Os 10 posts mais lidos em 2014

MALUQUINHO

1) Por que voto em Aécio Neves?

Acho que entendo o enorme crescimento das intenções de voto na candidata Marina Silva. É o voto daqueles que se encontram desiludidos com a política no Brasil. E todos temos carradas de razões para tanta desilusão. Mas também acho que não é por aí que a sociedade brasileira vai recuperar a confiança na classe política. Se é que já houve alguma. Continue lendo…

 

2) Direito de Resposta

Em junho de 2014, Marcelo Madureira, juntamente com Reinaldo Azevedo, Arnaldo Jabor, Demétrio Magnoli, Guilherme Fiúza, Augusto Nunes, Diogo Mainardi, Lobão e Gentili, foi incluído na “Lista Negra do PT”. Assista ao seu vídeo-resposta aqui.

 

3) Nós não temos medo!

Gostaria de agradecer, comovido, as milhares, é isso aí, milhares de mensagens enviadas de todos os cantos do Brasil (e algumas partes do mundo também) prestando solidariedade a minha humílima pessoa e aos meus companheiros da “Lista Negra do PT”. A minha mensagem em vídeo bate recordes de views no YouTube. Tudo isso me deixa confortado e mais forte. Não estamos sós, definitivamente não estamos sós. Muito menos tremendo acoelhados.  Continue lendo…

 

4) Vegetando e Andando

Marcelo Madureira fala do papelão que o  Roberto Carlos fez como garoto-propaganda da Friboi. Assista ao vídeo aqui.

 

5) Propaganda Enganosa

Marcelo Madureira fala sobre a propaganda do PT veiculada em maio de 2014 na TV, que mostrava pessoas que numa hora estavam bem de vida, empregadas; noutra hora estavam pobres, desempregadas. A ideia dessa propaganda era meter medo na população brasileira. Assista ao vídeo aqui.

 

6) PARECE MENTIRA… E É!!!!

Está rolando na Internet uma espécie de “manifesto”, ou “movimento”, sei lá, intitulado VOLTA LULA! O texto, que é atribuído à minha pessoa, num estilo pseudoirônico, pede a volta do ex-presidente Lula ao Planalto. Eu não vou entrar no mérito do texto em si, seja na  forma, seja no conteúdo. É perda de tempo. O que interessa é que eu não escrevi o tal texto. Não estou querendo criar movimento algum. Nem de ida, nem de volta. Continue lendo…

 

7) BENZETACIL

Desde cedo aprendi que viver é “tomar na bunda”. Calma, eu posso explicar tudo. Lá pelos cinco anos de idade fui acometido de uma insidiosa moléstia chamada Reumatismo Infeccioso. Continue lendo…

 

8) O ÁLBUM DA CORRUPÇÃO

Peça já para o seu papai e para a sua mamãe: o Álbum de Figurinhas da Corrupção. Assista ao vídeo aqui.

 

9) AUTOENGANO

O Brasil é vítima de AutoEngano. AutoEngano é uma mentira que inventamos para nós mesmos e que, depois de tanto repeti-la, passamos a acreditar. A derrota clamorosa da Seleção foi mais um sintoma desta epidemia nacional. Acreditava-se que o Brasil tinha uma equipe competitiva, capaz mesmo de alcançar o título mundial. Não tinha. E, como em todo AutoEngano, descobre-se da maneira mais trágica possível. O confronto com a realidade é cruel, devastador, leva ao sofrimento, mas também permite uma reflexão. Continue lendo…

 

10) FELIZ ANIVERSÁRIO PARA MIM!!!!

Querida Michelle, muito obrigado por sua carinhosa felicitação. Na verdade, Michelle, você, representando a grande família Personnalité, foi a única criatura deste universo cósmico que lembrou do meu natalício. Nem a minha mulher, nem os meus filhos ou netos, nem sequer a minha mãe lembraram da data. Continue lendo…

 

INDULTO DE NATAL

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Waldemar Costa Neto, um dos apenados do mensalão, foi autorizado pelo STF a passar o Natal com a mãe. Olha só! Não é que o Waldemar tem mãe???!!! Claro que tem, pelo menos no imaginário da população que conhece a fundo a vida da veneranda senhora e a trajetória do seu rebento. O povo tem certeza que a “mamãe” criou o seu “garotão” com o suor da labuta, exercendo, de sol a sol, a mais antiga das profissões. Vejam bem, me refiro a uma “mãe imaginária”, muito embora a mãe biológica, com certeza, já vetusta, decana e encanecida, foi condenada pelo criador a uma vida longeva para poder testemunhar o destino do seu talentoso “Mazinho”.

Todo mundo tem pai e mãe, mas não são todos que têm o privilégio de ser criados por ambos. Mas a ampla maioria dos brasileiros, por mais pobres que sejam, conviveram com pai e mãe e receberam, desde a mais tenra infância, os ensinamentos básicos do que é certo e do que é errado. Menos o Waldemar. E o Renan. E o Zé Ribamar. E o Jáder… E tem mais o Paulo, o Luiz Inácio, o Fernandinho… a lista é grande. Quer dizer, ou não receberam esses ensinamentos ou não quiseram aprender. Pior para eles, para as mães e muito pior para nós, brasileiros.

Para esses genitores, que fracassaram naquilo que é mais importante no exercício da paternidade e da maternidade, fica a danação eterna, a pena máxima: passar o Natal com o Waldemar que, no lugar de uma biografia, apresenta uma extensa folha corrida.

E tenho dito.

