HEMORROIDA

Sofrer de hemorroida é como ter um veado na família. Quem tem não fica por aí contando para todo mundo. No entanto, acredite, milhões de pessoas padecem silenciosas e solitárias desta moléstia que se esconde na furna mais íntima e remota da anatomia humana. No excelente site do Dr. Drauzio Varella, que explica tudo sobre doenças para os leigos, o item hemorroida está entre os top five nos posts mais acessados.

Convido você, leitor(a), a me acompanhar numa viagem pelo fantástico mundo da hemorroida, pois, como diziam os antigos, “quando dividimos nosso sofrimento com aqueles que nos são companheiros na dor, o peso da cruz fica mais leve”.

Antes de mais nada, é bom deixar bem claro que a hemorroida não tem acento, na verdade o que tem no assento é a hemorroida.

As hemorroidas fazem parte da anatomia reto-furicular. São formadas por fibras conjuntivas e uma rede de artérias e veias conectadas à mucosa da região anorretal. Hemorroidas são as populares “pregas”, objeto de debate e controvérsia em discussões e simpósios de vestiários masculinos. São as pregas, quer dizer, as hemorroidas, que nos permitem avaliar o conteúdo do reto (nos dois sentidos, de fora para dentro e de dentro para fora), facilitam o fechamento e a continência do ânus (muito importante nos momentos de perigo) e protegem o esfíncter anal dos traumatismos provocados pela defecação e outros usos alternativos que o indivíduo resolva dar a esta parte tão sensível do corpo humano.

Assim sendo, não existe ainda nenhum estudo científico conclusivo indicando que o uso recreativo, na contramão do sentido natural do trânsito intestinal, seja indicativo de danos irreparáveis a este ponto do nosso organismo onde a luz do sol não bate.

Também ainda está para se provar a existência da misteriosa “prega rainha”. A Prega Rainha seria uma espécie de viga mestra do pavilhão anorretal e determinaria, de forma cabal e definitiva, o uso reverso do apertado orifício por aqueles que o praticam mas se recusam a admitir. A ciência popular, inclusive, criou o famoso “teste da farinha”, em que o vivente, ao sentar-se, deixaria impresso no monte farináceo uma espécie de impressão anorretal, onde, em contagem cabalística, poderia se verificar a prática do “amor que não ousa dizer seu nome”, tão apreciada pelos sacerdotes católicos.

O mistério da Prega Rainha permanece como uma espécie de Monstro do Lago Ness da fisiologia humana. Tem gente que garante que já viu e até fotografou, mas quem viu as fotos concluiu que foi montagem.

As hemorroidas se dividem em três tipos: internas, externas e mistas. Mas pouco se sabe sobre a natureza das hemorroidas 40% das pessoas que se submetem a colonoscopia de rotina (três vezes na semana, pelo menos) têm hemorroidas aumentadas, mas de nada se queixam, muito pelo contrário.

Mas os problemas começam de verdade quando o complexo hemorroidário se projeta na direção do ânus porque os tecidos que lhe dão suporte enfraqueceram ou sofreram severo traumatismo, traumatismo este, às vezes, de fundo emocional. Mais de fundo que emocional.

O risco é mais alto nas seguintes situações: gravidez, obstipação, diarreia, ascite, hipotonia do assoalho pélvico, anormalidades vasculares, obesidade, sedentarismo, uma dieta pobre em fibras e veadagem. Sobretudo a veadagem passiva.

O primeiro sintoma é o sangramento, que alguns invertidos afeminados confundem com a menstruação. O segundo é um prurido, comichão ou fissura, que só aprofunda a gravidade do problema, uma vez que se pode lançar mão de objetos ou indivíduos quaisquer para aplacar a desagradável sensação de coceira.

De acordo com a sua extensão, as hemorroidas podem ser de quatro tipos, a saber: de primeiro grau (vasos salientes), segundo grau (as hemorroidas voltam à posição original espontaneamente), terceiro grau ou Universitária (assim como o Sertanejo, também existe a Hemorroida Universitária, mas eu não saberia explicar a diferença entre os dois). Por último, a hemorroida de quarto grau ou PHD, hemorroida esta que deve constar no currículo Lattes do CNPQ.

Para evitar a hemorroida, é fundamental se adotar uma rigorosa disciplina no trânsito intestinal. Adote uma rotina. Procure defecar e, se for o caso, deixar se sodomizar, em horas certas e bem distintas para não provocar engarrafamentos.

A evacuação ideal é aquela que ocorre com esforço mínimo. Duas manobras expulsivas são mais do que suficientes. O hábito de ler no vaso sanitário é péssimo. Privada não é biblioteca, muito embora Lula, o ex-presidente em exercício, garanta que os dois ambientes são a mesma coisa.

Se o uso de papel higiênico traumatiza a mucosa retal, o uso de jornal é muito pior, com todas essas noticias de crimes e mortes do mundo violento em que vivemos. Espiga de milho então, nem pensar. Causa dependência, física e psíquica. A higiene deve ser feita com água e sabão e muita delicadeza e, de preferência, por um amigo de sua inteira confiança.

A Ciência muito tem feito no sentido de buscar uma cura definitiva para esta desagradável moléstia, mas infelizmente ainda estamos muito distantes de ficar livres das hemorroidas.

É melhor esperar sentado, se possível sentado numa daquelas boias ridículas.

E tenho dito.

5 Comentários

  1. Elisa   •  

    Marcelo, melhoras pras suas hemorroidas!!
    Tô rindo muito.

  2. daniel   •  

    Marcelo dou um dia sim um dia não e nunca tive hemorroidas. O segredo é o carinho!

  3. Luis Gustavo   •  

    Muito pertinente o tema, após o resultados das eleições presidenciais e suas consequências! Rsrsrs

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