SEXO FRÁGIL?

Dizem que a mulher é o sexo frágil. Mas há muito tempo, o Erasmo Carlos já desmentiu essa balela. Como é que nós, os machos, que não suportaríamos a um único parto, podíamos repetir uma coisas dessas? Homem não aguenta nem uma unha encravada! Se a garganta inflama, pede dispensa do trabalho. Toma remédio pra febre quando a temperatura atinge 37 graus! Se a gente menstruasse, todo mês faria uma transfusão de sangue… Por que então esse papo de “sexo frágil”?

A razão é uma só: para continuarmos explorando as mulheres. Basta ver as estatísticas. Os homens ganham mais do que as mulheres em quase todas as profissões, sejam trabalhadores braçais ou universitários. Na periferia das grandes cidades, a maioria dos lares é chefiado por mulheres. O malandro faz a cria, depois sai pra comprar cigarro e não volta mais. E ela que se vire para cuidar da criança e correr atrás do prejuízo.

Mas nem tudo é notícia ruim. Hoje 43 por cento dos donos de negócios no Brasil, na verdade, são donas. São 5 milhões e 600 mil empreendedoras no comando.

Isso sem falar nas poderosas. Mulheres como Gisele Bundchen, Ivete Sangalo, Anitta, Paolla Oliveira dominam o imaginário masculino e geram empregos pra muito barbudo levar pra casa o leitinho das crianças.

No samba, são as damas quem dão as fichas: Alcione, Beth Carvalho, dona Ivone Lara, sem contar as que se foram, como Clara Nunes, Clementina, Jovelina Pérola Negra. Nem vou falar nas musas inspiradoras, sem as quais, o samba seria mais triste que um fado lusitano.

As mulheres muitas vezes não se dão conta do seu poder. Por exemplo, poderiam acabar com a violência no trânsito. Se deixassem de dar mole pros manés que fazem pegas, que saem cantando pneu, que bancam os espertinhos ultrapassando pelo acostamento… certamente esses caras nunca mais iriam se reproduzir. E aí, por seleção natural, teríamos homens mais civilizados no mundo.

Parabéns à mulher por seu dia. Salve o verdadeiro sexo forte!

SE MELHORAR, ESTRAGA!

Outro dia ouvi um papo estranho entre dois estranhos na academia.

– Aí, saca de hidrogel?

– Não. Só tomo Gatorade.

– Hidrogel não é hidrante.

-É o quê, suplemento alimentar, anabolizante? Meu fornecedor não vende essa marca.

– Não é nada disso. É uma parada que a mulher bota pra ficar gostosa. O pessoal chama de procedimento estético.

– E desde quando eu vou me ligar em procedimento estético, rapá? Tá me estranhando?

– Prestenção: tu não ouviu falar naquela modelo gostosa, a Andressa Ulrach? Ela sofreu uma overdose de hidrogel.

– Quanto sai 100 gramas? É de cheirar ou de fumar?

– É de injetar.

– Tô fora! Não transo esse lance de agulha.

– Calmaê, calmaê! Esse negócio não é pra você, mermão!

– Como assim, não é pra mim? Só porque eu sou preto?

– Não, porque tu não é mulher e nem quer ficar gostosa. Ou quer?

– Perdeu a noção do perigo, é? Mas conta aí: como é esse negócio?

– Ah, não entendi direito. Parece que é tipo um silicone que as minas tão botando no peito e nas coxas.

– Silicone?! Era só o que faltava: a mulherada botando peito na bunda e nas coxas.

– E na panturrilha! A garota queria ter a panturrilha marombada!

– Peraí, querer ter peitão, bundão, coxão, tudo bem. Mas panturrilhão?           Quem repara em panturrilha?

– Pois é.

– Tem foto dessa mina aí no celular?

– Tenho, olha aqui.

– Mostra uma antes da operação.

– Essa foto é de antes dela operar.

– Mas a mina já era gostosa pra cacete! Por que fazer um lance desses?

– Não dá pra entender!

– Já tava boa demais. Se fosse minha mina, falava assim: “Aí gata, deixa como tá. Se melhorar, estraga.”.

– De repente, o namorado dela era mais exigente que você.

– Ou então não era chegado.

– O site tá dizendo que a Andressa Ulrach foi vice Miss Bumbum Brasil 2012.

– E desde quando quem foi segundo lugar no miss bumbum precisa de hidrogel?

