AFINAL, A FINAL!

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Ainda não estou plenamente recuperado. O corpo doído,as unhas no sabugo, o coração no freezer do meu cardiologista – talvez amanhã possa fazer-lhe uma visita. Este é o resultado da batalha épica de sábado.

Botafogo entrou em campo em desvantagem, precisava de um gol para levar a disputa aos pênaltis, dois para chegar à final. Começamos em ritmo fulminante. Em vinte minutos, 2 x 0. Mas como nada com a gente é tão simples…

Um pênalti pôs o Flu de novo. Pênalti. Essa é a palavra da tarde. Foi repetida 21 vezes! Nem um jogo do Vasco tem tantas penalidades!

O primeiro tempo definiu o placar. O segundo foi apenas um longo intervalo para a verdadeira batalha daquele sábado. Dramático intervalo. A equipe alvinegra foi se desmantelando, jogadores contundidos, com cãimbras, se arrastando em campo, contando os minutos para a disputa decisiva.

Eis que chega o grande momento. A interminável sequência de penalidades. Poucas disperdiçadas. A vaga disputada palmo a palmo. Um erro a mais e…

A torutura dos torcedores levada ao extremo. Até o confronto dos que fizeram diferença. Os goleiros. Diego Cavalieri x Renan. Cavalieri, várias vezes convocado para a seleção. Renan, várias vezes substituto de Jefferson, nosso representante no escrete.

Os botafoguenses estavams tensos, lamentando a falta do seu titular. Mas Renan, naquela noite, na semana de São Jorge, era um cavalo. Recebeu o santo guerreiro e defensor. Segurou dois chutes e agora se via frente à frente ao seu correspondente do time de lá. Nunca antes na história do campeonato dois goleiros decidiram a vaga. (Se houve alguma vez, me ajudem nos comentários, não vou parar agora pra conferir o que diz o Google).

Diego Cavalieri é um craque. E como craque bateu seu pênalti. O detalhe infeliz (dependendo do ponto de vista) é que o craque que o inspirou foi Roberto Baggio, na final da Copa de 94. A bola entrou em órbita e hoje gira em torno do planeta, como um satélite perdido.

Renan toma distância. O juiz apita. Ele caminha para a bola e lembra que nunca treinou para aquele momento. Talvez tenha tido uma chance na infância. Perdeu e foi por isso condenado a jogar no gol o resto de sua vida. Estava a três, quatro passos da vingança. Bateu rasteiro. Bola num canto, Cavalieri no outro, arrancando irado um naco de grama do Niltão. Ainda teve tempo de ver Renan se ajoelhando e agradecendo aos céus. O Fogão estava na final.

Todo este suspense poderia ter sido evitado, se o regulamento não fosse tão lusitano. É a primeira vez em que o time que tem dois empates como vantagem, não avança no campeonato em caso de dois resultados iguais. Na soma dos dois jogos, temos um empate de 3 x 3. Mas isso não configura empate! Vai entender esse pessoal. Neste caso, ao menos a falta de lógica nos levou a um desfecho emocionante, mais do que talvez esse Estadual merecesse. Mas isso é Botafogo. As coisas nunca são tão simples.Sorria, você está na final!

Agora, respire fundo, tome um banho, cure as feridas e vá treinar. A guerra ainda não acabou. Domingo que vem temos o Vasco pela frente. E no outro também. Precisamos mais do que nunca deste título para provar que estamos vivos.

Pra cima deles, Fogão!

E ninguém cala…

A COPA DAS COÇAS

Demoramos pra entrar no clima. Mas quando os gringos chegaram, a gente viu que ia ter Copa. Pintamos as ruas, fizemos festa, nos confraternizamos com os turistas…só esquecemos de jogar bola. Veja os momentos inesquecíveis dessa Copa.

