A REGRA DO GAME

 Os gamers estão reclamando com toda razão. O Play Station 4 vai custar 4 mil reais aqui no Brasil enquanto que nos Estados Unidos o mesmíssimo PS4 vai sair pelo equivalente a 900 reais. Bem vindos ao mundo real, gamers! Destes 4 paus que vai custar cada console, cerca de 65% correspondem a impostos de importação (ou seja, uns R$ 2.600,00). Isso sem contar outros impostos que incidem na comercialização e transporte da mercadoria dentro do Brasil.

Nosso país, comparado com o resto do mundo, é um dos que mais cobram impostos de seus cidadãos. Um trabalhador brasileiro assalariado tem que suar a camisa 4 meses por ano  para pagar impostos. Só depois disto é que ele vai poder correr atrás do pão de cada dia. Mas tudo bem, afinal, a nossa educação pública é de primeira, os hospitais (públicos, sempre públicos) não deixam ninguém na mão, as estradas estão um brinco, a segurança pública é perfeita. Portos, aeroportos, saneamento… tudo funciona as mil maravilhas. O brasileiro reclama do governo de implicante que é.

No Brasil, existem 83 tipos diferentes de impostos. Foi isso mesmo o que você leu. Oitenta e três tipos de impostos, num cipoal de leis e regulamentações que mudam todo dia, que é para as autoridades poderem multar (ou extorquir), com tranquilidade e apetite, o contribuinte. Não se pode esquecer que no Brasil tem mais um “imposto não contabilizável”,  que é a corrupção. Segundo o organismo da ONU, o PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, só em 2012 cerca de 200 bilhões de reais foram desviados dos cofres públicos para o bolso dos corruptos em nosso país.

Veja bem, não sou contra pagar impostos. Os impostos são uma forma do trabalhador e do empresário colaborarem com a  coletividade, em prol do desenvolvimento do país. Mas, infelizmente, não estamos na Dinamarca. No Brasil, a maior parte dos impostos só serve para sustentar uma máquina estatal que serve para tudo, menos para melhorar a vida da população.

Ao pacato cidadão só resta pagar. Se ele tiver emprego de carteira assinada, é descontado em folha em até 27,5%, não tem choro nem vela. Sem contar o que ele vai pagar quando entregar a declaração de renda. Agora vamos falar do mais injusto de todos, que são os impostos indiretos (IPI, ICMS, COFINS  e o escambau). Os impostos indiretos incidem sobre todos os produtos e serviços comercializados no país. Vamos pegar de exemplo um quilo de feijão, a comida de todos os brasileiros.

Um quilo de feijão custa, hoje, cerca de R$ 5,00, depende da qualidade. Sobre o feijão paga-se 18% só de impostos indiretos, ou seja, dos cinco paus, R$ 0,90 são imposto. Isso vale para todo mundo, do Eike Batista até a moça que trabalha lá em casa. Só que no bolso do Eike isso não pesa nada, para a Zeli, a faxineira, noventa centavos fazem muita diferença. No entanto, os dois pagam o mesmo percentual de imposto, da Ferrari a caixinha de fósforo.

Ah! Já ia me esquecendo. Tem as exceções. O Renan Calheiros, presidente do Senado, não paga nada de imposto no feijão. Ele compra a sua comida com a verba pública, a qual, diga-se de passagem, ele tem direito.

E tenho dito.

 

 

9 Comentários

  1. Marcelo Texta   •  

    Perfeito Xará Marcelo!
    Seria um tanto quanto satisfatório se isso fosse discutido com a população de forma mais abrangente com a população. Mas ai teríamos que ter um povo com um nível mais elevado de educação e com suas necessidades básicas satisfeitas, pra que pudessem se preocupar realmente com esse tipo de extorsão!

    Acredito que se isso acontecesse realmente, a manifestação seria na sala do Presidente do Senado! Ai eu queria vê-lo com toda sua pompa e arrogância descabida, falando isso na cara do povo sem nenhum segurança lhe defendendo! Arrogante como ele, até eu seria!! Cacique de uma população sem acesso a nada!

    Tenho medo de pegar um político desse tipo na minha frente e com liberdade suficiente pra falar o que eu quero, sem restrição alguma!

  2. EVALDO   •  

    Agora entendo porque a molecada gritava tanto: pleisteixon, pleisteixon, pleisteixon!!!!

  3. Lucio Gomes   •  

    Marcelo
    Não se discute que a tributação no país é alta. Mas esse argumento é mal usado. Ele acaba servindo para mascarar um outro absurdo do país: as margens colossais que se aplicam sobre os produtos. Você fala em tributação de 65%, mas não é essa a diferença entre 900 e 4000.

