SIIIII-DOOOORRR-FEEEE OBA! OBA!

Dia 30 de junho de 2012 caiu num sábado. Estava em casa quando recebi um telefonema do Marcelo Guimarães, então diretor de marketing do Bota. Me confidenciava em primeira mão: Seedorf acabara de assinar com a gente. Maurício Assumpção estava com o craque na Itália, era o fim das especulações. Como vivia enchendo o saco do Marcelo, me deu a notícia pra deixá-lo em paz.

O tiro saiu pela culatra. Meus dedos nervosos não se seguraram e abriram o bico. Mandei no twitter: “Um passarinho me contou que Seedorf é nosso!” A imprensa, seca por novidades, espalhou: “De La Peña confirma: Seedorf é do Botafogo”. Foi o suficiente pra me transformarem em herói. Fui saudado nas ruas como se tivesse assinado o cheque que trouxe o holandês. Antes, porém, atendi um outro telefonema do Marcelo.

–       Helio, que porra que tu falou no twitter?
–       Eu? Eu…eu… é que…
–       O Maurício tá puto dentro das calças! Queria fazer um anúncio oficial amanhã e você furou a gente!
–       Cara, foi mal, tava só falando pros meus amigos…
–       Você tem mais de um milhão de amigos no twitter! E nem é o Roberto Carlos…
–       Relaxa, Marcelo, faz o anúncio! Ninguém acredita em notícia de internet. – tentei ainda minimizar o dano, mas era tarde demais.

O diálogo não foi exatamente assim, Marcelo é mais elegante, mas o espírito foi esse. Depois as coisas se acertaram entre todos nós. A partir de então, só alegria.

Vivemos uma lua de mel maravilhosa. Clarence Seedorf, um craque importado da Europa para nossos campos, fazendo a mão inversa do habitual, quando nossos jogadores seguem em contêiners para o velho continente. Virou manchete nos jornais daqui e de lá. O Botafogo e sua história foram lembrados pela imprensa esportiva mundial, a torcida teve um sopro de autoestima que há muito não se via. As exibições do negão atraíram olhares de admiradores do bom futebol, independente da camisa de coração. Em 2013 faturamos o Estadual sem deixar uma sombra de dúvidas sobre quem foi o melhor. Durante o primeiro turno do Brasileirão éramos o time a ser batido, um forte candidato ao título. Passamos quase todo o campeonato no G-4. Até que…

A coisa começou a desandar. Fizemos um segundo turno pífio, digno de Z-4, mas o saldo era alto o bastante pra nos levar à Libertadores mesmo com uma sequência inacreditável de fiascos. Saímos da Copa do Brasil depois de uma goleada humilhante do urubu. Culpa do Seedorf? Não acho. O elenco foi se desfazendo, as peças sendo espalhadas por times de tudo que é canto do mundo, Rússia, Arábia, China, lugares que nem sabia que tinha futebol. E Seedorf viveu a solidão do gramado. Os que ficaram não conseguiam manter o nível de atuação de alguns meses atrás. Oswaldo se atrapalhava na escalação, nas táticas, nas substituições e o time afundava na tabela.

A emoção foi mantida até depois do fim dos jogos. Não por questões jurídicas, caso de uns e outros. Mas por conta de dependermos de resultados da Sul Americana. Os botafoguenses tiveram que provar seu amor ao clube, dessa vez sendo obrigados a torcer por argentinos contra os brasileiros e igualmente alvinegros da Ponte Preta. O Lanús ficou com a taça e a gente com a quarta vaga da Liberta.

