FARINHA DO MESMO SACO

Dois assuntos me chamam  a atenção neste momento. O primeiro é o “Rei dos Camarotes”, Alexander Almeida, criatura apresentada pela Veja SP, capaz de gastar até 50 mil reais numa balada. O segundo tem muito a ver com o primeiro.   Trata das despesas conspícuas do grupo de fiscais paulistas do ISS. De acordo com a Folha de São Paulo, os criminosos eram conhecidos  por esbanjar no comércio paulistano, fumando charutos cubanos de mil reais (a unidade!), comendo e bebendo nos melhores restaurantes, sem se preocupar com o tamanho da despesa, conduzindo  ferraris, porches e louras peitudas, para lá e para cá, sem o menor constrangimento. Ou melhor, com a certeza da impunidade.

É claro que todas estas despesas são pagas em dinheiro vivo, cash, característica de quem tem renda de origem duvidosa. Que fique claro também, pelo menos no caso dos fiscais, que a origem desta grana preta nada mais é que o bolso do pacato e honesto cidadão. Você.

No caso do Rei dos Camarotes,  chegou-se a insinuar que teria sido um personagem criado por Veja, fato que foi devidamente refutado, comprovando-se a veracidade da reportagem.

Vamos imaginar que a bufunfa, gasta a rodo pelo Alexander, agora entronado como Rei do Camarote, tenha origem absolutamente legal, fruto do suor do seu trabalho, muito embora,  acredite , que o Alexander transpira mais nas pistas de dança do que “dando expediente no serviço”. Tudo bem, o dinheiro é dele, gasta como quiser e ninguém tem nada a ver com isso.

Agora voltemos nossos olhos para a Máfia dos Fiscais de São Paulo. Não existe dúvida sobre a origem ilegal da renda que proporcionava, aos bandidos, vida de nababo indiano. Mas a natureza, o jeito, a arrogância com que se gastava o produto da rapina são idênticos aos de Alexander, na forma e conteúdo. Não foi por acaso que recordei a matéria sobre o playboy Thor Batista, garotão que se orgulha de jamais ter lido um livro. Tudo farinha do mesmo saco.

É isso que nos choca e nos deixa indignados. É a cruel realidade de um país, onde, na outra ponta, um assalariado morre na fila do SUS e leva duas horas, em pé, no busão, para ir de casa para o trabalho e vice-versa. Somos todos farinha do mesmo saco.

Então, na televisão, imagens dos fiscais bandidos, escoltados pela polícia, todos de rosto coberto, parecem  militantes do Black Block. Aliás, não! Eles são black blocks , com sua fúria consumista, destruidora, à custa de dinheiro  alheio, e   igualmente mascarados! São todos farinha do mesmo saco.

E o que é pior é que já vimos este filme. O final desta fita  já conhecemos: não vai dar em nada. É tudo farinha do mesmo saco.

E  tenho dito.

3 Comentários

  1. Luiz Santos   •  

    Bom dia, Marcelo. Sabe o que é pior? O Luis Alexandre Magalhães disse em uma gravação que “Ninguém vai mexer em meu patrimônio, que ser bandido também é difícil”. kkkk Difícil, no momento, é ser brasileiro…………e ainda vamos ter que aguentar muitos anos de Diula ( Dilma+Lula)!

  2. orlando   •  

    Interessante. Num local onde se grita por justiça e punição de corruptos, não vejo aqui apontarem o nome do padrinho. Não se pode querer ostentar o título e ter dois pesos e duas medidas… Pior. Ficar lendo encomendas…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *