A VIDA PRIVADA NO JAPÃO

Na Terra do Sol Nascente, os japoneses vivem oscilando entre a modernidade ocidental e as milenares tradições nipônicas. Até mesmo nos chamados “reclamos da natureza” eles são assim. Me refiro às “necessidades”.

Uma digressão. Acho curioso como nós, brasileiros, nos referimos ao ato de urinar e defecar como “necessidades”. Como se comer, dormir, ler, escrever ou pensar fossem apenas extravagâncias da nossa existência.

Enfim, voltemos ao banheiro do Japão. Ou bem se usa o tradicional vaso turco, ou se tem a ocidentalíssima retrete, ou seja, a nossa conhecida privada. No vaso turco, o vivente fica de cócoras, uma posição meio ridícula mas que, segundo a milenar sabedoria oriental, facilita barbaridade o ato de evacuar. Mas aí vieram os ocidentais e com eles veio a privada. A privada, ou “trono”, apresenta a enorme vantagem de se poder ler ao mesmo tempo em que nosso organismo se livra de seu lixo orgânico. Se por um lado sai cocô, por outro entra um pouco de conhecimento, num eloquente paradoxo fisiológico.

Mas, apesar de não estar com diarreia, voltarei à privada japonesa. A questão é que quando o japa resolve copiar algo do ocidente, ele não só copia como aperfeiçoa, levando a questão às últimas consequências. Assim, a privada japonesa é o estado da arte em TE, Tecnologia da Evacuação. Para começar que o assento está sempre aquecido numa temperatura agradável e, por que não dizer, acolhedora. Aliás, um detalhe: quando alguém se aproxima do vaso, sensores fazem com que a tampa se abra automaticamente. A higiene já começa por aí. Ao lado do compartimento destinado ao papel higiênico, uma série de botões gerencia a operação. Ou melhor, depois que as ações insubstituíveis são completadas, o defecante (ou defecanta, como prefere a nossa presidenta), tem uma série de comandos à sua disposição. A começar pela higienização do pavilhão reto-furicular, através de jatos de água morna. Pode-se regular a intensidade, a pressão e o ângulo do jato. Em seguida, aperta-se outro botão e uma lufada de ar tépido dedica-se à conveniente secagem do local. Terminada esta etapa, pode-se escolher o fluxo de água para despachar o material orgânico. Nada de desperdícios. Isso feito, aciona-se mais um comando e um eflúvio aromático higieniza o ambiente. Feito o serviço, como diria Fernando Pessoa, “…É minha a obra feita, o por fazer é só com Deus…” e, o que é melhor: sem nenhum contato manual.

Tenho dito.

3 Comentários

  1. Mercedes   •  

    Gostaria de ter um desse na minha casa!!!

  2. Albino   •  

    Você chegou a utilizar a retrete nipônica? uma duvida sobre o painel de controle e cinturão de utilidades: considerando que o gênero feminino se utiliza do equipamento também para urinar, esclareça por favor se há jatinhos de dermacid ou algum tipo de braço aplicador de papel absorvente sobre os lábios vulvares para melhor higienização da região.

  3. Marcio   •  

    é sério isso? então traz o prospecto desse equipamento, por favor….

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *