O GÊNIO DA LÂMPADA

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Uma coisa vem me chamando atenção nos últimos jogos do Botafogo. Não é o futebol que, apesar dos números positivos, não chega a empolgar. Estamos bem na tabela do carioca, mas é um resultado ilusório. Esse campeonato está completamente desmoralizado. Os clássicos do estadual são disputados fora do estado! Brasília, Espírito Santo, São Paulo… um fato inusitado. Uma ótima forma de manter o torcedor longe dos estádios é ter os estádios longe do torcedor. É a lógica de um futebol decadente, que não conseguiu aprender uma lição com os fatídicos 7×1.

Preocupa saber que o Brasileirão está logo ali e não podemos esperar grandes contratações. Não tem grana pra isso. Vamos penar, apesar do visível esforço do Ricardo Gomes em montar um time, apesar da tentativa em apressar o amadurecimento de jovens talentos, que torcemos para que não sejam negociados tão logo se revelem promissores.

Diante de tudo isso, o que tem me chamado atenção é nosso patrocínio. Temos um acordo com a Casa & Vídeo, que decidiu usar o espaço publicitário pelo qual paga como vitrine de promoções. A mais recente é motivo de chacotas: Lâmpadas Led a R$ 9,99.

É provável que não renda uma fortuna aos nossos cofres. Quantas lâmpadas será preciso vender para pagar o salário do Jeferson, por exemplo? Não importa, ajuda a reduzir o prejú. Mas retrata uma situação lamentável. Temos um manto que carrega uma longa e bela história. Garrincha, Nilton Santos, Jairzinho, PC Caju, Túlio Maravilha… grandes jogadores vestiram esta camisa que hoje estampa promoções de varejo.

“Sou do tempo em que brilhava uma estrela solitária em nosso uniforme. Hoje brilha uma lâmpada LED a R$ 9,99.”

Comentei isso na ocasião da derrota para o Vasco. Recebi a mensagem de um botafoguense indignado com minha frase. Este senhor certamente queria me ver defender o esforço da diretoria em fazer caixa. Não é esse o meu papel. Sou um torcedor. E como qualquer torcedor saudável, sou um idealista, um romântico, um cara que sonha com Messi, Neymar e Suárez defendendo a camisa alvinegra com uma estrela solitária no peito. Se houver patrocínio, que seja uma marca de peso, que nos dê orgulho e não que resulte em memes, em munição para as torcidas rivais.

Entendo que este senhor, cujo nome fiz questão de esquecer, queira ouvir uma opinião pragmática, que leve em conta nossa dura realidade. Não acho que seja por aí. Triste do time que não tem por trás torcedores que sonham. Torcedores que vibram com as conquistas, que lamentem os tropeços, que reclamem de patrocínios pífios.

Não nego os esforços de uma diretoria que pegou um osso duro, depois de uma desastrosa administração daquele dentista mascarado. Mas é doloroso quando a luz no fim do túnel vem de uma lâmpada LED 5w a R$ 9,99.

E ninguém cala…

 

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MAITÊ NO MARACA

Maitê prometeu ficar nua pelo Fogão. Isso, caso a gente volte para a série A do Brasileirão. Portanto, a promessa pode ser cumprida em dezembro. Pra ela ir se acostumando, levei-a ao Maraca. Marinheira de primeira viagem na nossa van, cometeu um erro grave: carregou um tricolor. Nunca antes na história isso tinha acontecido. O resultado, vocês conhecem: perdemos a primeira batalha. Claro que deu azar. Mas nada está perdido. Ainda temos chances, ainda mais se jogarmos reforçados pela ausência do Fred. Dessa vez, não vai ter nenhum “alemão” infiltrado. Se bem que o que dá azar mesmo, é jogar com ataque inoperante e com zaga que cochila e não mata a jogada.

O video acima é um trecho do programa Extra Ordinários, que foi ao ar em 12/4/2015.

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MEUS 450 ANOS DE RIO

pão de açucar

Quando ouvi falar em Rio, 450, pensei logo em 450 graus. Sabia que a cidade andava quente, mas não imaginava que fosse tanto! Logo em seguida, no ar condicionado, li com calma: Rio 450. Fiz as contas e saquei do que estavam falando: o Rio tá entrando na “melhor idade”. A cidade, se fosse uma cidadã carioca, não pagaria mais passagem de ônibus e teria desconto nos ingressos de cinema.

O Rio já não é mais uma mocinha, mas ainda assim, chama a atenção da rapaziada quando desfila sua beleza pelas praias. Todo mundo para pra olhar – se não ‘tiver correndo de um arrastão. As curvas das montanhas também continuam tão sensuais quanto no passado. O problema é que às vezes, você vai apreciar sua beleza, o dono do morro não gosta e te encara feio.

Mas pra todo lado, o que temos é o carioca e sua simpatia te convidando pra um chope, onde o assunto pode ser qualquer um, mas em algum momento vão estar falando da beleza da cidade e das garotas de Ipanema, Madureira ou Bangu. Já rodei um bocado por esses 450 anos de Rio. Nasci no Distrito Federal. Não em Brasília, mas aqui mesmo, quando a gente ainda era a capital do Brasil. Imagina como não devia ser maneira a vida de deputado federal naqueles tempos: o sujeito se meter numa maracutaia de frente pro mar!

