Profissões

Nada agonia mais um jovem do que o dilema de que profissão seguir. É dor de cabeça não só para o próprio, como para seus familiares, sobretudo pais e mães. E isso não é de hoje.

Foi-se o tempo em que o garoto era aconselhado a prestar concurso para o Banco do Brasil. Era carreira estável e promissora. Havia também outras igualmente valorizadas, como uma vaga no Banco Central, Correios, Petrobras… o emprego numa grande estatal, enfim.

Até que chegou a era dos vestibulares. Engenharia, Direito ou Medicina? O vestibulando podia tentar vaga em dezenas de outros cursos, mas estes eram os que tinham futuro garantido.

De uns tempos pra cá, ficou difícil. Hoje o sujeito com curso superior até consegue montar um belo currículo e sonhar com a direção uma grande multinacional. Mas, certo mesmo é a direção de um Uber. Pra botar o boi na sombra, só sendo craque de bola, criando um funk de sucesso ou virando um youtuber de sucesso. São caminhos que levam a muita grana. Por outro lado, são carreiras instáveis. Vida de jogador é curta. Alguém se lembra do Mc Leozinho, o ex-chapeiro que cantou até com o Roberto Carlos? O youtuber do ano passado já perdeu espaço pra outro que está surgindo agora, enquanto você lê esse texto.

Nada disso significa que estudar não leva a nada. Os nerds estão dominando o mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, ficam bilionários e pegam as melhores gatinhas.

Aqui no Brasil, porém, diante dos recentes acontecimentos, tomamos conhecimento de profissões muito valorizadas que não exigem que o candidato passe pelo calvário do Enem.

Sabe aquele seu colega estudioso, com larga cultura geral, que perdia o recreio na biblioteca do colégio, estudando cultura greco-romana, latim e História Antiga? Pois é, ele atualmente tem um importante cargo: é responsável por dar nome às operações da Polícia Federal.

E aquele mau aluno, que sentava lá no fundo da sala, não prestava atenção em nada e passava as aulas sacaneando todo mundo? Esse também se deu muito bem na vida: ganha um bom salário na Odebrecht, no departamento de apelidos para políticos corruptos.

Você poderia imaginar coisas como essas? Por isso, pense duas vezes, antes de dar conselhos equivocados ao seu filho, quando este lhe perguntar que carreira seguir.

ENEM QUE A VACA TUSSA!

Antigamente o terror era o vestibular. Hoje em dia é o Enem. É quase a mesma coisa. A diferença é que antes, quando o candidato não passava, a culpa era só dele. Agora, se o sujeito vai mal na prova, divide a responsabilidade com o ministro da Educação, que sempre faz uma cagada. Outra novidade é que o colégio acaba se ferrando também. Muita gente deixa de matricular seus filhos num colégio cuja média no Enem é baixa. Sinceramente acho que os professores também deviam fazer uma prova. No mínimo pra tirar o corpo fora. E a gente ouviria o seguinte diálogo nos corredores:

Aluno: – Pô, me ferrei no vestibular! Não aprendi nada… também estudando nessa espelunca… Olha só a média do colégio no Enem.

Professor: – Não vem com esse papo brabo, não! Eu me dei bem na minha prova. Isso significa que ensinei tudo direitinho. Você é que não aprendeu porque é burro…

Às vésperas dos exames é comum matérias na tevê falando sobre a tensão dos candidatos. E o conselho é invariavelmente o mesmo: parar de estudar pra não ficar estressado na hora da prova. Alguns alunos, não querendo correr esse risco, acabam não estudando o ano inteiro…

A verdade é que hoje em dia o pessoal anda estudando cada vez menos. E muitas vezes a culpa é dos pais. Quando o cara começa a tirar notas baixas, em vez de contratar um professor particular, eles levam o coitadinho num psicólogo, que logo dá uma explicação:

– O garoto sofre de DDA, distúrbio de déficit de atenção.

Claro que em alguns casos é uma doença, mas muitas vezes é só um caso de vadiagem. Ora, se o moleque não quer nada com o estudo e não presta a menor atenção na aula, é claro que ele vai ter déficit de atenção! Resultado: o garoto não tem nem trabalho pra arrumar uma desculpa pra sua preguiça, seus pais pagam um profissional pra isso!

Os pais atualmente fazem um esforço danado pra se convencer de que o problema é outro. Alguns não entendem como o filho se dá tão mal nos exames se ele passa o dia inteiro trancado no quarto na frente do computador. Como se o cara virasse a noite consultando a Biblioteca do Congresso Americano.  E todo mundo sabe que o vagabundo passa o tempo todo no zap-zap, no twitter e no facebook!

Outro motivo muito alegado é o bullying. Especialistas garantem que o aluno não estuda porque não quer ser discriminado na escola. Se for bom aluno, vai ser zoado pela turma e pode comprometer sua sociabilização. Deixa ver se eu entendi: o sujeito é inteligente, mas não estuda pra não ficar com fama de nerd. Depois não passa no Enem, não se forma e fica com fama de desempregado…. Essa solução não me parece muito inteligente. Ninguém quer parecer um nerd, de óculos fundo de garrafa e cabelo certinho, como se fosse uma versão 2.0 do Bill Gates. Não consigo imaginar uma gata na balada comentando com a amiga:

– Tá vendo aquele carinha ali, com a maior cara de bilionário americano do ramo da informática? Não vou dar pra ele, não…