NINGUÉM SEGURA O PT!!!!

PT-rachado

O PT se supera! Depois do mensalão resolveram moralizar a roubalheira! Está no jornal de hoje: a empreiteira Galvão Engenharia pagou propina de 8,8 milhões, mas recebeu um recibo, nota fiscal pagando imposto e tudo! É espantoso! Na certa querem ajudar a aumentar a arrecadação e diminuir o déficit das contas públicas! Depois dizem que os portugueses é que são burros. Burro é quem defende o PT.

O BRASIL E O SEU LABIRINTO

Labirinto

Percorrendo os jornais de domingo, os sites de notícias, os canais de TV, as revistas, em todo lugar o mesmo assunto: o Petrolão e os seus afluentes (e influentes…). O país está paralisado. Enquanto cientistas europeus conseguem pousar um robô num cometa a milhões de quilômetros da Terra, aqui no Brasil, mesmerizados, aguardamos, dia após dia, novas revelações cabulosas de roubos e desvios estratosféricos de dinheiro público. Tudo em nome do poder e de uma hegemonia que não têm outro objetivo que não a sua eterna permanência.

Do outro lado do país, desde os grotões do Maranhão profundo, passando pelos sertões estéreis, até bater com os costados nas Alagoas, vive uma multidão emaciada e modorrenta que, depois de votar mais uma vez no PT e nos sobas e coronéis da região, espera de cócoras o próximo contracheque do Bolsa Família.

No meio do caminho os intelectuais, os pensadores geniais da nossa esquerda progressista, artistas influentes, a Academia e toda uma classe média “antenada” e que “sabe das coisas” tentam justificar o que não se justifica. É a mesma cantilena do “sempre foi assim”, ou “é tudo farinha do mesmo saco“. Pensando dessa maneira continuaríamos morrendo de sarampo e febre amarela ou esperando séculos na fila por uma linha telefônica.

O argumento é que a vida do pobre melhorou, diminuiu a miséria. Pode ser, mas vamos aos fatos. Estudos estatísticos sérios e consistentes comprovam que o processo de acumulação de renda no Brasil continua firme e forte. Pasmem: 5% dos brasileiros detêm 50% da renda nacional. É isso mesmo o que vocês estão lendo. E tem mais: 0,01% detém 20% da renda do país. O que aconteceu foi uma transferência de renda das classes médias para os estamentos mais pobres da população.

Uma parcela importante de brasileiros, que não é amparada pelo Bolsa Família e outras políticas sociais, perdeu renda, piorou a sua qualidade de vida, sacoleja horas a fio dentro de ônibus em imensos engarrafamentos ou apertada em trens caindo aos pedaços. Não tem Saúde, não tem Segurança, nem Educação e tampouco um bispo a quem se queixar. Por outro lado, o segmento mais pobre, incorporado ao Mercado, esgotou a sua capacidade de endividamento e, portanto, de consumo, e a Economia não anda, se arrasta sem planejamento nem horizontes. Mais que isso, esses cidadãos agora têm novas demandas, que o Estado é incapaz, por incompetência e falência, de suprir.

O Estado brasileiro gasta o que não tem e as empreiteiras sugam o que podem, sem falar nos parasitas que aproveitam para tirar o seu troco, uns 100 milhões de dólares cada um. E olha que eles são muitos. A conta não fecha, o modelo se esgota e se esgarça, e o Brasil, no lugar de olhar para o futuro, volta os seus olhos esperançosos para o juiz Sérgio Moro, no Paraná.

E tenho dito.

APOCALIPSE AGORA !

