A PONTE QUE PARTIU!

O INFERNO É AQUI !

Sexta-feira passada estava em São Paulo.  Concluídas todas as minhas tarefas, embiquei na direção do aeroporto na intenção de antecipar a minha volta. No balcão da TAM sou informado que, para trocar de voo, teria que pagar uma multa de 1.500 reais. Imagino que multa se paga quanto se comete uma infração. Não consigo admitir que o desejo de antecipar uma viagem seja considerado um malfeito. É o que dá ficar sujeito ao duopólio TAM-GOL, onde as duas empresas disputam acirradamente para ver quem é a pior.

Cobrar mil e quinhentos reais por um trecho Congonhas-Santos Dumont é um abuso, não tive outra alternativa que ficar horas mofando no mais movimentado aeroporto do Brasil. Na véspera de fim de semana os aeroportos ficam movimentados em qualquer lugar no mundo, e nesta sexta-feira em particular o tráfego aéreo estava congestionado por conta da tempestade no Rio de Janeiro. Mas nada disso justifica o principal aeroporto, da mais importante cidade do país, não oferecer as mínimas condições de conforto e higiene aos seus usuários que, aliás, pagam (caro) por isso.

Não havia lugar para sentar na sala de espera, passageiros atazanados corriam para cá e para lá, pois a toda hora, por conta de  insondáveis desígnios, muda-se o portão de embarque. Os avisos são em português, em inglês, quando são feitos, impossíveis de se compreender. Coitados dos turistas estrangeiros no Brasil. Se o passageiro tem fome, os preços são extorsivos, um sanduíche qualquer custa mais de vinte reais! E as garçonetes atendem a clientela como se vivessem em eterna TPM.

Desnecessário dizer que o meu voo atrasou. Mas não é só isso. Chegando ao Rio de Janeiro, no aeroporto do  Galeão, ficamos trancados, exatos vinte e sete minutos, aguardando uma singela escada para o desembarque. Depois de uma interminável viagem de ônibus até o terminal, fomos conduzidos por um labirinto de tabiques, compensados, andaimes e restos de obra até o que eles chamam de saguão.

No desembarque, taxistas piratas, bandalhas e quadrilheiros disputavam os passageiros aos tapas enquanto guardas municipais conversavam em animadas rodinhas. A única coisa que me fez suportar todo este tormento foi atravessá-lo submerso em minhas leituras.

Agora vamos aos números: a previsão atual de gastos  nas obras de mobilidade para a Copa é de R$ 25,6 bilhões. Destes,  R$ 3,8 bilhões são oriundos de recursos privados enquanto R$ 21,8 bilhões são de dinheiro público. Portanto, 85,1% dos gastos de mobilidade na Copa do Mundo vem do nosso bolso. Exatamente o contrário do que anunciou o governo quando o Brasil foi escolhido como sede do Mundial. Portanto, mais uma vez, fomos enganados.

Só mais um pequeno detalhe: 75% destas obras estão atrasadas.  Mais um detalhezinho de nada, o último, eu juro. Faltam cinco meses  para a Copa, e tem um Carnaval no meio.

Tenho dito.

2 Comentários

  1. Otávio Pacheco   •  

    É, Marcelo, dureza mesmo… É inadmissível que eles não deixem a gente adiantar o vôo sem ter que pagar uma “multa” dessas, enquanto eles rompem com o contrato atrasando e não pagam nada de indenização.

  2. Helton Jeveaux   •  

    E bem dito!

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