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A Holanda não foi à final mas tirou onda. Contrários a esquemas penitenciários, eles jogaram futevôlei e frequentaram a noite carioca. Golearam a Espanha na chegada e a gente na saída . Ainda por cima, Van Peixe fez o gol mais bonito da Copa. O craque treinou o belo mergulho pegando jacaré na praia de Ipanema.

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Se você é português mas não é azeite, pouco adianta ser o melhor do mundo. CR7 sabe disso. Trocou de penteado três vezes mas fez apenas um golzinho. Só ganhou quando não adiantava mais nada. O atacante se recusou a voltar na mesma caravela que seus companheiros. Cristiano Ronaldo assinou contrato com o GNT e vai ser a próxima apresentadora do Super Bonita, no GNT.

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Uma das cenas mais bizarras aconteceu durante o jogo de Gana contra Portugal. O zagueiro Ayew foi puxado e mostrou ao mundo a pujança da sua ferramenta. Mais tarde, a imagem de uma supercâmera mostrou que não era bem isso. Aconselhado por um deputado brasileiro, o jogador entrou em campo carregando seu dinheiro na cueca.

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O mais perigoso atacante da Copa foi, sem dúvida, o uruguaio Luis Suárez. Raivoso, avançou na área adversária várias vezes e no ombro do italiano como se fosse uma pizza. Tomou o maior gancho da história das Copas e passará o resto de sua carreira preso num canil de segurança máxima. A Polícia Militar já negocia seu passe e vai usá-lo como centro avante no combate à criminalidade.

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A maior passeata ocorreu em frente ao hotel da Fifa. Não foi promovida por sem tetos, metroviários ou black blocs. O sindicato dos Apostadores de Bolão reuniu milhares de manifestantes para protestar contra a entidade. O clima era de revolta. Por causa das diversas zebras da Copa, ninguém conseguiu acertar os palpites. Os prêmos das apostas ficará acumulado para o  Mundial da Rússia.

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Não sei se teremos algum legado, mas temos o delegado da Copa. Foi o que desbaratou a quadrilha internacional de cambistas. Um turista desavisado pagou 45 mil reais por um ingresso na final. O cambista argelino Lamine Afana justificou o preço dizendo que seu ingresso dava direito a ver o Brasil jogando no Maraca com Neymar e tudo.

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A choradeira foi a única jogada ensaiada da seleção brasileira. Choravam em bloco, na defesa e no ataque, orientados pela psicóloga. Havia treinos de choro tático pela manhã e choro físico pela tarde. Entre um e outro, os jogadores aproveitavam o tempo no salão de beleza, alisando e descolorindo os cabelos.

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O Brasil foi invadido por turistas do mundo inteiro. Europeus, asiáticos, africanos e sul americanos. Todos muito bem vindos, se divertiram, interagiram numa boa e movimentaram a economia. Os argentinos foram um caso à parte. No Rio, ocuparam a praia de Copacabana, se alimentaram de alfajores e queriam pagar as cervejas com artesanato de durepoxi e macramê. A prefeitura liberou pra eles o Sambódromo, onde fizeram o maior carnaval. Até os alemães acabarem com a festa.

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Inesquecível. Batemos todos os recordes negativos. Entramos para Guiness Book como o país sede que pagou o maior mico em Copas do Mundo. Segundo a comissão técnica, formada por Felipão, Parreira, Murtosa e dona Lúcia, tudo deu certo, tirando o resultado. A conclusão é que não precisamos só de um técnico estrangeiro. Temos que importar com urgência desculpas melhores pra serem usadas nas coletivas. E contratar uma empreiteira pra demolir a CBF.

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O complexo do alemão chegou ao fim. Eles agora são tetra e são os primeiros europeus a ganhar uma Copa na América. Os argentinos foram calados e vão aguardar mais 24 anos pra chegar à outra final. Enquanto isso, os alemães estão mais brasileiros do que nunca. Agora dançam como os índios pataxós, lambem a tampinha do iogurte e botam farofa até na sobremesa.