CADÊ TODO MUNDO?

17 de abril foi um dia histórico para os brasileiros. Pela primeira vez todos puderam ver com detalhes o nível da gentalha que nos representa. Sessão do Congresso é como espinha na bunda: só os mais íntimos podem ver, senão dá a maior vergonha.

Muitos não param de comemorar o aumento do desemprego na capital fuderal. Outros não param de chiar e gritar que não vai ter golpe. O fato é que Dilma, a quase futura ex-presidenta sapiens, agora está liberada pra dar suas pedaladas por Brasília à vontade, pois não tem mais que bater ponto no Palácio do Planalto.

Agora falta investigar a propina que a maioria dos deputados recebeu em tintura pra cabelos. Quem financiou o implante do Renan? Quantos litros de óleo de peroba o Eduardo Cunha depositou na Suíça? Falta denunciar o patrocínio de Viagra que o Temer cobra pra manter o casamento com a novinha. Falta saber por que o Bolsonaro nunca foi torturado na Praça dos Três Poderes. E por que Jean Wyllys não está na equipe brasileira de cuspe à distância na Olimpíada.

Mas nada está resolvido. Aliás, falta muito. Faltam muitos! E as empreiteiras já começaram a se organizar para construir mais cadeias superfaturadas. Precisamos botar muita gente em cana para que o Brasil tenha um faturo melhor.

O SONHO DO DEPUTADO

picaretaCerta noite no presídio da Papuda, o deputado Natan Donladron trocou o terno pelo pijaminha xadrez e logo pegou no sono. Em pouco tempo, estava sonhando. Sonhou que tinha morrido – pelo menos em sonho ele pode nos dar uma alegria – e ficou cara a cara com o Todo Poderoso que, no caso, não era o Renan Calheiros.

 –       O Senhor me chamou?

–       Chamei.

–       Puxa. Obrigado. Eu não aguentava mais aquela vida. A Papuda é um inferno – me desculpe a palavra. Bom, mas isso são águas passadas. Graças a Deus, quer dizer, graças ao Senhor, eu fui perdoado.

–       Quem disse que tu foi perdoado?

–       Ninguém, mas como tô aqui, deduzi que…

–       Nada disso. Eu te chamei aqui pra te dar uma chamada.

–       Por quê, Senhor?

–       Depois daquele episódio lamentável, você se ajoelhou, levantou suas mãos algemadas, olhou pra mim aqui em cima e disse: “Obrigado, meu Deus!”

–       Eu tinha quer ser grato. Foi um milagre!

–       Grato a mim? Eu não votei em você não! Eu jamais ia dar força pra um escândalo daqueles. Agora, você se dirigindo a mim num momento como aquele é uma tentativa de queimar o meu filme. Foi demais! Aliás, já não suporto esse pessoal que põe adesivo nesses carros merdas “Foi Deus que me deu!” Eu não dei coisa nenhuma. Primeiro: por que daria um carro tão chinfrim a um filho meu? E segundo: por que daria pra um e não pra outro? Trato todo mundo igual, comigo não tem essa de favorecimento. Mesma coisa esses jogadores que apontam pra mim depois de um gol. Sou imparcial, nem tenho tempo pra acompanhar futebol. Me dá vontade de mandar um raio cada vez que alguém diz que Deus é Fiel. Não torço pra ninguém. Se fosse pra dar força pra algum time, seria pro São Cristóvão, São Caetano… e vê a situação deles. O próprio Santos, se mexesse meus pauzinhos segurava o Neymar até a Copa, pelo menos…Nem sei por que tô dando tanta conversa pra você. Chega, pode ir.

–       Pra onde? Ainda não me disseram qual a minha nuvem.

–       Que mané nuvem! Você tá dispensado. Pode voltar lá pra baixo.

–       Mas peraí, eu não morri?

–       Acaba de desmorrer.

–       Milagre! Milagre!

Sobressaltado, Donladron acorda.

–       Que susto! Acabei de ter um pesadelo que eu tinha morrido. Obrigado, Senhor, eu tô vivo! E com meu mandato intacto!

Seu companheiro de cela, o Coisa Ruim lhe dá uma situada.

–       Se eu fosse você, não me animava tanto assim. Acabei de ver no meu celular. Parece que vão anular aquela sessão.

–       Tá sonhando, rapá? Isso aqui é Brasil! É Brasil!

Enquanto isso, o povo, ressabiado, acompanha o noticiário ainda em dúvidas se um dia vai se livrar desse pesadelo.