MAITÊ NO MARACA

Maitê prometeu ficar nua pelo Fogão. Isso, caso a gente volte para a série A do Brasileirão. Portanto, a promessa pode ser cumprida em dezembro. Pra ela ir se acostumando, levei-a ao Maraca. Marinheira de primeira viagem na nossa van, cometeu um erro grave: carregou um tricolor. Nunca antes na história isso tinha acontecido. O resultado, vocês conhecem: perdemos a primeira batalha. Claro que deu azar. Mas nada está perdido. Ainda temos chances, ainda mais se jogarmos reforçados pela ausência do Fred. Dessa vez, não vai ter nenhum “alemão” infiltrado. Se bem que o que dá azar mesmo, é jogar com ataque inoperante e com zaga que cochila e não mata a jogada.

O video acima é um trecho do programa Extra Ordinários, que foi ao ar em 12/4/2015.

NOITE DE GALA EM PRETO E BRANCO

A emoção começou ao chegar no entorno do Maraca. O movimento de camisas alvinegras era intenso, o que se confirmou quando avistei a arquibancada lotada. Procurei lugar pra sentar e felizmente não havia. Há muito tempo não vejo o estádio desse jeito. A torcida chamou pra si a responsabilidade e compareceu em massa. E  o time correspondeu em campo.

Não quero aqui dar uma de gourmet do futebol, com análise fria e imparcial da atuação da equipe. Não estou preocupado com os chutões, erros de passe, desentrosamentos. Isso é assunto pra uma outra hora. Agora me vem à memória o coração na ponta da chuteira, a vibração da massa reverberando no campo. Até a derrota fora de casa contribuiu para dar a pitada de drama necessária para valorizar a vitória. Pouco me importa a baixa qualidade dos adversários. Trouxeram a vantagem de um gol, voltaram pra casa com excesso de peso: quatro gols na bagagem.

Se o Tanque Ferreyra não deu conta, quem lavou nossa alma foi Wallyson, mantendo a linhagem de atacantes com nomes esquisitos. Maicosuel, Hyuri e agora Wallyson, com dois “l”, um “y” e um “s” soando como dois. Seus pais (ou a numeróloga) sabiam onde o menino jogaria no futuro. E meteu três bolas na rede dos equatorianos. Garoto, fique esperto. A partir de agora você vai ser caçado, não vão te dar moleza. Não se intimide, faça sua estrela brilhar.

Era a primeira vez que estes jogadores entravam juntos em campo. Aqueles 50 mil presentes também nunca haviam atuado juntos, mas mostraram entrosamento. Empurraram o time pra cima deles, vibraram com a garra e se extasiaram com os gols, do alívio ao delírio.

Outro dia falaremos da sequencia de jogos, da missão de matar um leão por rodada, do padrão de jogo que é preciso encontrar, das limitações de um elenco montado com um cofrinho de poucas moedas. Mas agora não.

É hora de agradecer a Jeferson, Dória, Bolívar, Júlio César, Edilson, Lodeiro, Elias, Wallyson, Henrique, enfim a todos. É hora de rever os gols e de ressaltar a importância da torcida lotando o Maraca.

E ninguém cala…

(foto Marcelo Quintella)

MINHA ESTREIA NO MARACA

Desde garoto olhava o gramado do Maracanã de fora, fosse da arquibancada, das cadeiras, da geral ou mesmo pela tevê, e sonhava sair da boca do túnel, entrar em campo, casa lotada, jogo decisivo, marcar um golaço e ouvir a torcida irada gritando meu nome. Finalmente aconteceu.

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A casa não tava lotada, o jogo era um amistoso, não marquei nenhum golaço, mas nada disso fez a menor diferença. A emoção de estar naquele palco, cercado de craques que vi jogar, muitos deles contra o meu Fogão, como Adílio e Athirson ou a favor, como Gonçalves, não tem preço.

O Maraca está mudado. Mas o endereço é o mesmo. Foi ali o gol de placa do Pelé, foi ali a cavadinha do Loco Abreu que nos deu o título de 2010. Qualquer um no mundo que curte futebol pagaria uma boa grana pra estar ali. E um evento da Fundação Gol de Letra me deu esse presente.

Uma situação tão inusitada que não tinha como me sentir um turista em campo. Cogitei jogar com o celular na mão, tirando fotos e postando no instagram! Ficava impressionado com a categoria dos profissas. Estava no meio de campo admirando um lançamento que partiu da zaga. Que potência de chute! Quando a bola foi se aproximando, me toquei que era pra mim. Matei assustado, a bola escapuliu do meu parco controle. Felizmente o Junior, que me apadrinhou o jogo todo, salvou a lavoura.

Mal tocava na pelota, uma chuva pesada irrigava a cancha, fui verificar o estado da chuteira e notei que a sola já tinha ficado pelo caminho. Ainda assim não perdi a pose. Joguei até o técnico Raí me substituir. Antes, porém, o lance memorável que contarei para os bisnetos. Pego a bola na intermediária, levanto a cabeça e de efeito enfio a redonda por uma brecha da zaga adversária. Mário Tilico recebe, avança e… pênalti! Bola na marca e… gooool!!! Até hoje me pergunto por que não fui escolhido pra bater. Tudo bem, entrei pra história do estádio. Ou melhor, o estádio entrou pra minha historia!

