Quem falou em série B?

Arena Fogão

Tenho me divertido muito ultimamente. E motivos não estão faltando. A prisão do VaitomarnoCunha é um deles. A patética campanha do Trump é outra. A corrida elitoral pra prefeitura do Rio também tá engraçada: Freixo mostra por que não votar no Crivella, Crivella mostra por que não votar no Freixo. E não é que os dois têm razão? Estão convencendo a população a votar nulo. O prefeito será eleito por W.O.

Existem razões melhores para meu bom humor. A série Procurando Casseta & Planeta está sendo muito bem recebida pelo público que, depois de anos, está se reencontrando com o nosso estilo. E o motivo dessa crônica: o futebol. Ando me divertindo ao ler os profetas do apocalipse que apostaram – pena que não comigo e a dinheiro – que o Botafogo cairia pra Segundona antes do horário de verão. Mas esse esporte é uma caixinha de bombons Surpresa.

O Botafogo juntou seus cacos, sacudiu a poeira e deu a volta por cima. Sem grandes contratações, sem grandes advogados, foi comendo pelas beiradas, conquistando pontos dentro de campo, coisa rara no atual Brasileirão. O clube começou lutando pra se afastar do Z-4 – a gente saiu da série B, mas a série B teimava em não sair da gente. De repente, engatou a quinta e foi parar no G-5, de olho na Libertadores.

A torcida sentiu-se órfã, quando soube da saída do técnico Ricardo Gomes. Olhou desconfiada para a chegada do novato Jair Ventura. Mas o DNA do Furacão falou mais alto e seu rebento tá arrebentando na função. Hoje, o torcedor tira a camisa e gira sobre a cabeça na Arena lotada. Há quanto tempo não tínhamos um estádio pra chamar de nosso?

Por enquanto, tá tranquilo, tá favorável. Cinco vitórias seguidas. Quatro jogos decididos depois dos 40 – e a nosso favor! Quinto lugar isolado – escrevo antes do fim desta rodada, sei que isto não vai mudar. E um comportamento inédito da torcida. Fui no antigo estádio da Portuguesa na Ilha do Governador . Fiquei de cara pro sol domingo, no setor Leste. Ali, onde antes víamos torcedores xingando o time a partir dos 5 do primeiro tempo, encontrei uma galera animada, empurrando, estimulando, motivando a equipe o tempo todo. E aquele que criticasse algum jogador era vaiado pelos demais. O time percebeu o apoio e retribuiu, nos dando tranquilidade num segundo turno impecável. Não me lembro a última vez em que não estava desesperado nessa altura do ano, muitas vezes depois de um primeiro turno de dar inveja.

A coisa mudou. Jefferson foi substituído à altura por Sidão. Airton descobriu que é possível jogar bola – e muito – sem botinadas. Neilton, Carli, Alemão estão mandando muito bem. Camilo assumiu o papel de estrela da companhia e, mesmo quando tá mal, num lampejo muda o jogo. E Sassá disputa artilharia com Fred, Robinho e outros. Rodrigo Pimpão vem nos dando muitas alegrias, enquanto aquele Arão que ressuscitamos e preferiu se bandear pro lado de lá,

O Botafogo é hoje o clube com o melhor desempenho no segundo turno. Se anulássemos o primeiro turno, seríamos campeões. Opa! Será que entrando na Justiça a gente consegue. Quem sabe, né? Tá na moda…

E ninguém cala…

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O QUE VOCÊ ESTÁ VESTINDO AGORA, MAITÊ?

Guarde na memória essa imagem: Maitê vestida. Em breve, você só lembrará dela como ela veio ao mundo!

Num ano recheado de más notícias, o botafoguense é dos poucos neste país que tem satisfação em ler os jornais. A inflação sobe, o dólar sobe e… o Botafogo sobe! Contrariando as estatísticas, o Fogão dessa vez resolveu dar um refresco para seus torcedores. Não vamos sofrer até os 45 do segundo tempo, vamos garantir nosso acesso com algumas rodadas de antecedência. E ainda temos boas chances de conquistar o título.

