FOI DEUS QUE TE DEU, CUNHA?

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Apesar de todas as evidências de mão na cumbuca, o deputado Eduardo Cunha continua negando que tenha dinheiro na Suíça. E ele tem razão, o dinheiro não é dele mesmo, é nosso.

Mas, a Polícia Federal tem uma prova irrefutável. Ele foi visto circulando com um Porsche Cayenne com o adesivo “Foi Jesus.com que me deu”, numa referência à sua empresa que depositava religiosamente uma nota preta na sua conta secreta.

O carro chamou atenção, não pelo modelo, mas pela frase no vidro traseiro. Ora, todo mundo sabe que Deus só dá carro fuleiro para seus fiéis. É só dar uma olhada na frota com tais dizeres que circula pelo país.

O deputado está com o cunha na mão.

Quem tem Cunha tem medo.

 

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TÁ FALTANDO ELÁSTICO!

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Um depoimento estarrecedor. Foi como um agente da Operação Lava-Jato definiu o testemunho de Antonio Barusco Duque Youssef, CPF 171.171.171-00, que pediu para não ser identificado. Num interrogatório secreto na sede da PF, transmitido pelo Youtube, o delator explicou por que parou de roubar:

– Está faltando elástico pra amarrar tanto dinheiro!

O dedo-duro picareta correu todas as papelarias do Planalto Central e nada.

– O mercado de elásticos está muito aquecido, porque esse esquema de corrupção em Brasília é todo em dinheiro vivo. E não é só o dinheiro que é vivo!

Contou que, no começo, guardava a bufunfa embaixo do colchão, mas o volume ficou tão grande que passou a ter fortes dores nas costas. Então, resolveu arrumar as notas em bolinhos de cem milhões de reais. Ainda assim, não conseguiu dar jeito.

Sem saber o que fazer com tanta grana, o criminoso começou a receber conselhos. Muita gente mandava ele enfiar o dinheiro no rabo. Ele tentou, mas não deu certo.

– O pessoal não entendia: era muito dinheiro mesmo.

Com a maior cara lavada, o picareta admitiu ter recebido dinheiro sujo durante anos.

– Qual é o problema de receber uma nota preta? Prefiro ser chamado de corrupto do que de racista!

 

 

 

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NADA, NADA…E NADA!

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Muita gente vai a Brasília pra nadar em rios de dinheiro ou pra boiar no mar de lama, cujas ondas ora batem no Palácio do Planalto, ora no Congresso Nacional. Meu caso foi diferente. Fui nadar no Lago Paranoá.

Até agora me pergunto o que leva uma pessoa a sair do Rio de Janeiro para disputar uma maratona aquática num lago do Planalto Central. Não faz o menor sentido, até porque não se pode praticar natação em águas abertas num lago, onde águas estão fechadas… Ainda não encontrei uma resposta, principalmente pra minha mulher que finge acreditar nessa historia enquanto contrata um detetive particular pra descobrir quem é a vagabunda que eu tô pegando naquela cidade. Uma coisa é certa: não é ninguém da política, já que o evento foi num domingo e esse pessoal chega na terça e some na quinta.

Tratava-se de uma etapa da Copa Brasil de Maratonas Aquáticas. Cinco quilômetros na água doce, em que a flutuação é sempre mais penosa. Por ser competição oficial, estava proibido o uso de roupa de neoprene, que daria uma roubadinha esperta – o esforço para sustentar o corpo na linha d’água seria menor. Estar em Brasília e não poder roubar é como ir numa churrascaria rodízio e ficar só na saladinha: não tem a menor graça.

Nunca tinha enfrentado um desafio desse quilate. Muitos me perguntaram pelas condições da água. Naquele trecho do lago me pareceu razoável, ainda mais pra quem está habituado a treinar no mar de Copacabana. A cor é escura, sem garrafas ou objetos boiando. O problema era justamente esse. Como é difícil boiar na água sem sal! O esforço para se manter minimamente na superfície é muito maior. O corpo vai afundando, por mais que vcê se debata. E a impressão é que as braçadas ajudavam pouco no deslocamento. Você nada, nada…e nada!

Uma prova longa esgota o atleta fisica e psicologicamente. Quer dizer, um atleta, não sei como fica, mas um reles mortal, meu caso, fica acabado! No início procurei me poupar, já que, vencidos os primeiros 200 metros, faltavam ainda 4800 pela frente! Só não desanimei porque não teria como explicar o mico pros meus filhos. Teria que inventar uma cãimbra ou contusão, mas mentir em Brasília é não é para amadores. Melhor ir em frente.

Estava completando meus 2500 metros, quando vi um nadador deixando a água. Pensei, ih, alguém passou mal! Nada disso, era o Luiz Lima fechando seus 5000 metros. O cara passou por mim fazendo ondinha feito um jet ski, já mirando o pórtico de chegada. Eu era um retardatário, me sentia o próprio Rubinho Barrichello.

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Apesar do sufoco, estava orgulhoso por ter completado a prova. O tempo de 2:02’35” seria recorde mundial da maratona…terrestre!

Dias depois me arrastava num engarrafamento carioca. Levei uma hora e cinco minutos pra ir da minha casa até a entrada do túnel Rebouças, exatos cinco quilômetros. Luiz Lima, vencedor da etapa do Lago Paranoá, percorreu a mesma distância em 1:04’38”. Teria chegado antes e sem gastar uma gota de gasolina!