A TRAGÉDIA PETISTA – 2

PARTIDO BANDIDAGEM_2Zander, Navarro – A tragédia petista – 2

- O Estado de S. Paulo

 

Nesta página esbocei uma interpretação sociológica acerca do desenvolvimento do campo petista (A tragédia petista, 26/10) e agora cabe determinar uma equação que possa revelar as principais variáveis de sua sustentação. Quem sabe, assim, entenderemos os ingredientes que explicam o continuado êxito eleitoral do PT.

 

Na analogia com a matemática, seriam muitas as variáveis a desvendar, entre as principais e as secundárias. Algumas surpreendem, como a espantosa passividade de nosso povo, sujeitando-se às corriqueiras manipulações do sistema partidário, comportamento que inclui até cientistas sociais com elevada formação científica.

 

Mas outras variáveis não são inesperadas, como o uso do Estado com fins primordialmente partidários ou a ocorrência dos absurdos gastos com propaganda. São fatos que tornam remotos os ideais republicanos que nos deveriam orientar.

 

Neste comentário sugiro que duas constantes e uma incógnita também compõem a equação, todas demonstrativas do crescimento do campo petista, especialmente nos anos pós-Constituinte e no curso da democratização do País. Contudo não são as variáveis que seriam logicamente antecipadas e a incógnita, provavelmente, não tem nenhuma chance de ser desvendada. Já as duas constantes constituem o eixo central do edifício petista.

 

A primeira delas diz respeito à capacidade de elevar ininterruptamente o caudal de votos destinados ao partido. Numa democracia eleitoral, o acesso ao poder e ao Estado requer maiorias em eleições regulares. Aqui, o mecanismo decorreu da sorte circunstancial do campo petista, que foi a explosão contemporânea da expressão participação social. Esta surgira pelas mãos da clássica teoria democrática pluralista, definida, em especial, por autores norte-americanos, como Robert Dahl e outros, nos anos 1970. Mas foi expressão tornada obrigatória apenas na década de 1990, em quase todo o mundo. Ideólogos petistas, entretanto, dela se apropriaram, tornando-a (falsamente) uma prerrogativa da tradição da esquerda.

 

Participação social tornou-se o fulcro da propaganda do partido, prometendo que os cidadãos teriam poder decisório sobre as coisas públicas, um sonho de teorias democráticas que a esquerda petista, espertamente, vendeu como criação sua. Foi assim com o Orçamento Participativo, a grande bandeira do partido naqueles anos, e tem sido da mesma forma com a multiplicação de conselhos, iniciando-se pelo setor da saúde e seus coletivos municipais. Posteriormente, o ideal participativo irradiou-se para as demais áreas, unindo uma narrativa que é irresistível, pois abriria o Estado à voz dos cidadãos, porém combinada a uma camuflada ação partidária capaz de capturar, cada vez mais, currais eleitorais e, ao fim, mais votos. Em poucas palavras: um discurso em si mesmo democrático, mas distorcido pela desonestidade petista, escondendo seu principal objetivo, que é a manipulação dos participantes, vistos apenas como portadores de votos necessários à conquista dos governos.

 

A presidente reeleita conhece bem esse mecanismo: seu antigo abrigo, o PDT, era o principal partido em Porto Alegre, mas foi varrido do mapa pelo Orçamento Participativo, o qual cooptou as lideranças dos bairros, recrutando-as para o guarda-chuva petista. Conselhos e conferências nacionais, somados à oferta de todos os tipos de bolsas: nada disso tem alguma coisa que ver com a venezuelização e menos ainda com a democratização do Brasil. Relaciona-se, exclusivamente, à conquista do Estado por meio de um processo de clientelismo partidário sem precedentes em nossa História.

 

A segunda constante da equação se chama corrupção. Nenhum partido sobrevive sem dinheiro, é preciso financiar seu funcionamento, com custos cada vez mais altos. Aqui serei breve, pois os fatos atuais, divulgados em escala crescente, emudecem a cidadania, perplexa com a ousadia de um partido que antes pregava a correção ética, à exaustão. O assalto à Petrobrás torna tal escândalo o maior já registrado e, simultaneamente, marca o PT como o partido mais corrupto da História brasileira. Os petistas serão capazes de lidar serenamente com os fatos iluminados pelo avanço das investigações?

 

Como responder à colossal transferência de recursos públicos para garantir o sucesso de um partido?

 

E lembremos, pois é gigantesca a crueldade política: o escândalo incide sobre uma sociedade desigual como a nossa, na qual prevalece uma estrutura regressiva de tributos, prejudicando os mais pobres. Como um partido autointitulado de esquerda se pode envolver nesse inominável crime?

 

E assim chegamos ao terceiro elemento que pretendo apontar nestas notas e que diz respeito à incógnita da equação. Ou pelo menos assim aparece, pois ainda não foi decifrada. Trata-se da pergunta: qual o objetivo finalístico de tudo isto? Há no horizonte de longo prazo um projeto para o Brasil ou um plano para reconfigurar a Nação que igualmente descreva a estratégia do jogo?

 

A resposta a essas indagações realça a maior de todas as vilanias, pois esses objetivos são inexistentes. Deixo o desafio: que alguém aponte algum documento de alguma significação mais substantiva, com a assinatura do Partido dos Trabalhadores, no qual esteja delineado um cenário de transformações para o Brasil. Como insistido no artigo anterior, o partido deixou de pensar desde os anos 90 e, em tempos recentes, tem sido incapaz de sequer refletir sobre o País, apontando os desafios e as mudanças que nos fariam uma Nação próspera e justa. Conformou-se com as delícias do poder, do consumo e do dinheiro produzidos pela ascensão social de seus operadores.

 

Esse é o coração da tragédia petista e nos deixa, os cidadãos, prostrados e à espera. Seria o anúncio da mudança que os atuais detentores do poder nem ao menos sabem enunciar, mesmo que retoricamente.

 

Sociólogo, é professor aposentado da UFRGS