FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE FRAUDES ASSOCIADAS

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A torcida vibrou com a prisão dos cartolas picaretas da Fifa. Os brasileiros foram os mais empolgados, ao saber que um dirigente da CBF estava entre os engaiolados. O esquema é mais complicado de entender do que a lei do impedimento, apesar disso, ninguém tinha dúvidas de que essas paradas aconteciam.

Foi preciso que a equipe do FBI entrasse em campo pra neutralizar as jogadas ensaiadas, onde milhões de dólares eram lançados em profundidade nas contas bancárias da bandidagem. E olha que nenhum agente americano sabia fazer uma embaixadinha sequer. Os Estados Unidos ainda não manjam muito de futebol, mas mostraram que sabem tudo de fraude, corrupção, suborno e lavagem de dinheiro.

A prisão de Zé Maria Dindin levou seu comparsa Marco Polo Deu Merda a alegar uma caganeira na Suíça e vazar batido pro Brasil, como fazem todos os criminosos nos filmes americanos. Veio correndo para retirar pessoalmente a placa com o nome do seu parceiro da fachada da Confederação Brasileira de Falcatrua, a CBF. Enquanto isso, a galera brasileira torce pra que, além do Dindin, o FBI prenda também Deu Merda e Ricaço Teixeira. Assim, vai poder pedir música no Fantástico.

O escândalo não impediu que o poderoso chefão Blatter se reelegesse imperador da Fifa por mais uma etapa. Como futebol é uma caixinha 2 de surpresas, ele afirma que não tem nada a ver com esse escândalo:

–  Foi tudo inventado por uma mídia golpista que não aceita uma roubalheira totalmente regulamentar. Afinal, a regra é clara: foi bolada na mão!

Pode isso, Arnaldo?

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CONSPIRAÇÕES

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Todo mundo tem uma explicação para o que aconteceu nessa Copa.

A versão mais divulgada no facebook envolve uma trama intrincada. A Nike pagou centenas de milhões de dólares ao Brasil pra deixar a Copa nas mãos da Alemanha que passa por grave crise econômica, tadinha. É uma hipótese difícil de acreditar. Por que a Nike pagaria uma fortuna pra entregar o Mundial à Adidas?

Mas claro que pode haver conspirações. Essa Copa pode muito bem ter sido comprada pela própria CBF. Ela pagou pra perder o hexa e assim desvincular sua imagem do governo Dilma que pretendia usar o torneio como trampolim para a reeleição.

Também pode ter sido negociada pela presidente Dilma. Depois de levar uma vaia na abertura, decidiu se vingar do povo. E armou para que a goleada humilhante ocorresse em Minas, terra do Aécio, seu maior opositor. Dilma e o PT podiam muito bem não querer que a vitória em campo ofuscasse a realização do evento, sem o caos previsto pela oposição.

E se o Felipão, de saco cheio de ser espinafrado por torcedores e cronistas, aceitasse fazer corpo mole e entregar o Mundial? Por isso não treinou o time e ainda passou videos de crianças carentes e remelentas pra aumentar a culpa dos jogadores milionários, que entrariam em campo com o moral baixo e muito sensibilizados? Felipão poderia receber uma nota preta por isso. Ou até pagar, vai saber como essas coisas funcionam…

O atual presidente da CBF José Maria Marin, em complô com o futuro Del Nero, também teriam interesse na derrota do Brasil. Dessa maneira poderia substituir o coordenador técnico Parreira pelo ex-golero e empresário de jogadores Gilmar Rinaldi. Os três rachariam a comissão dos futuros convocados que fossem vendidos para grandes clubes europeus.

O russo Vladimir Putin pode ter pago uma grana pro Brasil perder a Copa, já que não vai ter condições de armar uma seleção competitiva até 2018 e ganhar em casa o título, como fizeram a Argentina em 78 e a França em 98. Sabe que vai quebrar a corrente.

Enfim, não faltam explicações plausíveis para quem não acredita na hipótese do Brasil ter jogado mal pra cacete e a Alemanha, jogado muito bem.

Pronto. Agora vamos mudar de assunto.

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ACABOU

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– Pronto. Paramos de tomar gols. Paramos de perder. Paramos de dar vexame nessa Copa.

 

– Levamos azar. Se aquela bola na trave do Chile entrasse, não teríamos passado por tudo isso.

 

– Quando viajávamos pro exterior, só tirávamos onda quando o assunto era futebol. Agora nem isso.

 

– A pergunta que não cala: quantos anos duram os tais seis minutos de apagão?

 

– É verdade que o Felipão vai ser substituído pela dona Lúcia?

 

– Agora só falta os argentinos que estão acampados no Sambódromo aprenderem a sambar melhor que nós.

 

#foraCBF! #foraFelipão! #foratodomundo!

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O PROFESSOR

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 Não soa estranho que, justo num país que não investe em educação, o técnico de futebol seja chamado de professor? A maioria dos nossos jogadores passou poucos anos da sua vida dentro de uma sala de aula. Por que será que se referem ao treinador como “professor”?