Sem essa de se envergonhar! Ser campeão da série B não chega a ser motivo para desfilar em carro aberto pela cidade, mas é prova de um dever cumprido. Sabemos que precisaremos de muitos reforços para encarar 2016, mas não tem nada de vergonhoso ser o melhor da competição disputada.

O melhor é que teremos mais do que um troféu. Maitê Proença vai cumprir sua promessa!

Num distante domingo, Maitê estava no ar no programa dos Extra Ordinários. Normalmente vai ao ar às 22:30, mas naquele dia, por conta de algum jogo, o programa começou à meia-noite e meia. Portanto, já passava de uma da manhã, quando Maitê lançou o desafio: se o Botafogo voltasse à série A, ela ficaria nua no programa. Notem, não disse “se o Botafogo fosse campeão”, bastava subir. Portanto, estamos a dois passos da nudez da musa alvinegra.

A brincadeira vai ser divertida e deverá acontecer no dia 29/11, domingo imediatamente após a última rodada do campeonato. Na véspera, Maitê entrará em campo com nossa equipe no jogo contra o América Mineiro, no Niltão.

Se eu fosse você já garantiria o ingresso. Vai que ela se empolga e…

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NÃO VAI SER MOLEZA!

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A sensação da torcida quando seu time cai para a série B é estranha. Não se fala muito do campeonato atual e sim da expectativa do seu final feliz, quando o clube poderá estar de volta à elite. O torcedor acompanha meio de longe, ainda de olho no que está ocorrendo na série A, onde estão os times dos seus amigos. É como uma pessoa que morava em Ipanema e, por um revés da vida, é obrigada a mudar para a Tijuca, mas não frequenta a nova vizinhança, só quer saber de frequentar os bares dos seus velhos amigos.

Pois resolvi quebrar essa regra. No último sábado fui a Belém assistir a Botafogo x Paysandu, no Mangueirão. Foi a estreia do Fogão na segundona, o início da saga que pode culminar com a esperada nudez de Maitê Proença.

Foi uma viagem puxada. São praticamente 2500 quilômetros  entre o Rio e Belém. A equipe do programa ExtraOrdinários, formada por cinco pessoas, incluía a estrela da campanha, Maitê. Nossa musa nunca imaginou ir tão longe pelo Fogão. Cansativo, mas divertido.

O melhor da viagem estava na mesa. A comida é ótima naquela terra. Peixe fresco, temperos e frutas de nomes indecoráveis – tucupi, jambu, bacuri, cupuaçu, pra citar aqueles que guardei. O restaurante Remanso do Bosque e a sorveteria Cairu foram os destaques. Um passeio pelo Mercado Ver-o-Peso gerou boas situações, e ainda visitamos a Estação das Docas, uma área portuária que, reformada, ficou bem bacana.

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O estádio Olímpico do Pará, chamado Mangueirão, estava lotado com a confiante torcida do Papão. Foi prestigiar o time recém-chegado da série C. E demonstrou vontade de voar alto. Durante o primeiro tempo, o Paysandu pressionou o Bota e me deixou assustado. Não queria ir tão longe ver meu clube começar o B-Brasileiro com o pé esquerdo. Assistimos à primeira etapa de um camarote da Secretaria de Esportes, de frente pra galera alvinegra que, surpreendemente, compareceu em bom número. Mas sobre a nossa cabeça pesavam os 30 mil paysandusenses, que não paravam de pular e gritar.

A coisa não estava boa. Resolvemos mudar de tática. Fomos assistir ao restante do jogo no meio da nossa galera. Mas parecia haver uma conspiração: ficamos presos no elevador do estádio! Foram 15 minutos de sufoco. Fomos salvos pela Maitê, que nos tirou dali com a força de sua meditação.

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Chegamos à arquiba com a segunda etapa já em andamento. A recepção foi bem calorosa. Tão calorosa que quase não vimos nada, já que todos queriam tirar fotos com a gente. E olha que nossa musa estava vestida!

O Bota evoluiu, partiu pra cima, ameaçou, dominou, mas mostrou a fragilidade da defesa. E acabou tomando um gol polemicamente anulado – no tira-teima, Leandro Cearense aparece na mesma linha, mas a bandeirinha não teve acesso ao replay.

