FLAMENGO! FLAMENGO! TUA GLÓRIA É LUCRAR!

Oitocentas pratas para assistir a uma final do Flamengo no Maracanã. É grana para qualquer um. Algumas coisas estão mudando no futebol brasileiro. A começar pelo público. Depois de nove anos ausente, voltei a frequentar o velho Maraca, mas o ambiente não era mais o mesmo. Não vi ninguém de chinelo de dedo nem vi mais aquele negão envergando uma camisa do “Framengo” surrada, companheira de tantas glórias e tragédias. Vi famílias completas, gente vestida como se estivesse no cinema, gente que torce com discrição e vocabulário moderado. É claro que, volta e meia, alguma torcida organizada desperta um coro chulo, mas o xingamento parece distante. A torcida faz a OLA! Nunca vi coisa mais careta e bem comportada em estádio de futebol do que “fazer a OLA”. Vi poucas bandeiras, algumas faixas, cerveja sem álcool e sanduíche natural. O Maracanã ficou mais asséptico que sala de cirurgia.

Nunca mais aquelas tardes dramáticas, aquelas batalhas campais e não campais. Parecia que estávamos num front, e na nossa torcida éramos todos “Brothers in arms”, irmãos de sangue. Sangue virtual, que fique bem claro.

Percebo que, aos poucos, o “futebusiness” vai chegando no Brasil. Este futebol de negócios, que movimenta bilhões de dólares pelo mundo afora, e sustenta o alto nível do futebol europeu. No Velho Continente o povão já foi afastado dos estádios há muito tempo. O pessoal de pouca grana acompanha o seu time do pub, do bar da esquina, pela televisão, junto dos amigos. Os estádios viraram “Scala de Milão”; quem quiser, e puder, ver o jogo ao vivo vai pagar caro por um assento na arquibancada.

Aí eu penso no torcedor médio do meu querido Flamengo. Tem mais torcedor no Flamengo que francês na França, vocês já pensaram nisso? Como é que vai fazer para arrumar os 800 reais do ingresso? Não me venham com resposta preconceituosa e simplista: vai assaltar alguém. Mesmo porque o torcedor de arquibancada (ou da antiga e saudosa “geral”) é gente boa, é um trabalhador, que guarda o sábado para o descanso e o domingo para sofrer, vibrar, berrar, xingar pelo seu time. Ah! Sim! Se sobrar algum “qualquer”, tomar uma cervejinha com os amigos pois, afinal, ninguém é de ferro.

 

1 comentário

  1. André Gimenez   •  

    Marcelo , segundo um apresentador de um programa da Sportv ( não me lembro do nome ) , o preço do ingresso era uns cento e poucos , em média.Argumentava que era um preço compatível com várias outras apresentaçoes artisticas.De qualquer forma acho que o ingresso deveria custar uns délão , já que os dirigentes dos clubes sempre dizem que a receita dos clubes não vem dos ingressos,

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