Que tipo de professor é esse? Será aquele durão, exigente, que enche o quadro de matéria, passa dever de casa em véspera de feriado, marca prova pra quinta feira de cinzas?

Não creio. O “professor” dos nossos jogadores é aquele mestre gente boa, que não ensina nada, mas também não cobra muito. A aula dele é a maior zona, mas na hora do exame, deixa todo mundo colar. Organiza passeios, tá em todas as chopadas, sacaneia os nerds, é amigão da turma do fundão e todo ano é eleito paraninfo dos formandos.

O professor estava no comando de uma caminhada pela mata. Todo mundo confiava nele. Escureceu, o professor não levou lanterna, não tinha mapa, não sabia como voltar. Os alunos entraram em pânico, ninguém sabia o que fazer, começou a choradeira. Os pais dos alunos se reuniram na porta da escola, nenhum membro da direção apareceu pra prestar esclarecimentos. Só restava aos pais torcer pra tudo dar certo.

Não deu. O único professor que não reclama de salário não preparou os alunos, mas injetou-lhes ânimo. Na hora do vestibular, eles não sabiam a matéria, mas estavam confiantes. Todos tinham certeza de que iam passar. Os pais também acreditaram, até compraram as passagens pra um fim de semana no Rio de Janeiro.

Quando saiu o resultado, um vexame. Os nomes dos 23 alunos não estavam na lista dos aprovados. A choradeira foi maior, não só dos alunos, mas dos pais, do professor, dos assistentes, da coordenação. “Onde foi que erramos?” – alguns se perguntavam. “Fizemos tudo certo, só o resultado do vestibular não funcionou”- afirmavam arrogantemente outros.

Agora os pais querem a mudança do professor. É pouco. Está na hora de fechar essa escola. Ou nós, os pais que pagamos pesadas mensalidades, nunca veremos esses alunos numa faculdade.

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O ENEM DA COPA

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O Brasil passou três anos na maior vadiagem e virou as últimas madrugadas estudando para o teste da Copa. Por isso não deu tempo de se preparar direito. Mesmo assim, não foi tão mal nos primeiros exames. A estreia em Brasilia teve um pouco de tudo. Começou com as já tradicionais manifestações dos estudantes, que a polícia fez questão de dar uma apimentada. Muita gente protestando contra o aumento de R$ 0,20 nas passagens de ônibus, o que deixou o povo sem grana pra comprar os ingressos, as cervejas e os salgados da Copa das Confederações.

Nada disso impediu que a festa rolasse dentro do Estádio Mané Garrincha. Garrincha, em homenagem ao craque de Pau Grande e Mané, em deferência ao povo brasileiro que desembolsou 1 bilhão de reais pra reformar o estádio.

O carnavalesco Paulo Barros foi o responsável pela cerimônia de abertura, mas jura que não foi ele quem organizou a vaia à presidente Dilma, o ponto alto da apresentação. Dilma disse que não foi tudo isso que tão dizendo, mas já avisou que tem um compromisso importante no dia da final do torneio. E já nomeou um representante mais carismático, o pastor Marco Feliciano.

Não é fácil encontrar o lugar marcado dentro do estádio. Felizmente contei com a ajuda um funcionário que falava português fluentemente. Ele foi muito atencioso quando perguntei onde ficava o portão J nível 3 bloco 514, fileira H assento 171. Só não soube me dizer onde era o meu lugar porque eu não sabia o cep.

Apesar de o entorno estar em obras, as instalações dentro do estádio impressionam pela beleza. Você se sente numa arena de primeiro mundo. Além das cadeiras numeradas, amplos corredores, restaurantes com vista para o campo, tudo muito bem apresentado. A sensação de estar num país estrangeiro aumenta quando você nota que o preço das comidinhas é em euros. Felizmente acabam rápido, assim ninguém precisa gastar suas economias.

Quando a bola começa a rolar, os problemas desaparecem. Em três minutos Neymar acaba com seu jejum com um golaço. E quem não viu na hora pôde acompanhar o replay no telão. A tecnologia, aliás, deixava todo mundo boquiaberto. Muita gente nem assistiu ao jogo, ficou só vendo a câmera spider passeando sobre o campo, sempre em cima do lance. Pena que a internet não funcionava pra gente postar fotos dessas maravilhas…

O Japão foi o adversário perfeito. Educado e reverente, fez questão de não atrapalhar a festa. Tomou três gols sem perder a linha, só o jogo. Alguns jogadores atuaram com uma câmera no bolso e tiravam fotos cada vez que levavam um drible do Neymar.

Tudo muito certinho, muito arrumadinho, mas é estranho um jogo de futebol sem bandeiras e sem batuques. Também ninguém aguenta mais cantar “Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor!” Por que não aproveitaram o superfaturamento pra reformar também os gritos de guerra?

Encerramos a primeira rodada na liderança. Itália e Espanha derrotaram seus adversários e mostraram que vieram dispostos a brigar pelo título. Mas eles que se cuidem porque o Taiti quer quebrar a escrita e faturar tanto a Copa das Confederações quanto a Copa do Mundo, se chegar lá.

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