OS VÂNDALOS, ESSES INJUSTIÇADOS!

Um jovem é assassinado por um policial. A população protesta. Em solidariedade, um bando resolve tocar o terror. Ou seja, para combater a violência policial, promove-se mais violência. É uma lógica difícil de acompanhar. Os moradores de Jaçanã, além de sofrerem os abusos de criminosos uniformizados, sofrem com o apoio de criminosos “revolucionários”.

A defesa desses atos é sempre na linha do “não atingimos pessoas e sim bens materiais”. É um ato anticapitalista, por isso invadem e saqueiam lojas numa periferia de São Paulo. Provavelmente os donos daqueles estabelecimentos  morem bem longe dali, numa mansão dos Jardins. Os carrões queimados, Gol 1000, Fuscas e Unos Mille, certamente pertencem a diretores da Fiesp…

Não acho que, se as vítimas fossem ricas, o quebra-quebra seria justo. Mas quando os atingidos são aqueles que acabaram de ser violentados por uma polícia escrota, a coisa fica ainda mais sem sentido.

–       Vocês são maltratados pelas forças da lei? Então, pra chamar atenção à sua causa, vamos queimar uns ônibus pra vocês ficarem mais três horas nos pontos. Vamos quebrar casas, lojas, bares pra ver quanto tempo o estado e a prefeitura vão levar pra dar jeito nisso tudo. Quer saber? Ainda bem que Adoniram Barbosa perdeu o trem pra Jaçanã…

Enquanto isso, um povo acaba levando a culpa de tudo. São os vândalos. Cansado de ouvir difamarem seu povo, um descendente dos vândalos me enviou um e-mail indignado.

“É um absurdo o que estão fazendo com a imagem do nosso povo! Tá certo que nós saqueamos Roma, ocupamos a península Ibérica e o norte da África. Mas isso foi no século V! Depois disso, fomos dominados e incorporados ao Império Romano do Oriente e desaparecemos do mapa. E agora qualquer cagada que fazem botam na nossa conta! Nunca queimamos um ônibus, nunca apedrejamos uma agência bancária, até porque nada disso existia naquele tempo. Por que não falam dos hunos, dos visigodos, dos vikings? Só falam em vândalos, vândalos… Nunca andamos encapuzados, nunca fomos black blocs. Essa confusão, esse mal entendido, só pode ser fruto dessas biografias não autorizadas que vêm sendo escritas há mais de 1500 anos. Mas isso é uma outra história. Procurem saber!”

O PROTESTO FASHION DO LEBLON

Os protestos estão por toda parte. E o bairro do Leblon mostrou que acompanha as tendências da moda, sendo palco de uma das manifestações mais elegantes desta temporada. Nada como uma passeata de frente pro mar! Quando a multidão começou a se aglomerar numa esquina próximo à casa do governador Sérgio Cabral, Manoel Carlos desceu de seu apartamento com um bloquinho para anotar o que estava acontecendo e botar na sua próxima novela, “Esculachos de Polícia”.

Como sempre, o protesto começou pacificamente, com as pessoas gritando palavras de ordem e queimando um boneco que representava o governador. Também como sempre, um grupo de arruaceiros se infiltrou na galera e passou a tocar o terror. Os barderneiros eram facilmente identificáveis. Uma parte deles estava vestida de preto e com o rosto coberto. Outros estavam uniformizados com capacetes, escudos e fortemente armados.

Os moradores não estavam entendendo nada. Dentro de um restaurante luxuoso, um consumidor reclamou que seu prato estava muito condimentado. O chef explicou que aquilo não era o tempero e sim o spray de pimenta que invadia o salão.

Enquanto muitos manifestantes pediam o impeachment do governador que 67% deles colocaram no poder, a bandidagem aproveitava pra quebrar vitrines e fazer um ganho. Flagrado saqueando a loja da Toulon, um sujeito disse que não era ladrão e só fez aquilo porque não tinha roupa para frequentar uma manifestação num bairro tão chique.

Desesperado, o governador acionou o esquema de segurança do estado. Todos os helicópteros que ele não estava usando vararam a madrugada sobrevoando a área mais valorizada da cidade. Segundo especialistas, as aeronaves gastaram na madrugada o equivalente a mais de 150 deslocamentos Rio-Angra. Combustível suficiente para transportar o cachorro Juquinha, as babás, a prancha de surf e uma peça de roupa dos membros da família do governador de cada vez, pra não amassar na viagem.

No dia seguinte, em meio às lojas e bancos depredados, alguns investidores circulavam pelo Leblon fazendo ofertas aos proprietários dos imóveis, que desvalorizaram em uma noite mais do que as ações do grupo Eike Batista. Sentado num café, o novelista Maneco parecia preocupado. Estava com dificuldade para escalar a atriz que fará sua próxima Helena. Nenhuma das que ele convidou topou gravar cenas tomando porrada da polícia. Elas argumentam que as marcas de hematoma ficam muito feias em HD.