    • Marcelo Madureira   •     Author

      Lucio , leia o meu post novamente. Eu deixo claro que depois dos impostos de importação incidem outras taxas, voce sabe. Com relação a margem , é uma questão discutivel , pois do preço de venda tem que se abater os custos da venda ( aluguel , empregados , etc. ) . No final das contas a margem de lucro no varejo não é tão grande assim. forte abraço
      MM

      • Lucio Gomes   •  

        Marcelo, é certo que há mais encargos além dos incidentes sobre a importação. Concordo que a tributação direta, indireta, sobre a folha ou o que o valha é fator de grande importância na definição de preços. Entretanto, esse argumento ajuda a mascarar o quanto há de margem de lucro embutida, um vilão oculto de nossa economia (e, sim, concordo que não deva ser o varejo o grande responsável, mas agentes econômicos anteriores da cadeia). Apenas quis adicionar esse aspecto à discussão.
        Quanto à tributação, sim ela é alta. Mas além de criticá-la temos que analisá-la e verificar alternativas. Deve-se observar, primeiro, que os impostos não implicam contraprestação direta. É política do Estado a promoção de redistribuição de renda, seja por meio de serviços ou mesmo diretamente, com os bolsas ‘deusolivre’ da vida. Deve o país deixar de fazê-lo? Uma visão econômica liberal dirá que sim, uma social-democrata não concordará.
        Temos também um Estado profundamente endividado: devemos promover uma moratória a lá Kirchner?
        É certo, também, que o Estado não faz bom uso do dinheiro que arrecada. O primeiro culpado apresentado é a corrupção. É um ator relevante, mas de importância secundária. Antes de tudo a ineficiência é responsável. Em parte por desorganização. Mas, além disso, por obrigação legal: o Estado, ao contrário do cidadão, só pode fazer o que a lei permite. Seus contratos, na maioria, dependem de processos licitatórios de velocidade muito abaixo do desejável. Cito, um pequeno exemplo: um caso da Prefeitura de Curitba. Nas manifestações de junho ela teve seus vidros quebrados pelos “vândalos”. O processo licitatório implicou dois meses de tapume na fachada da Prefeitura. Se fosse um boteco, em dois dias cara nova. Ou seja, mesmo que removidos os fatores corrupção e desorganização, a administração pública invariavelmente será menos eficiente que a iniciativa privada. Devemos, como tal, partir para o estado mínimo? A iniciativa privada proverá por sua conta os encargos hoje assumidos pelo Estado?
        Pois é, se deixar a conversa vai longe. Mas acho que é desse tipo de colóquio que estamos precisando. Um abraço.
        Lúcio

        • Marcelo Madureira   •     Author

          Prezado Lucio ,
          Em resumo :”no taxation without representation”.
          forte abraço
          MM

      • Claudio   •  

        Desculpe Marcelo mas devo concordar com o Lucio. Tenho amigos que vivem no Sul da Florida ( nao necessariamente Miami ) e que trabalham com exportacao para o Brasil. El;es me contam o absurdo que sao os impostos para os produtos “importados” mas tambem reclamam ( e muito) da margem de lucro dos comercianbtes brasileiros. Um deles inclusive esta para abrir uma loja em Sta. Catarina para poder vender mais. Escuto falarem em no minimo de 150% do valor final. Eu mesmo ja mandei produtos para o Brasil ( posso dizer: Casa da Moeda) e descobri que o vendedor estava cobrando ate 200% do valor final ( um absurdo). No Brasil se tem a mania de culpar o governo por tudo, mas nesse caso ele nao e o unico culpado, culpe se tambem o brasileiro que “tem que comprar hoje” e nao espera para juntar o dinheiro . Com o cheque especial e pagamento no c artao em X vezes o comerciante nao quer saber de ganhar menos , ou como se faz nos outros paises” ganhar na quantidade, nao na unidade.

  4. Albino Tainha   •  

    Esse caso do aparelhinho de jogar prei isteixion serviu para levantar a lebre. O que espanta é que não se fala no equipamento médico, no bem de real utilidade, na comida (não se esqueçam que importamos de feijão à batata frita, passando pelos doces e confeitos, batata congelada, legumes congelados, etc.).
    As pessoas vão ao supermercado e compram peixe congelado sem atentar para o fato de que mesmo os que vem de pesqueiras de Itajaí, SC, são na maioria importados do Vietnã e da China, pagando altos impostos também. Nem comento a questão da qualidade desses “pescados”. Leiam os rótulos senhores e senhoras.
    Mas além dos impostos, tem as margens somadas dos importadores, distribuidores e atacadistas. Uma coisa de louco e única no mundo. Essas margens em alguns casos chegam a 300%.
    Uma proposta: podemos treinar um boicote colossal contra essa imbricação de impostos dignos de derrama com margens absurdas. Comecemos pelo prei isteixion. Ninguém compra. A empresa fabricante, que cobra mais caro no mercado brasileiro merece ser boicotada também em seus outros produtos, televisores, tablets, telefones, etc… Que tal começarmos já? Dizem inclusive que o prei isteixion faz mal à coluna e às sinapses….além de promover o desenvolvimento de transtornos obsessivos…

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