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O SONHO DO DEPUTADO

picaretaCerta noite no presídio da Papuda, o deputado Natan Donladron trocou o terno pelo pijaminha xadrez e logo pegou no sono. Em pouco tempo, estava sonhando. Sonhou que tinha morrido – pelo menos em sonho ele pode nos dar uma alegria – e ficou cara a cara com o Todo Poderoso que, no caso, não era o Renan Calheiros.

 –       O Senhor me chamou?

–       Chamei.

–       Puxa. Obrigado. Eu não aguentava mais aquela vida. A Papuda é um inferno – me desculpe a palavra. Bom, mas isso são águas passadas. Graças a Deus, quer dizer, graças ao Senhor, eu fui perdoado.

–       Quem disse que tu foi perdoado?

–       Ninguém, mas como tô aqui, deduzi que…

–       Nada disso. Eu te chamei aqui pra te dar uma chamada.

–       Por quê, Senhor?

–       Depois daquele episódio lamentável, você se ajoelhou, levantou suas mãos algemadas, olhou pra mim aqui em cima e disse: “Obrigado, meu Deus!”

–       Eu tinha quer ser grato. Foi um milagre!

–       Grato a mim? Eu não votei em você não! Eu jamais ia dar força pra um escândalo daqueles. Agora, você se dirigindo a mim num momento como aquele é uma tentativa de queimar o meu filme. Foi demais! Aliás, já não suporto esse pessoal que põe adesivo nesses carros merdas “Foi Deus que me deu!” Eu não dei coisa nenhuma. Primeiro: por que daria um carro tão chinfrim a um filho meu? E segundo: por que daria pra um e não pra outro? Trato todo mundo igual, comigo não tem essa de favorecimento. Mesma coisa esses jogadores que apontam pra mim depois de um gol. Sou imparcial, nem tenho tempo pra acompanhar futebol. Me dá vontade de mandar um raio cada vez que alguém diz que Deus é Fiel. Não torço pra ninguém. Se fosse pra dar força pra algum time, seria pro São Cristóvão, São Caetano… e vê a situação deles. O próprio Santos, se mexesse meus pauzinhos segurava o Neymar até a Copa, pelo menos…Nem sei por que tô dando tanta conversa pra você. Chega, pode ir.

–       Pra onde? Ainda não me disseram qual a minha nuvem.

–       Que mané nuvem! Você tá dispensado. Pode voltar lá pra baixo.

–       Mas peraí, eu não morri?

–       Acaba de desmorrer.

–       Milagre! Milagre!

Sobressaltado, Donladron acorda.

–       Que susto! Acabei de ter um pesadelo que eu tinha morrido. Obrigado, Senhor, eu tô vivo! E com meu mandato intacto!

Seu companheiro de cela, o Coisa Ruim lhe dá uma situada.

–       Se eu fosse você, não me animava tanto assim. Acabei de ver no meu celular. Parece que vão anular aquela sessão.

–       Tá sonhando, rapá? Isso aqui é Brasil! É Brasil!

Enquanto isso, o povo, ressabiado, acompanha o noticiário ainda em dúvidas se um dia vai se livrar desse pesadelo.

 

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DE PAI PRA FILHO

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–       Preciso ter uma conversa com você.

–       Que foi, pai?

–       Primeiro: não me chama mais de pai.

–       Como assim? Você não é meu pai?

–       Sou, quer dizer era, não sou mais.

–       O que houve, pai, quer dizer, senador? Descobriu alguma coisa? Algum exame de DNA revelou um segredo?

–       Não teve exame nenhum, Ladrovaldo Jr. É que, pela nova lei, eu não posso ser senador e seu pai ao mesmo tempo. Quer dizer, posso sim. Mas aí você não vai poder ser meu suplente.

–       Isso nunca! Prefiro não ser seu filho do que perder essa boca!

–       Esse é o meu garoto! Quer dizer, era… Ah, outra coisa. As viagens de avião. Não podemos mais usar o avião da FAB.

–       O quê? Vamos ter que pagar pra andar de avião?

–       Também não chega a tanto. Nós recebemos uma verba pra isso.

–       Mas a minha verba já tá comprometida, pai…digo, nobre colega. Aquela casa em Angra dá muita despesa, não tenho como bancar aquilo sem a ajuda do povo brasileiro.

–       Vai ter que dar um jeito. Fala com os empreiteiros pra aumentar o apoio cultural.

–       Sabia que essas manifestações iam dar em alguma merda…

–       Calma, nobre suplente. Pode ser só uma fase. A Copa das Confederações já passou.

–       Mas o povo continua nas ruas!

–       Já são bem menos. E isso porque estamos em julho, os estudantes estão de férias. Esses protestos são uma forma de eles se encontrarem. Aliás, você é jovem, devia ir pras ruas também.

–       Eu?

–       Claro! Temos que lutar pelos nossos direitos! Não podemos perder tudo que conquistamos. As mordomias, as maracutaias, as comissões por baixo e por cima do pano, tudo por causa de um bando de vândalos e baderneiros. Você sabia que querem tornar a corrupção um crime hediondo?

–       Eles não podem estar falando sério!

–       Daqui a pouco vão querer que a gente passe a semana inteira em Brasília.

–       E o que é pior, trabalhando! Onde é que isso vai parar?

–       Toma, leva essa lata de azeite. Dizem que alivia o incômodo do gás de pimenta.

–       É vinagre que eles usam.

–       Realmente, nós temos muito o que aprender com as ruas…

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