– É ruim, hein!

– Será que teve algum homem que olhou pra bunda dela e falou: “Humm….uma bunda murchinha feito essa aí…Não como não!”

– Pois é, rapá. Tem homem que não entende nada de mulher.

– Nesse caso, acho é que tem mulher que não entende nada de homem…

-Já é.

-Fui!

AMOR CASUAL

– Foi uma noite fantástica. – contava Alex ao amigo. – Há muito tempo que eu cercava ela. Mas ela não abria a guarda. Tinha um namoro sério que, graças a Deus, acabou. Respeitei o período de resguardo, sabe como é, conhecia o namorado e não queria queimar o filme com as amigas delas. Convidei pra sair, tomamos um vinho. Deixei que ela escolhesse. Pediu uma garrafa que custava R$ 150,00. Bem acima do meu padrão. Mas aí pensei: mulher que pede vinho acima dos 100 reais é porque tá a fim de dar.

– Ele não veio logo me atacando assim que a notícia correu – disse Roberta à amiga.- Respeitou minha dor que nem chegava a ser tanta, o namoro durou um ano mas os últimos dois meses dava sinais de que não ia muito longe. Quando saímos, ele me deixou que escolhesse o vinho. Pedi uma garrafa bem acima do meu padrão. Ele não chiou. Bom sinal.

– A conversa era boa.- continuou Alex. – Variei bastante os assuntos pra não dar a entender que só queria uma coisa com ela. Tudo levava a crer que ia rolar .

– Ele puxou assunto. Parecia realmente interessado em mim. – explicava ela. – Não era desses que só queria uma coisa. É um cara diferente.

– Estava duro e sem gasolina pra ir até a Barra, acabei levando ela pra casa mesmo, apesar de estar meio bagunçada.

– Se ele tomasse o caminho pra Barra, ia pedir pra parar. Como assim, logo na primeira vez, me levando pra um motel? Podia pensar que sou dessas. A casa dele estava meio bagunçada. Sinal de que queria intimidade logo de cara. Comecei a achar que o Alex não era nada do que falam por aí.

– Nada de tapa na bunda, puxão no cabelo, gritos de “vem cá, cachorra!”. Peguei leve pra não assustar.

– Que delicadeza! Quanta sensibilidade! Evidente que queria o meu prazer. Até que… – contou ela.

– Até que… – contou ele…


 

–       Ah, você é um amor! – disse Alex sorrindo.

–       Oi? – Roberta chegou a sentir um arrepio.

–       Disse que você é um amor.

–       Eu… – não resistiu a tanta delicadeza. – …te amo, sabia?

–       Você… o quê?

–       Eu te amo.

–       Maneiro.

–       Como é que é?? Então eu me declaro pra você, de coração aberto e tudo que você me diz é “maneiro”?

–       Mas eu achei maneiro!

–       Vou repetir: eu te amo. E você?

–       Eu? Eu… também.

–       Você também me ama?

–       Não, eu disse que concordo com você.

–       Eu disse “eu te amo”, você disse “eu também”.

–       Isso mesmo. Eu também me amo. É disso que eu gosto em você. Você tem muito bom gosto.


– Não pude acreditar no que ouvi. – desabafou ela pra amiga. – Aliás, a última frase que ouvi daquele sujeito.

– Não entendi nada. – se abriu Alex. – Fui o mais sincero possível, a mina se levantou e foi embora lá de casa sem dizer tchau! E ainda dizia que me amava. Vai entender essas mulheres…

 

 

CIRURGIA PLÁSTICA: UMA VIAGEM SEM VOLTA

labios-angelina

A mulher começa tirando uma ruguinha. Em seguida, quer reduzir a barriga sem frequentar academia ou usar aqueles aparelhos miraculosos da Polishop. Depois, afina o nariz, diminui a orelha, elimina a papada, estica, puxa, alisa e pronto, temos um novo inimigo do Batman na praça!

Algumas sonham em ter os lábios carnudos da Angelina Jolie, os olhos da Megan Fox, o queixo da Gisele Büdchen, o nariz da Sharon Stone, a bochecha da Halle Berry, os peitos da Pamela Anderson, a bunda da Juliana Paes. Como se pudessem reunir num só corpo as partes convocadas por um Felipão da beleza. Isso não dá certo nem no photoshop, mas é uma ideia cada vez mais perseguida.

