FESTA NO INTERIOR

Uma conquista incontestável. Vencemos a Taça Guanabara, a Taça Rio, eliminamos a final do campeonato e trouxemos dois canecos de Volta Redonda, pra compensar o custo do pedágio. A Cidade do Aço teve o privilégio de assistir uma inédita final entre dois times grandes da capital. Pena que os motivos não foram nada nobres. Sem Engenhão, sem Maraca, o Rio que vai sediar a final da Copa no ano que vem e os próximos jogos olímpicos, teve que pedir um estádio emprestado a 130 quilômetros. Sorte do botafoguense que mora perto da CSN.

Se o campeonato foi fraco, o problema não foi nosso. Fizemos a nossa parte. Jogamos todo ele com um time entrosado, seguro, regido pelo maestro Seedorf que deu uma aula de liderança e verdadeiros shows por onde passou. Na decisão não fez gol, perdeu um pênalti, mas quem ligou? O craque nos presenteou com um belíssimo drible da vaca no tricolor Edinho. Seedorf, 37 anos, é o ídolo que há muito não temos. Tetra campeão da Liga dos campeões, bicampeão italiano, campeão espanhol, faltava a ele o título carioca. Pronto, não falta mais.

O campeonato começou a se desenhar quando na Taça Guanabara entramos em desvantagem nas semifinais. Revertemos a situação ganhando as duas partidas. Na Taça Rio sequer empatamos um jogo. Fomos o melhor ataque, a melhor defesa, o melhor time em campo. Jefferson, Lodeiro, Julio Cesar, Vitinho, pra  citar alguns.  Oswaldo de Oliveira impôs um padrão tático vencedor e Rafael Marques fez o gol do título. Calaram o raio da minha boca. Não fiquei nem um pouco chateado. Pelo contrário. O torcedor reclama xinga, amaldiçoa, mas quer mesmo é não ter razão, ser dobrado pelos fatos, quer ver aqueles que são alvos de sua ira esfregar uma vitória na sua cara. “Fala agora, de la Peña, fala!” Nada a declarar, no momento.

Nossa força no Rio está mais do que provada. Desde 2006, foram oito campeonatos, ganhamos três, estivemos na final de outros quatro. Agora queremos um título nacional para mostrar a consolidação de um trabalho que há muito vem sendo feito. Daí a campanha da torcida pela Copa do Brasil.

“Mas não temos elenco pra um Brasileiro”, resmunga um. “Precisamos de um centro-avante matador”, reclama outro. Todo mundo tem razão. Mas não é hora de se falar disso. É hora de comemorar a vitória. E não dar ouvidos a quem tenta desvalorizá-las. Todos tentaram, só o Bota chegou lá.

Um pequeno detalhe sobre Volta Redonda. Estava chegando ao Estádio da Cidadania, quando um tricolor pediu pra tirar uma foto. Educamente recusei, explicando que se tratava de uma superstição. Não poso com adversários antes de um jogo. Ele não ficou muito satisfeito e ainda rogou uma praga. “Tudo bem, mas se a gente ganhar, você vai ter que rever essa tua mania”. Agora deve estar pensando: “Ih, a superstição do cara funcionou. Acho que vou adotá-la também”.

E ninguém cala…