AFINAL, A FINAL!

Captura de Tela 2015-04-19 às 18.52.10

 

Ainda não estou plenamente recuperado. O corpo doído,as unhas no sabugo, o coração no freezer do meu cardiologista – talvez amanhã possa fazer-lhe uma visita. Este é o resultado da batalha épica de sábado.

Botafogo entrou em campo em desvantagem, precisava de um gol para levar a disputa aos pênaltis, dois para chegar à final. Começamos em ritmo fulminante. Em vinte minutos, 2 x 0. Mas como nada com a gente é tão simples…

Um pênalti pôs o Flu de novo. Pênalti. Essa é a palavra da tarde. Foi repetida 21 vezes! Nem um jogo do Vasco tem tantas penalidades!

O primeiro tempo definiu o placar. O segundo foi apenas um longo intervalo para a verdadeira batalha daquele sábado. Dramático intervalo. A equipe alvinegra foi se desmantelando, jogadores contundidos, com cãimbras, se arrastando em campo, contando os minutos para a disputa decisiva.

Eis que chega o grande momento. A interminável sequência de penalidades. Poucas disperdiçadas. A vaga disputada palmo a palmo. Um erro a mais e…

A torutura dos torcedores levada ao extremo. Até o confronto dos que fizeram diferença. Os goleiros. Diego Cavalieri x Renan. Cavalieri, várias vezes convocado para a seleção. Renan, várias vezes substituto de Jefferson, nosso representante no escrete.

Os botafoguenses estavams tensos, lamentando a falta do seu titular. Mas Renan, naquela noite, na semana de São Jorge, era um cavalo. Recebeu o santo guerreiro e defensor. Segurou dois chutes e agora se via frente à frente ao seu correspondente do time de lá. Nunca antes na história do campeonato dois goleiros decidiram a vaga. (Se houve alguma vez, me ajudem nos comentários, não vou parar agora pra conferir o que diz o Google).

Diego Cavalieri é um craque. E como craque bateu seu pênalti. O detalhe infeliz (dependendo do ponto de vista) é que o craque que o inspirou foi Roberto Baggio, na final da Copa de 94. A bola entrou em órbita e hoje gira em torno do planeta, como um satélite perdido.

Renan toma distância. O juiz apita. Ele caminha para a bola e lembra que nunca treinou para aquele momento. Talvez tenha tido uma chance na infância. Perdeu e foi por isso condenado a jogar no gol o resto de sua vida. Estava a três, quatro passos da vingança. Bateu rasteiro. Bola num canto, Cavalieri no outro, arrancando irado um naco de grama do Niltão. Ainda teve tempo de ver Renan se ajoelhando e agradecendo aos céus. O Fogão estava na final.

Todo este suspense poderia ter sido evitado, se o regulamento não fosse tão lusitano. É a primeira vez em que o time que tem dois empates como vantagem, não avança no campeonato em caso de dois resultados iguais. Na soma dos dois jogos, temos um empate de 3 x 3. Mas isso não configura empate! Vai entender esse pessoal. Neste caso, ao menos a falta de lógica nos levou a um desfecho emocionante, mais do que talvez esse Estadual merecesse. Mas isso é Botafogo. As coisas nunca são tão simples.Sorria, você está na final!

Agora, respire fundo, tome um banho, cure as feridas e vá treinar. A guerra ainda não acabou. Domingo que vem temos o Vasco pela frente. E no outro também. Precisamos mais do que nunca deste título para provar que estamos vivos.

Pra cima deles, Fogão!

E ninguém cala…

É NOSSA!!!

Tem coisas que só acontecem com o Botafogo. Estamos acostumados a ouvir e repetir essa frase para justificar uma fatalidade. Aquele gol aos 47 do segundo tempo que nos arranca a vitória, que nos faz voltar cabisbaixos do Engenhão.

Pois nesse começo de ano vimos o lado positivo dessa expressão. A improbabilidade sorriu pra nós. Na semifinal encerramos um incômodo jejum. Até o dia 2 de março ainda não tínhamos ganhado do Flamengo no Engenhão. Entretanto, ao vencer nosso arquirrival, revemos as estatísticas. Foram dez jogos sem vitória. Porém, apenas três derrotas. E sete empates! Com a vitória de domingo retrasado, notamos que a margem não é lá tão grande: são 3 deles contra 1 nossa, apenas duas vitórias nos separam.

Na final, o Vasco tinha a vantagem do empate, assim como o Flamengo na semana passada. Bastava segurar o zero a zero que a taça seguiria pra São Januário. E foi o que eles tentaram fazer. Embromaram, fizeram cera, cercaram e assistiram ao Botafogo jogar. Acordaram em alguns poucos momentos, levaram perigo duas vezes. Mas a estatística não levou desaforo pra casa. De tantas bolas chutadas na meta deles, uma acabou entrando.

Pronto, menos uma escrita: os donos da casa conquistam o primeiro título no Engenhão. Seedorf levanta sua primeira taça em solo brasileiro. Jeferson, Lucas, Lodeiro, Vitinho e toda equipe correram atrás e mereceram.

A tradição também esteve presente. O Vasco, que tem o dobro de vitórias, é tradicionalmente freguês do Botafogo nas finais. E tradicionalmente sai do estádio com o título de vice.

Claro, aqueles que não estavam lá vão dizer que essa Taça Guanabara não vale nada. Só que nenhum time abriu mão de disputá-la. Não conquistaram porque perderam e não porque a desprezaram. É por isso que merecem ser zoados. Sabemos que ela representa apenas um dos turnos do campeonato carioca. Mas nos coloca na final do estadual, o que já é um belo começo de temporada.

Falem o que quiserem, mas no seu íntimo, todos sabem que ganhar é muito, mas muito melhor do que perder.

Dá-lhe Fogão!