RODÍZIO DE CORRUPTOS

A corrupção no Brasil só não passou dos limites porque alguém molhou a mão dos institutos de pesquisa que estão aliviando nos dados. Mas o povo está sentindo que a coisa saiu do controle. Os jornais não param de denunciar escândalos. São tantos que, ao chegar na terceira página, não é possível lembrar das falcatruas que estavam na capa. Ninguém mais sabe se é a primeira vez que ouve falar em determinado escândalo ou se é apenas a sequência, a segunda temporada de uma série de roubalheiras mal recebida pelo público e pela crítica.

Para moralizar um pouco a baixaria, o governo decidiu instituir o rodízio de corruptos. Os bandidos com CPF de final par poderiam realizar suas fraudes às segundas, quartas e sextas. Os de final ímpar, às terças, quintas e sábados. Ainda não foi decidido se aos domingos estão todos liberados para meter a mão ou se terão o dia para curtir o fruto dos desvios.

A Polícia Federal declarou recentemente que sua dificuldade não é mais investigar e prender os meliantes. Seu maior problema atualmente é inventar novos nomes para suas operações. Lava-Jato, Peter Pan, Ramsés, Satiagraha… Haja imaginação! A PF esgotou sua capacidade criativa. Por isso, passará a usar um conteúdo colaborativo. Assim, pedirá a cada cidadão envolvido em algum “malfeito” que já vá pensando num nome maneiro para batizar a operação que vai botá-lo atrás das grades.