gabeira
 MAIS UMA ARTIGO IMPERDÍVEL DO FERNANDO GABEIRA, PUBLICADO HOJE NO JORNAL  ESTADO DE SÃO PAULO.
“Passada uma semana do juízo final, ainda me pergunto cadê a Dilma. Ela disse que as contas públicas estavam sob controle e elas aparecem com imenso rombo. Como superar essa traição da aritmética? Uma lei que altere as regras. A partir de hoje, dois e dois são cinco, revogam-se as disposições em contrário.
Os sonhos de hegemonia do PT invadem a matemática, como Lysenko invadiu a biologia nos anos 30 na Rússia, decretando que a genética era uma ciência burguesa. A diferença é que lá matavam os cientistas. Aqui tenho toda a liberdade para dizer que mentem.
Cadê você, Dilma? Disse que o desmatamento na Amazônia estava sob controle e desaba sobre nós o aumento de 122% no mês de outubro. Por mais cética que possa ser, você vai acabar encontrando um elo entre o desmatamento na Amazônia e a seca no Sudeste.
Cadê você, Dilma? Atacou Marina porque sua colaboradora em educação era da família de banqueiros; atacou Aécio porque indicou um homem do mercado, dos mais talentosos, para ministro da Fazenda. E hoje você procura com uma lanterna alguém do mercado que assuma o ministério.
Podia parar por aqui. Mas sua declaração na Austrália sobre a prisão dos empreiteiros foi fantástica. O Brasil vai mudar, não é mais como no passado, quando se fazia vista grossa para a corrupção. Não se lembrou de que seu governo bombardeou a CPI. Nem que a Petrobrás fez um inquérito vazio sobre corrupção na compra de plataformas. A SBM holandesa confessou que gastou US$ 139 milhões em propina.
E Pasadena, companheira?
O PT está aí há 12 anos. Lula vez vista grossa para a corrupção? Se você quer definir uma diferença, não se esqueça de que o homem do PT na Petrobrás foi preso. Ele é amigo do tesoureiro do PT. A cunhada do tesoureiro do PT foi levada a depor porque recebeu grana em seu apartamento em São Paulo.
De que passado você fala, Dilma? Como acha que vai conseguir se desvencilhar dele? A grana de suas campanhas foi um maná que caiu dos céus?
Um dos traços do PT é sempre criar uma versão vitoriosa para suas trapalhadas. José Dirceu ergueu o punho cerrado, entrando na prisão, como se fosse o herói de uma nobre resistência. Se Dilma e Lula, por acaso, um dia forem presos, certamente, dirão: nunca antes neste país um presidente determinou que prendessem a si próprio.
Embora fosse um fruto do movimento de arte moderna no Brasil, Macunaíma é um herói pós-moderno. Ele se move com desenvoltura num universo onde as versões predominam sobre as evidências. Nesta primeira semana do juízo final, pressinto a possibilidade de uma volta ao realismo. É muito aflitivo ver o País nessa situação, enquanto robôs pousam em cometas e EUA e China concordam em reduzir as emissões de gases de efeito estufa. O realismo precisa chegar rápido para a equação, pelo menos, de dois problemas urgentes: água e energia. Lobão é o ministro da energia e foi citado no escândalo. Com perdão da rima, paira sobre o Lobão a espada do petrolão. Como é que um homem desses pode enfrentar os desafios modernos da energia, sobretudo a autoprodução por fontes renováveis?
Grandes obras ainda são necessárias. Mas enquanto houver gente querendo abarcar o mundo a partir das estatais, empreiteiras pautando os projetos, como foi o caso da Petrobrás, vamos patinar. O mesmo vale para o saneamento, que pode ser feito também por pequenas iniciativas e técnicas, adequadas ao lugar.
Os homens das empreiteiras foram presos no dia do juízo final. Este pode ser um caminho não apenas para mudar a política no Brasil, mas mudar também o planejamento. A crise hídrica mostra como o mundo girou e a gente ficou no mesmo lugar. Existe planejamento, mas baseado em regularidades que estão indo água abaixo com as mudanças climáticas.
O dia do juízo final não foi o último dia da vida. É preciso que isso avance rápido porque um ano de dificuldades nos espera. Não adianta Dilma dizer que toda a sua política foi para manter o emprego. Em outubro, tenho 30.283 razões para desmentir sua fala de campanha: postos de trabalho perdidos no período.
Não será derrubando a aritmética, driblando os fatos que o governo conseguirá sair do seu labirinto. O desejo de controlar a realidade se estende ao controle da própria oposição. O ministro da Justiça dá entrevista para dizer como a oposição se deve comportar diante do maior escândalo da História. Se depois de saquear a Petrobrás um governo adversário aconselhasse ao mais ingênuo dos petistas como se comportar, ele riria na cara do interlocutor. Só não rio mais porque ando preocupado. Essa mistura de preocupação e riso me faz sentir personagem de uma tragicomédia.
Em 2003, disse que o PT tinha morrido como símbolo de renovação. Me enganei. O PT morreu muitas vezes mais. Tenho de recorrer ao Livro Tibetano dos Mortos, que aconselha a seguir o caminho depois da morte, sem apego, em busca da reencarnação. Em termos políticos, seria render-se à evidência de que saqueou a Petrobrás, comprou, de novo, a base aliada e mergulhar numa profunda reflexão autocrítica. No momento, negam tudo, mas isso o Livro Tibetano também prevê: o apego à vida passada é muito comum. Certas almas não vão embora fácil.
A crise é um excelente psicodrama: o ceticismo político, a engrenagem que liga governo a empreiteiras, o desprezo pelas evidências, tudo isso vira material didático.
Dizem que Dilma vive uma tempestade perfeita com a conjunção de tantos fatores negativos. Navegar num tempo assim, só com o preciso conhecimento que o velho Zé do Peixe tinha da costa de Aracaju, pedra por pedra, corrente por corrente.
No mar revolto, sob a tempestade, os raios e trovões não obedecem aos marqueteiros. Por que obedeceriam?
O ministro da Justiça vê o incômodo de um terceiro turno. Não haverá terceiro turno, e, sim, terceiro ato. E ato final de uma peça de teatro é, quase sempre, aquele em que os personagens se revelam. Por que esses olhos tão grandes? Por que esse nariz tão grande, as mãos tão grandes, vovozinha?”

