O BRASIL E O SEU LABIRINTO

Labirinto

Percorrendo os jornais de domingo, os sites de notícias, os canais de TV, as revistas, em todo lugar o mesmo assunto: o Petrolão e os seus afluentes (e influentes…). O país está paralisado. Enquanto cientistas europeus conseguem pousar um robô num cometa a milhões de quilômetros da Terra, aqui no Brasil, mesmerizados, aguardamos, dia após dia, novas revelações cabulosas de roubos e desvios estratosféricos de dinheiro público. Tudo em nome do poder e de uma hegemonia que não têm outro objetivo que não a sua eterna permanência.

Do outro lado do país, desde os grotões do Maranhão profundo, passando pelos sertões estéreis, até bater com os costados nas Alagoas, vive uma multidão emaciada e modorrenta que, depois de votar mais uma vez no PT e nos sobas e coronéis da região, espera de cócoras o próximo contracheque do Bolsa Família.

No meio do caminho os intelectuais, os pensadores geniais da nossa esquerda progressista, artistas influentes, a Academia e toda uma classe média “antenada” e que “sabe das coisas” tentam justificar o que não se justifica. É a mesma cantilena do “sempre foi assim”, ou “é tudo farinha do mesmo saco“. Pensando dessa maneira continuaríamos morrendo de sarampo e febre amarela ou esperando séculos na fila por uma linha telefônica.

O argumento é que a vida do pobre melhorou, diminuiu a miséria. Pode ser, mas vamos aos fatos. Estudos estatísticos sérios e consistentes comprovam que o processo de acumulação de renda no Brasil continua firme e forte. Pasmem: 5% dos brasileiros detêm 50% da renda nacional. É isso mesmo o que vocês estão lendo. E tem mais: 0,01% detém 20% da renda do país. O que aconteceu foi uma transferência de renda das classes médias para os estamentos mais pobres da população.

Uma parcela importante de brasileiros, que não é amparada pelo Bolsa Família e outras políticas sociais, perdeu renda, piorou a sua qualidade de vida, sacoleja horas a fio dentro de ônibus em imensos engarrafamentos ou apertada em trens caindo aos pedaços. Não tem Saúde, não tem Segurança, nem Educação e tampouco um bispo a quem se queixar. Por outro lado, o segmento mais pobre, incorporado ao Mercado, esgotou a sua capacidade de endividamento e, portanto, de consumo, e a Economia não anda, se arrasta sem planejamento nem horizontes. Mais que isso, esses cidadãos agora têm novas demandas, que o Estado é incapaz, por incompetência e falência, de suprir.

O Estado brasileiro gasta o que não tem e as empreiteiras sugam o que podem, sem falar nos parasitas que aproveitam para tirar o seu troco, uns 100 milhões de dólares cada um. E olha que eles são muitos. A conta não fecha, o modelo se esgota e se esgarça, e o Brasil, no lugar de olhar para o futuro, volta os seus olhos esperançosos para o juiz Sérgio Moro, no Paraná.

E tenho dito.

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ao todo.

5 Comentários

  1. Deise Esteves.   •  

    A sua voz e o seu pensamento, ou o contrário, descreve com muita lucidez o momento atual de nosso país. Só a derrubada da República e a volta da Monarquia para dar ordem a essa barbárie que reina em nosso país.

  2. fernando carvalho   •  

    Parece haver uma convergência em não assumir os “mal feitos” mas torna-los uma praga histórica…. Que começou no reinado do FHC (esta turma tem um trauma freudiana com o FHC).

    Ou seja, estariam fazendo o que sempre foi prática cotidiana em todos os governos. Pode ser que esta cambada esteja certa. Mas pergunto: isto os condena ou isto os absolve?

    Só que há uma diferença nisto tudo…. O roubo agora é institucionalizado (uma quadrilha) …. As ações são suportadas pelo aparelhamento do Estado em todos os níveis. A captura da ordem democrática institucional é mais que evidente.

    Parte da mídia já está capturada… Setores denominados progressistas não conseguem se desvencilhar de uma postura politica cristalizada nos anos 60 …

    Estamos num caminho perigoso …. Numa estrada tortuosa que pode nos conduzir a um retrocesso democrático e econômico.

    Antes de Peron a Argentina chegou a ser a sexta economia do mundo…

  3. bernardo   •  

    Pois é , Marcelo, enquanto o mundo civilizado já vive o futuro, nós ainda estamos no passado. Direita, esquerda. Y así pasán los dias…

  4. Leonardo Anibal   •  

    Cara, falou tudo

  5. Neline Carlos   •  

    E eu que sou parte do organismo saudável, a classe média (desculpa aí, Marilena Chaui) sem ajuda de programas sociais, estou me lascando com a conta dos parasitas.

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