Me lembro quando não havia o túnel Rebouças, nem o Santa Bárbara. Eram duas cidades em uma: a urbana, do centro e da zona sul e a suburbana, quase uma roça. Imagina que logo ali na Vila da Penha, um vizinho passeava no seu DKW Vemag, enquanto o outro amarrava seu cavalo malhado na amendoeira antes de subir pro seu apartamento!

Só via a Copacabana quando ia ao médico. Por isso, torcia pra ficar doente. Mas podia mergulhar sem medo na praia de Ramos ou na praia da Bica, na Ilha do Governador. Naquele tempo, sim, poderíamos sediar uma Olimpíada sem pagar mico! Gostava de ir à praia na Barra da Tijuca, mas era uma longa viagem! A avenida Sernambetiba era uma única pista estreita, sem acostamento. E no fim da tarde, sempre tínhamos que desatolar as rodas do carro que afundavam numa areia tão fininha que chegava a assobiar.

Não cheguei a ver os bondes circulando, mas brinquei muito de motorneiro naqueles que por anos decoraram as pracinhas do subúrbio. Nessa mesma época, podia jogar uma pelada no paralelepípedo das ruas sem ser atropelado, no máximo estourava o dedão. E quem soltava pipa ou fogos no morro, não tava ajudando facção nenhuma…

Ah, sim! Quando ia ao Maraca, via Jairzinho e Paulo Cesar Caju dando show com a camisa do Fogão.

Caraca! Falando assim, parece que foi mesmo há 450 anos!

(Ouça este texto no programa MÚSICA NA VEIA, do Arlindo Cruz- MPB FM).

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A FORÇA DOS HUMORISTAS NO FUTEBOL CARIOCA

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O juiz Stevie Wonder de Araújo não viu que o atacante do Flamengo estava completamente impedido no lance do gol fatal. Os bandeirinhas, o árbitro auxiliar, Lula e Dilma também não viram nada. O juiz disse que naquele momento olhava para o relógio para conferir quanto tempo faltava pra se mandar dali. Quando lhe disseram que a jogada foi irregular, pensou em anular o gol. Mas assinalou na súmula que não voltou atrás porque sofreu pressão do Sindicato dos Humoristas.

– É incalculável o estrago que poderia ser causado nas piadas, caso o vice da Gama fosse campeão. Quantas postagens no facebook se perderiam, quantos tuítes deixariam de ser publicados? – declarou um humorista que não quis revelar seu time.

O sindicato alega que muitas montagens que vêm sendo utilizadas há décadas teriam que ser jogadas fora. A categoria e os profissionais das artes gráficas teriam que trabalhar domingo à noite, recebendo hora extra e adicional noturno.

Mas o problema é que agora o chororô não é mais exclusidade dos botafoguenses, como eu…

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PICOLÉ DE BRAZUCA

Brasileiro é um bicho reclamão. Vem ao Rio no verão no Rio e reclama do calor. Alguém com menos de 165 anos já viu um janeiro ameno e agradável nessa cidade? É sempre essa fornalha, nenhuma novidade nisso. Tá certo que é chato abrir a geladeira e encontrar uma família de cracudos abrigada na última prateleira. Mas é da vida, não há o que fazer.

Aí o sujeito vai pra Nova Iorque e se surpreende com a friaca. A Giovanna Antonelli chegou a postar uma foto no Instagram com a legenda: “Frio inexplicável!!!!!” É perfeitamente explicável: enquanto aqui é verão, lá no hemisfério norte é inverno!

A coisa é pior para o carioca, que não conhece esta estação porque ela nunca vem ao Rio com medo de ser assaltada. A gente não tem casaco, no máximo um bermudão camurça e umas camisas sociais de manga comprida. Nas ruas de Manhattan até os mendigos parecem milionários com seus casacões maneiros. A gente não tem casacão maneiro. Na hora de fazer as malas, descola uns agasalhos com um parente que viajou pra Europa há uns vinte anos. As roupas que usamos podem ser vistas em seriados tipo “Jeannie é um Gênio”.

Outra coisa, carioca acha que roupa de frio é caretice. Se recusa a por uma touca ridícula ou calçar luvas, coisa de boiola. Macho que é macho bate queixo e jura que tá acostumado.

Estive lá numa dessas friacas e fiz este vídeo educativo que ensina como se vestir pra curtir a neve na Big Apple. Não saia do hotel sem assistir!

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FESTA NO INTERIOR

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Uma conquista incontestável. Vencemos a Taça Guanabara, a Taça Rio, eliminamos a final do campeonato e trouxemos dois canecos de Volta Redonda, pra compensar o custo do pedágio. A Cidade do Aço teve o privilégio de assistir uma inédita final entre dois times grandes da capital. Pena que os motivos não foram nada nobres. Sem Engenhão, sem Maraca, o Rio que vai sediar a final da Copa no ano que vem e os próximos jogos olímpicos, teve que pedir um estádio emprestado a 130 quilômetros. Sorte do botafoguense que mora perto da CSN.