Foi o maior legado do Seedorf? Dentro de campo, sim. Mas fora, a herança foi maior. Os garotos da divisão de base, os jovens que chegaram ao time de cima, os profissionais acomodados, todos viam um campeão vitorioso suando a camisa nos treinos. Era o primeiro a chegar, o último a voltar pro vestiário. Dieta rigorosa mantendo o corpo de garoto. As palavras de quem viveu a glória nas equipes mais ricas e brilhantes da Europa. Um cara que deixou o Suriname ainda moleque e conquistou o mundo. “Se ele treina até hoje assim, quem sou eu pra fazer corpo mole?” – imagino que pelo menos por um instante o pensamento passava pela cabeça dos menos talentosos. Um exemplo que precisa seguido.

Agora pendurou as chuteiras. O único jogador que vi levar a própria esposa pra um camarote do Sambódromo! Parou de jogar. Não trocou o Botafogo por outro time, mudou de profissão, o que é bem diferente. Vai ser técnico e tem muito a ensinar. E com certeza vai cobrar disciplina, dedicação, empenho. Isso não faltou. Jogou praticamente todos os jogos durante os 90 minutos. Nem sempre foi brilhante, ninguém o é o tempo todo. Mas deu trabalho aos adversários e muita alegria pra gente.

Alguém aí queria que ele se fosse? Nem eu. Perder um jogador desse quilate é uma bosta. Ainda mais quando não se fala em reposição. O que vai ser do Botafogo este ano não depende mais dele. E sim dos que ficaram e dos que chegarão. Estarei torcendo. Às vezes mais, às vezes menos entusiasmado. Ciente de que uma andorinha só não dá campeonato a ninguém. Ela se foi, agora nos campos, vemos apenas os quero-queros. Quero um atacante, quero um meia, quero uma boa zaga, quero menos volantes. E quero ver se a gente arruma alguma coisa boa nesse ano.

Uma coisa eu lamento: não ter convencido o Seedorf a se juntar com meus amigos botafoguenses num churrasco e numa peladinha. Quem sabe, mais pra frente, não rola um bife à milanesa em Milão?

LIBERTADORES AINDA QUE TARDIA

Nada é fácil para o torcedor alvinegro. Depois de passarmos o campeonato inteiro no G-4, penamos nas últimas rodadas. Não era nem sombra da equipe que vimos no primeiro semestre, quando ficamos encantados com a qualidade do toque de bola e as exibições primorosas. Jogadores à venda, time desmantelado, começou nosso sofrimento. Perdemos pontos bobos dentro de casa e temperamos o final da temporada com muita expectativa e tensão.

Enfim, no último jogo, última apresentação do ano no Maraca, o Bota voltou a jogar como a gente gosta de ver. Os 3 x 0 contra o Criciúma nos pôs de volta ao G-4. Atuação impecável de Seedorf e cia.

O Brasileirão acabou, mas continuamos a torcer. Quarta-feira temos que secar a Ponte Preta e carimbar nosso passaporte pra Libertadores. Claro, queria que as coisas fossem diferentes. Queria estar agora tomando o chope da Liberta, mas o destino preferiu adiá-lo pra quarta-feira. E como tem coisas que só acontece com o Botafogo, a luta por essa vaga nos obriga a torcer pelos argentinos do Lanús! Essa a conta que teremos de pagar devido à pífia atuação no segundo turno.

Não dá pra esquecer os vacilos e derrapadas deste ano, mas não é hora pra cobranças. Comparando com tricolores e vascaínos, estamos reclamando de barriga cheia. Enquanto estaremos de olho no jogo de quarta, eles ficarão ligados na segunda…

Nosso réveillon será na próxima quinta-feira e, com certeza, teremos o que comemorar.

Que venha 2014!

 

FESTA NO INTERIOR

Uma conquista incontestável. Vencemos a Taça Guanabara, a Taça Rio, eliminamos a final do campeonato e trouxemos dois canecos de Volta Redonda, pra compensar o custo do pedágio. A Cidade do Aço teve o privilégio de assistir uma inédita final entre dois times grandes da capital. Pena que os motivos não foram nada nobres. Sem Engenhão, sem Maraca, o Rio que vai sediar a final da Copa no ano que vem e os próximos jogos olímpicos, teve que pedir um estádio emprestado a 130 quilômetros. Sorte do botafoguense que mora perto da CSN.