Aos 41 minutos, o alívio. Rodrigo Pimpão recebe de Carleto e empurra pras redes paraenses. O jogo foi fraco, com muitos passes errados e jogadas bisonhas. Mas o voo de volta foi mais leve.

Pudemos ver como este ano vai ser dureza. De qualquer forma, Maitê, é melhor pedir um personal pro Sportv e ficar de olho na balança, pois em dezembro vamos cobrar a promessa!

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E ninguém cala…

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MAITÊ NO MARACA

Maitê prometeu ficar nua pelo Fogão. Isso, caso a gente volte para a série A do Brasileirão. Portanto, a promessa pode ser cumprida em dezembro. Pra ela ir se acostumando, levei-a ao Maraca. Marinheira de primeira viagem na nossa van, cometeu um erro grave: carregou um tricolor. Nunca antes na história isso tinha acontecido. O resultado, vocês conhecem: perdemos a primeira batalha. Claro que deu azar. Mas nada está perdido. Ainda temos chances, ainda mais se jogarmos reforçados pela ausência do Fred. Dessa vez, não vai ter nenhum “alemão” infiltrado. Se bem que o que dá azar mesmo, é jogar com ataque inoperante e com zaga que cochila e não mata a jogada.

O video acima é um trecho do programa Extra Ordinários, que foi ao ar em 12/4/2015.

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MAITÊ NUA POR AMOR AO FOGÃO!

(recado para o elenco do Botafogo)

Maitê Proença mostrou que é Fogão. E não foi num programa de culinária do GNT. Durante o programa Extra Ordinários, no SporTv, fez uma promessa que está balançando a concentração do plantel alvinegro. Maitê prometeu posar nua, caso o Botafogo volte para a Série A.

Sabemos que ainda falta muito. Temos o Carioca, a Copa do Brasil e, enfim, todo um Brasileirão série B a cumprir. Mas assistir aos jogos na segunda (ou terça, ou quinta, sei lá)  ganhou um outro sabor. É um desafio que a torcida do Fogão vai acompanhar com prazer. E, cá entre nós, os torcedores adversários podem até fazer um jogo de cena, mas duvido que não queiram ver nossa musa como veio ao mundo.

Este video foi enviado aos jogadores. Vamos aguardar a resposta. Se mandarem video, vou publicar.

Pode ter certeza, Maitê, já tem jogador treinando com mais empenho. Eles sabem que quem fizer corpo mole, vai pegar uma fama muito esquisita.

 

#QUEROMAITÊNUA

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SEM SURPRESA

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Ninguém se espantou. Poucos ainda se iludiam, sonhando com uma reviravolta miraculosa. Mas o roteiro permaneceu inalterado. Como em outras rodadas, os resultados dos adversários nos favoreceram. E mais uma vez tropeçamos na própria incompetência.

Pode-se dizer que o Botafogo lutou pra cair. Foram 22 derrotas em 37 jogos, apresentando um futebol compatível com os resultados, que frequentemente não foi humilhante graças a um único jogador lúcido em campo: o goleiro Jefferson, o melhor do Brasil. Tenho certeza de que a atual diretoria vai tentar segurá-lo para o ano que vem. Não será surpresa se a boa notícia não vier. Temos que compreender se ele aceitar uma proposta interessante que deverá surgir – se é que já não surgiu.

Um ano que termina como imaginamos lá no início. E olha que torcemos. Empurramos o time ladeira acima na Libertadores até onde deu – já sem os craques e os remediados do ano passado, com um treinador que não comandaria meu time de peladas.

No Brasileirão, o Botafogo parecia aquele jogo “Resta Um”. A cada rodada, uma dificuldade era acrescida: E se atrasarmos os salários dos jogadores, como fica? E se rompermos o Ato Trabalhista? E se tivermos as receitas bloqueadas? E se demitirmos quatro titulares? E se perdermos todos os jogos que faltam? E se…

Não tem mais “se”, agora é.

O Botafogo caiu de maneira tão patética que os vt’s podem passar nas Videocassetadas do Faustão. Aos botafoguenses, cabe o tapinha nas costas dos amigos: “É, não deu…”- falam solidários, pra em seguida cair na gargalhada. O ex-presidentista Maurício Decepção nem dá as caras pra ser sacaneado, como prometeu, ao se responsabilizar pela queda para a série B.