Por falar em perseguida, esta é a mais nova mania – a plástica da xoxota. Não é uma xoxota de plástico, mas é quase. São mulheres que acham a sua comissão de frente repugnante. Sabemos que a fêmea gasta fortunas em vestidos pra matar as amigas de inveja. Não acredito que seja o caso da repaginada dos países baixos. Certamente são moças com vida sexual pouco movimentada e que acham que o problema está ali. Será?

Tudo bem quando contratam um Burle Marx para um paisagismo na região. Dá uma graça, às vezes com toque de originalidade. Algumas reforçam suas posições ideológicas adotando o bigodinho de Hitler. Outras, considerando que macho se amarra numa pelada, promovem uma completa devastação para desespero dos ambientalistas. Agora, daí para uma cirurgia vai uma grande distância. Nunca nenhum dos meus amigos desistiu de pegar uma criatura porque achou que ela tinha uma vagina horrível. Aliás, chamar periquita de vagina sem ser ginecologista já dá pra desconfiar.

Imagine a situação: o casal no quarto, Marvin Gaye no ipod (ou Naldo, vai saber…), champanhota gelada no balde, aos beijos começam a se despir. Quando a calcinha de renda vai ao chão, o sujeito dá um ataque:

– Nossa! Que coisa horrorosa! Eu nunca vi nada igual! Deus me livre! Que xoxota mocreia! Eu é que não ponho meu pau aí dentro nem que me paguem. Fui!- e bate em retirada sem olhar pra trás.

Você acha mesmo que o problema é dela? Na boa, esse sujeito forçou a barra pra chegar até ali por medo de enfrentar o preconceito da sociedade e do Marco Feliciano.

Vamos deixar de bobagem, meninas. Macho que é macho não repara nem quando vocês cortam o cabelo! Ele não está esperando encontrar ali os lábios da Angelina Jolie. E aprecia sem moderação.

O SILICONE

O casal se preparava para ir dormir. Otávio ajeitava a garrafa d’água na mesinha de cabeceira quando comentou:

– A Rosana botou silicone nos peitos?

– Por que você ta perguntando?

– Dá pra notar. Mas não queria dar furo. Vai que eles tão só inchados.

– Botou, sim.

O casal voltou a ficar em silêncio. Otávio pegou um livro e fingiu estar lendo. Não conseguia se concentrar.

– Você se incomodaria se eu pegasse no peito dela?

– O quê? Será que eu ouvi direito?

– Vou repetir: posso pegar nos peitos da Rosana?

– Que ideia mais idiota!

– Idiota nada, eu queria saber como é. Só uma apalpadinha, sem compromisso.

– Me dê um motivo pra eu permitir uma sem-vergonhice dessas.

– Muito simples. Uma vez eu sugeri e você disse que nunca botaria silicone nos peitos. Eu concordei. Mas pô, eu tenho essa curiosidade. Como é que faço?

– Ah, Otávio, que besteira! Vai no google e pesquisa. Tem tudo lá.

– O google não é de carne, nem em 3D.

– Silicone também não é de carne.

– Marcela, gente tá casado há vinte anos e eu não quero ter que me divorciar só pra poder pegar num peito com silicone. Ao mesmo tempo não acho justo passar toda minha existência sem meter a mão num peitinho turbinado.

– Peitinho turbinado? E ainda quer me convencer que é mera curiosidade científica…Isso é tara! Você é um tarado, Otávio.

– Você é que é paranóica, Marcela.

– Ah, é? E se eu quiser saber se o Paulão tem pau grande? Posso dar uma apalpada?

– É completamente diferente! Nada a ver! O Paulão não pôs enchimento no pau.

– Como você sabe? Já apalpou?

– Engraçadinha. Tô falando que ali é tudo dele. E eu tô querendo sentir como fica um seio feminino recheado com matéria artificial

– Não me venha falar de “seio feminino” só pra fingir isenção. Eu sei muito bem qual a sua intenção, é dar uma mamadinha.

– Mas aí depende de ela deixar, e não você.

– Se ela deixasse, mesmo sem o meu consentimento você…

– Hum hum…

– Então só precisa de autorização minha pra apalpar?

– São só hipóteses, Marcela. Não precisa ficar assim.

– Tudo bem. Boa noite.

Marcela virou-se de costas e puxou a coberta.

– Boa noite.

Otávio apagou a luminária e se ajeitou, enquanto Marcela perguntava:

– Ah, e qual o telefone do Paulão?