Se o campeonato foi fraco, o problema não foi nosso. Fizemos a nossa parte. Jogamos todo ele com um time entrosado, seguro, regido pelo maestro Seedorf que deu uma aula de liderança e verdadeiros shows por onde passou. Na decisão não fez gol, perdeu um pênalti, mas quem ligou? O craque nos presenteou com um belíssimo drible da vaca no tricolor Edinho. Seedorf, 37 anos, é o ídolo que há muito não temos. Tetra campeão da Liga dos campeões, bicampeão italiano, campeão espanhol, faltava a ele o título carioca. Pronto, não falta mais.

O campeonato começou a se desenhar quando na Taça Guanabara entramos em desvantagem nas semifinais. Revertemos a situação ganhando as duas partidas. Na Taça Rio sequer empatamos um jogo. Fomos o melhor ataque, a melhor defesa, o melhor time em campo. Jefferson, Lodeiro, Julio Cesar, Vitinho, pra  citar alguns.  Oswaldo de Oliveira impôs um padrão tático vencedor e Rafael Marques fez o gol do título. Calaram o raio da minha boca. Não fiquei nem um pouco chateado. Pelo contrário. O torcedor reclama xinga, amaldiçoa, mas quer mesmo é não ter razão, ser dobrado pelos fatos, quer ver aqueles que são alvos de sua ira esfregar uma vitória na sua cara. “Fala agora, de la Peña, fala!” Nada a declarar, no momento.

Nossa força no Rio está mais do que provada. Desde 2006, foram oito campeonatos, ganhamos três, estivemos na final de outros quatro. Agora queremos um título nacional para mostrar a consolidação de um trabalho que há muito vem sendo feito. Daí a campanha da torcida pela Copa do Brasil.

“Mas não temos elenco pra um Brasileiro”, resmunga um. “Precisamos de um centro-avante matador”, reclama outro. Todo mundo tem razão. Mas não é hora de se falar disso. É hora de comemorar a vitória. E não dar ouvidos a quem tenta desvalorizá-las. Todos tentaram, só o Bota chegou lá.

Um pequeno detalhe sobre Volta Redonda. Estava chegando ao Estádio da Cidadania, quando um tricolor pediu pra tirar uma foto. Educamente recusei, explicando que se tratava de uma superstição. Não poso com adversários antes de um jogo. Ele não ficou muito satisfeito e ainda rogou uma praga. “Tudo bem, mas se a gente ganhar, você vai ter que rever essa tua mania”. Agora deve estar pensando: “Ih, a superstição do cara funcionou. Acho que vou adotá-la também”.

E ninguém cala…

É NOSSA!!!

Tem coisas que só acontecem com o Botafogo. Estamos acostumados a ouvir e repetir essa frase para justificar uma fatalidade. Aquele gol aos 47 do segundo tempo que nos arranca a vitória, que nos faz voltar cabisbaixos do Engenhão.

Pois nesse começo de ano vimos o lado positivo dessa expressão. A improbabilidade sorriu pra nós. Na semifinal encerramos um incômodo jejum. Até o dia 2 de março ainda não tínhamos ganhado do Flamengo no Engenhão. Entretanto, ao vencer nosso arquirrival, revemos as estatísticas. Foram dez jogos sem vitória. Porém, apenas três derrotas. E sete empates! Com a vitória de domingo retrasado, notamos que a margem não é lá tão grande: são 3 deles contra 1 nossa, apenas duas vitórias nos separam.

Na final, o Vasco tinha a vantagem do empate, assim como o Flamengo na semana passada. Bastava segurar o zero a zero que a taça seguiria pra São Januário. E foi o que eles tentaram fazer. Embromaram, fizeram cera, cercaram e assistiram ao Botafogo jogar. Acordaram em alguns poucos momentos, levaram perigo duas vezes. Mas a estatística não levou desaforo pra casa. De tantas bolas chutadas na meta deles, uma acabou entrando.