Como consolo, ficam livres as noites de quarta e nas tardes de domingo. Teremos tempo para botar o cinema em dia, para ler bons livros, assistir a bons shows, dar atenção à família, arrumar as gavetas do escritório, cortar as unhas do pé. Já montou a árvore de Natal? Já organizou a caixinha dos funcionários? Existem diversas maneiras de ocupar o tempo livre e esquecer o futebol. Entrei de cabeça na natação (olha este post). Vai se distraindo, torcedor. E reunindo forças pra 2015. Nosso time do coração vai precisar da gente de cabeça fresca. E muito!

Estaremos lá. Como diz aquela música, não escolhemos, fomos escolhidos. E não fugiremos da raia.

Pode contar com a gente, Fogão!

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(Des)prezado Presidente

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Há seis anos você chegou ao Botafogo sem que soubéssemos direito quem era. Sua imagem, a de alguém que não vinha dos meios futebolísticos, era um bom sinal. Um dentista que poderia dar um trato no sorriso alvinegro.

Sua primeira gestão foi elogiada por torcedores e pela imprensa esportiva. O Botafogo começou a despontar como um clube sério. E você, um dirigente que estava pondo a casa em ordem.

Veio o segundo mandato. Eleito unanimemente, teve a chance de escrever seu nome nas páginas mais gloriosas. Contratou Seedorf, uma estrela internacional, e elevou assim a auto estima da torcida. Voltávamos a ter um ídolo e a dar inveja aos rivais. Sabíamos que sozinho ele não poderia resolver a parada. Mas tínhamos um bom elenco ao seu redor e os resultados começaram a aparecer. Infelizmente, o sonho durou pouco.

Perdemos o Engenhão, perdemos receita, a coisa desandou. Aos poucos o time começou a ser desmontado. Vitinho foi o caso exemplar. No final do Brasileirão 2013, víamos Jefferson no gol, Seedorf lá na frente e mais nada. De favoritos, passamos a rezar por uma vaga na Libertadores.

Começamos este ano disputando o mais importante torneio da América do Sul, o que não acontecia havia 17 anos. De que maneira? Com um técnico que nunca comandara a equipe principal e um elenco bem abaixo do que tínhamos seis meses antes – Seedorf voltou para a Europa. O resultado não podia ser outro.

Aliás, 2014 é um ano para se esquecer. O pior desempenho num Campeonato Carioca neste milênio. Dívidas não honradas, jogadores medíocres contratados, salários não pagos, derrotas sucessivas. Até que você resolveu dar um basta na indisciplina. Demitiu quatro titulares e assumiu em público a responsabilidade das consequências do ato. Se mereciam, não vem ao caso. O fato é que o momento foi o mais inadequado possível. Já não estávamos bem no campeonato e só pioramos. Na verdade, você deu um basta na nossa esperança.

No instante em que escrevo, acumulamos 9 vitórias em 35 jogos! Para escapar da segunda divisão, precisamos de 3 vitórias em 3 jogos! Haja margem de erro… E isso não basta, dependemos de uma milagrosa combinação de outros resultados. O ideal é trocar a comissão técnica por uma comissão de matemáticos e rezadeiras.

Mas a torcida pode dormir tranquila. Você assume a responsabilidade da queda para a série B. O que significa isso? Se alguém vier nos sacanear, mandamos ligar pra você?

Dia 25 de novembro teremos eleições no clube. No dia seguinte alguém assumirá esta cadeira. E você volta para seu consultório de dentista sem responder por nenhum dos atos irresponsáveis. Ficamos nós, torcedores, arrasados após a passagem de um tsunami. Sem time, sem dinheiro, sem estádio, sem série A. Vai ser duro sair deste buraco.

Mas vamos resistir. Vamos juntar nossos cacos, levantar a cabeça e olhar para o futuro. Brigando para que um dia voltemos a ver lá na frente o Botafogo de craques como Garrincha, Nilton Santos, Jairzinho, Paulo Cezar Caju, entre tantos outros.

E ninguém cala…

Jornal Extra, 22/11/14

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