Turbinas aquecidas

botafogo-niltão

Qual a melhor maneira de entrar em campo confiante numa partida decisiva da Libertadores? Vencer um clássico? Quebrar uma sequência negativa? Ver o Roger fazer dois gols e queimar a língua de seus detratores (eu incluído)? Derrotar o arquirrival e encostar no G6 do Brasileirão? Ou todas as respostas acima?

Jair fez bem em entrar com força total no domingo. Estávamos mordidos da eliminação na Copa do Brasil. Uma vitória não faz o relógio voltar atrás, mas ajuda a dar passos mais firmes para a frente.

Jogamos com segurança, tivemos o domínio da partida. Roger fez uma partida impecável e o futebol de Leo Valencia finalmente apareceu. “Eles só ganham quando não vale nada…” – ouvi de alguns despeitados. Esqueceram que vale, sim. Campeonato Brasileiro é por pontos corridos, cada vitória soma. Além do mais, o prazer é maior quando podemos zoar vizinhos e amigos.

Os jornais ressaltaram que o Botafogo interrompeu um jejum que vinha desde 2015. Mas a estatística é relativa. Desde 27/07/2014 o Flamengo não ganha do Botafogo no Brasileirão. Questão de ponto de vista ou de vício da imprensa. Mas já estamos acostumados.

O que não me acostumo é não ter meu amigo Arlindo Cruz na atividade pra dar o tradicional telefonema zoeira pós-jogo. Volta logo, amigo. Venha consolar o D2. Não aguentamos mais sua falta!

Amanhã estaremos todos no Niltão. Vamos lotar o estádio e empurrar o time para a vitória. Já aprendemos que jogo em casa tem que ser ganho. Vamos segurar o ataque tricolor gaúcho e furar a rede deles. Roger, contamos com você! E com Gatito, Bruno Silva, Leo Valencia, Pimpão e…

47
ao todo.

De Olho na Liberta

Nosso craque, nosso ídolo completaria 91 anos em 16/5/17

Começamos o Brasileirão com o pé esquerdo. O placar não foi o mais grave. O problema foi a ausência em campo. O time assistiu acanhado ao Grêmio dominar. Não conseguiu trocar além de dois passes em 90% das poucas iniciativas. Chutou pouquíssimo a gol e tentou, sem sucesso, afrontar a estatística: sob o intenso bombardeio, era natural que uma daquelas bolas entrasse. Entraram duas, uma delas, irregular. Mas não temos tempo para chorar sobre o chimarrão derramado.

Quinta-feira está chegando e com ela, o Atlético Nacional de Medellín. Como vamos jogar? Na ofensiva, com três atacantes? Ou no contra-ataque, esperando o adversário? Jair Ventura foi duramente criticado por botar o time pra frente contra o Barça genérico. Antes do jogo, porém, muitos torcedores comentaram comigo que aprovavam uma postura tática mais agressiva. Típico caso de “nós ganhamos, você perdeu”.

Repito o que disse semana passada: precisamos de reforços! E não só. Precisamos que Camilo, Aírton e Pimpão voltem a jogar de verdade. Precisamos que Montillo deixe de ser titular absoluto do departamento médico. Precisamos que Bruno Silva acerte a bola no pé do Roger e não no juiz. Precisamos entender que castigar a indisciplina do Sassá com suspensão é castigar a equipe e a torcida.

Mas no momento, só preciso lembrar que hoje Nilton Santos, o wikipédia do futebol, completaria  91 anos. Vamos presenteá-lo na quinta, com uma bela vitória. Estarei no seu estádio, na oeste superior. Aliás, tem uma cadeira com meu nome no setor. Preciso muito achá-la!

O Globo – 16/5/17

Libertadores ainda que à tardinha…

botafogo-libertadores_lapena_casseta

A trajetória estava muito atípica. Depois de um primeiro turno desastroso, os agourentos de plantão subiram em seus saltos e confirmaram: vai cair. O elenco modesto, o cofre vazio só confirmava a previsão. No segundo turno, quando habitualmente decaímos, a surpresa: o Botafogo se encontra em campo e inverte a história. Mesmo sem sua estrela maior, nosso goleiraço Jefferson, mesmo com Jair Ventura Filho, um técnico comandando pela primeira vez um time profissional. Esqueceram que esse nome tem estrela.

Os pontos foram se acumulando, Sassá despontando como um dos artilheiros do campeonato, Aírton deixando a fama de carniceiro no vestiário e jogando o fino, com Camilo, Neilton e cia.

A várias rodadas do final, estávamos sobrando. O fantasma da série B foi espanado, a Libertadores surgia no horizonte. Mas Botafogo é Botafogo. Começamos a perder pontos bobos, até que na penúltima rodada, o inusitado. Bastava uma vitória contra a Ponte Preta. Ao final do primeiro tempo, tínhamos 1 a 0 no placar e um jogador a mais que o adversário. Conseguimos ceder o empate e deixar pra fazer o dever de casa na última hora.Aí voltamos a nos reconhecer. No sufoco, no desespero, no tudo ou nada.

