SE MELHORAR, ESTRAGA!

Outro dia ouvi um papo estranho entre dois estranhos na academia.

– Aí, saca de hidrogel?

– Não. Só tomo Gatorade.

– Hidrogel não é hidrante.

-É o quê, suplemento alimentar, anabolizante? Meu fornecedor não vende essa marca.

– Não é nada disso. É uma parada que a mulher bota pra ficar gostosa. O pessoal chama de procedimento estético.

– E desde quando eu vou me ligar em procedimento estético, rapá? Tá me estranhando?

– Prestenção: tu não ouviu falar naquela modelo gostosa, a Andressa Ulrach? Ela sofreu uma overdose de hidrogel.

– Quanto sai 100 gramas? É de cheirar ou de fumar?

– É de injetar.

– Tô fora! Não transo esse lance de agulha.

– Calmaê, calmaê! Esse negócio não é pra você, mermão!

– Como assim, não é pra mim? Só porque eu sou preto?

– Não, porque tu não é mulher e nem quer ficar gostosa. Ou quer?

– Perdeu a noção do perigo, é? Mas conta aí: como é esse negócio?

– Ah, não entendi direito. Parece que é tipo um silicone que as minas tão botando no peito e nas coxas.

– Silicone?! Era só o que faltava: a mulherada botando peito na bunda e nas coxas.

– E na panturrilha! A garota queria ter a panturrilha marombada!

– Peraí, querer ter peitão, bundão, coxão, tudo bem. Mas panturrilhão?           Quem repara em panturrilha?

– Pois é.

– Tem foto dessa mina aí no celular?

– Tenho, olha aqui.

– Mostra uma antes da operação.

– Essa foto é de antes dela operar.

– Mas a mina já era gostosa pra cacete! Por que fazer um lance desses?

– Não dá pra entender!

– Já tava boa demais. Se fosse minha mina, falava assim: “Aí gata, deixa como tá. Se melhorar, estraga.”.

– De repente, o namorado dela era mais exigente que você.

– Ou então não era chegado.

– O site tá dizendo que a Andressa Ulrach foi vice Miss Bumbum Brasil 2012.

– E desde quando quem foi segundo lugar no miss bumbum precisa de hidrogel?

– É ruim, hein!

– Será que teve algum homem que olhou pra bunda dela e falou: “Humm….uma bunda murchinha feito essa aí…Não como não!”

– Pois é, rapá. Tem homem que não entende nada de mulher.

– Nesse caso, acho é que tem mulher que não entende nada de homem…

-Já é.

-Fui!

O SILICONE

O casal se preparava para ir dormir. Otávio ajeitava a garrafa d’água na mesinha de cabeceira quando comentou:

– A Rosana botou silicone nos peitos?

– Por que você ta perguntando?

– Dá pra notar. Mas não queria dar furo. Vai que eles tão só inchados.

– Botou, sim.

O casal voltou a ficar em silêncio. Otávio pegou um livro e fingiu estar lendo. Não conseguia se concentrar.

– Você se incomodaria se eu pegasse no peito dela?

– O quê? Será que eu ouvi direito?

– Vou repetir: posso pegar nos peitos da Rosana?

– Que ideia mais idiota!

– Idiota nada, eu queria saber como é. Só uma apalpadinha, sem compromisso.

– Me dê um motivo pra eu permitir uma sem-vergonhice dessas.

– Muito simples. Uma vez eu sugeri e você disse que nunca botaria silicone nos peitos. Eu concordei. Mas pô, eu tenho essa curiosidade. Como é que faço?

– Ah, Otávio, que besteira! Vai no google e pesquisa. Tem tudo lá.

– O google não é de carne, nem em 3D.

– Silicone também não é de carne.

– Marcela, gente tá casado há vinte anos e eu não quero ter que me divorciar só pra poder pegar num peito com silicone. Ao mesmo tempo não acho justo passar toda minha existência sem meter a mão num peitinho turbinado.

– Peitinho turbinado? E ainda quer me convencer que é mera curiosidade científica…Isso é tara! Você é um tarado, Otávio.

– Você é que é paranóica, Marcela.

– Ah, é? E se eu quiser saber se o Paulão tem pau grande? Posso dar uma apalpada?

– É completamente diferente! Nada a ver! O Paulão não pôs enchimento no pau.

– Como você sabe? Já apalpou?

– Engraçadinha. Tô falando que ali é tudo dele. E eu tô querendo sentir como fica um seio feminino recheado com matéria artificial

– Não me venha falar de “seio feminino” só pra fingir isenção. Eu sei muito bem qual a sua intenção, é dar uma mamadinha.

– Mas aí depende de ela deixar, e não você.

– Se ela deixasse, mesmo sem o meu consentimento você…

– Hum hum…

– Então só precisa de autorização minha pra apalpar?

– São só hipóteses, Marcela. Não precisa ficar assim.

– Tudo bem. Boa noite.

Marcela virou-se de costas e puxou a coberta.

– Boa noite.

Otávio apagou a luminária e se ajeitou, enquanto Marcela perguntava:

– Ah, e qual o telefone do Paulão?

 

 

 

 

O silicone

O casal se preparava para ir dormir. Otávio ajeitava a garrafa d’água na mesinha de cabeceira quando comentou:

– A Rosana botou silicone nos peitos?

– Por que você ta perguntando?

– Dá pra notar. Mas não queria dar furo. Vai que eles tão só inchados.

– Botou, sim.

O casal voltou a ficar em silêncio. Otávio pegou um livro e fingiu estar lendo. Não conseguia se concentrar.

– Você se incomodaria se eu pegasse no peito dela?

– O quê? Será que eu ouvi direito?

– Vou repetir: posso pegar nos peitos da Rosana?

– Que ideia mais idiota!

– Idiota nada, eu queria saber como é. Só uma apalpadinha, sem compromisso.

– Me dê um motivo pra eu permitir uma sem-vergonhice dessas.

– Muito simples. Uma vez eu sugeri e você disse que nunca botaria silicone nos peitos. Eu concordei. Mas pô, eu tenho essa curiosidade. Como é que faço?

– Ah, Otávio, que besteira! Vai no google e pesquisa. Tem tudo lá.

– O google não é de carne, nem em 3D.

– Silicone também não é de carne.

– Marcela, gente tá casado há vinte anos e eu não quero ter que me divorciar só pra poder pegar num peito com silicone. Ao mesmo tempo não acho justo passar toda minha existência sem meter a mão num peitinho turbinado.

– Peitinho turbinado? E ainda quer me convencer que é mera curiosidade científica…Isso é tara! Você é um tarado, Otávio.

– Você é que é paranóica, Marcela.

– Ah, é? E se eu quiser saber se o Paulão tem pau grande? Posso dar uma apalpada?

– É completamente diferente! Nada a ver! O Paulão não pôs enchimento no pau.

– Como você sabe? Já apalpou?

– Engraçadinha. Tô falando que ali é tudo dele. E eu tô querendo sentir como fica um seio feminino recheado com matéria artificial

– Não me venha falar de “seio feminino” só pra fingir isenção. Eu sei muito bem qual a sua intenção, é dar uma mamadinha.

– Mas aí depende de ela deixar, e não você.

– Se ela deixasse, mesmo sem o meu consentimento você…

– Hum hum…

– Então só precisa de autorização minha pra apalpar?

– São só hipóteses, Marcela. Não precisa ficar assim.

– Tudo bem. Boa noite.

Marcela virou-se de costas e puxou a coberta.

– Boa noite.

Otávio apagou a luminária e se ajeitou, enquanto Marcela perguntava:

– Ah, e qual o telefone do Paulão?