MUAMBEIROS BRASILEIROS TRAZEM NEVE DE NOVA IORQUE

Neve Iorque, urgente!

Esqueçam I-Phone 6, Tablets, pau de selfie, vestidos da Prada, calças da Gap ou calcinhas da Victoria Secrets. Os turistas brasileiros que viajaram para os Steites estão chegando no Brasil com uma bagagem original. Nos dias da friaca desesperadora, os shoppings fecharam, mas nem por isso eles mudaram os hábitos, saíam cedo do hotel e voltavam no fim da tarde com as sacolas carregadas de neve. Eles estocam suas malas no frigobar até a hora do embarque. Despacham os volumes maiores e, no lugar dos tradicionais ursos de pelúcia, ocupam os bagageiros do avião com bonecos de neve, mochilas e bolsas de mão geladinhos.

  • Acho que dessa vez vou faturar mais do que ano passado. Quero vender meu estoque de neve no Rio, onde ninguém aguenta mais aquele calorão. Se por acaso, durante a viagem a muamba derreter, desço em Cumbica e vendo tudo para o Alckmin. A Cantareira vai voltar a subir e com água americana, que é muito melhor que a do rio Tietê. – declarou uma senhora que se dedica há mais de 10 anos à importação informal.

Os contrabandistas estão tranquilos, pois sabem que na Alfândega não há limite para o ingresso ilegal de neve. Além disso, eles não precisaram fraudar as notas fiscais, já que descolaram a mercadoria de graça nas ruas. Uma muambeira, porém, lamentou que o “blizzard” não tenha sido aquilo tudo que a imprensa e o governo americano previram.

  • Assim que o noticiário alardeou a nevasca recorde, comprei malas extras e vários daqueles sacolões de lona. Mas não tinha neve pra encher todas elas. E agora, Obama, como que a gente fica?

Uma colega de profissão discorda:

– Essa senhora está reclamando de barriga cheia. Com o calor que está fazendo, a neve vai vender feito água no Brasil!

PICOLÉ DE BRAZUCA

Brasileiro é um bicho reclamão. Vem ao Rio no verão no Rio e reclama do calor. Alguém com menos de 165 anos já viu um janeiro ameno e agradável nessa cidade? É sempre essa fornalha, nenhuma novidade nisso. Tá certo que é chato abrir a geladeira e encontrar uma família de cracudos abrigada na última prateleira. Mas é da vida, não há o que fazer.

Aí o sujeito vai pra Nova Iorque e se surpreende com a friaca. A Giovanna Antonelli chegou a postar uma foto no Instagram com a legenda: “Frio inexplicável!!!!!” É perfeitamente explicável: enquanto aqui é verão, lá no hemisfério norte é inverno!

A coisa é pior para o carioca, que não conhece esta estação porque ela nunca vem ao Rio com medo de ser assaltada. A gente não tem casaco, no máximo um bermudão camurça e umas camisas sociais de manga comprida. Nas ruas de Manhattan até os mendigos parecem milionários com seus casacões maneiros. A gente não tem casacão maneiro. Na hora de fazer as malas, descola uns agasalhos com um parente que viajou pra Europa há uns vinte anos. As roupas que usamos podem ser vistas em seriados tipo “Jeannie é um Gênio”.

Outra coisa, carioca acha que roupa de frio é caretice. Se recusa a por uma touca ridícula ou calçar luvas, coisa de boiola. Macho que é macho bate queixo e jura que tá acostumado.

Estive lá numa dessas friacas e fiz este vídeo educativo que ensina como se vestir pra curtir a neve na Big Apple. Não saia do hotel sem assistir!

TE CUIDA TARANTINO!

Aviso aos Tarantinos, Spielbergs e Camerons da vida. Fiz um curso de 1 semana na New York Film Academy, em que aprendemos noções de direção, roteiro, produção e edição. Depois de algumas aulas, a turma se divide em equipes de três a quatro pessoas e vai à luta. Cada um tem que criar e dirigir seu próprio filme de no máximo 4 minutos, contando com a ajuda da sua equipe. Apesar de abrangente, este curso é mais uma degustação, brincadeira de gente grande, do que propriamente um formador de cineasta. Afinal, ninguém dominaria todas as áreas do cinema em apenas seis dias. Nem o Ben Affleck!

Mas dá pra tirar uma onda. Por estar em Nova Iorque pensei que poderia ousar na produção, contar com atores experientes, cachês milionários, diversas locações, figurino, maquiagem, tudo em nível de primeiro mundo. Mas não é nada disso. O NYFA deixa o equipamento de filmagem à disposição dos estudantes, o resto é por conta e risco do diretor/produtor. O resultado é uma trabalheira danada para se chegar a uma modesta produção tabajara, no estilo “eu dirijo, deus me livre!”

A gente se diverte um bocado e descobre como é difícil fazer um filme merda…

Banho de rio em Nova Iorque

Aproveitando o espírito olímpico, decidi encarar um desafio: nadar em Nova Iorque, sob a ponte do Brooklyn, no East River. A Brooklyn Bridge Swim, um evento tradicional da cidade, foi minha primeira travessia no exterior. Água fria, salgada, cheia de correnteza e, o mais complicado, ter que nadar em inglês!

Às cinco e meia da manhã já estava num táxi a caminho do Brooklyn. Pra muita gente a noite não tinha acabado. Pra mim também não, estava morrendo de sono. Mas sabia que quando caísse na água fria, acordaria no ato.

Tinha gente de tudo quanto é canto do mundo – australianos, ingleses, chineses, franceses, americanos (a maioria, claro), além de seis brasileiros. Uns 400 malucos que poderiam muito bem estar comendo um hot dog no Empire State.

A animação da minha personal torcida era contagiante. Dá pra sentir a empolgação da galera.

Pausa para o turismo. Qual é a graça de nadar tudo isso e não ter uma foto pra tirar onda?

É medalha! E é do Brasil! Em apenas 23’48″ completo os mil metros e conquisto o 99′ lugar, minha melhor colocação na história das travessias de Nova Iorque. Espero estar recuperado até as Olimpíadas de 2016!