Aguardo ansioso o próximo ano, buzinando na orelha do Raí e do Leonardo pra me convocar de novo. E aí não vai ter conversa: se tiver pênalti, quem vai bater vai ser o papai aqui!

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A BUROCRACIA DE CHUTEIRAS

Empolgado com a campanha do Fogão, decidi entrar em campo. Convoquei a família e os amigos para irmos ao Maraca apoiar nosso time. Mas a tarefa não é assim tão fácil.

Inicialmente a coisa soa tranquila: basta entrar no site futebolcard.com e adquirir seu ingresso. A partir daí, você passa a enfrentar uma zaga fechada. Depois de se cadastrar no site e realizar a compra, resolvo imprimir seu ingresso. Engano meu! Tudo que posso imprimir é um comprovante de compra que, junto com minha identidade e o cartão de crédito utilizado, devo me apresentar ao guichê do estádio para receber o ingresso. Ou seja, fiz a compra online e tenho que enfrentar uma fila no local, cheio de documentos na mão. Mas tudo por amor ao clube!

Vejo , em seguida, que não posso retirar o ingresso na hora do jogo! Tenho que ir ao estádio na véspera entre 10 e 17 horas ou no dia da peleja entre 10 horas e meio dia! Incrível! Um ingresso comprado pela internet me obriga a ir ao Maracanã exclusivamente para pegar o ticket e voltar no dia seguinte ou mais tarde pra ver o jogo. E quem tem que trabalhar, como faz? Pede uma licença ao chefe para enfrentar essa via crúcis? E se o seu chefe não torcer pelo mesmo time que você, permitiria matar o batente?

Bom, tenho uma saída: pedir a um amigo desocupado para retirar o tal ingresso. Nesse caso, preciso lhe dar uma procuração (não há necessidade de autenticá-la em cartório, ufa!). Meu amigo, munido da própria identidade, deve levar a minha identidade original, meu cartão de crédito e o tal comprovante impresso em casa. Como vou com meus filhos e mulher,  multiplique a papelada: somos cinco e um cartão só dá direito a comprar no máximo 3 ingressos, portanto, dois cartões de crédito; dos menores, identidade ou certidão e carteira de estudante. Meu amigo chegará ao guichê com uma documentação equivalente a um inventário encrencado. Talvez seja o caso de contratar um segurança para acompanhá-lo!

Para descobrir tudo isso tive que ler com atenção todas as regras no site, mais complicadas que a lei do impedimento.

Conclusão: ir ao Maraca com a família não é programa para amadores. O curioso é que este imbróglio se justificaria para impedir a ação de cambistas. Mas eles agem com liberdade e simpatia, oferecendo seus serviços em frente às bilheterias. Durante o jogo, você ouve o locutor anunciar o número de “gratuidades”, que foram vendidas por um precinho camarada.

Só vejo uma explicação: o futebol é um esporte recente no país. Uma repentina paixão tomou conta dos brasileiros e as autoridades ainda não aprenderam como comercializar os bilhetes de forma decente e racional. E olha que nem falei dos preços praticados!  Mas acho que até a Copa do Mundo todos esses problemas estarão solucionados. Ou será que estou enganado?

 

TOURADA NO MARACA

Você não aguenta mais ler sobre isso, está cansado de ouvir a respeito. Não importa, vou escrever assim mesmo.

Tive o privilégio de estar entre os 73 mil presentes ao Maraca. Eu  e meu caçula Tonico, 9 anos. Foi a maior contribuição que pude dar à sua formação de brasileiro e amante do futebol. Ver o moleque gritando “O campeão voltou!” ficou marcado como um dos momentos credicard da vida – não teve preço. Segundo meu guri, “foi épico!”.  Levei um susto quando ele definiu o jogo dessa forma. “Quem te ensinou a falar assim , garoto?” – reagi surpreso, enquanto o encorajava a gritar: “Ei juiz, vai t#$%omar no c%&@u!”

Vitória irretocável. Nas previsões e apostas, o Brasil poderia ganhar por um placar apertado, num jogo duro. Ninguém imaginava que a Espanha fosse parecer um Taiti. A torcida brazuca mostrou que o Maraca é nosso e zoou com o espanhóis: “Timinho, timinho!”.

A seleção inteira apresentou um futebol irretocável. Felipão deu um baile no seu irmão gêmeo, o relojoeiro Vicente del Bosque que não conseguiu acertar o tic-tac espanhol. Julio César fez algumas pontes tão bonitas quanto a arquitetura do novo estádio. David Luiz marcou um golaço tirando aquela bola em cima da linha. Fred mostrou a diferença que faz um centroavante especialista no assunto. E Neymar calou a boca dos que dizem que ele só faz cair. Ele sabe fazer gol, dar corta-luz, sair do impedimento e namorar a Bruna Marquezine. Mesmo o Hulk não deu motivos pra críticas. E olha que eu prefiro o bundão da Valeska Popozuda!

Agora vamos aguardar o ano que vem e mostrar que quem ganha a Copa das Confederações no Maraca pode muito bem faturar o Copa do Mundo no mesmo estádio. Essa é a superstição que tá valendo!