Pronto, menos uma escrita: os donos da casa conquistam o primeiro título no Engenhão. Seedorf levanta sua primeira taça em solo brasileiro. Jeferson, Lucas, Lodeiro, Vitinho e toda equipe correram atrás e mereceram.

A tradição também esteve presente. O Vasco, que tem o dobro de vitórias, é tradicionalmente freguês do Botafogo nas finais. E tradicionalmente sai do estádio com o título de vice.

Claro, aqueles que não estavam lá vão dizer que essa Taça Guanabara não vale nada. Só que nenhum time abriu mão de disputá-la. Não conquistaram porque perderam e não porque a desprezaram. É por isso que merecem ser zoados. Sabemos que ela representa apenas um dos turnos do campeonato carioca. Mas nos coloca na final do estadual, o que já é um belo começo de temporada.

Falem o que quiserem, mas no seu íntimo, todos sabem que ganhar é muito, mas muito melhor do que perder.

Dá-lhe Fogão!

 

PRIVILÉGIO

Sou um caso raro. Enquanto botafoguense, tenho algo a comemorar neste fim de ano. Tive o privilégio de conhecer nosso craque Seedorf num jantar para pouquíssimos torcedores na casa de um amigo. Ele deve estar pegando a telefonista do clube e assim conseguiu o contato do negão. Quando anunciou que faria o encontro, viu uma multidão se aglomerar na portaria do seu prédio. Eram fanáticos que o ameaçavam de morte, caso não fossem convidados. Para preservar a vida meu amigo teve que trocar de identidade, fez uma cirurgia plástica e pediu asilo político numa cracolândia, onde aguarda passar a raiva dos que ficaram de fora dessa.

A impressão que tivemos ao vivo correspondeu plenamente às expectativas. Seedorf não é um jogador como os outros. Discreto, inteligente, casado e caseiro, é um dos raros atuando no futebol carioca que não montou escritório no Barra Music. O cara sabe que faz a diferença, que é uma referência para a garotada que está começando. Mas não é por isso que é o primeiro a chegar e o último a sair dos treinos, e sim porque é profissional e considera ser pago para isso. Estranho, já que a maioria acha que é paga pra poder bancar as despesas de um camarote lotado de bebidas e popozudas. Nada contra, desde que não seja do meu time…

É curioso como Seedorf vê o futebol brasileiro. A falta de seriedade e o amadorismo o incomoda muito. A pouca dedicação aos treinamentos, a falta de estrutura comercial dos clubes, a falta de planos de médio e longo prazos são alguns dos problemas que aponta. Mas sua crítica mais apimentada recai sobre um detalhe curioso: os lanchinhos da concentração em véspera de jogo. São bolinhos, salgadinhos, docinhos, tudo pouco nutritivo e muito engordativo. É por isso que nenhum jogador brasileiro chega na Europa com a musculatura definida, todos, mesmo os magros, com algum nível de flacidez, pneuzinho e até uma certa barriguinha. Tentamos argumentar que o jogador brazuca (ou será fuleco?) está tirando a barriga da miséria. O papo não cola. Lembra que nasceu numa família pobre e isso é mais um motivo para se empenhar em manter a forma e ter preparo físico pra enfrentar os 90 minutos de cada jogo.

