NÃO ME METE NISSO, NÃO!

Outro dia, assistindo a uma porradaria UFC, uma cena me chamou atenção. Jacaré, depois de ter massacrado Vítor Belfort, se ajoelhou e agradeceu a Deus.

Estranhei. Antes que me apedrejem, adianto que não vejo nenhum problema no Jacaré ser religioso. Todo mundo pode ter sua fé, numa boa. Mas fiquei pensando no gesto. Será que Deus estava assistindo ao UFC ? Era tarde da noite, imagino que Ele tenha que acordar cedo, até porque o mundo não anda fácil, o Todo Poderoso deve estar cheio de trabalho.

Por isso, não O imagino gastando seu tempo vendo pancadaria na tevê. Quer dizer, na tevê não, afinal é onipresente, podia acompanhar o evento ao vivo, de pertinho e sem pulseirinha de área Vip. Imagino que seja da paz e não deva curtir ver seus filhos se espancando até tirar sangue. Isso não é coisa de Deus.

E por que Ele torceria pro Jacaré? Será que Vítor Belfort andou vacilando por aí? Merecia uma levar uma lição? Precisava tirar tanto sangue do infeliz?

Acho natural alguém pedir a proteção divina quando vai passar por um lugar perigoso, tarde da noite, já que não se pode confiar na polícia. Aliás, se tiver polícia, a reza tem que ser em dobro. Não era o caso. Os dois subiram no octógono sabendo o que ia acontecer ali dentro. Ambos se garantiam, treinaram praquilo. Portanto, ao soar o gongo, não se pode pedir ajuda a ninguém, é cada um por si!

O mesmo sentimento me vem quando um jogador faz um gol, olha pro céu e se benze. Muitas vezes, o goleiro que tomou o frango é evangélico, não é possível que Deus fosse deixá-lo desamparado numa hora tão crucial. Sem contar na torcida. De ambos os lados tem gente com fé fervorosa, que fez sua oração antes de ir para o estádio, acendeu uma vela para seu santo ou Orixá. Mas Ele não vai interferir no resultado. Jogador pode, no máximo, pedir para não se machucar. E o torcedor, fazer promessa pra não ser roubado no trem, não tomar spray de pimenta na cara, não cair no meio da torcida adversária…

Na minha humilde e mortal opinião, se dependesse de uma Força Suprema, todas as lutas e todos os jogos acabariam empatados!

FESTIVAL DE LUTAS DA CUFA

A CUFA – Central Única das Favelas – promoveu um evento inédito: um festival de lutas com lutadores das comunidades. Foi a primeira vez que rolou porrada no Viaduto de Madureira e ninguém precisou chamar a polícia. A festa aconteceu na maior paz!

Estive lá e conferi. Os melhores momentos estão aqui.