O Grêmio comemorava sua Copa do Brasil, o elenco principal sambava na pista das boates abraçado nas primas gaúchas de todas as nacionalidades. E nós ali, ralando.

Bruno Silva homenageia o time do ano com um golaço: Chapecoense, presente! Respiramos aliviados. Mas, antes de voltarmos ao vestiário, a lambança. Sassá e Aírton se desentendem depois de uma falta boba a nosso favor. Empurra-empurra entre nós mesmos. Aírton expulso.

Aí vem o suor frio. Se numa situação favorável na rodada anterior, a gente se enrolou, agora com um jogador a menos, o sonho podia virar pesadelo.

Segundo tempo. Resistimos. Jogamos feio, pressionados por um time que nem os torcedores deles conheciam. Camilo acertou um balaço no travessão. E foi só.

Seguramos a peteca como deu. Quando eu já não tinha mais nenhuma unha pra roer, o juiz apitou o fim do jogo. E o início da Libertadores 2017.

É hora de comemorar! É hora de extravasar! É hora de ver nossos detratores engolindo suas projeções tenebrosas.

Fechamos o ano numa incrível quinta colocação, classificados. É a pré-Libertadores, mas é ela. Claro, queremos um timaço reforçado de Messi e Neymar. É o que todo botafoguense vai pedir a Papai Noel. Mas sabemos que a crise pode nos deixar mais depenados do que chegamos até aqui. Não importa. Isso é problema pro ano que vem.

No momento, o que interessa é que… ninguém cala. Valeu, Fogão!!!

53
ao todo.

MACACO É A P%*# QUE O PARIU!

Na quarta-feira, 13/2, um jogador negro brasileiro foi alvo de provocações racistas por uma torcida adversária. Não foi a primeira vez e infelizmente não será a última. O curioso é que as ofensas partiram de peruanos, também discriminados na Europa e nos Estados Unidos. Deviam ter aprendido a lição. O Jornal das 10, da Globo News, pôs no ar um video com um texto meu sobre o assunto. Também tô fechado com o Tinga! Clique aqui e assista ao video.

600

352
ao todo.

NOITE DE GALA EM PRETO E BRANCO

celulares

A emoção começou ao chegar no entorno do Maraca. O movimento de camisas alvinegras era intenso, o que se confirmou quando avistei a arquibancada lotada. Procurei lugar pra sentar e felizmente não havia. Há muito tempo não vejo o estádio desse jeito. A torcida chamou pra si a responsabilidade e compareceu em massa. E  o time correspondeu em campo.

Não quero aqui dar uma de gourmet do futebol, com análise fria e imparcial da atuação da equipe. Não estou preocupado com os chutões, erros de passe, desentrosamentos. Isso é assunto pra uma outra hora. Agora me vem à memória o coração na ponta da chuteira, a vibração da massa reverberando no campo. Até a derrota fora de casa contribuiu para dar a pitada de drama necessária para valorizar a vitória. Pouco me importa a baixa qualidade dos adversários. Trouxeram a vantagem de um gol, voltaram pra casa com excesso de peso: quatro gols na bagagem.

Se o Tanque Ferreyra não deu conta, quem lavou nossa alma foi Wallyson, mantendo a linhagem de atacantes com nomes esquisitos. Maicosuel, Hyuri e agora Wallyson, com dois “l”, um “y” e um “s” soando como dois. Seus pais (ou a numeróloga) sabiam onde o menino jogaria no futuro. E meteu três bolas na rede dos equatorianos. Garoto, fique esperto. A partir de agora você vai ser caçado, não vão te dar moleza. Não se intimide, faça sua estrela brilhar.

Era a primeira vez que estes jogadores entravam juntos em campo. Aqueles 50 mil presentes também nunca haviam atuado juntos, mas mostraram entrosamento. Empurraram o time pra cima deles, vibraram com a garra e se extasiaram com os gols, do alívio ao delírio.

Outro dia falaremos da sequencia de jogos, da missão de matar um leão por rodada, do padrão de jogo que é preciso encontrar, das limitações de um elenco montado com um cofrinho de poucas moedas. Mas agora não.

É hora de agradecer a Jeferson, Dória, Bolívar, Júlio César, Edilson, Lodeiro, Elias, Wallyson, Henrique, enfim a todos. É hora de rever os gols e de ressaltar a importância da torcida lotando o Maraca.

E ninguém cala…

(foto Marcelo Quintella)

142
ao todo.