NÃO VALEU ZUMBI, NÃO VALEU!

prejudice

Quando visitei a África do Sul, ainda sob o regime ignóbil do apartheid, resolvi dar umas voltas pelo Soweto. O Soweto é uma cidade nas cercanias de Johannesburg, onde os negros viviam segregados. Para tanto, contratei um motorista de táxi e cedo, pela manhã, partimos em ilustrativa excursão. Fiquei impressionado com o tamanho do Campus da Universidade do Soweto e mais ainda com a divisão de classes interna na enorme cidade. Havia o bairro dos negros ricos, onde moram o arcebispo Desmond Tutu e Winnie Mandela, assim como os bairros dos negros de classe média e as favelas onde se amontoavam a vasta maioria de negros pobres. Percorrendo as ruas repletas, o motorista apontava para as pessoas e ia dizendo: ali vai um xhosa, aquele ali é banto, aquela ali é uma fanti, lá vai um cabinda… e assim por diante. Para mim, caucasiano, eram todos rigorosamente iguais, não conseguia perceber nenhuma diferença entre eles. Eram todos negros. De repente paramos diante de um enorme vale tomado por casebres miseráveis. E então o motorista falou: aqui moram os zulus, os zulus são negros ladrões, porcos e nojentos. Em tempo: ele era xhosa e, portanto, negro. Fiquei tão atônito que, passados mais de vinte anos, jamais esqueci deste comentário.

Hoje é o dia da Consciência Negra, mas me recuso a comemorar a data. Felizmente, nenhum ser humano, geneticamente falando, é igual ao outro, e é esta infinita diversidade que nos fez permanecer vivos numa Natureza inóspita, cruel e que de mãe não tem nada. Entendo etnias como um grupo de pessoas com afinidades culturais, históricas, linguísticas e morfológicas. E só. Não consigo entender uma “consciência negra” em oposição ao resto da humanidade como se, por exemplo, existisse uma “consciência amarela” ou uma “consciência caucasiana”, o que, para a criação de um dia da “consciência ariana pura”, seria um pulo.

Muita gente hoje vive às custas do racialismo, uma teoria bizarra e racista que contrapõe um ser humano ao outro, sem ir ao âmago da questão, que é o preconceito. Na verdade, o racialista explica tudo pela vitimização (está bem, vá lá) das pessoas de cor negra. Isso é como se estas pessoas, por ter pele escura, detivessem ao longo da história o monopólio do sofrimento e da perseguição. Calma lá.

Se você não sabe, fique sabendo que, na África e até mesmo no Brasil, negros não só comercializavam como também eram proprietários de escravos. E, pasmem: segundo relatos, até mesmo nos quilombos existiam escravos.

Aliás, a escravidão é um aspecto curioso de como a ética na sociedade obedece a uma dinâmica própria. Até mesmo na Grécia Clássica de Aristóteles, Sócrates e Péricles, a escravidão era moralmente aceita. E ser escravo não era um “privilégio” de indivíduos de pele escura. Havia escravo branco, asiático e, principalmente, indivíduo incapaz de saldar os seus débitos com seus credores. Não tinha Serasa nem SPC: estava devendo, não tinha como pagar, virava escravo mesmo.

Mas voltemos ao preconceito. O preconceito me parece uma reação natural a tudo que nos é estranho. Mas não é por ser natural que o preconceito se justifica. Muito pelo contrário, exercitar a convivência pacífica e fraterna com aquilo ou aquele que nos é diferente é fundamental para o desenvolvimento da Civilização. E não somente pelo tipo físico não. É pelo nível socioeconômico, religioso, de opinião e o que mais tiver.

E no Brasil tem preconceito. Ora se tem, e muito. Em primeiro lugar, porque o preconceito viceja quanto menor é o nível de Educação de um povo. Ou seja: preconceito e ignorância passeiam de mãos dadas por este Brasil varonil.

Aqui, me parece que o preconceito é sobretudo econômico. Quer dizer, se você é pobre já está lascado, mas se for preto e pobre pior ainda. E por quê? Porque na nossa sociedade o negro está associado ao trabalho. E a nossa cultura não valoriza o trabalho enquanto meio de sobrevivência e, até mesmo de melhorar de vida. Faz parte das raízes neuroculturais de nossa pátria a ojeriza ao trabalho. Trabalhar é uma vergonha. Sobretudo o trabalho braçal, coisa que se colocava “um negrinho” para fazer. Isso para mim explica, pelo menos em parte, como admiramos os “espertos” e praticamos a cultura do “jeitinho”.

É por isso tudo que inventaram mais este feriado da Consciência Negra, mais um pretexto para não se trabalhar.

E tenho dito.

Chico “Buraque” Comete Mais Um Livro

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Chico “Buraque” lança mais um livro. Na certa, vai para a lista dos mais vendidos (com trocadilho, por favor). Trata-se de uma semibiografia realista em que conta a história da busca pelo seu meio-irmão alemão. Ativo defensor do controle de conteúdo em escritos biográficos, será que o Chico pediu permissão, submeteu ao crivo e pagou direitos aos seus parentes na Alemanha? Seria, no mínimo, coerente. Mas logo aviso que não vou ler esta ingrisia. Admiro a obra do Chico compositor, mas como literato, em sensaboria ganha até do Josué Montello que, pelo menos, escreveu Os Tambores de São Luís. Pretensioso, pseudoerudito, chato e pedante: Chico Buraque é o meu candidato para a Academia Brasileira de Letras.