Se o campeonato foi fraco, o problema não foi nosso. Fizemos a nossa parte. Jogamos todo ele com um time entrosado, seguro, regido pelo maestro Seedorf que deu uma aula de liderança e verdadeiros shows por onde passou. Na decisão não fez gol, perdeu um pênalti, mas quem ligou? O craque nos presenteou com um belíssimo drible da vaca no tricolor Edinho. Seedorf, 37 anos, é o ídolo que há muito não temos. Tetra campeão da Liga dos campeões, bicampeão italiano, campeão espanhol, faltava a ele o título carioca. Pronto, não falta mais.

O campeonato começou a se desenhar quando na Taça Guanabara entramos em desvantagem nas semifinais. Revertemos a situação ganhando as duas partidas. Na Taça Rio sequer empatamos um jogo. Fomos o melhor ataque, a melhor defesa, o melhor time em campo. Jefferson, Lodeiro, Julio Cesar, Vitinho, pra  citar alguns.  Oswaldo de Oliveira impôs um padrão tático vencedor e Rafael Marques fez o gol do título. Calaram o raio da minha boca. Não fiquei nem um pouco chateado. Pelo contrário. O torcedor reclama xinga, amaldiçoa, mas quer mesmo é não ter razão, ser dobrado pelos fatos, quer ver aqueles que são alvos de sua ira esfregar uma vitória na sua cara. “Fala agora, de la Peña, fala!” Nada a declarar, no momento.

Nossa força no Rio está mais do que provada. Desde 2006, foram oito campeonatos, ganhamos três, estivemos na final de outros quatro. Agora queremos um título nacional para mostrar a consolidação de um trabalho que há muito vem sendo feito. Daí a campanha da torcida pela Copa do Brasil.

“Mas não temos elenco pra um Brasileiro”, resmunga um. “Precisamos de um centro-avante matador”, reclama outro. Todo mundo tem razão. Mas não é hora de se falar disso. É hora de comemorar a vitória. E não dar ouvidos a quem tenta desvalorizá-las. Todos tentaram, só o Bota chegou lá.

Um pequeno detalhe sobre Volta Redonda. Estava chegando ao Estádio da Cidadania, quando um tricolor pediu pra tirar uma foto. Educamente recusei, explicando que se tratava de uma superstição. Não poso com adversários antes de um jogo. Ele não ficou muito satisfeito e ainda rogou uma praga. “Tudo bem, mas se a gente ganhar, você vai ter que rever essa tua mania”. Agora deve estar pensando: “Ih, a superstição do cara funcionou. Acho que vou adotá-la também”.

E ninguém cala…

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É NOSSA!!!

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Tem coisas que só acontecem com o Botafogo. Estamos acostumados a ouvir e repetir essa frase para justificar uma fatalidade. Aquele gol aos 47 do segundo tempo que nos arranca a vitória, que nos faz voltar cabisbaixos do Engenhão.

Pois nesse começo de ano vimos o lado positivo dessa expressão. A improbabilidade sorriu pra nós. Na semifinal encerramos um incômodo jejum. Até o dia 2 de março ainda não tínhamos ganhado do Flamengo no Engenhão. Entretanto, ao vencer nosso arquirrival, revemos as estatísticas. Foram dez jogos sem vitória. Porém, apenas três derrotas. E sete empates! Com a vitória de domingo retrasado, notamos que a margem não é lá tão grande: são 3 deles contra 1 nossa, apenas duas vitórias nos separam.

Na final, o Vasco tinha a vantagem do empate, assim como o Flamengo na semana passada. Bastava segurar o zero a zero que a taça seguiria pra São Januário. E foi o que eles tentaram fazer. Embromaram, fizeram cera, cercaram e assistiram ao Botafogo jogar. Acordaram em alguns poucos momentos, levaram perigo duas vezes. Mas a estatística não levou desaforo pra casa. De tantas bolas chutadas na meta deles, uma acabou entrando.

Pronto, menos uma escrita: os donos da casa conquistam o primeiro título no Engenhão. Seedorf levanta sua primeira taça em solo brasileiro. Jeferson, Lucas, Lodeiro, Vitinho e toda equipe correram atrás e mereceram.

A tradição também esteve presente. O Vasco, que tem o dobro de vitórias, é tradicionalmente freguês do Botafogo nas finais. E tradicionalmente sai do estádio com o título de vice.

Claro, aqueles que não estavam lá vão dizer que essa Taça Guanabara não vale nada. Só que nenhum time abriu mão de disputá-la. Não conquistaram porque perderam e não porque a desprezaram. É por isso que merecem ser zoados. Sabemos que ela representa apenas um dos turnos do campeonato carioca. Mas nos coloca na final do estadual, o que já é um belo começo de temporada.

Falem o que quiserem, mas no seu íntimo, todos sabem que ganhar é muito, mas muito melhor do que perder.

Dá-lhe Fogão!

 

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