Somos todos olímpicos!

Eram seis e meia da manhã. Tinha chegado do Parque Olímpico há cinco horas. Ainda assim, não tive dúvidas. Peguei minha bike e parti pro Posto 6. O treino tinha um sabor especial: íamos conhecer o Circuito Olímpico da Maratona Aquática.

Poucos mortais têm o privilégio de praticar numa Raia Olímpica sem ter índice pra passar na porta da Vila dos Atletas. Fazemos parte deste seleto grupo. A chuva apertou, o tempo esfriou. Era como se os Deuses do Olimpo nos perguntassem se estávamos dispostos a qualquer sacrifício para passar por aquela experiência. Éramos dez e ninguém desistiu.

Nadamos até a balsa de onde os atletas laragriam e até simulamos uma tosca largada. Pisar onde pisam os campeões, nadar nas mesmas águas onde as medalhas vão ser disputadas. Era muita adrenalina! No dia seguinte, a ressaca destruiu a balsa e a largada da competição teve de ser mof=dificada. Não importa. Nós usamos a balsa que eles usariam, foi o suficiente.

O mar estava mexido, o que seria bom pro Allan do Carmo e pra Ana Marcela Cunha. A temperatura da água era agradável, o que seria bom pra Poliana Okimoto.

Aprovamos tudo. O mar fez suas ressalvas. Mas não liguem. Podem vir, atletas! Vamos deixar vocês usar nosso quintal. Mas não acostumem, não. E lembrem-se: o Posto 6 é nosso!


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PRA NÃO MORRER NA PRAIA

Concordo com vocês: essas histórias de superação são um saco, ninguém suporta… Mas foda-se, vou contar a minha.

Tudo começou dia 18 de abril deste ano. Fui a São Bernardo do Campo participar da segunda etapa da Copa Brasil de Maratonas Aquáticas. Ciente de que não sou nenhum Allan do Carmo, dava como certo um desempenho satisfatório, somando alguns pontinhos pra minha equipe. Era uma prova de 5000 metros na represa Billings, portanto, em água doce, o que torna tudo mais difícil. De qualquer forma estava tranquilo. Tão tranquilo que passeei pelo percurso, surpreso por estar num trecho limpo e bonito da represa, cercado de matas. Quase parei para uns selfies. O resultado não podia ser outro. A desconcentração foi sinônimo de desclassificação. Fiquei puto e não tinha a quem culpar, a não ser a mim mesmo.

Voltei disposto a dar a volta por cima. Me dediquei aos treinos para me livrar, na etapa seguinte, das três letrinhas que choram – OTL – Out of Time Limit. A data da competição foi se aproximando, a ansiedade foi crescendo. Uma semana antes do dia D, um tropeço: resolvi ajudar nas tarefas domésticas e, ao me abaixar pra passar o rodo – não na patroa, mas no chão da cozinha mesmo, minha lombar trincou e não consegui me levantar. Passei a semana no gelo, no Dorflex e na fisioterapia, já antevendo o cancelamento da participação. Nunca me lamentei tanto. Por que não mantive a fama de imprestável em casa, construída com tanta falta de esforço?

Não joguei a toalha. Notei que a postura da natação não agrava a dor. De qualquer forma, estava cabreiro. Com uma pulga gorda atrás da orelha, parti pra Angra dos Reis, para a terceira etapa da Copa Brasil. Eram duas voltas de 2500 metros num mar tranquilo. Não se pode usar relógio para monitorar a performance durante a prova. O fator psicológico, nessas horas, pesa bastante. Senti que podia forçar o ritmo. Como saber se estava indo bem ou mal? Não tem jeito, só acaba quando termina.

Tentei manter os neurônios ligados na missão – comandar braçadas, pernadas e orientação visual boia a boia. Quando vi o pórtico onde se lia a palavra “CHEGADA”, acelerei pra afastar o fantasma do fracasso. Deu certo! Cruzei a reta final com um ótimo tempo pra mim, 1:47′, e joguei o trauma pro espaço.

Aliviado, volto agora à fisioterapia. Espero que, com esse esforço, não tenha havido perda total.

Caraca! Não sei por quê, mas quando reli a crônica, ouvi a trilha de “Carruagens de Fogo”…

A equipe do EC LL Gladiadores, líder da Copa Brasil de Maratonas Aquáticas.

A equipe do EC LL Gladiadores, líder da Copa Brasil de Maratonas Aquáticas.