E a pergunta que todos queriam fazer: por que o Botafogo? Seedorf nos disse que recebeu propostas de diversos clubes do mundo, mas  foi seduzido pelos planos do Fogão, pela forma como nossa diretoria o via contribuindo para trazer experiência e uma nova metalidade. Considera o presidente Maurício Assumpção uma pessoa séria. Nosso craque  vê um horizonte bastante positivo para nosso clube. Não crê numa transformação do dia para a noite, mas no resultado de uma evolução contínua. Sinto alívio ao ouvir isso. Quem não queria chegar ao Engenhão e ver o Barcelona com a camisa alvinegra? Na vida real, o buraco é mais embaixo…

Alguns torcedores presentes pedem que Clarence faça uma comparação com o ambiente europeu. Como são os jogadores de lá? Eles se cuidam? São educados, cultos, frequentam concertos de ópera nas folgas? Nada disso. Jogador, de uma maneira geral, é tudo a mesma coisa. Uma diferença: os daqui bebem mais. Em compensação, os de lá fumam muito mais. O negócio é que, se for mal em campo, a fila anda, e o cara sabe disso.

Ficamos curiosos por saber como a família Seedorf se comunica em casa. Nascido no Suriname, casado com uma brasileira, com filhos criados na Europa, ele fala fluentemente holandês, inglês, italiano, espanhol e francês, além do português. Os esporros na molecada são dados na nossa língua, o que a torna o idioma oficial da casa. Ele conta que tem primos e um irmão que também são jogadores. Quem sabe não vale a pena abrirmos um CT na sua terra natal?

Lá fora atuou ao lado de Roberto Carlos, Ronaldo, Dida e Ronaldinho Gaúcho,  entre outros. De todos, destaca o Fenômeno. Sem firulas, objetivo, raciocínio rápido. Na sua opinião é, disparado, o melhor com quem já jogou.

Pra finalizar, fala pra gente: qual de seus gols você considera o mais bonito? Seedorf responde de primeira, nem deixa a bola quicar. Foi no Real Madrid contra o Atlético de Madrid, em 1997. Dê uma olhada nisso:

 

Quem sabe não repete um desses com a nossa camisa em 2013?

 

Seedorf in Rio

Numa semana de final da Libertadores, de cem anos de Fla-Flu, a maior notícia esportiva para os botafoguenses foi produzida em casa.

Ressurgir no noticiário esportivo trazendo para o país um craque europeu, realizando a maior contratação do futebol brasileiro,  é uma espécie de Viagra pra autoestima da torcida alvinegra. Seedorf. Em General Severiano não se fala de outra coisa. As camisas com o nome do homem se esgotaram na lojinha.

Óbvio que o holandês nascido no Suriname não vai fazer milagre. Também não espramos que ele resolva tudo sozinho. As contratações não podem parar por aí. Alguém tem que aparecer pra receber as bolas que vão ser lançadas. A defesa também precisa de reforço. No mínimo temos que ir a uma loja de material de contrução comprar cimento pra tapar os buracos e montar uma muralha.

Muita gente se pergunta como o Seedorf veio parar no Botafogo. O curioso em toda essa historia foi o papel da Luviana. A esposa brasileira do negão foi apontada como a grande responsável pela vinda do jogador para o Rio. Um amigo meu, que estava na casa do casal quando eles discutiam a proposta, me contou como a coisa rolou:

– Você vai jogar no Botafogo e tá acabado. Assina logo, anda! O Rio tá bombando, além disso nós temos um apartamento no Leblon que tá fechado há um tempão.

– É verdade, querida. Lá eu já tenho onde ficar, nem vou gastar com aluguel… A única despesa que vou ter é com as passagens de avião pra vir à Europa.

– E pra que você vai vir à Europa?

– Ué, pra te visitar, né? Vou morrer de saudades de você, meu amor!

– Tá maluco? Eu também vou me mudar pra lá!

– Sério?!

Com essa Seedorf não contava. Ronaldinho Gaúcho, seu grande amigo dos tempos de Milan, quando falava do Rio, só se referia aos bailes funks, às popozudas e às marias chuteiras que aqui dão mais do que jaboticaba. Mas Seedorf teve que trazer marmita pro banquete. Pra se dar bem fora das quatro linhas, vai ter que driblar a dona encrenca…