DOZE DIAS SEM BRASIL

Por conta do casamento da filha, fiquei doze dias fora do país. Isolado em Dorset, no interior da Inglaterra, fiz questão absoluta de me desintoxicar da nossa melancólica realidade. Não tomei conhecimento do que se passava abaixo da linha do Equador. Mas foi em vão. Logo na segunda-feira o escândalo de corrupção na FIFA arrebenta nas manchetes dos jornais e, como não poderia deixar de ser, um brasileiro, o trêfego José Maria Marin, envolvido até o último fio de cabelo (aliás, convenientemente pintado como manda a estética dos pilantras), é devidamente enjaulado pelos agentes da lei. É o Brasil exportando tecnologia para o Primeiro Mundo. É nóis!!!!

Em seguida veio a imensa cara de pau e cinismo dos principais patrocinadores do Mundial de futebol: Visa, McDonald´s, Coca-Cola e Budweiser lançando notas oficiais entre indignadas e surpresas com as maracutaias descobertas na FIFA pelo FBI. Santa ingenuidade! Esses caras são uns cínicos e acham que nós somos idiotas. Convivendo anos e anos com a corja fifense, vai dizer que os sponsors oficiais nunca desconfiaram (quando não participaram) das jogadas mirabolantes que nada têm a ver com futebol. Fala sério… abusam de nossa paciência. Imaginem o que é que eles não misturam nos hambúrgueres do Big Mac? “Amo muito tudo isso!” – não é esse o slogan? Obra-prima de ato falho…

Mas prossigamos. Caminhava eu pelas plácidas ravinas do interior inglês, cercado de felpudas ovelhas e escutando o grasnar dos tordos, tudo é paz e quietude. Ter a oportunidade de escapar do seio da Mãe Gentil tem um efeito restaurador e até mesmo terapêutico. Mesmo assim, que inferno, minhas divagações me levam de volta aos problemas que me aguardam no Brasil. Fico pensando na conta que todos nós vamos ter que pagar por 12 anos de incompetência e desonestidade dos lulopetistas e seus comparsas. Vamos ter que liquidar essa conta imensa, esse buraco tremendo, e o pior, meus amiguinho(a)s, não tivemos nada a ver com isso. Muito ao contrário. Como dinheiro não desaparece no ar, tento quantificar a enorme transferência de renda proporcionada por mais de uma década de má gestão e roubalheira: “alguéns” ficou com essa grana toda, essa é que é a verdadeira Bolsa Famiglia.

A figura patética de Joaquim Levy no Ministério da Fazenda evoca um São Jorge de puteiro. Enquanto finge dar alguma ordem nas contas públicas, é atacado pelo PT além de sabotado pelo próprio governo a que serve com constrangedora subserviência. Afinal, que governo pode ser sério com as suas finanças enfileirando 39 ministérios?

Como se pode consertar o país se não temos ainda a menor ideia dos esqueletos escondidos nos armários do BNDES, dos fundos de pensão, da Eletrobrás, da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil e onde mais houver um centavo de recurso público para ser esbulhado?

Joaquim Levy tentando “consertar” o Brasil é o mesmo que chamar um homeopata para socorrer um baleado por um AK-47. E continuam meus pensamentos enquanto caminho junto aos seculares muros de pedra que me separam das florestas onde 800 anos atrás caçava o rei João Sem Terra, aquele que assinou a Magna Carta em 1215 e que, até hoje, vale como Constituição do Reino Unido.

Comparo a qualidade de vida no Patropi com a velha Albion. Como é cara a vida no Brasil! Mesmo sendo um(a) sujeito(a) bem de vida, você gasta um dinheirão e, mesmo assim, tem uma vida miserável. Não tem estrada, não tem aeroporto, plano de saúde, escola decente, enfim, nada. Também não pode sair à rua sem um segurança, pois arrisca a levar uma facada. Se for pobre então… esquece, porque é muito pior.

No Brasil o Estado é o algoz do cidadão. Escorchando as pessoas de bem através de impostos dinamarqueses, devolve à sociedade uma vida de refugiado africano à deriva no Mediterrâneo. O Estado brasileiro, parasita, suga o cidadão trabalhador até a última gota e, pior, ainda o trata como bandido. Bem, cá estou de volta à nossa pocilga auriverde… Vida que segue.

E tenho dito.

1 comentário

  1. Betty   •  

    Que foto! Onde é?

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