jogos do Fogão terminassem aos 40 do segundo tempo. Felizmente a CBF não me deu ouvidos, pois aos 47 Elias acerta um cinematográfico voleio e define a peleja.

Mais uma vez, Rafael Marques mandou muito bem e calou minha boca que andou maldizendo suas atuações no início da temporada. O outro Raphael, o goleiro Milton, também jogou pra escanteio as dúvidas dos torcedores órfãos do Jeferson. Todos , enfim, de parabéns pela magnífica vitória. Um clube com conhecidas dificuldades financeiras, que passou por perdas de jogadores importantes neste ano, viu que pode contar com a garra de um grupo entrosado, disposto a vencer. E nossas peças de reposição são genuínas e preciosas, o que mostra que o Botafogo está na pista pra brigar pelo título.

O Black & White Bloc tá quebrando tudo! Ao contrário do grupelho de arruaceiros mauricinhos, tem todo o apoio da torcida alvinegra porque não entra em campo mascarado.

O primeiro turno já foi. Estamos na metade do caminho e muito bem, obrigado. Quarta-feira, todo mundo no Maraca contra os maloqueiros! O estádio é nóis! Vamo que vamo!

Só faltam 37!

A tarde de domingo começou desanimada. Liguei a tevê atrasado e o placar já registrava 1 x 0 para os Bambis. O pessimismo se abateu sobre uma torcida que viveu péssimos momentos nos últimos dias. A apatia do time apontava para mais um pesadelo.

Mas a coisa não ficou nisso. No segundo tempo a equipe reagiu. Herrera injetou adrenalina na partida, empatando logo de cara. Luís Fabiano em seguida repôs os caras na frente, mas a tarde era nossa. Ou melhor, era do Herrera, que meteu mais dois – um de pênalti e outro depois de uma tremenda bobeira da defesa deles. Entre um e outro o garoto Vitor Junior mostrou que é responsa: mesmo novato no elenco, pediu pra bater a falta e não se intimidou. Resultado: 4 a 2 pra nós.

Matamos um Leão. Está tudo resolvido? Claro que não. Mas não podemos desprezar um bom começo. O estádio estava vazio e muita gente em casa se arrependeu de não estar lá. Eu fui um deles. Sabemos o que significa assumir a liderança na primeira rodada: nada. Mas perder é pior. Bem pior.

Pra quem passou 22 jogos sem perder e em três partidas viu o primeiro semestre escorrer pelo ralo, resta a esperança de que nosso time jogue bem o campeonato inteiro. E não apenas as primeiras 37 rodadas.

E ninguém cala…