MOMENTO HISTÓRICO

    de pé: NILSON DIAS, leo russo, zeca marques, eu, JAIR FURACÃO. sentados: AMARILDO,PC CAJU, ZAGALLO, ROBERTO MIRANDA

de pé: NILSON DIAS, leo russo, zeca marques, eu, JAIR FURACÃO. sentados: AMARILDO,PC CAJU, ZAGALLO, ROBERTO MIRANDA

Era pra ser um encontro de torcedores pra ver a volta do Fogão à Liberta. Cá entre nós, nem isso era. Estamos ainda na pré-Libertadores e o Deportivo de Quito é o nosso Enem. Mas quando temos pouco o que comemorar, tudo é motivo. Ao invés de roer minhas unhas no sofá de casa, aceitei o convite pra acompanhar o jogo numa churrascaria. Logo pensei: boa! Assim posso encher a cara e ficar tão alto quanto a cidade de Quito. Porque careta não ia dar pra pra encarar.

Ao chegar ao bat local, a coisa mudou de figura. Um salão à parte reunia vários coroas partilhando chopes, picanhas e a paixão pelo Bota. Mas não eram quaisquer coroas. Alguns conhecia bem: Furacão, por conta de sua Fábrica de Talentos, em Manguinhos, que fiz questão de visitar. PC Caju já esteve na minha casa contando causos do seus áureos tempos. Zagallo tinha o mesmo alfaiate que o meu pai. E tive a alegria de jogar uma pelada ao lado do Nilson Dias, numa preliminar do Engenhão. A outros fui apresentado ali. Amarildo, Roberto Miranda, Nei Conceição… Não acreditei que estava cercado de ídolos que acompanhei garoto das arquibancadas – Amarildo, só no Canal 100.

Estávamos numa grande mesa em formato de U, junto com figuraças como Stepan Nercessian, o sambista Leo Russo (quem me pôs nessa fita) e o radialista Zeca Marques. A bola rolava quadrada na tela da tevê. Enfrentávamos uma equipe fraca em que o adversário mais perigoso era altitude. Perdemos o holandês Seedorf, mas temos agora um treinador Húngaro, uma troca desigual. Este, preocupado com o poder ofensivo dos equatorianos, armou um esquema com três cabeças de área e apenas um atacante – um Tanque que deu pouquíssimos tiros.

O time sem padrão de jogo – tenho fé que vai melhorar – nada fazia pra atrair nossa atenção. Não consegui tirar os olhos da plateia. À minha frente estavam PC Caju, Roberto Miranda e Jairzinho – o ataque do meu time de botão! Ali estavam alguns dos nomes que fizeram o Brasil conquistar a fama de melhor futebol do mundo. Os históricos Amarildo e Zagallo fizeram parte da geração que, segundo Nelson Rodrigues, acabou com o complexo de vira-latas do brasileiro. O citado ataque foi a glória dos nosso anos 60 e ainda trouxeram o tri de Guadalajara. Nei e Nilson foram o alívio dos torcedores em períodos difíceis.

No final, vi de relance que perdemos o jogo. Minha vontade era descolar uma máquina do tempo pra botar aquela turma em campo de novo. Até a próxima quarta não vou achar uma. Tudo bem. No Maraca podemos ir à forra, mesmo sem esses mitos. Mas não foi isso que me veio à cabeça quando cheguei em casa. Pela primeira vez assistir a uma derrota do meu time não tinha por que me aborrecer. Aqueles imortais fizeram a minha noite.

São esses ídolos, entre tantos outros, que me fazem ter orgulho de torcer pelo Botafogo. E ninguém cala…

 

48
ao todo.

LIBERTADORES AINDA QUE TARDIA

Seedorf

Nada é fácil para o torcedor alvinegro. Depois de passarmos o campeonato inteiro no G-4, penamos nas últimas rodadas. Não era nem sombra da equipe que vimos no primeiro semestre, quando ficamos encantados com a qualidade do toque de bola e as exibições primorosas. Jogadores à venda, time desmantelado, começou nosso sofrimento. Perdemos pontos bobos dentro de casa e temperamos o final da temporada com muita expectativa e tensão.

Enfim, no último jogo, última apresentação do ano no Maraca, o Bota voltou a jogar como a gente gosta de ver. Os 3 x 0 contra o Criciúma nos pôs de volta ao G-4. Atuação impecável de Seedorf e cia.

O Brasileirão acabou, mas continuamos a torcer. Quarta-feira temos que secar a Ponte Preta e carimbar nosso passaporte pra Libertadores. Claro, queria que as coisas fossem diferentes. Queria estar agora tomando o chope da Liberta, mas o destino preferiu adiá-lo pra quarta-feira. E como tem coisas que só acontece com o Botafogo, a luta por essa vaga nos obriga a torcer pelos argentinos do Lanús! Essa a conta que teremos de pagar devido à pífia atuação no segundo turno.

Não dá pra esquecer os vacilos e derrapadas deste ano, mas não é hora pra cobranças. Comparando com tricolores e vascaínos, estamos reclamando de barriga cheia. Enquanto estaremos de olho no jogo de quarta, eles ficarão ligados na segunda…

Nosso réveillon será na próxima quinta-feira e, com certeza, teremos o que comemorar.

Que venha 2014!

 

28
ao todo.